Correio Julho.agosto.2015
Jornal de Espiritismo nº 71 · Junho 2015Página 33 min
CORREIO JULHO.AGOSTO.2015 Tenho um espírito à minha volta Todas as questões colocadas merecem o cuidado de uma resposta fraterna. Escolhemos duas. Ilda escreveu: «Bom dia, gostaria de saber onde posso encontrar um bom médium na zona de Castelo Branco. Tenho um espírito à minha volta, não sei como me livrar dele. Há 3 dias estava a rezar (…) de repente apareceu essa nuvem à minha frente, vi como uma cara. Todas as noites sinto muito frio, como alguém que dorme meu lado.
Perdi o meu marido há 4 anos. Sei que ele nunca aceitou a morte, era uma pessoa muito agarrada aos seus bens, avarento. Também sei que ele não abalou, anda aqui porque sinto muito cheiro dele agarrado a mim, por isso não sei como ajudar a partir. (…) Obrigada». O missivista de serviço respondeu: «Olá Ilda, aquilo que relata pode ser manifestação de uma faculdade do organismo a que chamamos mediunidade, ou perceção extra-sensorial.
Como sabe, não existe apenas o mundo que os nossos olhos e os nossos ouvidos percecionam. Existe aquilo a que se convencionou chamar o Mundo Espiritual, onde vive gente como nós. Os antigos chamavam a esse o “Mundo dos Mortos”, mas hoje sabemos que o termo é inapropriado, pois quem «morreu» está tão vivo como nós. Toda a gente, em maior ou menor grau, numa ou outra altura da vida, tem a capacidade de sentir impressões, sensações, mensagens, que chegam desse mundo paralelo.
O Espiritismo estuda esses fenómenos na obra «O Livro dos Médiuns», de Allan Kardec, que já tem século e meio, mas continua atual. E hoje, há cientistas que usam as modernas tecnologias para aprofundarem o conhecimento acerca dos mecanismos da mediunidade, demonstrando assim que a morte não existe. Para obter esclarecimento e auxílio para o seu caso, aconselhamos que procure o apoio de uma associação espírita. Aí perto, infelizmente, ainda não há nenhuma, que saibamos.
Tente por exemplo uma destas (…). Os banhos de sal, os defumadouros de alecrim, nada disso adianta. Os Espíritos são apenas pessoas como nós. Não há rituais ou amuletos, rezas ou esconjuros, que os atraiam ou afastem. O esclarecimento, sim, pode trazer-nos de volta à paz e à harmonia interiores. Abraço amigo!». “Quero ser feliz e algo não me deixa” Escreve Josiane: «Boa noite, há cerca de 7 meses morreu num acidente de carro uma pessoa que amei muito.
Foram quase 3 anos juntos, esta pessoa fez-me sofrer imenso. Na altura do acidente já não estávamos juntos, embora eu finalmente acabasse por conseguir abandonar a relação. Ele perseguia-me no trabalho, telemóvel, casa. Quinze minutos antes do acidente ele mandou-me uma mensagem à qual respondi com negação, a resposta que recebi foi “Um dia tudo muda” e mudou para sempre. Sempre me senti estranha em relação a certas coisas na minha vida, tipo sensação de presença de alguém mesmo estando sozinha, e pensava que fosse algo da minha cabeça, mas a verdade é que depois que ele morreu coisas muito estranhas me acontecem (…).
Na verdade acho que preciso perdoar todo o mal que ele me fez e, mesmo que o diga, sinto que não sai do coração. Quero ser feliz e algo não me deixa. Encontrei uma pessoa que me ama e só me faz bem, mas não consigo ser feliz». A resposta seguiu: «Cara Josiane, tudo o que acontece na vida são experiências, que se bem aproveitadas, podem ser iluminativas para o presente e futuro. Não devemos chorar pelo leite derramado, como diz o povo.
Relativamente ao seu ex-companheiro, sugerimos que o inclua nas suas preces sinceras e, de resto, desligue a mente do assunto. Viva o presente, em direção ao futuro. Sugerimos que procure um centro espírita idóneo, na sua área de residência e procure ajuda, orientação. Pode e deve estudar o assunto, lendo os livros de Allan Kardec, fazendo um estudo da doutrina espírita mais intensivo (pode fazer em www.adeportugal.org um curso básico de espiritismo on-line, gratuito).
