Correio Setembro.outubro.2015
Jornal de Espiritismo nº 72 · Maio 2015Página 35 min
CORREIO SETEMBRO.OUTUBRO.2015 Escolha restrita de escritores? O atendimento por e-mail é imparável: escolhemos alguns para partilhar consigo. Na noite de 15 de março Mara escreve: «Queria manifestar opinião acerca dos autores espíritas divulgados no «Jornal de Espiritismo». Estou há pouco tempo a aprender sobre Espiritismo (cerca de dois anos), mas vejo com frequência no meio espírita a tendência de desconsiderarem escritoras espíritas a favor de escritores espíritas.
E isto acontece, apesar de existirem várias escritoras, que na minha opinião, adicionam tanto ou mais valor ao conhecimento ou reflexão espírita. Posso nomear alguns exemplos, o caso de Yvone do Amaral Pereira, Manuela Vasconcelos que inclusive escreveu sobre o movimento espírita português, Therezinha Oliveira, Eliane Macarini e provavelmente tantas outras que não conheço porque simplesmente não há divulgação. No entanto considero positivo o facto de o jornal ter tido a preocupação de divulgar mais autores para além de Chico Xavier (o que não acontece tanto nos centros espíritas que conheço).
E com isto não tenciono pôr em causa as qualidades de ninguém. Simplesmente, na minha opinião isto vai contra o que Allan Kardec apelava sobre a diversidade das fontes. Penso que, se nos centros espíritas não existe essa preocupação específica, o jornal pelo seu alcance, seria um meio conveniente para divulgar aquilo que se conhece menos bem no Espiritismo e reforçar os valores de igualdade na prática. (…) A questão do personalismo que é evitada pelo Espiritismo é, na minha opinião, contradita na prática pela escolha restrita de escritores.
Não digo que não se deva ter cautela em relação ao conteúdo, não é isso. A questão se o autor é masculino/feminino, caucasiano ou negro, pobre ou rico, acaba por ser importante, no entanto não é para discriminar negativamente. Mas sim para mostrar que o Espiritismo não é elitista e que qualquer pessoa, independentemente de onde vem, o que fez, ou que sexo tem, pode ser espírita e trazer valor à divulgação do Espiritismo, isto se tiver boa vontade (como tem quem faz o jornal).
Muito obrigada pela atenção». A resposta segue: «Mara, obrigado pelo seu e-mail e pelas questões que coloca. No «Jornal de Espiritismo» temos uma secção sobre bibliografia, da autoria do nosso colaborador Carlos Alberto Ferreira, que é um conhecedor da doutrina espírita, sempre atento aos livros que se enquadrem dentro da óptica de Allan Kardec. No Espiritismo, para nós não existem escritoras ou escritores, já que como espíritas sabemos bem que o género com que reencarnamos pode ser alterado, que o Espírito não tem sexo, mas sim uma polaridade sexual, aquando reencarnado.
O «Jornal de Espiritismo» enquadra-se no espírito de Allan Kardec e, como tal, sentimo-nos livres pensadores, onde cada um de nós entende a Doutrina dos Espíritos de acordo com a sua capacidade de entendimento. No Espiritismo, para nós não existem escritoras ou escritores, já que como espíritas sabemos bem que o género com que reencarnamos pode ser alterado, que o Espírito não tem sexo, mas sim uma polaridade sexual, aquando reencarnado.
No Espiritismo, para nós, não faz sentido qualquer tipo de ostracização, seja em que aspeto for. No Espiritismo, para nós, apenas faz sentido divulgar as boas obras, que se enquadrem dentro do espírito da obra de Allan Kardec, sendo que, muitos livros hoje no mercado são de qualidade duvidosa (…). As autoras que mencionou antes têm sido divulgadas pelo «Jornal de Espiritismo», mas, como será fácil de observar, num jornal que sai de dois em dois meses, torna - -se difícil divulgar todos os bons livros que existem.
Fica registada a sua preciosa observação, no entanto, a linha editorial do «Jornal de Espiritismo» não se preocupa se o autor é masculino ou feminino, branco ou negro, estudado ou não, rico ou pobre, mas apenas importa , isso sim, os conteúdos doutrinários. Ver a não divulgação de uma ou outra obra num jornal bimestral, feito gratuitamente, nas horas vagas, por carolas, como algo propositado, poderá envolver um juízo de valor que não se enquadra na nossa maneira de ser e de agir.
O «Jornal de Espiritismo» existe para servir, tentando fazer o seu melhor, com os parcos recursos que tem, e longe de ser um espaços de personalismos, é antes um espaço que possa levar com seriedade, honestidade e limpidez doutrinária o Espiritismo às pessoas. Gratos pela atenção». O sonho do vestido de noiva Carolina diz no seu e-mail: «Bom dia! Não sei bem a quem recorrer, então resolvi enviar uma mensagem. Ocorre o seguinte: vamos fazer nossa festa de casamento em breve, entretanto, já nos casámos no civil, na Conservatória, no final do ano passado.
Sei que a doutrina espírita não tem nada disso. Cerimónias, rituais... entretanto, não consigo imaginar a cerimónia do meu casamento realizada por um padre falando uma série de coisas que não vão de encontro com aquilo que acredito. Eu poderia simplesmente não fazer uma cerimónia, elevar meu pensamento a Deus e pedir a bênção dele, mas sinceramente, isso já fiz, e estou certa de que já a tenho. Porém, nada tira de dentro de mim aquele sonho de menina de me vestir de noiva e caminhar até o meu noivo, vê-lo emocionado, e ouvir palavras carinhosas que simbolizarão o início da nossa união.
Gostaria de saber se algum palestrante, por caridade, poderia fazer isso por nós. Ler algumas palavras que, à luz da doutrina, falem de união, amor, paciência e etc. Agradeço uma resposta». Seguiu: «Cara Carolina, como sabe, a doutrina espírita impele-nos para a frente, evolutivamente falando. A sua análise acerca da validade desses rituais denota que entendeu bem a mensagem espírita. Para o Espiritismo, o casamento é apenas um estado de alma, quando duas mentes estão ligadas entre si, isto independentemente de haver cerimónias ou não, papéis assinados ou não.
No entanto, os rituais dos nossos pais, dos avós, da sociedade, enfim das nossas vidas passadas ainda falam mais alto, daí o desejo de fazer do dia do casamento (o dia do casamento foi quando decidiram iniciar uma vida mental em comum) algo especial. Se houvesse um palestrante espírita que dissesse algo, acabava por se tornar num “casamento espírita” algo que não existe. O melhor é optar pela simplicidade que o Espiritismo nos aconselha.
Pode sempre fazer uma cerimónia civil no local da boda e aí, um de vós pode, por exemplo, convidar todos os presentes para fazerem uma prece para todos os presentes, com especial relevo para o casal. Esperamos que a nova vida a dois possa ser uma experiência iluminativa, onde a compreensão, tolerância, e auxílio mútuo sejam a base de um amor maior, que não impõe comportamentos, atitudes, gostos comuns».
