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Crónica Janeiro.fevereiro.2016

Jornal de Espiritismo nº 74 · Janeiro 2016Página 94 min

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CRÓNICA JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Mais de 100 anos depois – uma revista internacional Com o topo das páginas ainda por separar, para poder ser por fim lida, a publicação de 16 páginas de formato próximo do A5 tem de se submeter a este trato. Recordo-me que há cerca de duas décadas Albuquerque Rocha, amigo e companheiro de brincadeiras de infância de meu pai em Viseu, então já reformado e dirigente do Núcleo Espírita Cristão, da cidade do Porto, tinha insistido em oferecer estas publicações, dada a abundância de exemplares herdados que uma senhora de idade madura tinha dado a esta associação sem fins lucrativos, após falecimento do progenitor.

Na altura na direção da Federação, num fim - -de-semana levou-se uma caixa com diversos exemplares para a sede social, na Amadora. O arquivo era importante, representava património histórico. Por isso mesmo Maria José Cunha, na altura professora em Sines, a coordenar nos seus tempos livres o departamento federativo de História, que estava criado, fez um trabalho sobre isto. Poderá consultá-lo em breve no site da ADEP.

Agora, páginas livres para serem lidas, verifico que tenho em mãos dois meses especiais: outubro e novembro de 1910 – a transição, em Portugal, da Monarquia para a República, numa publicação que tem por título «Revista Espírita», dirigida por Francisco de Paula A. da Silveira Pinto, também o seu proprietário e editor, com Redação na Rua da Bandeirinha, 44. No rodapé da primeira página, alinham - -se os correspondentes internacionais, de Além-mar: Rio de Janeiro, na altura capital brasileira, Porto Alegre, Pará, e no estado da Bahia, em Alagoinhas, Carlos de Souza e Cunha.

Alagoinhas! Gláucia Lima, residente na região de Lisboa, que assegura a secção Consultório do jornal que está a ler, é natural de Alagoinhas. Olha que engraçado! Chegado na noite de 17 de novembro de uma reunião mediúnica que se interpôs entre a curiosidade e a confirmação, vejo que Gláucia está on-line – irrompo: «Sabes? Encontrei revistas de 1910 e vi que tinham um correspondente da tua cidade natal! Alagoinhas. Carlos de Souza e Cunha».

Resposta imediata: «Alagoinhas, Bahia?». Sem dúvida. «Acho que é meu tio-avô Carlos. Vou telefonar à minha mãe!». Era mesmo. Carlos de Souza e Cunha, tio-avô de Gláucia Lima, a médica psiquiatra estudiosa da doutrina espírita que nos habituámos a escutar com elevado apreço em diversas conferências pelo país fora, e a ler as suas palavras em livro, bem como neste jornal. Chegado na noite de 17 de novembro de uma reunião mediúnica que se interpôs entre a curiosidade e a confirmação, vejo que Gláucia está on-line – irrompo: «Sabes?

Encontrei revistas de 1910 e vi que tinham um correspondente da tua cidade natal! Alagoinhas. Carlos de Souza e Cunha». Carlos de Souza e Cunha «falava esperanto fluentemente», esclarece Gláucia Lima e continua: «Ele ficou viúvo e ia a Salvador vê-lo. Era um idealista. Um homem muito «Ups! Cuidado». O papel saído da tipografia em fins de 1910 está neste dia 16 de novembro de 2015 amarelado e frágil. Outubro de 1910 - «Revista Espírita», Porto, Portugal «Revista Espírita», publicada na cidade do Porto, em Portugal, em outubro de 1910, por Francisco de Paula Silveira Pinto.

www. scribd.com/doc/290100282/1910-10 - -Revista-Espirita-Porto-Portugal A revista «Luz e Caridade», de distribuição gratuita e visada pela censura, publicada na cidade de Braga, em Portugal, particularmente o seu número de Outubro de 1934, tem estas medidas: 24 cm x 15,5 cm. www.scribd.com/ doc/290879925/Revista-Luz-e-Caridade-Outubro-de-1934 A revista «Além», publicada na cidade do Porto, em Portugal, particularmente o seu número de Novembro/Dezembro de 1947, tem estas medidas: 18,5 cm x 26 cm.

www.scribd.com/doc/290880270/Revista - -Alem-Nov-Dezembro-de-1947 Fevereiro de 1900 Outubro de 1910 Outubro de 1934 Novembro de 1947 interessante: foi pioneiro em Alagoinhas de muitas coisas. Levou o cinema para a cidade. Teve quatro filhos e ficou viúvo cedo, indo viver para Salvador». Fundou uma cooperativa de ensino «da qual fazia parte o Ginásio de Alagoinhas (uma das mais antigas escolas da cidade), e uma cooperativa de livros para os alunos do Ginásio.

Criou um curso de contabilidade, no qual era professor. Foi prefeito da cidade. Correspondia-se sobre espiritismo com pessoas de outros países». Em termos profissionais, «tinha um cartório de registos notariais. Todos os recursos materiais que obtinha eram direcionados para a educação», a que dedicou boa parte da sua vida terrena. Transferiu-se «para Salvador por questões de saúde, após a viuvez. Era asmático. Desencarnou aos cem anos de idade».

Regressando à vetusta «Revista Espírita», com a gravura de uma ave de rapina a segurar o título, já que este não volita, percebe-se que não associa uma instituição à sua propriedade. Trata-se de um cidadão, Francisco de Paula A. da Silveira Pinto, cheio de idealismo decerto, que num país com elevadíssima taxa de analfabetismo arca com a produção e respetivos custos de um produto de luxo, pois o preço de artigos de imprensa no início do século XX era de esperar que fosse muito maior do que atualmente.

Os contactos deste homem de bolsa desafogada, supomos, refletem uma seleção do que de melhor se publicava no movimento espírita internacional, nomeadamente em França, Espanha e Brasil. Poderá em breve consultar estes e outros periódicos de interesse histórico no site da ADEP, onde está a ser criada uma secção que agregue e disponibilize a todos os interessados o acesso a estes dados. Se for o seu caso, se tiver publicações deste perfil, não guarde só para si: partilhe!

Vai ver que depois até se sente mais leve. «Revista Espírita», edição de Fevereiro de 1900, dirigida por Francisco Alves Costa, publicada na cidade do Porto, em Portugal. Medidas: 48 cm x 31 cm, 4 páginas. www.scribd.