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Capa da edição nº 71 do Jornal de Espiritismo

71Jornal de Espiritismo nº 71

Junho 2015 · 19 secções · ≈ 76 min de leitura

A edição 71 do Jornal de Espiritismo aborda temas como a relação entre psiquiatria e espiritismo, a importância da fé e da valorização do bem-estar. Inclui uma entrevista com Gláucia Lima e informações sobre o livro "Uma História Luso-Brasileira". A seção de correio responde a leitores sobre mediunidade e o processo de luto, ressaltando que o esclarecimento e a caridade são essenciais para lidar com os desafios da vida e da espiritualidade.

Espiritismo
Mediunidade
Perda
Saúde Mental
Comunicação

Capa

Página 11 min

71 ANOXII JDE JULHO . AGOSTO . 2 0 1 5 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 A entrevista que Gláucia Lima, psiquiatra e estudiosa de espiritismo, deu a Fátima Lopes na televisão no passado dia 9 de junho, no programa “A tarde é sua”, da TVI, teve um verdadeiro “boom” de partilhas nas redes sociais da internet, já para não falar da audiência em direto… 17 LITERATURA UMA HISTÓRIA LUSO-BRASILEIRA O livro «Uma História Luso- Brasileira» de Paulo Mourinha foi publicado recentemente pela Federação Espírita Portuguesa… 5 CONSULTÓRIO PSIQUIATRIA E ESPIRITISMO Gláucia Lima, psiquiatra, responde a perguntas dos leitores, relacionando medicina e ótica espírita.

9 NOTÍCIA ENJE CONTAM 30 ANOS «Este ano os Encontros Nacionais de Jovens Espíritas fazem 30 anos!».

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Editorial / Conto Julho.agosto.2015

Página 25 min

EDITORIAL / CONTO JULHO.AGOSTO.2015 Palavras sem contexto bem definido induzem conclusões extraviadas. Extraviadas é pouco, é justo dizer transtornadas. Quanto mal-entendido! Quanta suposição alienada. Pessoa que muito estimamos depois de algum tempo passado deu um olá na rede social. Ausente, respondo depois com simplicidade espontânea, sabedor da absorvência da sua profissão, da exigência de formações pós-profissionais e do seu papel de mãe: «Que bom!

Ainda tens tempo para te lembrares de mim? Vou sabendo de ti por amigos comuns», etc. No dia seguinte a chamada escrita surpreendeu: «Bom dia! Não digas isso que me deixas triste. Claro que me lembro de ti... por favor». Percebi por fim que a mesma frase tinha várias leituras, subjetivas, verdadeiramente opostas à minha, uma delas no caso em jeito de cobrança, o que nunca faria nem em pensamento, mas decerto habitual no mundo em que vivemos.

Expliquei, passou. O que aprender com isso? Ponderar mais um pouco o que escrevo ou venha a dizer. Dá que pensar. Esperar o pior mediante um facto parece ser alerta de sobrevivência construído em muitos milénios. Resvalou para o inconsciente. Reaparece, contumaz. Ter expectativas menores sobre a vida que se constrói em todos os agoras que atravessamos é argamassa que ergue obstáculos entre o mundo interior de cada um e a viabilidade de cada um ser bem mais feliz desde já.

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Correio Julho.agosto.2015

Página 33 min

CORREIO JULHO.AGOSTO.2015 Tenho um espírito à minha volta Todas as questões colocadas merecem o cuidado de uma resposta fraterna. Escolhemos duas. Ilda escreveu: «Bom dia, gostaria de saber onde posso encontrar um bom médium na zona de Castelo Branco. Tenho um espírito à minha volta, não sei como me livrar dele. Há 3 dias estava a rezar (…) de repente apareceu essa nuvem à minha frente, vi como uma cara. Todas as noites sinto muito frio, como alguém que dorme meu lado.

Perdi o meu marido há 4 anos. Sei que ele nunca aceitou a morte, era uma pessoa muito agarrada aos seus bens, avarento. Também sei que ele não abalou, anda aqui porque sinto muito cheiro dele agarrado a mim, por isso não sei como ajudar a partir. (…) Obrigada». O missivista de serviço respondeu: «Olá Ilda, aquilo que relata pode ser manifestação de uma faculdade do organismo a que chamamos mediunidade, ou perceção extra-sensorial.

Como sabe, não existe apenas o mundo que os nossos olhos e os nossos ouvidos percecionam. Existe aquilo a que se convencionou chamar o Mundo Espiritual, onde vive gente como nós. Os antigos chamavam a esse o “Mundo dos Mortos”, mas hoje sabemos que o termo é inapropriado, pois quem «morreu» está tão vivo como nós. Toda a gente, em maior ou menor grau, numa ou outra altura da vida, tem a capacidade de sentir impressões, sensações, mensagens, que chegam desse mundo paralelo.

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FEP Evangelização espírita infantil No Centro Espírita, apresentam-se

Página 44 min

FEP Evangelização espírita infantil No Centro Espírita, apresentam-se muitas oportunidades de trabalho para aqueles que desejam se dedicar à Causa. A evangelização espírita infantil é uma dessas portas que se abrem. No entanto, cada vez mais se torna escasso o trabalhador nessa seara, tendo em vista que o trabalho requer não só a presença do voluntário no dia e hora da atividade, mas, também, que haja um preparo prévio das atividades a serem desenvolvidas, reuniões de planeamento e avaliação, além do estudo da Doutrina Espírita e do Evangelho de Jesus.

Para ser evangelizador, vários são os requisitos para um bom desempenho do trabalho, que devem ser conquistados a cada dia. Um deles, talvez o mais importante, é o amor, o envolvimento afetivo, para que se possa acolher a criança nas suas variadas necessidades, e, através da presença, contribuir com a formação cidadã da alma em sua marcha ascensional. Todavia, como amar a criança que chega, se ainda não temos desenvolvido este sentimento em nós mesmos?

Através do exercício diário e constante de pensar no outro e acolher cada vez mais o outro nas suas necessidades. É deixar que a centelha divina, ínsita em nosso ser, desabroche a cada dia. Algumas vezes, a criança chega à evangelização sem disposição para estar ali, vendo-se obrigada pelos pais, com sono porque dormiu tarde no dia anterior, quiçá desejando estar em algum lugar que não aquele. Muitas vezes, leva tempo até começar a sintonizar com a proposta de trabalho para aquele dia, necessitando da perceção aguçada do evangelizador, que terá a chave para abrir o coração do evangelizando.

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Consultório Julho.agosto.2015

Página 55 min

CONSULTÓRIO JULHO.AGOSTO.2015 foto loucomotiv Hiperatividade e défice de atenção «Tenho um filho de 8 anos e foi-lhe diagnosticada Hiperatividade e défice de atenção. Está a ser medicado, mas, já houve quem me dissesse que o seu problema era espiritual. Que devo fazer? Acha que também pode ser mediunidade?», indaga Maria do Carmo. Dr.ª Gláucia LimaInicialmente vamos definir a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), como “um transtorno neurobiológico, de origem genética, de longa duração, que tem início na infância, podendo persistir pela idade adulta, comprometendo o funcionamento da pessoa em vários setores da sua vida”.

A sua etiologia é multifatorial, “resultando de uma interação de fatores: genéticos/hereditários, neurobiológicos e ambientais”. Esta complexidade de fatores resulta na variabilidade da expressão dos sintomas aquando do seu aparecimento, como a idade e a severidade dos sintomas. Apesar de ser uma patologia muito mediática no presente, acomete 5 a 8% das crianças em idade escolar, tendo uma prevalência mundial em torno de 5,3 (3 a 5 milhões de crianças tem este diagnóstico em todo mundo).

Está definido o fator genético, sendo que 25% das crianças com PHDA têm um familiar próximo com o diagnóstico; existe o risco aumentado de 30 a 40% entre irmãos e entre gémeos monozigóticos (verdadeiros) o risco chega a ser de 90%. De acordo com estudos de neuroimagem, como PET (tomografia por emissão de positrões), SPECT (tomografia por emssão de fotões) ou RMf (Ressonância Magnética funcional) as crianças com PHDA apresentam diferenças estruturais no cérebro, como também funcionais, relacionadas a diminuição da substância cinzenta nos lobos frontais e gânglios da base, havendo também uma disponibilidade alterada da dopamina e da noradrenalina nos circuitos neuronais, estando também definida uma causa orgânica, neurobiológica.

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Notícias Julho.agosto.2015

Página 63 min

NOTÍCIAS JULHO.AGOSTO.2015 Divaldo Pereira Franco em Portugal Uma gripe portuguesa, que degenerou em pneumonia, levou-o a cumprir a muito custo apenas parte do périplo previsto, regressando no dia 28 de Abril ao Brasil, a fim de se tratar do problema de saúde. Nos seus quase 88 anos, nem uma gripe o impediu de efectuar parte do seu périplo, dando um exemplo notável de garra, determinação e entrega ao próximo. Logo no dia 22 de Abril, o espaço em Setúbal encheu para receber o Embaixador Mundial da Paz, título atribuído por uma notável instituição Suíça.

No dia 23 de Abril, em Santarém, proferiu uma conferência na Associação Cultural Espírita Santarém, às 21h00, para um público composto por mais de 400 pessoas, disposto em três grandes salas. Divaldo fez notável palestra sobre a mulher na sociedade, começando por fazer uma homenagem à D. Maria Luísa, pioneira do Espiritismo em Santarém, no tempo da ditadura de Salazar, em que o Espiritismo era perseguido e proibido, para depois contar a história de Maria de Magdala, prendendo o público com o seu verbo fluído e cativante, terminando com um convite à melhoria íntima de cada um, no processo inevitável de auto-iluminação.

Divaldo Franco contou ainda casos pitorescos, como quando foi palestrar pela primeira vez, na casa simples e humilde da D. Maria Luísa, para cerca de 28 pessoas, num espaço pequeno e abafado, às escondidas da polícia política do regime ditatorial e onde as pessoas para não baterem palmas e com elas alertarem os vizinhos, levantavam as mãos agitando-as levemente no ar, manifestando assim o seu agrado. No dia 24, Divaldo Franco rumou à Associação Espírita Leiria, e no seu compromisso com a doutrina espírita, o infatigável orador e médium brasileiro doa-se inteiramente ao seu próximo, apresentando as dúlcidas lições de Jesus, bem como o esclarecimento e o consolo que a doutrina codificada por Allan Kardec propicia aos que dela se aproximam e tomam-lhe os ensinamentos.

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Notícias Julho.agosto.2015 (pág. 7)

Página 75 min

NOTÍCIAS JULHO.AGOSTO.2015 Jornadas de Cultura Espírita: Caldas da Rainha A abertura do evento, inicialmente programada para ser com a presença de Divaldo Pereira Franco (que teve de regressar ao Brasil por motivos de saúde), o maior divulgador espírita do mundo, constou de um momento musical com João Paulo Gomes ao violino, um filme de abertura e, um ESPECIAL DIVALDO FRANCO, momento esse muito emotivo e informativo, acerca da vida e obra deste grande personagem ao nível mundial.

O presidente da Federação Espírita Portuguesa (FEP) dirigiu uma saudação a todos os presentes e seguiram-se várias conferências. Lígia Pinto, médica abordou a temática da depressão e suicídio, Ulisses Lopes, presidente da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) falou sobre os vícios, como mecanismos de fuga. José Esteves Teiga, vice-presidente da FEP apresentou as obras de 7 autores portugueses, espíritas, obras essas editadas pela FEP e cujo lucro reverte integralmente para a divulgação do Espiritismo, para a FEP.

Seguiu-se interessante palestra da Drª Gláucia Lima, médica, sobre “Viver melhor: a ânsia de cada um”. A professora Ana Duarte abordaria a temática “Aceitar o outro na diferença” e José Lucas o tema “Relações interpessoais”, terminando o 1º dia deste evento com 4 música à viola com o professor Reinaldo Barros. O dia 2 de maio traria novas caras, novos temas e novas dinâmicas. Após o reinício das atividades, a professora Manuela Vieira falou sobre “Começar de pequenino” realçando a importância da educação espírita no homem do futuro.

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Notícias

Página 83 min

Convívio Nacional da Criança Espírita No pretérito dia 31 de maio, realizou-se, em Leiria, mais um Convívio Nacional da Criança Espírita, o XIX CONCESP. Promovido pela Associação Espírita de Leiria, o tema foi, como sempre, alusivo às unidades estudadas na evangelização, sendo que este ano a temática escolhida foi a prece, “Pai do Céu, vamos conversar”. Neste convívio anual, estiveram presentes crianças dos 3 aos 12 anos, oriundas de vários locais do país, evangelizadores, pais e outros responsáveis pela educação espírita.

O dia revestiu-se de vários eventos, tendo sido a manhã preenchida com atividades de representação e animação, desenvolvidas pelas crianças das várias Associações Espíritas intervenientes. Sempre a animar estiveram presentes, a Minnie, o Mickey e até o Pateta. O empenho, a organizaçãoea sintonia foram elementos sempre muito presentes, o ambiente era de grande alegria e cumplicidade. Seguiu-se o almoço-convívio, onde as crianças tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor e de interagir.

Da parte da tarde, a surpresa… as atividades no exterior, organizadas por pequenos grupos, de acordo com as faixas etárias, tendo sempre como pano de fundo a temática do convívio. Esta atividade não podia deixar de estar relacionada e o mote foi comum a todos: “Busca pelos Superpoderes – ao fazer a prece, ganho superpoderes!”. Os mais pequeninos desenvolveram atividades dentro da associação, realizando pequenos circuitos na procura das pistas.

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Notícias (pág. 9)

Página 94 min

Encontro Nacional de Jovens Espíritas «Foi deveras importante os nossos jovens irem a este evento», diz Raquel, do Centro de Cultura Espírita sediado em Caldas da Rainha que acompanhou os jovens desta associação sem fins lucrativos, «onde todas as atividades foram delineadas por jovens e para jovens, com dinâmicas espectaculares: de partilha, de interajuda, de conhecimento do outro e de criação de laços positivos de proximidade e de relação».

Este ano, duas monitoras com três jovens entre os 13 e os 15 anos partiram rumo à Costa da Caparica onde decorreu o evento: «O Inatel foi o espaço onde fomos recebidos e onde iria decorrer o encontro», no caso o 32.º, desta vez sob organização da União Espírita da Região de Lisboa. O primeiro dia contou com a «abertura de Divaldo Pereira Franco que, com a sua habitual eloquência, humor e humildade, através de uma lenda fê-los compreender o quão importante era ter a consciência que em tudo na vida pode haver duas saídas: ou se fica na tristeza remoendo o passado, inativo e sem outros horizontes, ou se vai pelo otimismo e, apesar de enfrentarmos as dificuldades, conseguimos ver as belezas que nos cercam e acabar por perceber que tudo acontece com um propósito».

Seguiu-se «a divisão dos participantes em grupos para desenvolvimento de atividade subordinada ao tema “A NOVA ERA”. Uns escolheram a arquitetura, outros a tecnologia, os deveres e a cidadania, o ambiente, a tecnologia, a arte. Teve lugar depois a exposição dos trabalhos», diz Raquel. Houve também o «ensaio de uma coreografia em que todos participaram, a apresentação dos trabalhos executados pelos diferentes grupos e depois cada grupo pôs dentro de uma caixa, que simbolizava a cápsula do tempo, uma carta em que falavam do que seria a Nova Era na perspetiva do seu trabalho.

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Atualidade

Página 101 min

Nem sempre isso ocorre com bons conteúdos mas, no caso, os leitores podem deitar qualidade nisso porque não há volta a dar: a entrevista foi excelente. Desmistificou mitos a eito! Quem ainda não viu encontra-a no Youtube.* É certo que uma ou outra pessoa fora de contexto estranhará que uma distinta médica se interesse pela doutrina espírita e pela mediunidade, aquela sensibilidade que de alguma forma permite passar mensagens do plano espiritual para o plano material.

Mas, sabe, a verdade é que se puxarmos o filme atrás, encontramos historicamente no movimento espírita portuguêsantes da reEspiritismo e Medicina: uma atração natural A entrevista que Gláucia Lima, psiquiatra e estudiosa de espiritismo, deu a Fátima Lopes na televisão no passado dia 9 de junho, no programa “A tarde é sua”, da TVI, teve um verdadeiro “boom” de partilhas nas redes sociais da internet, já para não falar da audiência em direto.

pressão da ditadura salazarista (terminada em 25 de abril de 1974) que perseguiu também os simpatizantes do espiritismo -, por exemplo, Amélia Cardia (1855/1938), uma das primeiras cinco senhoras portuguesas a licenciar-se em Medicina no país. A sua tese de licenciatura foi sobre “Febre Hystérica”. Não foi apenas médica, também deixou serviço como escritora. Com apenas duas décadas de distância, temos um outro grande vulto do movimento espírita português do início do século XX, António Joaquim Freire (1877/1958), também ele médico e espírita.

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Atualidade (pág. 11)

Página 118 min

grandes jornais diários, como o hoje extinto jornal “O Comércio do Porto” e o ainda existente “Jornal de Notícias”. Ambos os médicos foram fundadores da Federação Espírita Portuguesa, anos depois dizimada pela ditadura. Hoje em dia há até em Portugal várias associações sem fins lucrativos conhecidas como associações médico-espíritas, formadas por médicos e, supomos, outras pessoas com profissão ligada aos serviços de saúde, a exemplo do que ocorre há décadas no Brasil.

Com esta onda, que se generaliza a outras profissões (por exemplo, militares, jornalistas), já que só nos tempos livres pós - -profissionais se ocupam os espíritas destas atividades, encontramos uma entrevista que fizemos antes de haver computador lá em casaera máquina de escrevercom António Ferreira Filho, esculápio que foi um dos fundadores da primeira associação de médicos nos seus tempos livres adeptos do espiritismo do mundo, a AMESP – Associação Médico-Espírita de Estado de São Paulo (Brasil).

Veja como se interessou ele a dada altura da sua vida adulta pelo espiritismo... À conversa com o Dr. António Ferreira Filho Estamos em meados da década de 1980. António Ferreira Filho era na altura vice-presidente da AMESP e a entrevista foi possível graças à gentileza da Dr.ª Maria Júlia Prieto Peres, na Rua Maestro Cardim, em São Paulo, Brasil. Este médico, na altura com 73 anos, hoje obviamente desencarnado, filho de pais europeus (Portugal e Itália), de voz encorpada e tão frontal a responder quanto simpático, era membro honorário da Sociedade Portuguesa de Radiologia, assinalou, pelo facto de saber que o entrevistador é português.

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Entrevista

Página 123 min

De Belo Horizonte, Brasil, é professora e nos seus tempos livres pós-profissionais desenvolve uma extensa atividade desde 1974. É dirigente da Sociedade Espírita Maria Nunes, colabora com outras instituições, inclusive é atualmente vice-presidente do conselho de administração do Hospital Espírita André Luiz. Oportunamente, colocámos-lhe algumas perguntas com vista a publicar uma entrevista neste jornal. - Espiritismo: uma doutrina para todos ou para uma elite?

Juselma CoelhoA doutrina espírita é dos Espíritos, não é dos homens. Kardec codificou-a, mas quem a trouxe a lume foram os Espíritos. Portanto, ela é de todos nós, compreensível na proporção da maturidade de cada um. À medida que avançamos evolutivamente, mais a compreendemos e mais reconhecemos a sua grandeza. - Como pedagoga, como vê a dificuldade que os centros espíritas têm em levar a doutrina às pessoas, fechando-se por vezes dentro de quatro paredes?

Juselma Coelho – A doutrina espírita é tão profunda e tão simples! Ela faz-nos penetrar na profundidade das leis naturais e, por isso não se deixa prender por ninguém. Ela não é dos homens, é dos Espíritos! Cada um, pela vivência das leis divinas, vai encontrá-la na sequência evolutiva da vida, vai compreendê-la e vivenciá-la na proporção de sua maturidade. - Sendo o espiritismo uma doutrina que esclarece e consola, como fazer para esclarecer e consolar a sociedade, sedenta de esperança?

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Opinião

Página 133 min

É um assunto que foi pesquisado e estudado pela primeira vez no mundo, por Allan Kardec, que teve o cuidado de elaborar um manual para que, quem tivesse essas características, aprendesse a lidar com elas: “O Livro dos Médiuns”. Esta característica é uma espécie de sexto sentido, que todos temos e, que na maioria das pessoas, está adormecida. Aqueles que a têm desenvolvida são apelidados de médiuns (as pessoas confundem médiuns com espíritas, mas não são a mesma coisa; o médium é aquele que tem a capacidade de captar o mundo espiritual, é uma capacidade orgânica, pode ser ateu, de uma religião qualquer, agnóstico, espírita, etc; o Espírita é o adepto da ideia espírita, tenha ele mediunidade ou não; obviamente, a Doutrina Espírita utiliza a mediunidade para intercambiar, de uma maneira séria e controlada, com o mundo espiritual).

Hoje em dia, uma grande parte da população está a desabrochar essa capacidade que, é inerente a todo o ser humano. Quem não sabe lidar com esta situação nova, estranha, sofre, inquieta-se e, de um modo geral acaba numa Associação Espírita a estudar e a aprender a lidar com esta faculdade, após terem deambulado por charlatães, tarólogos, mulheres de virtude, exorcistas, reiki, psiquiatras, etc. O Prof. Dr. Mário Simões, professor de medicina e de psiquiatria em Lisboa, confessou numa entrevista dada à “Notícias Magazine”, no fim da década de 90, que as Associações Espíritas prestavam uma preciosa ajuda à medicina e à psiquiatria, ao auxiliarem as pessoas com mediunidade, pois a medicina actual não o sabe fazer.

Gláucia Lima, médica psiquiatra, cientista, efetuou uma pesquisa científica para a Fundação Bial, Portugal, onde demonstrou que o ser-se médium nada tem a ver com patologias e, que os médiuns pesquisados e investigados (em estado de vigília e em estado de transe – estado modificado de consciênPrincesa assume mediunidade cia) eram pessoas perfeitamente normais. Nos Evangelhos, Jesus referia esta mesma época actual, em que a mediunidade se generalizaria (os velhos terão visões, os jovens profetizarão, etc...)

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Opinião (pág. 14)

Página 145 min

O altruísmo pode ser uma coisa boa, exceto se o leitor for um biólogo evolucionista (que defende a teoria da evolução de Darwin). Nesse caso, o altruísmo tanto pode ser um mistério como uma maldição. Afinal, como é que a seleção natural pode conviver com indivíduos – humanos ou não-humanos – que ajam de forma difícil para si mesmos, mas de forma útil para os demais? O próprio Darwin estava ciente deste dilema e procurou esboçar algumas soluções.

Porém, foi só no século XX que o altruísmo se tornou relevante para os biólogos evolucionistas. Várias soluções têm sido propostas. Uma delas nega que o altruísmo exista na natureza ou que é tão raro que não vale a pena perder tempo com ele. Outra solução formula teorias segundo as quais a seleção natural é tão forte que prevê a existência de altruísmo, ainda que essas teorias não tenham sabido, até agora, definir o nível em que atua a seleção natural.

Será que seleciona os organismos mais aptos, os genes mais fortes, populações, espécies? Assim, o problema do altruísmo tornou-se inseparável dos níveis de seleção natural. David Wilson, biólogo e antropólogo, tem defendido a teoria da seleção multinível. Explica o cientista que se a única unidade de seleção fosse o organismo seria de esperar que não houvesse a evolução de traços altruístas ou bondosos. Passou-se a postular que, no mínimo, teria de existir um nível superior no qual a seleção natural poderia operar: o grupo.

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Opinião (pág. 15)

Página 152 min

A notícia vinha na página* e, no essencial, o que aconteceu foi o seguinte: “O caso ocorreu no Kentucky (EUA): um menino de 5 anos matou, acidentalmente, a própria irmã, de 2 anos. A menina foi vítima de um disparo, enquanto as crianças brincavam em casa. A arma, uma versão para crianças de uma espingarda, tinha sido um presente de aniversário. A polícia está a investigar esta morte.” Todos nós verberamos a violência, todos somos pacifistas, todos somos contra as guerras, mas, no nosso dia-a-dia somos os autores dessa mesma violência que, ora vive latente no nosso imo à espera de um despoletador para sair, seja como uma agressão mental, verbal ou física, ora se desdobra em atitudes lamentáveis quando somos confrontados com a frustração ou com a oposição dos nossos ideais.

Desconhecendo que somos seres imortais, temporariamente num corpo carnal, em busca da perfeição intelectual e espiritual ao longo das múltiplas reencarnações, o homem jaz aprisionado aos seus conceitos imediatistas e materialistas, impregnado num egoísmo feroz, na vaidade, no orgulho, que são em essência a causa de todos os males na Terra. Com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) comprovou-se a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação, o que aliado à existência de Deus e à pluralidade dos mundos habitados, ficamos com um roteiro seguro para que possamos entender a Vida nos seus pormenores mais escondidos, explicando-nos quem somos, de onde viemos, para onde vamos e do porquê das dissemelhanças de oportunidades nesta existência carnal.

Aprendemos com o espiritismo que existe uma Lei de Causa e Efeito, onde, como já ensinara Jesus de Nazaré, a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória. Nesse sentido, ficamos a meditar como os EUA repararão os milhões de mortes que provocam pelo mundo fora, em guerras interesseiras… Ficamos a meditar na tristeza de um país onde ainda existe a pena de morte, desconhecendo que o Espírito expulso violentamente pela sociedade através da pena de morte, continua a interagir com essa mesma sociedade, agora no mundo espiritual, voltando certamente a reencarnar no mesmo meio (agora ainda mais violento), até que essa sociedade o eduque.

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Por entre sacudidelas intempestivas e paragens abruptas, repetia este

Página 166 min

chorrilho mental para memorizar os movimentos: “Pé esquerdo vais à embraiagem, mão direita engatas a mudança ao cantinho…” E quando já estava pronto para arrancar alguém lembrava, com alguma razão, que não devia esquecer de pôr os olhos na estrada. Ainda mais essa! Era preciso estar totalmente focado para que nada escapasse. Alguns anos depois, dominada a técnica e criado o automatismo da condução, já ninguém manda o pé esquerdo ir ao pedal da embraiagem, ele sabe o que tem que fazer sem que conscientemente lho indiquemos.

Ao estabelecer modelos de ação que não são questionados de um modo consciente, os hábitos permitem diminuir a ansiedade e o stresse. É como se nos programássemos para agir de uma determinada forma: Perante X Faço Y Para Atingir Z. Esta programação fica tão impregnada no nosso psiquismo através da repetição de um comportamento que, perante a situação X, o inconsciente passa a agir de forma automática sem nos perguntar se o deve fazer.

E ainda bem que é assim porque existem tarefas em que o inconsciente trabalha muito melhor sem uma constante intromissão consciente. Os hábitos fazem parte da nossa vida, são eles que dirigem muitas das tarefas diárias que realizamos de forma automática. Mas nem tudo é cor-de-rosa no fantástico mundo dos hábitos. Resvalar para a rotina é um dos problemas mais frequentes. Ao entregarmos a nossa vida ao piloto automático, robotizamo-la, e embrutecidos pelo tédio, embotados na indiferença pelas subtilezas quotidianas, a rotina vai contagiando não apenas as tarefas diárias como também relacionamentos, emoções e ideias.

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Literatura / Vídeo

Página 174 min

LITERATURA / VÍDEO Uma história luso-brasileira Vivo por dentro JULHO.AGOSTO.2015 Quando o realizador Michael Rossato - -Bennett acedeu à persistência do assistente social Dan Cohen para que filmasse durante um dia a sua experiência envolvendo música e pessoas com doenças neurológicas degenerativas, ele não estava certamente preparado para o que iria encontrar. Nesse dia, eles assistiram ao inacreditável renascimento de Henry, um acabrunhado velhinho de 95 anos que sofria de demência há uma década.

Até ao contacto com a música, ele passava os seus dias prostrado, sem chama aparente para interagir com o mundo à sua volta. Mas, ao ouvir os primeiros acordes, os seus olhos ganharam de súbito uma vitalidade surpreendente e o rosto de Henry iluminou-se como uma preguiçosa madrugada de um dia de Primavera. Era como se ele estivesse a despertar de um sono profundo. Aquele velhinho cantou embalado pela música mas, o mais emocionante, é que ele recordou-se.

Lembrou-se da sua juventude, da bicicleta, das suas músicas favoritas, pormenores e detalhes minuciosos do que tinha sido a sua vida. Durante algum tempo, Henry readquiriu a sua identidade através da magia da música. Michael, o realizador, ficou tão comovido com aquela experiência que decidiu seguir Dan Cohen durante três anos, resultando desse trabalho o documentário “Vivo por Dentro”. E se existissem mais pessoas que fosse possível despertar?

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direitos reservados Chama-se Joana Pato

Página 185 min

foto direitos reservados Chama-se Joana Pato. Conta 49 anos, tem a profissão de cabeleireira, e mora em Oliveira do Bairro. Como conheceu o Espiritismo? Joana Pato – Conheci o espiritismo há 7 anos, depois de tentar por todos os meios o alívio do meu sofrimento (caí numa depressão profunda) e nada nem ninguém me curava, pois o meu problema não era físico, mas espiritual. Um dia, um amigo (meu atual companheiro) levou-me a um centro espírita e até hoje continuo lá, e continuarei, satisfeita e feliz.

Frequenta algum centro espírita? Joana Pato – Sim, frequento. Sou trabalhadora da Associação Espírita Luz e Paz, de Aveiro. Qual a sua opinião acerca do “Jornal de Espiritismo”? Joana Pato – Uma luz, ensinando, ajudando e esclarecendo, quem tem vontade de evoluir Entrevista a frequentadores Entrevista a dirigentes Nuno Miguel Amaral Mateus tem 44 anos e é natural de São Tomé e Príncipe. Comerciante, frequenta o Grupo Espírita Centelha de Luz, que fica na Rua de Vilar, fracção B, em Aveiro.

É fundador, trabalhador e dirigente desta associação sem fins lucrativos. Trata-se de «um centro pequeno, com formação recente (quatro anos )», sendo «quatro dos sete elementos trabalhadores da seara há já alguns anos». foto direitos reservados Como conheceu o espiritismo? Nuno Mateus – Conheci o Espiritismo através dos meus pais, frequentadores de uma casa espírita em que o dirigente era amigo da família. O meu pai vinha de um quadro de AVC que lhe deixou algumas mazelas.

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site a ADEP disponibiliza uma lista de Centros Espíritas nacionais, co

Página 196 min

O site a ADEP disponibiliza uma lista de Centros Espíritas nacionais, com os respetivos endereços e contactos? Aos médiuns com quem investigou os fenómenos mediúnicos, entre eles Kate Fox, Florence Cook e Daniel Dunglas Home, sir William Crooks impunha as suas próprias condições, tais como:” que as experiências fossem na sua própria casa, com a sua própria seleção de amigos e espectadores e podendo fazer o que achasse melhor quanto a dispositivos”?

Jonathan Koons, fazendeiro no Ohio, EUA, foi o primeiro médium moderno conhecido a obter, em sua casa, fenómenos de voz direta em que o Espírito denominado John King falava através de uma pequena trombeta? Porque a lei da reencarnação é válida também para os animais estes poderão retornar mais que uma vez ao mesmo lar que os abrigou? Há muito, muito tempo havia um comerciante rico que tinha três filhos. Eram, os três, muito preguiçosos.

Não queriam estudar, nem trabalhar. O comerciante vivia preocupado, pois não sabia a quem deveria deixar o seu negócio. Depois de pensar várias semanas sobre o assunto, decidiu que o deixaria a quem provasse ser mais inteligente. Reuniu os três filhos e disse: - Meus filhos, um dia eu morrerei e o meu negócio terá de ficar para um dos três. Decidi então deixá-lo a quem provar ser o mais esperto. Para tal, terão de realizar uma tarefa.

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