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Atualidade Janeiro.fevereiro.2016

Jornal de Espiritismo nº 74 · Janeiro 2016Página 102 min

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ATUALIDADE JANEIRO.FEVEREIRO.2016 «O estudo dos fenómenos espirituais é um desafio» Há apenas 20 anos era ainda estudante de Medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora, estado de Minas Gerais, Brasil. Hoje, quem se interessa por ciência e pela investigação dos fenómenos humanos ligados à espiritualidade depara necessariamente com este nome e fala dele com grande respeito. A isso obrigam os numerosos trabalhos científicos constantes de diversas publicações indexadas mundo fora.

A tese de doutoramento de Alexander Moreira de Almeida, que encontra facilmente na internet, já de si prometia: «Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas», em que estudou 115 indivíduos nesse perfil. Alexander Moreira de Almeida é psiquiatra, professor associado de Psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora. Além disso, fundou e coordena o Núcleo Universitário de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES) e atualmente dirige as secções de Psiquiatria e Espiritualidade da Associação Mundial de Psiquiatria e da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Escolheu esta área da espiritualidade, dentro da psiquiatria, porquê? Alexander Moreira de Almeida – Sempre tive, desde criança, um grande interesse tanto pela ciência quanto pelas várias manifestações da espiritualidade. Dentro do sincretismo religioso do Brasil, tive contacto com o espiritismo, com a umbanda, com católicos e protestantes, participando de diversas formas dessas vivências. Ao mesmo tempo, também sentia grande interesse pela ciência, bem como pelos aspetos filosóficos inerentes.

Então, a meta é tentar entender, dentro do aspeto científico, essa dimensão da natureza humana, essa experiência tão interessante e desafiadora que é a espiritualidade. Ao explorar todas essas dimensões da natureza humana, porque não utilizar também a investigação da ciência, as suas ferramentas para investigar a espiritualidade? Por isso, no primeiro estudo sobre espiritualidade, parti desse questionamento. Foi em 1995, há 20 anos.

Era estudante de Medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora e já tinha interesse por esse tema, mas um interesse leigo, digamos assim. Numa mesma semana, dois grandes órgãos do jornalismo impresso no Brasil publicaram artigos sobre cirurgias espirituais. Saiu numa revista semanal, de circulação nacional, uma matéria favorável às cirurgias espirituais e, por outro lado, saiu um outro jornal de circulação nacional com uma matéria crítica sobre as cirurgias espirituais.

Enquanto uma defendia que havia inúmeras curas algo verídico e eficaz, do outro lado diziam que era uma fraude, de má-fé, etc. Isso chocou-me, ver dois periódicos impressos de grande importância com conclusões tão diferentes sobre o fenómeno espiritual. O que ficou claro para mim foi que as duas matérias eram preconceituosas, elas tinham um conceito pré-formado antes de realizarem a matéria, porque nenhuma delas apresentava evidências que comprovassem «O verdadeiro cientista deve ter um caráter de humildade intelectual e de abertura para a natureza»: estas palavras são de Alexander Moreira de Almeida, em conversa aberta com a repórter do «Jornal de Espiritismo», no auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, em 18 de outubro, num intervalo das X Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade.