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Capa da edição nº 72 do Jornal de Espiritismo

72Jornal de Espiritismo nº 72

Maio 2015 · 19 secções · ≈ 85 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a curiosidade dos jovens sobre o jogo do copo, a importância dos cursos básicos de espiritismo como fonte de informação e ferramenta de desenvolvimento pessoal. Explora também a reencarnação como uma certeza crescente, a história das mesas girantes em Portugal, e a literatura espírita, incluindo a série "As Três Revelações". Destaca-se a resposta a uma leitora sobre a seleção de autores, enfatizando que o jornal se preocupa com o conteúdo doutrinário das obras, e não com o género ou outras características pessoais dos autores.

Espiritismo
Divulgação
Cursos
Reencarnação
Mediunidade
Experiências espíritas

Capa

Página 11 min

72 ANOXII JDE SETEMBRO . OUTUBRO . 2 0 1 5 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Ao longo dos anos o assunto é recorrente. Aí vem mais uma vez o e-mail com dúvidas de jovens estudantes que descobrem a ADEP pela internet com sede de informação sobre a brincadeira em que se meteram com os amigos, e que os assustou – o jogo do copo. E, agora, mais do mesmo, mas com lápis e o nome Carlitos pronunciado em língua estrangeira… 19 LITERATURA AS TRÊS REVELAÇÕES É o terceiro livro de uma série de quatro, publicados em 2013 e 2014, da autoria da médium Yvonne A.

Pereira. 8 HISTÓRIA PORTUGAL: AS “MESAS GIRANTES” EM 1853 Os anos de 1848-1849 foram a “fase de incubação do espiritualismo moderno”. 9 ENTREVISTA ENTES QUERIDOS: PERDAS E GANHOS Foram inúmeras as perguntas colocadas pelo meio milhar de pessoas presentes nas Jornadas de Cultura Espírita. 13 PESQUISA REENCARNAÇÃO: UMA CERTEZA MAIOR Durante séculos, no mundo ocidental, foi quase unânime a assunção de que a narrativa da vida passaria por nascer, viver e morrer… hoje, tudo mudou!

10 ATUALIDADE foto UL Efeitos físicos: cuidado com o copo!

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Editorial / Conto Setembro.outubro.2015

Página 25 min

EDITORIAL / CONTO SETEMBRO.OUTUBRO.2015 Neste mês de setembro começa uma mão-cheia de cursos básicos de espiritismo pelo país fora. Alcobaça, Caldas da Rainha, FEP, S. João de Ver, Porto, Barcelos, Braga… irão abrir turmas, tudo grátis. É forçoso «dar de graça o que de graça se recebeu». Alguém dirá: e dá diploma no final? Não precisa de complicar! Não é, nem será profissão: é coisa de tempos livres, pós-profissionais, o que não diminui em nada o teor de responsabilidade, com pedido certeiro de coerência progressiva entre o que se diz e o que se faz.

Se vive na ilusão de que a vida após a morte do corpo físico ou a reencarnação são sonhos conturbados de quem vive no mundo da lua, vai poder tirar o cavalinho da chuva. Os factos são estuantes, vivos, sucessivos, reveladores. Quem faz o curso com competência percebe isso. Contudo, também não será difícil vislumbrar que informar-se não é necessariamente saber. É um primeiro passo para tanto? Sim, porque não? Quando alguém se informa fica na posse de dados.

Examina-os, ora duvida e fica ancorado, ora esclarece e passa ao item seguinte. Mas nem aí o assunto se conclui – pode assimilar, mas não entender. Quando entende pratica. Pode nem começar a 100%, mas pouco a pouco, conseguiu aplicar a 20%, que bom! Muitas vezes, em diversas oportunidades, essa quantidade de eficiência é melhor que um solitário ensaio de 100%, à maneira de oásis no deserto. Tudo depende. É verdade que para quem sabe o que quer, os cursos agregam muita informação, que se pretende seja passada de forma acessível e interessante.

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Correio Setembro.outubro.2015

Página 35 min

CORREIO SETEMBRO.OUTUBRO.2015 Escolha restrita de escritores? O atendimento por e-mail é imparável: escolhemos alguns para partilhar consigo. Na noite de 15 de março Mara escreve: «Queria manifestar opinião acerca dos autores espíritas divulgados no «Jornal de Espiritismo». Estou há pouco tempo a aprender sobre Espiritismo (cerca de dois anos), mas vejo com frequência no meio espírita a tendência de desconsiderarem escritoras espíritas a favor de escritores espíritas.

E isto acontece, apesar de existirem várias escritoras, que na minha opinião, adicionam tanto ou mais valor ao conhecimento ou reflexão espírita. Posso nomear alguns exemplos, o caso de Yvone do Amaral Pereira, Manuela Vasconcelos que inclusive escreveu sobre o movimento espírita português, Therezinha Oliveira, Eliane Macarini e provavelmente tantas outras que não conheço porque simplesmente não há divulgação. No entanto considero positivo o facto de o jornal ter tido a preocupação de divulgar mais autores para além de Chico Xavier (o que não acontece tanto nos centros espíritas que conheço).

E com isto não tenciono pôr em causa as qualidades de ninguém. Simplesmente, na minha opinião isto vai contra o que Allan Kardec apelava sobre a diversidade das fontes. Penso que, se nos centros espíritas não existe essa preocupação específica, o jornal pelo seu alcance, seria um meio conveniente para divulgar aquilo que se conhece menos bem no Espiritismo e reforçar os valores de igualdade na prática. (…) A questão do personalismo que é evitada pelo Espiritismo é, na minha opinião, contradita na prática pela escolha restrita de escritores.

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FEP Congresso Espírita Mundial: “oportunidade única” «Este congresso é

Página 42 min

um evento que vai ser inesquecível, a não perder», diz com convicção Vítor Féria, presidente do Conselho Diretivo da FEP, e explica: «Trata-se de uma oportunidade única poder participar num congresso internacional tão perto de casa». Por sua vez, Charles Kempf, secretário - -geral da CEI, de nacionalidade belga, fez uma declaração de natureza internacional: «Aproveito a oportunidade para convidar todos a juntarem-se a nós, em Portugal, Lisboa, em 2016.

Façam as suas inscrições logo que possível, pois os lugares são limitados à lotação do auditório». O evento, embora ainda pareça distante, tem site há mais de um ano. Pode acompanhá-lo em http://8cem.com. O evento terá lugar na sala Tejo do Pavilhão Meo Arena. O atual presidente da FEP nesta altura dá voz ao evento e afirma que «este Congresso Espírita Mundial é sempre uma oportunidade especial para troca de experiências e convívio com outras culturas e saberes do mundo.

Em Portugal não será fácil termos novamente nova oportunidade antes de um período longo de tempo, talvez uns 50 anos, já que os países aderentes à Confederação Espírita Internacional (CEI) são em número crescente e a organização de eventos desta natureza é rotativa, e passará a ter uma periodicidade de cinco anos entre cada evento. Razão mais do que suficiente, pensamos, para se aproveitar esta oportunidade». Além disso, como «o Congresso decorrerá de 7 a 9 de outubro, prevendo-se que a abertura solene tenha lugar por volta das 14h30 e o encerramento ao final da manhã do dia 9», percebe-se que o programa ainda não está encerrado, mas prevê-se que «o Congresso possa contar com cerca de 20 intervenções e espaços culturais».

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Consultório

Página 56 min

foto UL Comportamentos autolesivos Joana Pinto – A minha filha, de 15 anos, tem apresentado falta de apetite, tristeza, isolamento. Um destes dias apareceu-me com cortes nos braços! Como poderei ajudá-la? Somos pais espíritas, mas ela se recusa-se a ir ao centro. D.ªGláuciaLima– As alterações do apetite, do humor, o isolamento, com repercussão no comportamento social, são sintomas muito frequentes, de entre outros como: baixa auto-estima, baixo autoconceito, pensamentos ruminativos e obsessivos de morte e desvalorização, desinteresse pessoal e social, diminuição do apetite e do sono como também queixas somáticas, nas perturbações depressivas na idade escolar e na adolescência.

Na adolescência, os sintomas de depressão já são sobreponíveis aos do adulto, entretanto, existem com maior frequência as “depressões atípicas”, que cursam com alterações do apetite, hiperfagia (aumento do apetite), letargia, hipersónia e nesta faixa etária existe maior ocorrência de comportamentos autolesivos, aumenta o risco de suicídio e de comportamentos aditivos. Os comportamentos autolesivos surgem como uma metacomunicação (comunicação indireta).

Constitui na maioria das situações uma atitude sem intencionalidade suicida, como, por exemplo, cortar-se, saltar de locais elevados, ingerir quantidades elevadas de fármacos, sem intenção letal. Podem ocorrer, num contexto depressivo, mas, habitualmente visam atingir um ganho secundário e revelam alguma perturbação emocional. Este comportamento é muito assustador para os pais que veem os seus filhos a mutilar-se com comportamentos autolesivos, como cortarem-se, o que muitas vezes fogem ao seu controlo.

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Breves

Página 64 min

Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Seminário sobre Medicina e Espiritualidade no Norte Em 27 de junho, sábado, decorreu um seminário sobre Medicina e Espiritualidade em Vila Nova de Gaia, organizado pela Associação Médico-Espírita do Norte (AMENorte). No evento abordaram-se temas como o perispírito, os estados alterados de consciência, as visões no leito de morte, a física quântica e a lei de atração, experiências de quase-morte, pensamento e vontade, sendo oradores Maria Paula Silva, Victorio Turconi e Samira Turconi, médicos que gostam de estudar o espiritismo nos seus tempos pós-profissionais.

Contacto para mais informações: norte.ameportugal@gmail. com. SérgioFilipedeOliveiraemPortugal Sérgio Filipe de Oliveira, médico brasileiro, esteve em Portugal para dar uma série de palestras e seminários, entre os dias 5 e 14 de julho. O tema central deste périplo foi a mediunidade sob o ponto de vista científico, sem esquecer a relação com a espiritualidade e entre a ciência e o Evangelho. A iniciativa foi organizada e promovida pela A.

M. E. Portugal – Associação Médica Espírita de Portugal. Dissertou em várias cidades portuguesas sob temas como «A glândula pineal e as suas funções na saúde e na mediunidade», «Aspetos científicos dos ensinamentos de Jesus», «Depressão, ansiedade e mediunidade», «Cuidados Integrativos em Medicina – Vínculo entre ciência e espiritualidade» e «O momento exacto da reencarnação – Provas biomoleculares». Deu ainda um mini-seminário na cidade do Porto centrado no tema «Quando a ciência redescobre a espiritualidade – passos para a felicidade» e um seminário em Viseu, sobre «Fenomenologia orgânica e psíquica da mediunidade».

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Breves (pág. 7)

Página 75 min

Programa de apoio aos pais O Centro Cultural Espírita do Funchal, com a intenção de promover ferramentas para pais e famílias, professores e público em geral no sentido de melhor realizarem a sua missão de educadores, abraçou um projeto, desde 2013, intitulado “Programa de apoio aos pais”. A primeira edição, “Tenho um filho, e agora?”, realizada ao longo dos anos 2013/2014, e a 2.ª edição, “Educar para ser feliz”, ainda a decorrer, têm oferecido a todos quantos participaram nas conferências uma série de temas, pertinentes e atuais, relacionados com educação integral da criança e do jovem, questões que inquietam as almas daqueles que, nesta época conturbada de mudanças a todos os níveis, têm como tarefa maior a educação dos filhos.

Pedidos de ajuda como “O meu filho é hiperativo!”, “O meu filho vê espíritos”, “Já não sei o que fazer…”, “ Estou cansado”, “Como falar de Deus a um adolescente?”, “ A minha criança está deprimida…” e outras mais questões muito comuns em vários lares têm sido uma constante. A visão espírita do Ser é extraordinariamente bela pois que, revelando quem somos, quem é o nosso filho(a), passamos a compreender o valor real da nossa estadia na Terra.

Passamos a compreender que cada um de nós é um Espírito imortal reencarnado, com uma bagagem vasta de bens espirituais adquiridos ao longo de várias vidas, bem como de registos de dor e angústias a serem expelidos com um propósito educacional e de crescimento. Vários são os companheiros espíritas e não espíritas que aceitaram fazer parte deste projeto, deslocando-se à Madeira e ou participando via internet, nas conferências e debates: José Lucas, Ana Duarte, Gláucia Lima, Helena Basílio, Alexandra Gomes, Sabla Oliveira, Manuela Parente (psicóloga não espírita), bem como o grupo de trabalhadores do CCEF.

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História

Página 83 min

Portugal: as “mesas girantes” em 1853 revelações inéditas sobre os primórdios Os anos de 1848-1849 foram, nas palavras de Eugénio Nus, a “fase de incubação do espiritualismo moderno, o futuro espiritismo na Europa”. Em Março de 1853 os primeiros missionários americanos da nova “fé positivista” desembarcavam na Escócia e Inglaterra, sobraçando uma profusão de livros, brochuras e revistas sobre o fenómeno. Portugal não escapou à fascinante proposta que desembarcara no litoral do Norte europeu na Primavera de 1853.

A assimilação da modalidade das “mesas girantes” no catálogo do divertimento dos estratos burgueses nacionais dessa época não desvanece ou anula, por variados exemplos recolhidos, a continuidade das sessões de magnetismo animal, em prática desde há uma década nos usos e costumes da cultura popular urbana. No “Jornal do Povo”, folha portuense, topámos o primeiro sintoma daquilo que se tornaria numa febre, uma virose incontrolável e cujo meio de propagação preferencial era o jornal e o passa-palavra.

O dia 19 de Maio de 1853 fica marcado pela primeira informação sobre os incríveis efeitos da “cadeia magnética” – título da notícia – sobre uma peça de mobiliário tão comum e vulgar – a mesa. O exemplo vem da Alemanha e da França onde a curiosa experiência era já atração principal dos convívios. Consistia “em colocarem-se umas poucas de pessoas em volta de uma mesa de madeira, pousando sobre ela as palmas de mãos, de maneira que o dedo mínimo da mão esquerda de uma pessoa assente sobre o mínimo da direita de outra, e assim por diante até acabar o turno.

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Entrevista

Página 95 min

Entes queridos: perdas e ganhos A algumas delas não foi possível responder no tempo disponível, pelo que, estando escritas, foram entregues aos expositores dos diversos temas. O tema “Entes queridos: perdas e ganhos” também teve interpelações. Ana vive no subúrbio de Lisboa. Indagou: «O meu pai, que não é espírita, oferece alguma resistência a ajudas vindas deste meio. Vive em função da perda de minha mãe, que aconteceu o ano passado.

Vive em sofrimento, (…) quase preferindo acreditar que minha mãe é apenas a cinza dentro de um pote que ele possui e controla. Como poderei ajudá-lo?». JorgeBom dia, Ana. Fizeram-nos chegar a pergunta. Colocou-a nas Jornadas de Cultura Espírita, onde estivemos a apresentar o tema «Entes queridos: perdas e ganhos». Como as demais apresentações está disponível em vídeo no canal da ADEP no Youtube. Lida a sua questão, compreende-se perfeitamente a pertinência da mesma.

Compreende melhor que eu que seu pai viveu décadas em comum com a sua mãe, cuja partida chegou em altura ditada pelas leis maiores que regem a nossa evolução. Não havia volta a dar, não é? Sobre a sua mãe, o que temos de certo é que é sempre bom recordá-la com paz e alegria, a fim de que ela prossiga a caminhada evolutiva no Plano Espiritual, onde também nunca falta oportunidade de ajudar o próximo. E o seu pai? Está no momento dele.

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Atualidade

Página 104 min

A Nô conduzia o carro naquele fim de tarde entre duas cidades próximas. Íamos a caminho de uma conferência na associação espírita da vizinhança. O sol ia lindo, meio dourado, naquele dia de abril, a pousar no horizonte. Parecia dizer que apesar da noite que chega voltará certeiro, num novo alvorecer. A meu lado, escutei: «Já ouviste falar do Charlie, Charlie?». Lembrei-me da história de França, do cartoonista abatido, e dos supostos criminosos aparentemente, segundo as notícias, também resolvidos à força de tropa e bala.

Desengano: «Não! É um jogo que os miúdos fazem nas escolas, anda aí uma nova moda!». Ah! É um sucedâneo do famoso jogo do copo. Coisa da criançada, cheia de curiosidade e ignorância quanto baste. Fui saber, adulto que desconhece é mesmo assim. Meti-me com o oráculo, que hoje leva o nome de Google, e percebi que incluía lápis, as palavras sim e não escritas num quadrado, tudo tido como fantástico e eventualmente, se for o caso, algum tipo de fenómeno de efeitos físicos.

Uns brincam outros levam a sério. É caso para isso. O fenómeno recria-se por ilusionismo, mas pode também ser autêntico. Em “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, toda esta fenomenologia está enquadrada, quando existe de facto, na categoria dos fenómenos Efeitos físicos: cuidado com o copo! Ao longo dos anos o assunto é recorrente. Aí vem mais uma vez o e-mail com dúvidas de jovens estudantes que descobrem a ADEP pela internet com sede de informação sobre a brincadeira em que se meteram com os amigos, e que os assustou – o jogo do copo.

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Atualidade (pág. 11)

Página 117 min

quica, fundada por um prémio Nobel da medicina, Charles Richet. No âmbito dos fenómenos medianímicos os homens de ciência, de finais do século XIX e do início do século XX, investigaram diversos fenómenos de efeitos físicos, inclusive uma das suas categorias, a que chamaram “poltergeist” (tradução direta do alemão, “espírito brincalhão”). Estes fenómenos seriam viáveis quando em ligação com adolescentes, podendo estes residir na moradia em causa ou nas redondezas, pois eram eles quem produzia o ectoplasma e substâncias afins necessárias à produção pelos Espíritos desencarnados em causa de tais fenómenos.

Exemplo disso foram, por exemplo, as conhecidas irmãs Fox, de Hydesville, EUA. Quem não percebe o enquadramento da mediunidade na ótica da doutrina espírita, o mais fácil é poder vir a perturbar-se com isso. Há um contexto, há um conhecimento prévio que deve existir, como em qualquer outro tema, a fim de que o resultado seja pacificador, esclarecido, compensador. Quando os mais novos em idade escolar se metem nisso é natural que dê mau resultado, porque acreditam depois nas mensagens que Espíritos levianos (ver por favor a Escala Espírita em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec) deixam e que psicologicamente as crianças exacerbam, criando problemas subjetivos onde objetivamente não existem, pois o que fazem invariavelmente é levar a sério os disparates e sugestionar-se com o medo que, neste caso, é uma fonte de perturbação.

O jogo do copo Há cerca de um ano, Isadora escreveu-nos: «Bom dia! Há alguns anos realizei o jogo do copo em que estudava, um colégio de padres. Na primeira vez foi incrível, pois era uma coisa nova para todos, mas a curiosidade era maior e fazíamos isso todos os dias. Numa das vezes fiquei eu e mais duas pessoas e o espírito sugeriu a um deles fazer um ritual de sacrifício humano. Ficámos assustados e acabámos logo o jogo.

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Opinião Setembro.outubro.2015

Página 126 min

OPINIÃO SETEMBRO.OUTUBRO.2015 Acredito que mais importante do que saber perguntar é saber escutar a resposta. Não apenas para ser um bom jornalista, mas também para ser uma boa pessoa. Temos de saber ser constantemente um copo vazio, prontos para receber o mundo. Basta observar. As pessoas não querem escutar, só querem falar. Quando não escutamos o mundo do outro, não aprendemos nada. Acontece com o chefe que não consegue escutar realmente o que o colaborador tem a dizer.

A priori ele já sabe – e já sabe mais. Assim como acontece com a mulher que não consegue escutar o companheiro. Ou o amigo que não é capaz de o escutar a si. Interpretamos e catalogamos rapidamente, mas somos avessos a criar o tempo e silêncio necessários para escutarmos. O reverso da medalha é que quem não escuta torna-se muito sozinho, por isso está sempre a emitir mensagens, a querer fazer algo, a interpretar, a fazer, a dizer, etc.

No filme Revolutionary Road (Sam Mendes, 2008), a cena final é a síntese dessa relação simbiótica entre surdez e solidão. Não a surdez causada pela deficiência auditiva, mas a outra que é mais triste por ser escolha. Por que as pessoas falam tanto – e por que têm tanta dificuldade de escutar? Qual é a ameaça contida no silêncio? O que temem tanto ouvir se calarem a sua voz por um momento? Por que precisamos preencher o nosso mundo – inclusive o interior – com tantos ruídos?

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Pesquisa

Página 136 min

A complexidade da vida e do comportamento humano seriam reduzidos na equação: bom => céu e mau => inferno. Mesmo compreendida de forma simbólica e pictórica, esta visão da vida eterna é limitada e incapaz de dar resposta a questões simples: Será que uma mãe era capaz de suportar as delícias de um paraíso eterno sabendo que um filho estaria a sofrer no inferno pelos erros cometidos? E como é possível que Deus, o infinito amor, castigue a ignorância pela eternidade?

É difícil de entender. A reencarnação, crença de que dispomos de múltiplas vidas para dar sequência a um aperfeiçoamento intelectual e moral, predomina na cultura oriental há muitos séculos mas existe a ideia de que esta crença é pouco mais do que insignificante no Ocidente. Os dados atuais não dão razão a esse argumento. Sabia que quase um em cada três portugueses e um número próximo dos 25% dos europeusquase 200 milhões de pessoasacreditam na reencarnação?

Os números não são novos mas merecem ser relembrados. O European Values Study é o mais exaustivo projeto de investigação sobre valores humanos alguma vez realizado na Europa. É uma investigação abrangente e diversificada, que se sustenta em inquéritos feitos em larga escala e repetidos em ciclos de nove anos sobre temas como família, trabalho, religião, política e sociedade. Iniciado no final da década de 70 com um reduzido número de participações, o último estudo foi concluído em 2008 contando com dados de 47 países da Europa, permitindo assim ter uma maior compreensão sobre as ideias, preferências, crenças e valores assumidos pelos cidadãos europeus, explorando também aquilo que os distingue e as variações que os resultados apresentam entre regiões.

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Opinião

Página 145 min

O Espiritismo (ou Doutrina Espírita ou ainda Doutrina dos Espíritos) foi compilada por Allan Kardec em meados do século XIX, apontando-se a data de 18 de Abril de 1857 como a do aparecimento do Espiritismo, por coincidir com a data do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, livro este que contém a parte filosófica do Espiritismo, sendo a base para o seu entendimento. Allan Kardec nas suas 20 obras que deixou ao mundo (12 volumes de “A Revista Espírita”, “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “A Génese”, “O Céueo Inferno”, “Obras Póstumas”, “O que é o Espiritismo” e “Viagem Espírita em 1862”) definiu o Espiritismo como uma ideia universal e universalista, com uma abrangência muito maior do que as religiões ou grupos sectários.

Na sua obra “O que é o Espiritismo”, no prólogo, define-o “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, ciência experimental e doutrina filosófica. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos. Como Filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações. Pode ser definido assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal”.

Convém fazer aqui um parêntesis, que o Espiritismo é aquilo que Allan Kardec legou à Humanidade e não o que muitas vezes os espíritas dizem do Espiritismo, que pode coincidir ou não com a essência do Espiritismo que Kardec compilou. Uns tentam entendê-lo, outros tentam fazer da Doutrina Espírita mais uma religião, alguns utilizam o Espiritismo para fins obscuros, outros ainda, alterando a definição de Kardec, trocam o termo “consequências morais” por “consequências religiosas”, adulterando lamentavelmente a essência do Espiritismo.

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Opinião (pág. 15)

Página 153 min

É a experiência que no-lo demonstra. Naturalmente, a principal preocupação de quem faz uma palestra ou conferência espírita é transmitir a mensagem da doutrina, dando uma contribuição pessoal. Sem mensagem não há comunicação, mas não pode haver comunicação quando o orador, ou expositor, não se faz entender pelo auditório ou não consegue motivar os ouvintes. Justamente por isso, com a experiência já adquirida pelos confrades que têm mais vivência nesse campo, o Instituto de Cultura Espírita do Brasil inclui a Didática em seu “Plano de Curso”, há muito tempo.

Dividiu-se a matéria em duas grandes partes: Noções de Didática Geral e Princípios de Didática aplicados ao ensino da Doutrina Espírita. Quem ministra os cursos é justamente um especialista na matéria: o Prof. José Jorge, conhecido pelo meio espírita do Brasil inteiro. Além de sólido e notório conhecimento do Espiritismo, doutrina que ele afirma em todas as atitudes de sua vida, é professor de Didática, já lecionou essa disciplina em faculdades e tem trabalhos a respeito.

Deixamos para este ano, e talvez tenhamos que passar para o próximo ano, precisamente a parte prática ou mais específica, isto é, o conjunto de técnicas que são cabíveis, senão necessárias, nas palestras ou exposições doutrinárias. Repetimos: tudo isso é fruto da experiência. Há pessoas que falam muito bem, revelam muita erudição, mas não transmitem bem. Muitos companheiros nossos, é verdade, ainda não avaliaram a importância da Didática, nas palestras ou explanações espíritas; mas é uma necessidade, não tenhamos dúvida.

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Um dos tesouros que Jesus nos legou no Sermão da Montanha, conhecido p

Página 165 min

Um dos tesouros que Jesus nos legou no Sermão da Montanha, conhecido por oração dominical, oração do Senhor, ou Pai-nosso, contém vasta matéria de reflexão e edificação. O início, “Pai nosso que estais no céu”, transporta a notícia consoladora de que Deus é Pai, invalidando a caduca ideia dum temível deus dos exércitos, irascível, ameaçador. “Estais no céu” não significa que Deus more nalguma região celestial. A ideia de céu associa júbilo, harmonia, paz em plenitude: aspetos essenciais da perfeição divina.

Infinito, uno, todo bem e harmonia, Deus encontra-se em toda a parte, é tudo em tudo. Nada subsistiria sem a Sua sustentação, nada existe para além d’Ele, fora d’ Ele, autónomo d’Ele. Para sentirmos o alento da Sua solicitude paternal-maternal não precisamos buscá-lo em algum templo ou santuário, mas no recolhimento do próprio íntimo, como ensinou Jesus. Por graça e providência do Pai, a doce harmonia divina é sempre acessível a quem a procure confiante.

Por muito imperfeito e “pecador” que se seja, o Pai está sempre disponível. O Bom Pastor ilustrou essa noção, por exemplo na parábola do filho pródigo. Este, quando decidiu encaminhar-se para o Pai, encontrou-o generosamente de braços abertos para o acolher e ajudar a reabilitar-se. O Pai não exige mérito, karma limpo e recomendável, sem culpas. O dirigirmo-nos a Deus com humildade, sinceridade, com a certeza lógica do Seu inesgotável amor e poder, já nos situa em “meritório” estado energético de sintonia com o Bem, propenso a acionar a generosidade divina.

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Literatura / Vídeo

Página 172 min

LITERATURA / VÍDEO As Três Revelações Joelma 23º Andar SETEMBRO.OUTUBRO.2015 No dia 1 de Fevereiro de 1974 uma tragédia abateu-se sobre a cidade de São Paulo. Um curto-circuito num ar condicionado foi o rastilho que provocou um dos maiores incêndios da história da capital Paulista, no Edifício Joelma, um prédio de escritórios de 26 andares na avenida Nove de Julho, mesmo no coração da cidade. Em poucos minutos, as chamas espalharam-se pelas salas e escritórios encurralando centenas de pessoas no seu interior.

Não dispondo de mecanismos de prevenção de incêndio, o fogo alastrou-se de forma muito rápida bloqueando elevadores e escadas, impedindo a fuga de quem se encontrava nos pisos superiores. Como os bombeiros não dispunham dos meios necessários para resgatar aqueles que se encontravam nesses pisos, muitos tentaram atingir o topo do edifício com esperança de serem socorridos por meios aéreos. Como o Joelma não dispunha de heliporto ficaram à mercê do fumo intoxicante.

Foram horas dramáticas acompanhadas por milhares de pessoas na calçada e também pela televisão, impotentes diante do desespero daqueles que enfrentavam as chamas. Mais de 180 pessoas desencarnaram no edifício Joelma nesse dia, havendo ainda cerca de 300 feridos. A tragédia do Joelma transformou a forma como se passou a olhar para a segurança dos edifícios em São Paulo: Uma semana após o acidente, foi regulamentada a obrigatoriedade dos detetores de fumo e chuveiros automáticos nos edifícios, a existência de escadas de incêndio e obrigou à criação de sistemas de escoamento e saídas de emergência.

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direitos reservados Luísa Goucha, de Lisboa, conta 48 anos e é funcion

Página 184 min

foto direitos reservados Luísa Goucha, de Lisboa, conta 48 anos e é funcionária pública. – Como conheceu o espiritismo? Luísa GouchaConheci o espiritismo no início da adolescência, através de uma tia que me explicou os princípios básicos da doutrina, nomeadamente a importância de ser cristã. Falou-me da imortalidade do Espírito, das sucessivas reencarnações que o mesmo tinha de ter para o seu bem e a respetiva evolução espiritual.

Recebi estas informações e compreendi-as de imediato, foi como um avivar a minha memória, pois tudo se tornou claro, com lógica raciocinada e perfeitamente normal. – Frequenta algum centro espírita? Luísa GouchaFrequento atualmente de forma não assídua o Centro Espírita Amor e Caridade, em Lisboa. – Qual a sua opinião acerca do «Jornal de Espiritismo»? Luísa GouchaExcelente veículo de divulgação da doutrina espírita, pois aborda a mesma através de conteúdos e temas muito diversificados, com uma linguagem acessível a todos.

A participação da psiquiatra e espírita Dra. Gláucia Lima parece-me uma grande mais- valia para o jornal, sobretudo porque estamos a atravessar um período muito conturbado e de grande mudança. Consequentemente a patologia mais em evidência é a depressão e/ou doenças do foro psiquiátrico. A médica referida junta várias valências do Entrevista a frequentadores Entrevista a dirigentes José Augusto Silva tem 53 anos e é sócio-gerente de uma empresa de importação e comércio de flores artificiais.

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Sentimentos de medo e de culpa são fatores que só dificultam a nossa e

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Sentimentos de medo e de culpa são fatores que só dificultam a nossa evolução, pelo que precisamos esforçar-nos para nos libertarmos deles? É através do pensamento que, cada um de nós, atrai para si a companhia espiritual que melhor se identifica connosco, tanto para o bem quanto para o mal? Divaldo Franco recebeu no passado dia 6 de Agosto, em cerimónia realizada na Assembleia Legislativa de Salvador, Bahia, Brasil, a Comenda 2 de Julho, a mais alta honraria concedida pela casa Legislativa e outorgada a figuras ilustres que contribuem para o desenvolvimento social do Estado, tendo sido proposta pela trajetória e trabalho do médium na “Mansão do Caminho”?

A melhor forma de nos livrarmos de sonhos perturbadores é a prece e a melhoria da nossa conduta no dia a dia, pois esses sonhos são frutos de encontros, durante o sono, com Espíritos pouco esclarecidos que aproveitam a nossa fragilidade para nos assustar? Era uma vez um cortador de pedra. Tudo lhe corria bem, mas mesmo assim passava a vida a lamentar-se. Um dia apareceu-lhe um génio que lhe pergunta porque reclama ele tanto?

- És ainda tão jovem e com uma vida pela frente, e cheio de saúde, porque reclamas tanto? - Porque eu acho que mereço melhor e este não é o meu destino. –respondeu o jovem. – Gostava de ser rico e poderoso. Ter criados, palácios, jóias, propriedades,... - Muito bem! É isso mesmo que queres? Então assim será – disse o génio, que tinha recebido ordens superiores para lhe fazer a vontade. O cortador de pedra viu-se dentro de um belo palácio e assim viveu alguns dias.

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