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Opinião

Jornal de Espiritismo nº 72 · Maio 2015Página 145 min

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O Espiritismo (ou Doutrina Espírita ou ainda Doutrina dos Espíritos) foi compilada por Allan Kardec em meados do século XIX, apontando-se a data de 18 de Abril de 1857 como a do aparecimento do Espiritismo, por coincidir com a data do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, livro este que contém a parte filosófica do Espiritismo, sendo a base para o seu entendimento. Allan Kardec nas suas 20 obras que deixou ao mundo (12 volumes de “A Revista Espírita”, “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “A Génese”, “O Céueo Inferno”, “Obras Póstumas”, “O que é o Espiritismo” e “Viagem Espírita em 1862”) definiu o Espiritismo como uma ideia universal e universalista, com uma abrangência muito maior do que as religiões ou grupos sectários.

Na sua obra “O que é o Espiritismo”, no prólogo, define-o “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, ciência experimental e doutrina filosófica. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos. Como Filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações. Pode ser definido assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal”.

Convém fazer aqui um parêntesis, que o Espiritismo é aquilo que Allan Kardec legou à Humanidade e não o que muitas vezes os espíritas dizem do Espiritismo, que pode coincidir ou não com a essência do Espiritismo que Kardec compilou. Uns tentam entendê-lo, outros tentam fazer da Doutrina Espírita mais uma religião, alguns utilizam o Espiritismo para fins obscuros, outros ainda, alterando a definição de Kardec, trocam o termo “consequências morais” por “consequências religiosas”, adulterando lamentavelmente a essência do Espiritismo.

O Espiritismo propõe a caridade que silencia, que não escandaliza, que não se impõe, que exemplifica, que é paciente. Pesquisando os factos mediúnicos, encontra-se toda uma filosofia, filosofia esta que está assente na moral ensinada por Jesus de Nazaré, como sendo a maneira do Homem mais rapidamente se espiritualizar e assim se aproximar de Deus. Ciência, filosofia e moral, é o que não se cansa de demonstrar ao mundo, Divaldo Pereira Franco, exemplificando no seu quotidiano, deixando um rasto de luz para que amanhã possamos segui-la nas nossa vidas.

Divaldo Franco, espírita, o maior conferencista mundial da actualidade (Agosto de 2015), médium, foi condecorado no dia 6 de Agosto de 2015, pela Assembleia Legislativa da Bahia, Salvador, Brasil, com a mais alta condecoração (Comenda 2 de Julho), pelo trabalho feito em prol dos pobres, sua educação e reintegração social (in http:// g1.globo.com/bahia/noticia/2015/08/medium-baiano-divaldo-franco-e-agraciado - -com-comenda-2-de-julho.

html). Relembrando os ensinamentos dos Espíritos “Fora da caridade não há salvação”, vemos no trabalho de Divaldo Franco o eco desta frase espírita, em que passando pela pesquisa, pela análise e divulgação filosófica, vive toda uma vida servindo os mais desfavorecidos da sociedade brasileira. Neste tríplice aspecto, “ciência, filosofia e moral”, como apresentou Allan Kardec, encontramos o ponto de encontro na caridade, para connosco e para com o próximo.

Não só a caridade material, mas principalmente a caridade interior, ao nível do sentimento, do pensamento e das atitudes. O Espiritismo propõe a caridade que entende, que compreende, que não repudia, que não ostraciza, sem ser obviamente conivente com o erro. O Espiritismo propõe a caridade que silencia, que não escandaliza, que não se impõe, que exemplifica, que é paciente. Entendendo quem somos, de onde viemos e para onde vamos, bem como a causa das dissemelhanças entre nós, assente na mais pura justiça divina (justiça-Amor), chegaremos mais rapidamente a Deus, no nosso processo de espiritualização, vivendo de acordo com o conselho “Fora da caridade não há salvação” (isto é, sem a prática da caridade não evoluímos, estagnamos, e demoramos mais tempo a evoluir, quando optarmos pela caridade no quotidiano).

Esta é a essência do Espiritismo. Obrigado Divaldo Franco, pelo seu exemplo que repercute e repercutirá nos anais da História, como exemplo a seguir. José Lucas foto arquivo SETEMBRO.OUTUBRO.2015 um professor universitário falar assim, textualmente: “nunca me interessei por essas ‘regrinhas’ de Didática, quando o indivíduo conhece a matéria, e conhece mesmo, ele ensina; o resto é artifício…” Não é bem assim, tudo é relativo.

Há pessoas que têm muito conhecimento, mas são verdadeiras negações quando pretendem ensinar qualquer coisa. Existem aptidões inatas, pessoas que são didatas naturalmente, como que nasceram para ensinar; mas é preciso não confundir a Didática, “arte de transmitir ou ensinar”, com as minúcias de “regrinhas”. Há quem seja capaz de escrever tratados eruditos, mas visivelmente incapaz de transmitir uma lição, porque fala ou escreve em linguagem hermética ou muito “pesada”, deixando o pensamento envolto nas nebulosidades.

Voltando à situação do meio espírita, podemos dizer que certos elementos poderiam produzir mais, em benefício da Doutrina, se tivessem alguma embocadura de Psicologia e Didática. Há muita preocupação, por exemplo, com o aspeto emocional, embelezado com a linguagem muito sofisticada. As conferências desse tipo geralmente agradam, mas não deixam um ensino, não convencem. Temos valores bem afirmativos em nosso meio, que, às vezes, não estão bem orientados didaticamente.

O ambiente, o momento oportuno, os argumentos que devem ser empregados, tudo isso pesa muito no rendimento das palestras doutrinárias. Estamos a viver uma época em que as atividades obedecem ao ritmo da vida em todos os campos, e o ritmo de hoje exige planeamento de trabalho, a fim de que não se desperdicem energias. O trabalho espírita, na sociedade atual, também exige certos recursos da vida moderna. Há quem considere desnecessária a Didática nas palestras espíritas, justamente porque — segundo se argúi — os espíritos sabem o que se deve dizer e, portanto, na hora exata, os guias espirituais inspiram o orador ou o expositor .

Ninguém nega o valor da assistência espiritual, pois é um facto, inúmeras vezes comprovado, mas a “inspiração do alto” não exclui o esforço pessoal. A divulgação da doutrina, atualmente, reclama os meios condizentes com a época. É óbvio que precisamos de amparo espiritual. Cada qual que seja sincero, procure dar de si, voltando o pensamento para o Alto, terá o auxílio merecido, pois “o espírito sopra onde quer”, através do elemento humano.

As tarefas concernentes à interpretação e divulgação da doutrina, porém, reclamam, necessariamente, um conjunto de fatores convergentes: o ambiente, as circunstâncias, a técnica expositiva, a propriedade ou não de certos assuntos, e assim por diante. São problemas atinentes à Didática e à Psicologia. Dentro desta ordem de considerações, o Instituto vem procurando, tanto quanto possível mostrar o valor do estudo metodizado, tendo em vista os recursos que possam e devam ser utilizados para a compreensão e divulgação da Doutrina Espírita.

Por Deolindo Amorim In jornal “Mundo Espírita” – Fevereiro de 1975 – n.