FEP Evangelização espírita infantil No Centro Espírita, apresentam-se
Jornal de Espiritismo nº 71 · Junho 2015Página 44 min
FEP Evangelização espírita infantil No Centro Espírita, apresentam-se muitas oportunidades de trabalho para aqueles que desejam se dedicar à Causa. A evangelização espírita infantil é uma dessas portas que se abrem. No entanto, cada vez mais se torna escasso o trabalhador nessa seara, tendo em vista que o trabalho requer não só a presença do voluntário no dia e hora da atividade, mas, também, que haja um preparo prévio das atividades a serem desenvolvidas, reuniões de planeamento e avaliação, além do estudo da Doutrina Espírita e do Evangelho de Jesus.
Para ser evangelizador, vários são os requisitos para um bom desempenho do trabalho, que devem ser conquistados a cada dia. Um deles, talvez o mais importante, é o amor, o envolvimento afetivo, para que se possa acolher a criança nas suas variadas necessidades, e, através da presença, contribuir com a formação cidadã da alma em sua marcha ascensional. Todavia, como amar a criança que chega, se ainda não temos desenvolvido este sentimento em nós mesmos?
Através do exercício diário e constante de pensar no outro e acolher cada vez mais o outro nas suas necessidades. É deixar que a centelha divina, ínsita em nosso ser, desabroche a cada dia. Algumas vezes, a criança chega à evangelização sem disposição para estar ali, vendo-se obrigada pelos pais, com sono porque dormiu tarde no dia anterior, quiçá desejando estar em algum lugar que não aquele. Muitas vezes, leva tempo até começar a sintonizar com a proposta de trabalho para aquele dia, necessitando da perceção aguçada do evangelizador, que terá a chave para abrir o coração do evangelizando.
Se o evangelizador não tem envolvimento afetivo com a criança e com o trabalho, dificilmente logrará êxito na sua tarefa. O trabalho se transformará em rotina e, com o passar do tempo, vai perdendo a motivação para o desenvolvimento das atividades. Manter a chama acesa da motivação para executar o compromisso semanal é tarefa individual. E se não estamos bem, o trabalho não fluirá, não estabeleceremos a conexão necessária para atender às necessidades da criança.
E o que é mesmo Evangelizar? Evangelizar é uma arte, na qual pintamos o mundo do evangelizando com as cores dos nossos sentimentos e da nossa vivência. Segundo Joanna de Ângelis, pela psicografia de Divaldo Franco: “A criança absorverá o aprendizado, que deverá ser acompanhado pela real vivência dos ensinamentos por parte dos educadores”1. Significa sair do mundo próprio, para penetrar no mundo do outro. É acreditar, sonhar, voar muito além dos limites da própria imaginação, para pousar no coração daqueles seres com quem nos comprometemos anteriormente, através desse trabalho, e plantar as sementes que germinarão na construção de um mundo melhor.
Segundo Divaldo Franco, pelo Espírito Amélia Rodrigues: “Evangelizar é trazer Cristo de volta ao solo infantil como bênção de alta magnitude, cujo resultado ainda não se pode, realmente, aquilatar”2. A tarefa de evangelizar é árdua. Ser evangelizador é trabalhar no anonimato, uma vez que não há reconhecimento por aqueles que nos rodeiam. Que frequentadores da Casa Espírita sabem dos trabalhos que são desenvolvidos na Evangelização?
“A criança absorverá o aprendizado, que deverá ser acompanhado pela real vivência dos ensinamentos por parte dos educadores” Destarte, as crianças da Nova Era apresentam-se com novos desafios, algumas com: “o Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA), o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)”3, envoltas no mundo virtual que penetra cada vez mais em seu existir. Os pais, muitas vezes exauridos da tarefa de educar os filhos, almejam que, em duas horas de trabalho, o evangelizador seja capaz de lapidar o ser adormecido.
Isso é possível? Sim, porém, não acontece de imediato. Paulatinamente, com a entrega ao trabalho, o evangelizador vai alcançando a criança e educando-a para o encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. Diante dos grandes desafios de evangelizar, questiona-se: “Para quem o evangelizador está trabalhando mesmo? O que ele almeja com essa tarefa? Por que aceitou o convite para evangelizar? Com que disposição se apresenta semanalmente para esse trabalho?
Está ali para levar seus filhos para serem evangelizados e aproveita o ensejo para a tarefa? Aceitou evangelizar porque recebeu um convite? Por que preenche o vazio da sua existência? Por que acredita no trabalho?” As respostas a esses questionamentos devem estar em nossa mente, pois irão sinalizar o sentido de estarmos no trabalho. Evangelizar é aprender constantemente. É cuidar. É saber que cada criança é única. Aprimorar o trabalho com a música, o movimento, a história, a arte, entre outros, embasados na Doutrina Espírita e no Evangelho de Jesus, deve ser o caminho a trilhar na educação para o encontro do ser integral.
A criança de hoje, será o jovem do amanhãeo adulto do porvir. Conforme asserta Amélia Rodrigues, pela psicografia de Divaldo Franco: “A criança evangelizada torna-se jovem digno, transformando-se em cidadão do amor”2. Ao evangelizador, voluntário na tarefa, cabe o mergulho em seu íntimo, a fim de descobrir a lacuna a ser preenchida para renovar o trabalho da evangelização espírita e renovar-se, seguindo os passos de Jesus, auxiliando, dessa maneira, no movimento de transição para o planeta de regeneração.
Por Tânia Maria de Oliva Menezes Referências: 1. FRANCO, Divaldo: ÂNGELIS, Joanna [Espírito]. Orientação religiosa na família. Constelação Familiar. Cap. 22. LEAL, 2008. 2.FRANCO, Divaldo: RODRIGUES, Amélia[Espírito]. Evangelização: desafio de urgência. Terapêutica de Emergência. LEAL, 2009. 3. FRANCO, Divaldo: ÂNGELIS, Joanna [Espírito]. Crianças de uma nova era. Liberta-te do Mal. EBM Editora, 2011. Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
