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Opinião (pág. 15)

Jornal de Espiritismo nº 72 · Maio 2015Página 153 min

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É a experiência que no-lo demonstra. Naturalmente, a principal preocupação de quem faz uma palestra ou conferência espírita é transmitir a mensagem da doutrina, dando uma contribuição pessoal. Sem mensagem não há comunicação, mas não pode haver comunicação quando o orador, ou expositor, não se faz entender pelo auditório ou não consegue motivar os ouvintes. Justamente por isso, com a experiência já adquirida pelos confrades que têm mais vivência nesse campo, o Instituto de Cultura Espírita do Brasil inclui a Didática em seu “Plano de Curso”, há muito tempo.

Dividiu-se a matéria em duas grandes partes: Noções de Didática Geral e Princípios de Didática aplicados ao ensino da Doutrina Espírita. Quem ministra os cursos é justamente um especialista na matéria: o Prof. José Jorge, conhecido pelo meio espírita do Brasil inteiro. Além de sólido e notório conhecimento do Espiritismo, doutrina que ele afirma em todas as atitudes de sua vida, é professor de Didática, já lecionou essa disciplina em faculdades e tem trabalhos a respeito.

Deixamos para este ano, e talvez tenhamos que passar para o próximo ano, precisamente a parte prática ou mais específica, isto é, o conjunto de técnicas que são cabíveis, senão necessárias, nas palestras ou exposições doutrinárias. Repetimos: tudo isso é fruto da experiência. Há pessoas que falam muito bem, revelam muita erudição, mas não transmitem bem. Muitos companheiros nossos, é verdade, ainda não avaliaram a importância da Didática, nas palestras ou explanações espíritas; mas é uma necessidade, não tenhamos dúvida.

Há ocasiões em que, por exemplo, o teor de substância da palestra está muito acima das possibilidades do auditório e, por isso, o conferencista fala com ardor, quer deixar alguma coisa, mas os recursos de que se serve não lhe facilitam a identificação com os ouvintes. Nada de comunicação, portanto. Há muitos casos em que o expositor não dá ênfase à palestra, nem mesmo a certos pontos realmente importantes. Nada mais negativo, do ponto de vista didático, do que uma leitura seca e demorada, por mais importante que seja o assunto.

São problemas que ocorrem frequentemente, o que nos leva a sentir a necessidade, pelo menos, de alguns princípios básicos de Didática, no meio espírita. No relacionamento do expositor de doutrina com o auditório entram, naturalmente, inevitavelmente, diversos fatores, atinentes à Didática e à Psicologia. A linguagem e o estilo, por sua vez, também não deixam de ter certa influência; a Psicologia, antes de tudo, porque é preciso observar o auditório, saber se os assistentes comportam o tipo de palestra que se pretende fazer, se o ambiente está predisposto, se há recetividade para o tema.

A Didática vem oferecer as regras e técnicas adequadas, a fim de que o trabalho dê o rendimento que se deseja. A linguagem é outro elemento que deve ser levado em consideração. Se o conferencista se esmera em empregar expressões eruditas ou linguagem rebuscada, pode prejudicar a clareza do pensamento. O estilo empolado, cheio de adjetivos rebarbativos e desnecessários, pode confundir, mas não esclarece. A linguagem pode ser correta, sem nenhum deslize no vernáculo, sem perder a naturalidade, a simplicidade, dizendo as coisas com segurança e lucidez, a fim de que todos entendam.

Imaginemos, para ilustração, uma conferência sobre Metapsíquica, Cibernética, Psicopatologia ou coisa equivalente, para uma assistência de velhinhos que estão à espera de uma palavra de consolo, uma linguagem suave, um abraço de solidariedade. Falta de Psicologia, pois é sempre necessário ter o senso da oportunidade, isto é, quando e onde têm cabimento certos assuntos. Já se vê, finalmente, que a Didática, associada à Psicologia deve ter o seu lugar, também, no meio espírita.

Nos dias atuais, principalmente. É verdade que muitas pessoas cultas, até mesmo no magistério, não se preocupam muito com os problemas de Didática. Já ouvimos, por exemplo, foto loucomotiv Os nossos contactos constantes com auditórios espíritas, em palestras, visitas, comemorações e outras oportunidades, inclusive debates doutrinários, já nos permitiram observar, demoradamente, que muitos trabalhos bem elaborados, muitas preleções e conferências de conteúdo apreciável são prejudicadas pela falta de didática.

foto arquivo SETEMBRO.OUTUBRO.