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Um dos tesouros que Jesus nos legou no Sermão da Montanha, conhecido p

Jornal de Espiritismo nº 72 · Maio 2015Página 165 min

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Um dos tesouros que Jesus nos legou no Sermão da Montanha, conhecido por oração dominical, oração do Senhor, ou Pai-nosso, contém vasta matéria de reflexão e edificação. O início, “Pai nosso que estais no céu”, transporta a notícia consoladora de que Deus é Pai, invalidando a caduca ideia dum temível deus dos exércitos, irascível, ameaçador. “Estais no céu” não significa que Deus more nalguma região celestial. A ideia de céu associa júbilo, harmonia, paz em plenitude: aspetos essenciais da perfeição divina.

Infinito, uno, todo bem e harmonia, Deus encontra-se em toda a parte, é tudo em tudo. Nada subsistiria sem a Sua sustentação, nada existe para além d’Ele, fora d’ Ele, autónomo d’Ele. Para sentirmos o alento da Sua solicitude paternal-maternal não precisamos buscá-lo em algum templo ou santuário, mas no recolhimento do próprio íntimo, como ensinou Jesus. Por graça e providência do Pai, a doce harmonia divina é sempre acessível a quem a procure confiante.

Por muito imperfeito e “pecador” que se seja, o Pai está sempre disponível. O Bom Pastor ilustrou essa noção, por exemplo na parábola do filho pródigo. Este, quando decidiu encaminhar-se para o Pai, encontrou-o generosamente de braços abertos para o acolher e ajudar a reabilitar-se. O Pai não exige mérito, karma limpo e recomendável, sem culpas. O dirigirmo-nos a Deus com humildade, sinceridade, com a certeza lógica do Seu inesgotável amor e poder, já nos situa em “meritório” estado energético de sintonia com o Bem, propenso a acionar a generosidade divina.

Contrariamente a chavões devotos da religiosidade tradicional, Ele jamais nos tratou por “pecadores”, nem nos lança em rosto a Sua majestade imensa ou a nossa pequenez. Deus é mesmo amor. Recordo um ponto alto no seminário que a Misericórdia de Gaia promoveu no Ano Internacional do Envelhecimento Ativo (2012). Em lúcida intervenção muito apreciada, Frei Luís Oliveira comentou a morbidez de nos tacharmos pecadores, acrescentando: “nós, padres, temos muita culpa nisso”.

Recordo também um princípio que dois professores de psicologia médica da Universidade de Colúmbia, Nova Iorque, expõem no conhecido livro “Um Curso em Milagres”: “Ninguém é culpado de algo, mas sim responsável”. Responsável, explanam amplamente, por “reciclar” a energia do erro cometido, repor a ordem ética ferida (não a social, relativa, mutável, mas a universal). Lembro ainda a pedagogia sublime dum episódio do Evangelho (Lucas 23: 39-43).

Dimas, o “bom ladrão”, após admoestar sensatamente o azedume do companheiro de suplício, implorou ao inocente consorte de ambos: “Jesus, lembra-te de mim ao entrares no teu reino!” O divino amigo, tocado por tão nobre arrependimento e indiferente ao supremo desconforto em que agonizava, retorquiu em poderosa tónica de esperançaeânimo: “estarás hoje comigo no paraíso”. Notemos: sem recriminações, sem lições de moral. O capítulo final do Evangelho segundo o Espiritismo mostra dezenas de exemplos de oração, para diversas situações.

Todas elas dirigidas a Deus (só duas aos anjos da guarda, mensageiros Seus), e nenhuma aos “irmãozinhos de luz” de certas devoções credoras da caridade da nossa tolerância e compreensão. Este detalhe remete-nos à elucidação do quesito 666 de O Livro dos Espíritos. Aqueles exemplos são uma orientação para pessoas com eventual dificuldade em orar; de modo nenhum se trata de fórmulas rituais para uso obrigatório. Rezar em coro é uma forma ritual de o fazer, mas não carrega o potencial autêntico de oração.

Ritos, em si, não são bem nem mal; podem mesmo ter algum valor colateral, mas não propriamente o de oração genuína, eficaz, à qual subtraem energia pela atenção que exigem. João Xavier de Almeida Novas de alegria OPINIÃO foto loucomotiv Recordo também um princípio que dois professores de psicologia médica da Universidade de Colúmbia, Nova Iorque, expõem no conhecido livro “Um Curso em Milagres”: “Ninguém é culpado de algo, mas sim responsável”.

SETEMBRO.OUTUBRO.2015 É o terceiro livro de uma série de quatro, publicados pela primeira vez e postumamente, em 2013 e 2014, de autoria da inolvidável médium, sob inspiração e orientação dos seus Espíritos guias, nomeadamente Bezerra de Menezes e Charles. Sabíamos da existência destes manuscritos, escritos entre os anos 1964 e 1971, e entregues à Federação Espírita Brasileira para serem publicados. Como a nobre e centenária instituição nunca deu notícia deles, segundo o admirador de Dona Yvonne, o jornalista, escritor e médium Jorge Rizzini (1924-2008), pensávamos que estivessem perdidos para sempre.

Os outros três manuscritos, constituem hoje os livros «A família espírita» (2013), «Evangelho aos simples» (2013) e «Contos amigos» (2014), também só agora editados. Os direitos autorais foram cedidos pela médium em 1973 à FEB. Existiam mais seis manuscritos que desapareceram, não havendo notícias deles, segundo informações do grande amigo de Dona Yvonne, Affonso Borges Gallego Soares. Sabemos hoje que mais tarde a FEB tinha entregado os dez manuscritos à família de Yvonne, porque não teve condições de os publicar na época, mas agora, felizmente, foram resgatados quatro, desconhecendo-se o paradeiro dos outros.

Pela sua leitura constatamos o grande amor e conhecimento que Yvonne Pereira possuía da Doutrina Espírita. Vemos a sensibilidade de verdadeira professora, que de forma simples, mas muito eficaz, ensina a Doutrina dos Espíritos às crianças, jovens e adultos. Estes derradeiros trabalhos, dedicados à educação moral e espiritual da família, são também um contributo para o resgate de Yvonne Pereira, pois que em várias existências de outrora, desrespeitou as famílias onde renasceu.

Pais, irmãos, conjugues e filhos, muito sofreram com os seus comportamentos irresponsáveis. Também foi a razão essencial por que na sua última existência lhe fora negada a constituição de uma família consanguínea, tendo atravessado a existência em plena solidão afectiva. Mas, a sua grande renúncia, com muitas lágrimas de resignação, aliada à determinação no trabalho incessante no bem, levou-a a superar o passado de sombras e a sair vitoriosa numa única existência.

Na presente obra, os princípios fundamentais das três grandes revelações são expostos de forma que não deixam dúvidas a qualquer inteligência. Constituindo um verdadeiro subsídio para inspirar e enriquecer aulas e palestras sobre o Espiritismo. O livro está muito bem estruturado: dividido em três partes, correspondendo cada uma a uma Revelação. A sua leitura não cansa, pois está escrita com muita simplicidade e objectividade.

Tem uma apresentação de Affonso Soares, datado de Maio de 2013; um prefácio da própria Yvonne do Amaral Pereira, de Maio de 1979 e uma introdução do espírito Adolfo Bezerra de Menezes datada de 3 de Outubro de 1967.