Atualidade (pág. 11)
Jornal de Espiritismo nº 72 · Maio 2015Página 117 min
quica, fundada por um prémio Nobel da medicina, Charles Richet. No âmbito dos fenómenos medianímicos os homens de ciência, de finais do século XIX e do início do século XX, investigaram diversos fenómenos de efeitos físicos, inclusive uma das suas categorias, a que chamaram “poltergeist” (tradução direta do alemão, “espírito brincalhão”). Estes fenómenos seriam viáveis quando em ligação com adolescentes, podendo estes residir na moradia em causa ou nas redondezas, pois eram eles quem produzia o ectoplasma e substâncias afins necessárias à produção pelos Espíritos desencarnados em causa de tais fenómenos.
Exemplo disso foram, por exemplo, as conhecidas irmãs Fox, de Hydesville, EUA. Quem não percebe o enquadramento da mediunidade na ótica da doutrina espírita, o mais fácil é poder vir a perturbar-se com isso. Há um contexto, há um conhecimento prévio que deve existir, como em qualquer outro tema, a fim de que o resultado seja pacificador, esclarecido, compensador. Quando os mais novos em idade escolar se metem nisso é natural que dê mau resultado, porque acreditam depois nas mensagens que Espíritos levianos (ver por favor a Escala Espírita em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec) deixam e que psicologicamente as crianças exacerbam, criando problemas subjetivos onde objetivamente não existem, pois o que fazem invariavelmente é levar a sério os disparates e sugestionar-se com o medo que, neste caso, é uma fonte de perturbação.
O jogo do copo Há cerca de um ano, Isadora escreveu-nos: «Bom dia! Há alguns anos realizei o jogo do copo em que estudava, um colégio de padres. Na primeira vez foi incrível, pois era uma coisa nova para todos, mas a curiosidade era maior e fazíamos isso todos os dias. Numa das vezes fiquei eu e mais duas pessoas e o espírito sugeriu a um deles fazer um ritual de sacrifício humano. Ficámos assustados e acabámos logo o jogo.
Desde então muitas coisas vêm acontecendo na minha vida. Coisas que não dão certo, escuto coisas e até já pensei em procurar ajuda. Isso pode ser por conta de ter feito o jogo do SETEMBRO.OUTUBRO.2015 O que é o “jogo do copo”? Nem é um jogo, nem carece obrigatoriamente que se use um copo. É uma prática de contacto com os Espíritos, em que várias pessoas apoiam os dedos num copo virado ao contrário. Arrastado pela força dos intervenientes, o copo vai-se dirigindo a letras e números previamente dispostos na superfície de “jogo”, formando palavras e frases.
Existem regras para o jogo do copo? Há pessoas que afiançam que sim. Porque certa vez “jogaram” assim ou assado e resultou. Ou porque alguém as aconselhou. Na verdade, é rigorosamente indiferente se se usa um copo, qualquer outro, ou nenhum, objeto; se se acendem velas ou não, se se “joga” na escuridão, à média luz ou às claras; se os intervenientes estão sérios ou a rir; etc. Quem são os Espíritos? Os Espíritos são apenas pessoas como nós, que já viveram na Terra.
Tal como nós, há Espíritos mais e menos bem intencionados, pois as pessoas após a morte do corpo físico conservam as suas características, a sua maneira de ser, as suas boas e más inclinações. Além dos Espíritos, podem manifestar-se anjos ou demónios? Não existem anjos nem demónios. Os chamados anjos são Espíritos evoluídos. Os seres a que a tradição chama demónios são apenas os Espíritos ainda pouco evoluídos, muitas vezes inclinados ao mal, ou simplesmente às brincadeiras de mau gosto.
E que dizer então de anjos como Miguel, Gabriel, Rafael, ou de demónios copo? Na época em que fizemos esse jogo avisaram que iríamos pagar o resto da vida por estar a mexer com o que estava quieto. Encontrei o site da ADEP em algumas páginas relacionadas e decidi procurá-los. Aguardo resposta». A resposta seguiu pelo missivista de plantão nessa data: «Olá Isadora, pode ficar 100% descansada relativamente a essas ameaças que receberam quando fizeram esse «jogo».
Não correm perigo. O mundo dos Espíritos é uma outra dimensão. Quando o nosso corpo morre, é para lá que vamosos bons, os maus e os indiferentes. O «jogo do copo» é como que um «abrir a porta», a quem queira entrar na intimidade dos imprudentes «jogadores». E, como os bons Espíritos não são dados a esse tipo de brincadeiras, aparecem os Espíritos que não têm escrúpulos de se aproveitar do vosso desconhecimento, e se divertem a assustar-vos, manipulando a vossa boa-fé e inexperiência.
Geralmente dizem que são o «Satanás» (que não existe, graças a Deus!), ou mandam fazer coisas perigosas ou absurdas. São apenas pessoas como nós, que, agora que estão do lado de lá da vida, gostam desse tipo de coisas. Não é gente boa nem séria, obviamente. As boas notícias é que essas ameaças de NADA valem! São como ameaças de embriagados ou de crianças, que podem ser terríveis na forma, mas sabemos que não nos podem afetar.
Basta que não se preocupe com isso. Siga a sua crença pessoal. Se tem alguma religião, pratique-a com sinceridade e dedicação, e, mesmo que não tenha nenhuma religião, pratique o bem, que é o mais importante. Se se puser a achar que tudo o que de desagradável lhe acontece é por causa do «jogo do copo», vai acabar por ficar deprimida, mas a «culpa» não é dos Espíritos brincalhões, será sua, por dar importância a isso.
Se desejar saber mais acerca de Espiritismo, visite o nosso site, faça o download das obras básicas e o curso básico, em www. adep.pt/curso. Abraço e disponha sempre!». como Satã, Lúcifer, Belzebu? Trata-se de interpretações antigas e poéticas de seres e de acontecimentos reais. Refira-se, por exemplo, que a Bíblia não tem referência a demónios ou anjos, a não ser como Espíritos evoluídos ou atrasados. O que faz mover o copo?
O copo move-se (quando não é empurrado de propósito pelos participantes) pelo efeito da vontade dos Espíritos. Desde que haja pelo menos uma pessoa presente que sirva para esse propósito, os Espíritos podem combinar a sua vontade com a aptidão natural dessa pessoa, e não só fazer mover copos com dedos apoiados, como mover outros objetos, mesmo sem contacto humano. Os espíritas fazem o jogo do copo? De modo algum. O jogo do copo pretende interrogar os Espíritos.
Desde a Antiguidade que há quem interrogue os Espíritos, para saber das coisas mais variadas. Chama-se a isso oráculos. A filosofia espírita não aprova tais práticas, pois vê os Espíritos como pessoas iguaizinhas a nós, e que, como tal, merecem a devida consideração. Por isso não é razoável estar-lhes a fazer perguntas despropositadas e indiscretas. Porque se diz que o jogo do copo é perigoso? Porque as pessoas que se entregam a essa prática são habitualmente completamente desinformadas acerca do mundo dos Espíritos.
Assim sendo, e dispondo-se a chamar Espíritos para responderem às suas perguntas, podem cair em enganos e apanhar grandes sustos. Porque comparecem Espíritos quando se faz este “jogo”? Porque se há pessoas reunidas para falar com Espíritos, essas pessoas estão imediatamente a atrair Espíritos pelo pensamento. Como as intenções dos “jogadores” são de puro divertimento, há Espíritos que aproveitam para se divertir também.
Uns “alinham” efetivamente na brincadeira. Outros divertem-se a apavorar os experimentadores. As coisas correm sempre mal? Não. Mas havendo um risco real, é melhor evitar corrê-lo. É perigoso contactar com os Espíritos? É sempre perigoso lidarmos com o que desconhecemos. Uma caixa de fósforos nas mãos de um adulto responsável não oferece qualquer perigo. Nas mãos de uma criança pode provocar um incêndio. Isso quer dizer que só os conhecedores da filosofia espírita podem comunicar com os Espíritos?
De forma alguma. Há outras filosofias e religiões em que há intercâmbio com o mundo espiritual (o Racionalismo Cristão, a Umbanda, o New Spiritualism, etc.) Mas ao dizerem que o contacto com os Espíritos pode ser perigoso, os espíritas não estão a guardá-lo só para eles mesmos? Não. Qualquer pessoa pode estudar Espiritismo, os livros sobre Espiritismo estão disponíveis em muitos sites espíritas, os cursos de Espiritismo são gratuitos (como todas as atividades espíritas), e qualquer pessoa pode estudar Espiritismo, ouvir palestras espíritas, participar em atividades espíritas.
Nada no Espiritismo é secreto. O Espiritismo consiste, portanto, em falar com os Espíritos? Não. A grande maioria dos espíritas nunca participou numa reunião de comunicação com os Espíritos. O que é então o Espiritismo? É uma filosofia cristã, racional e objetiva, que se debruça sobre a natureza, a origem e o destino dos Espíritos e a sua relação com o mundo material. O Espiritismo visa contribuir para o melhoramento da Humanidade seguindo Jesus de Nazaré, como exemplo moral.
O Espiritismo considera que não existem milagres e que tudo é obra de Deus. Por isso o Espiritismo confia na ciência, que é a descoberta das leis que regem o mundo material. Porque existe no Espiritismo o contacto com os Espíritos? Porque existem médiuns (pessoas com sensibilidade que lhes permite captar ideias e mensagens dos Espíritos). Porque existem Espíritos que se comunicam. Porque Deus permite. Porque é útil. No Espiritismo o contacto com o mundo espiritual visa apenas: a) auxiliar o próximo; b) receber mensagens moralmente edificantes; c) pesquisa científica.
Nas reuniões mediúnicas espíritas também comparecem Espíritos maus e/ou brincalhões? Só se lhes for permitido pelos Espíritos mais evoluídos que colaboram nos trabalhos, desde que tal seja útil. Fonte: http://blog-espiritismo.blogspot.pt/2009/01/o-jogo-do-copo-perguntas-e-respostas.
