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Capa da edição nº 74 do Jornal de Espiritismo

74Jornal de Espiritismo nº 74

Janeiro 2016 · 20 secções · ≈ 77 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a importância da humildade na ciência, a preservação da memória espírita através da digitalização de documentos antigos, e a relevância da gratidão e do reconhecimento das pessoas em nossas vidas. Inclui uma entrevista com o psiquiatra Alexander Moreira de Almeida sobre o estudo dos fenómenos espirituais e um pedido de ajuda de uma leitora sobre mediunidade descontrolada.

Espiritismo
Estudo
Mediunidade
Psiquiatria
Humildade
Gratidão

Capa

Página 11 min

74 ANOXIII JDE JANEIRO . FEVEREIRO . 2 0 1 6 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 «O verdadeiro cientista deve ter um caráter de humildade intelectual e de abertura para a natureza»: estas palavras são de Alexander Moreira de Almeida, professor de psiquiatria e investigador, em conversa aberta no auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa.

4 Federação Encontro Nacional de Educadores Infanto-juvenis Estiveram presentes 72 pessoas, das quais cerca de 50 eram educadores… 10 ENTREVISTA foto ulisses.com.pt Alexander Moreira de Almeida: «O estudo dos fenómenos espirituais é um desafio » 9 Crónica Mais de 100 anos depois O papel saído da tipografia em 1910 está hoje amarelado e frágil… 14 Opinião Chico Xavier: homem-bom ou vedeta? É normal: isso faz parte da natureza do ser humano...

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Editorial / Conto Janeiro.fevereiro.2016

Página 26 min

EDITORIAL / CONTO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 É habitual pensar no novo ano que emerge como mais uma etapa da viagem desta vida material e, depois de meio século, convém deixar tudo organizado. Então… e não é que a internet veio viabilizar essa partilha de forma brilhante? Bem, aqueles recortes da década de 1980 sobre o V Encontro Nacional de Jovens Espíritas reportado pelos grandes jornais diários da época – nomeadamente o «Jornal de Notícias» e «O Primeiro de Janeiro», «O Comércio do Porto» e «A Capital», note que o diário «Público» ainda não existia – qualquer dia desfazem - -se em pó.

Bem, imperioso é repescá-los, digitalizá-los e deixá-los num site, no caso o Facebook e o Scribd. E talvez no Issuu, se der tempo. E lá estão eles on-line. Ora essa! Afinal havia igualmente umas revistas de que já não me lembrava. Uma de 1900, grande, quatro páginas apenas, a mexer com cuidado, senão desfaz-se. Outras de 1910 – lembro-me que foi Albuquerque Rocha, dirigente do Núcleo Espírita Cristão, do Porto, que mas ofereceu há um par de décadas.

E esta? Uma revista publicada em Braga, «Luz e Caridade», da década de 1930, visada pela censura e de distribuição gratuita. Ainda há um lá em casa de minha mãe. Agora vazio, como todos os sucedâneos, traz consigo este baú muito mais do que madeira trabalhada com talento… Ainda há mais? Sim. Olha uma revista «Além», da década seguinte, publicada à época pela Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas, arrasada por um dos ministros do ditador Salazar.

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Correio Janeiro.fevereiro.2016

Página 34 min

CORREIO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 «Nem consigo ir trabalhar» As mensagens são muitas e com frequência apresentam algo em comum: pedido de palavras esclarecedoras que ajudem a enfrentar as situações cuja resolução parece realmente difícil de encontrar. Susana, na casa dos 30 anos, como disse, envia em meados de novembro um pedido de ajuda por e-mail: «Boa tarde, venho por este meio pedir ajuda. Parece que estou com a mediunidade a aflorar de forma descontrolada, ou seja, não me sinto bem e não consigo controlar, sinto medo.

Vem de repente sem aviso o que parecia ataque de pânico, meu corpo treme, aperto peito e a cabeça muito estranha. Sinto dormência e formigueiro, alterações da temperatura, ora mãos geladas e frio, ora rosto a arder e calor. A sensação que parece é que vou enlouquecer pois perco um pouco a consciência, não total felizmente. É como se me dissociasse. Tem sido todos os dias sem padrão, ora de manhã, ora ao meio-dia, à tarde e depois das 21h00.

Sinto um grande mal - -estar físico e psíquico, tonturas e sofrimento. Depois sinto uma enorme exaustão que nem consigo ir trabalhar nem sair de casa e tenho medo de estar sozinha. Alguém me pode ajudar por favor? O que posso fazer?». A resposta seguiu: «Boa noite, Susana. Verificamos pela sua mensagem o estado de intranquilidade em que a escreveu. Desejamos que se encontre mais calma agora. Mesmo quando tudo parece esboroar-se em redor, é importante perceber que somos nós próprios em grande medida os criadores da nossa realidade.

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FEP Encontro Nacional de Educadores O dia 8 de novembro foi especial p

Página 43 min

FEP Encontro Nacional de Educadores O dia 8 de novembro foi especial para o movimento espírita português: nesse domingo ensolarado, a convidar a um passeio pela natureza, realizou-se na sede da Federação Espírita Portuguesa (FEP) na Amadora, o Encontro Nacional de Educadores Espíritas de 2015. Num evento primorosamente organizado, estiveram inscritos e presentes 70 dirigentes espíritas de todo o país e Ilhas. Dadas as boas-vindas por parte do presidente da FEP, Vítor Féria, durante a parte da manhã tivemos oportunidade de ouvir quatro excelentes palestras.

Logo na abertura, Gláucia Lima, psiquiatra, encantou os presentes com o tema “Défice da atenção, depressãoevícios” aplicados à criança e ao jovem, palestra esta que prendeu a atenção dos presentes. Seguidamente, Paulo Mourinha, psicólogo, adentrou-nos pelo mundo das percepções, ajudando-nos a entender que nem tudo o que parece é e de como muitas vezes fazemos juízos de valor equivocados se não tivermos percepção das nossas limitadas percepções.

Ana Duarte, professora, apresentou o projeto de dinamização da Educação Espírita Nacional, bem como todo um conjunto de atividades e de livros juvenis que saíram e outros que se encontram no prelo. Daniela Serrão, engenheira de ambiente, sensibilizou todos os espíritas para esta temática cada vez mais premente e intrinsecamente ligada ao Espiritismo, seguindo - -se uma bem disposta apresentação teatralizada com Reinaldo Barros, Esteves Teiga, Daniela, Cristina, Manuela e Ana, que deixou no ar uma atmosfera de boa disposição.

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Consultório

Página 55 min

O cancro: “Porquê eu? Quando soube, quis suicidar-me!” “Não havia sentido para a vida! Ter de fazer mais um tratamento. Não era o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro... Porquê eu? Quando soube, quis suicidar-me!” sic. A Paula é uma jovem advogada que procurou ajuda para tratar uma depressão. Referia que se sentia perdida, sem rumo. Teve um cancro de mama aos 25 anos de idade, fez uma mastectomia parcial (extração da mama).

Aos 50 anos, teve um cancro de ovário, fez uma histerectomia total (extração do ovário e útero). Após dois anos apresentou recidiva do cancro para o peritónio. Fez todos os tratamentos com quimioterapia (QT). Não conseguia saber “o porquê de tanto sofrimento”, dizia-me Paula. Teve uma vida familiar difícil desde a sua infância. Filha única de pais separados. O pai sempre foi a sua maior referência, dedicado à espiritualidade, à qual a mesma nunca deu atenção.

Há um ano o pai desencarnou, o marido ficou desempregado e a sua vida desorganizou-se. “Perdi o meu chão!”, sic. Há 4 meses recebeu a notícia que tinha um novo cancro, provável recidiva do último tumor no peritónio, localizado na cúpula da vagina. Iniciou QT para o 4.º cancro. Desesperada e querendo desistir de lutar pela vida, questionava-se: “Porquê eu!?”, sic. Após o 3.º ciclo de QT, os médicos informaram-na que se tratava de uma massa cística (não neoplásica) e não se tratava da recidiva de um tumor!

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Breves Janeiro.fevereiro.2016

Página 65 min

BREVES JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Périplo de Carlos Campetti Ligado há muito às atividades da Federação Espírita Brasileira, Carlos Campetti efetou diversas palestras em Portugal no final do ano passado, com destaque para o fim-de - -semana de 28 de novembro, quando, pelas 15h00, discursou na sede da Federação Espírita Portuguesa (FEP), na Amadora, e no dia seguinte, à mesma hora, ministrou no mesmo local um mini-seminário.

Em 24 de novembro pelas 21h00 já tinha dado uma palestra em Évora, dia 25 de Olhão, no dia seguinte em Quarteira, dia 27 em Caldas da Rainha, dia 30 em Lisboa, no Centro Espírita Perdão e Caridade, e em dezembro, no dia 1, na Comunhão Espírita Cristã de Lisboa, concluindo o ciclo no dia seguinte em Santarém. Aveiro: alguns tópicos sobre mediunidade No dia 23 de novembro, segunda-feira pelas 21h00, teve lugar uma conferência espírita nas instalações da Associação Cultural Espírita Estrela de Aveiro subordinada ao tema “ Alguns tópicos sobre mediunidade e seu desenvolvimento”, tendo estado a palestra a cargo de Paulo Fonseca.

Esta associação tem a sua sede na Rua Ciudad Rodrigo, n.º 12, R/c. – Bairro do Liceu 3810 - 083 AVEIRO / Contactos: tel.: 965204151-962714000. As palestras têm início às 21h00. Às sextas-feiras, 21h00, tem lugar o estudo do livro “O Evangelho Segundo Espiritismo”, de Allan Kardec, alternando com o estudo da mediunidade. Todas as atividades da Associação são livres e gratuitas. Lisboa: A pré-história do Espiritismo em Portugal No dia 25 de novembro, na FNAC Colombo, em Lisboa, Joaquim Fernandes apresentou o seu livro “História Prodigiosa de Portugal.

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Notícia

Página 72 min

Funchal: educar para ser feliz O Centro Cultural Espírita do Funchal, no âmbito do Programa para pais “Educar para Ser feliz” recebeu Leonor Leal, da Associação de Cultura Espírita de Alcobaça, em 4 de dezembro, sexta-feira, com o tema “Os meus, os teus e os nossosfilhos de pais divorciados”. O programa “Educar para ser feliz”, essencialmente dedicado aos pais, decorre há cerca de dois anos. Com a periodicidade de dois meses, são abordadas diversas temáticas com o objetivo de auxiliar os pais e educadores na auto-educação e na dos seus educandos, no sentido de criar entendimentos que levem a um melhor relacionamento interpessoal e consequentemente à construção de um mundo melhor.

Foi feita a abordagem à luz da doutrina espírita, que amplia o conceito tradicional de família, situando os laços parentais nos vínculos afetivo-espirituais ao invés dos laços sanguíneos, fazendo uma clara distinção entre família pelos laços da consanguinidade e família pelos laços espirituais. O esclarecimento de quem somos nesta Imortalidade do Ser, de como nos movimentamos nas leis divinas e o apelo à reflexão íntima, apoiada no legado que Jesus nos deixou de quem são afinal minha mãe e meus irmãos?

Quem são os irmãos daqueles que hoje, necessidade da atual reencarnação, são nossos filhos? E os novos companheiros que surgem? Ainda, com base na lei de causalidade, foi focada a importância do esclarecimento sobre as causas das nossas aflições, certos de que colhemos o que semeamos, nesta ou em existências pretéritas. A importância do autoconhecimento e necessariamente da auto-educação do espírito, neste caminho evolutivo de ascensão espiritual, cuja linha de ação se vai ajustando na exata medida das nossas necessidades evolutivas, com vista ao êxito dos envolvidos.

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Reportagem Janeiro.fevereiro.2016

Página 84 min

REPORTAGEM JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Norte: Seminário de Medicina Quando os olhos passam no programa, minutos antes da abertura, às 9h30, vê-se o primeiro tema: “Do automatismo celular ao amor incondicional”. Bem, falar sobre isso parece ser uma barra pesada! Ora, depois das boas-vindas, dadas por Maria Paula Silva, médica fisiatra e presidente da AME Norte, foi só tirar o cavalinho da chuva – Décio Iandoli Júnior, cirurgião gastroenterologista com doutoramento, começou a expor o assunto e os minutos passaram como por encanto.

Da ameba, ser unicelular, seguindo na direcção do boneco animado “Sponge Bob”, o esculápio dissertou com naturalidade evidenciando o condão de trocar por miúdos conceitos complicados de medicina, sendo estes complementados por ideias espíritas com especial foco no livro «Evolução em dois mundos», de André Luiz em psicografia de Francisco Cândido Xavier, culminando na explicação das metas, para nós supostamente adiantadas, do amor incondicional de que falava Jesus… de Nazaré – convém frisar, não vá alguém começar a ler a meio, e julgar que estamos a falar de futebol!

Décio teve de substituir em poucos dias Irvênia Prada – professora universitária aposentada da Universidade de São Paulo, Brasil, muito especial – por via de um acidente que resultou em fratura de fémur sofrido uns quatro dias antes em Leiria. Note que Décio nos tempos livres é presidente da AME de Mato Grosso do Sul e é vice-presidente da AME Internacional. Seguiu-se um tema recorrente e sempre vivo, “A mediunidade em doentes psiquiátricos”, exposto por Roberto Lúcio de Souza, psiquiatra, diretor clínico do Hospital Espírita André Luiz, de Belo Horizonte, vice-presidente da AME Brasil.

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Crónica Janeiro.fevereiro.2016

Página 94 min

CRÓNICA JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Mais de 100 anos depois – uma revista internacional Com o topo das páginas ainda por separar, para poder ser por fim lida, a publicação de 16 páginas de formato próximo do A5 tem de se submeter a este trato. Recordo-me que há cerca de duas décadas Albuquerque Rocha, amigo e companheiro de brincadeiras de infância de meu pai em Viseu, então já reformado e dirigente do Núcleo Espírita Cristão, da cidade do Porto, tinha insistido em oferecer estas publicações, dada a abundância de exemplares herdados que uma senhora de idade madura tinha dado a esta associação sem fins lucrativos, após falecimento do progenitor.

Na altura na direção da Federação, num fim - -de-semana levou-se uma caixa com diversos exemplares para a sede social, na Amadora. O arquivo era importante, representava património histórico. Por isso mesmo Maria José Cunha, na altura professora em Sines, a coordenar nos seus tempos livres o departamento federativo de História, que estava criado, fez um trabalho sobre isto. Poderá consultá-lo em breve no site da ADEP.

Agora, páginas livres para serem lidas, verifico que tenho em mãos dois meses especiais: outubro e novembro de 1910 – a transição, em Portugal, da Monarquia para a República, numa publicação que tem por título «Revista Espírita», dirigida por Francisco de Paula A. da Silveira Pinto, também o seu proprietário e editor, com Redação na Rua da Bandeirinha, 44. No rodapé da primeira página, alinham - -se os correspondentes internacionais, de Além-mar: Rio de Janeiro, na altura capital brasileira, Porto Alegre, Pará, e no estado da Bahia, em Alagoinhas, Carlos de Souza e Cunha.

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Atualidade Janeiro.fevereiro.2016

Página 102 min

ATUALIDADE JANEIRO.FEVEREIRO.2016 «O estudo dos fenómenos espirituais é um desafio» Há apenas 20 anos era ainda estudante de Medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora, estado de Minas Gerais, Brasil. Hoje, quem se interessa por ciência e pela investigação dos fenómenos humanos ligados à espiritualidade depara necessariamente com este nome e fala dele com grande respeito. A isso obrigam os numerosos trabalhos científicos constantes de diversas publicações indexadas mundo fora.

A tese de doutoramento de Alexander Moreira de Almeida, que encontra facilmente na internet, já de si prometia: «Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas», em que estudou 115 indivíduos nesse perfil. Alexander Moreira de Almeida é psiquiatra, professor associado de Psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora. Além disso, fundou e coordena o Núcleo Universitário de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES) e atualmente dirige as secções de Psiquiatria e Espiritualidade da Associação Mundial de Psiquiatria e da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Escolheu esta área da espiritualidade, dentro da psiquiatria, porquê? Alexander Moreira de Almeida – Sempre tive, desde criança, um grande interesse tanto pela ciência quanto pelas várias manifestações da espiritualidade. Dentro do sincretismo religioso do Brasil, tive contacto com o espiritismo, com a umbanda, com católicos e protestantes, participando de diversas formas dessas vivências. Ao mesmo tempo, também sentia grande interesse pela ciência, bem como pelos aspetos filosóficos inerentes.

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Atualidade Janeiro.fevereiro.2016 (pág. 11)

Página 116 min

ATUALIDADE JANEIRO.FEVEREIRO.2016 as suas conclusões, de que eram absolutamente eficazes as cirurgias ou de que eram todas fraude. Não apresentavam evidências sobre isso e veio a ideia. Como realizava nessa época investigação científica em patologia, conversei com a minha professora: «Podíamos fazer uma investigação muito simples, para ver se é fraude ou não: coletaremos o material que eles dizem que extraem dos pacientes, e faremos um estudo patológico».

Começámos assim o nosso primeiro estudo de espiritualidade, precisamente para trazer dados. Sobre estes assuntos muitas pessoas têm muitas opiniões, mas poucos estudaram realmente a fundo o tema. Surgiu assim o nosso interesse de investigaçãoea primeira pesquisa mostra um pouco essa busca de apurar evidências concretas que nos ajudem a entender este fenómeno, independentemente do facto de vir a corroborar ou a contraditar o fenómeno.

O que o levou a escolher temas relativos à mediunidade para a sua tese de doutoramento? Alexander Moreira de Almeida – A minha esposa é historiadora. Realizava uma pesquisa histórica sobre as relações da psiquiatria com as experiências religiosas no Brasil. Ela percebeu que havia uma tendência na Europa, nos EUA e no Brasil, nos finais do século XIX e início século XX, de catalogar essas experiências religiosas como experiências patológicas.

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Opinião Janeiro.fevereiro.2016

Página 123 min

OPINIÃO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 A música que a espiritualidade canta Qual o papel da música senão vibrar positivamente em nosso espírito? O indivíduo consegue viajar por longos territórios quando se deixa levar pelos sons harmónicos de um instrumento musical que o convida ao passeio com muitas sensações. A espiritualidade também se comunica através da música. O mundo é uma caixa de musicalidade. Ouvimos vários ritmos a todo instante e formas textuais ganham corpo quando a música dobra esquinas, contorna montanhas, viaja sobre as águas, molda-se ao impulso do vento.

Salpicada de muitos sentimentos a música resulta de uma inspiração, que nem sempre se perfaz de íntima vontade na completude em exaltar o bom e o belo. O baixo padrão vibracional indica a faixa de sintonia em que permanecem os espíritos que a ele se ligam. Jáamúsica inspiradora produz sentimentos nobres, e estes por sua vez, são legados espirituais que de tempos em tempos ancoram no coração das pessoas a fim de que elas possam transformar-se, sublimando as suas ações e vibrações de pensamento – deixando a ignorância e influenciando a mudança do estado egóico para fazer nascer da humildade um novo ser espiritual.

As inspirações elevadas são logo percebidas nas músicas que cantam um mundo mais colorido e capaz de utilizar essas mesmas cores para tornar a vida mais alegre e mais feliz. Falar de paz, de respeito, de saúde, de trabalho, de amor, de família, de religião séria, de um Deus todo justiça e caridade, preenche o grande vazio que ainda permanece renitente na alma daqueles que não querem enxergar uma realidade dimensional capaz de falar aos tempos modernos de coisas ainda adormecidas na consciência geral.

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Crónica

Página 135 min

Assustado, dizia que, por causa dos maus teria que mudar de casa. Percebendo a sua intranquilidade, o pai sossegou-o dizendo - -lhe que a França era a sua casa e que em todo lado existiam pessoas más. Não convencido, o catraio ripostou: “Mas os maus são mesmo maus, eles têm pistolas.” O pai vacilou com a rigidez daquele argumento bélico mas, deparando-se com o memorial que os parisienses erguiam para homenagear os que tinham partido, respondeu: “Eles têm armas mas nós temos flores!

” O menino surpreendeu-se com aquela ingenuidade do pai. As flores não faziam nada, como é que os iriam proteger das armas? O pai pediu ao filho que olhasse bem. Tanta gente que trazia flores, que acendia velas para recordar as vítimas. O menino esboçou um sorriso e pareceu aliviado. Respondeu ao repórter que já se sentia melhor porque as flores e as velas os protegiam. O vídeo tornou-se viral e foi partilhado por milhões de pessoas, mostrando a quem ainda não o tivesse percebido que a poesia é indispensável nas nossas vidas.

Os poetas podem não ser tão venerados como acontecia no passado, pode-se até não gostar de poemas nem sabê-los recitar de cor, mas precisamos muito da poesia. Só ela é capaz de definir o indefinível, explicar o inexplicável e representar o que não tem representação. A racionalidade é preciosa mas esgota-se com facilidade, é limitada. A sabedoria não tem limites, a sua linguagem adorna-se dos recursos poéticos para sugerir, inspirar e emocionar.

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Opinião Janeiro.fevereiro.2016 (pág. 14)

Página 143 min

OPINIÃO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Chico Xavier: homem-bom ou vedeta? Convencionou-se há muito tempo, em muitos espíritas, um conceito desvirtuado de “caridade”. Os bons Espíritos ensinaram-nos que “Fora da caridade não há salvação”, isto é, que somente trilhando o caminho da “caridade” para connosco e para com o próximo, nos seus múltiplos matizes, evoluiremos espiritualmente e mais depressa. A grande maioria dos espíritas reencarnados, fomos padres e freiras de outrora e, é natural que tragamos no nosso bojo psíquico, arquivos sedimentados do tempo do catolicismo, tentando, actualmente, impregnar a prática espírita com essas reminiscências.

É muito comum confundir-se no dia-a-dia, “caridade” (característica espiritual) com complacência com o erro, com a asneira, com práticas antidoutrinárias, e até algumas que colocam em causa a imagem da Doutrina dos Espíritos. Alguns dos espíritas, querendo aparentar bondade, sugerem que devemos calar perante o erro, que em nome do bom nome do Espiritismo não devemos apontar o erro, fugindo assim, quase sempre à responsabilidade de dizer “desculpe, mas não concordo, pois isso não é Espiritismo”.

Querem estar de bem com todos, com quem acerta e com quem erra, acabando muitas vezes por resvalarem na crítica, às escondidas, o que denota a tibieza espiritual e psicológica que ainda temos na Terra. O Espírito Erasto, em “O Livro dos Médiuns” aconselha que mais vale repelir 10 verdades do que aceitar uma mentira. Allan Kardec, sempre denotou uma personalidade correcta, justa e assertiva, a tal ponto que afirmou, que no dia em que a ciência dita “oficial” provasse que um único ponto do Espiritismo estivesse errado, este seria abandonado.

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Opinião Janeiro.fevereiro.2016 (pág. 15)

Página 155 min

OPINIÃO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Às provocações e elaborações intelectuais dele, eu contra-argumentava com o meu estudo e reflexões. Até que me questionei: qual é o pilar do Espiritismo sem o qual nada do que eu diga lhe fará sentido? E a resposta veio de imediato: Deus, um dos princípios fundamentais da doutrina espírita. Sem a compreensão e aceitação da existência de Deus, a minha argumentação entrava num beco sem saída para ele enquanto esse amigo ganhava forma de elevar o nível de sarcasmo.

Então, caro leitor, para compreender o todo a que a doutrina espírita se refere, o ‘primeiro passo’ é a aceitação e compreensão da existência de Deus, sem o qual o conhecimento de tudo o que existe não é possível. Repare que, como alerta «O Livro dos Espíritos», não somos ainda capazes de compreender a natureza íntima de Deus, mas sim a sua existência. E isso é possível, também mas não só, através da lógica, da observação e da rendição às evidências.

Imagine, então, que do barro vê vários tipos de peças: potes, jarros, chávenas, tachos, tampas, etc. São vários os objectos que se podem fazer a partir do barro. Se eu tiver dois potes de barro na minha mão, são dois objectos diferentes, certo? Mas se contar apenas o barro, há apenas um. Ou melhor, só existe barro. Mesmo que segure três potes, o barro continua a ser um. Se eu lhe perguntar o que tenho na mão, o leitor provavelmente responde: um pote.

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Opinião Janeiro.fevereiro.2016 (pág. 16)

Página 169 min

OPINIÃO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Novas de alegria – 8 O reino do Criador uno, total, infinito, é reino de vida, amor, VERDADE também totais, sem limite. Porquê então não o fruirmos logo? Porquê a necessidade de implorá-lo? Por causa da ILUSÃO e ERRO em que nos induzem os sentidos e as “lentes” ancestrais duma consciência demasiado centrada na matéria, com a qual percecionamos desfocadamente a “realidade” que nos cerca.

Há cerca de dois milénios e meio, o filósofo grego Anaxágoras afirmou aquilo que intuía: “o que vemos reflete o que não vemos; o que vemos não é, o que não vemos é”. E em 1916 o autor da teoria da relatividade demonstrava cientificamente: “aquilo que temos como realidade é mera ilusão, ainda que ilusão persistente”. A aparente realidade, que em contínuo realimentamos na mente, confunde o discernir, separa-nos temporariamente da verdade ontológica do SER.

Esta subjaz a tudo no Universo, mas, no nosso atual ponto evolutivo, apenas a captamos em rasgos ocasionais de inspiração, intuição, que geram progresso. A verdade eterna, libertadora (referida por Jesus, sumo pedagogo da HumanidadeJoão 8:32), emana do SER total, da harmonia absoluta do “reino de Deus”. Quando presente na consciência, liberta-a do erro e suas inibições, produz milagres de toda a ordem (não apenas de saúde).

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Literatura / Vídeo

Página 174 min

LITERATURA / VÍDEO Obras Póstumas (Allan Kardec) JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Quando os Anjos Falam James é um rapaz de 12 anos que se debate para ultrapassar a morte da mãe num acidente de automóvel quando ele ainda era uma criança. A sua revolta latente é expressa numa rebeldia forçada que tem como principais alvos os que lhe são mais próximos. Não encontrando no pai a disponibilidade para falar sobre o que sente, James não consegue expressar a dor que lhe cobre o peito e o vazio que a ausência da mãe lhe provoca, prolongando um processo de luto, de trauma e de culpa que parece mais intenso do que aquilo que ele consegue suportar quando tem que regressar à casa de praia dos pais, local do fatídico acidente.

É através de uma das suas deambulações para explorar a inóspita região que James conhece Maddy, uma velha misteriosa e solitária que os vizinhos se habituaram a não incomodar. Apesar de a relação não começar da melhor forma, James e Maddy vão intensificando uma improvável amizade, partilhando cada vez mais tempo e segredos mútuos. A mulher revela-se uma ouvinte atenta e consegue compreendê-lo para lá dos seus atos de rebeldia.

Por seu lado, James é um antídoto para a solidão de Maddy, tornando-se o confidente ideal para que ela possa partilhar um fato extraordinário: Há muitos anos que ela recebe mensagens do seu filho, morto na guerra do Vietnam, e que lhe vem relatando em textos belíssimos as sensações que vai experimentando do outro lado da vida. A relação entre os dois protagonistas, tão diferentes em idade mas tão próximos no trato e compreensão das respectivas dificuldades, é baseada na fé da vida após a morte, mostrando-nos como a certeza dessa realizada pinta a vida de tons mais coloridos.

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direitos reservados Entrevista a dirigentes foto direitos reservados A

Página 183 min

foto direitos reservados Entrevista a dirigentes foto direitos reservados Ana Gomes, 58 anos, aposentada, frequenta a Associação Espírita Terceirense, na Ilha Terceira, no arquipélago dos Açores. Como conheceu o espiritismo? Ana GomesAtravés de uma amiga que em abril de 1998 me convidou e pediu que colaborasse na organização e divulgação de duas conferências aqui na ilha. Pela primeira vez, viria à ilha, “palavras dela” um senhor extraordinário, brasileiro, o maior orador espírita, de nome Divaldo Franco.

Foram dois momentos inesquecíveis. Tudo o que ouvi e que até aquela data era desconhecido para mim, era coerente, racional e portanto fazia sentido. A partir daquele momento, adquiri toda a codificação e outros livros e comecei a ler e estudar até hoje... O Espiritismo modificou a sua vida? Ana GomesSem dúvida, o espiritismo esclarece-nos sobre o porquê das coisas. Felizmente não vim parar à procura de alívio para algum sofrimento como acontece a muitas pessoas mas, depois de estar na doutrina como é óbvio e natural com qualquer ser humano, também já tive os meus problemas, que tenho a certeza que se não conhecesse o espiritismo certamente não os teria enfrentado e solucionado da mesma forma e naturalidade com que o fiz.

Que livro espírita anda a ler neste momento? Ana Gomes - «Obreiros da Vida Eterna», ditado pelo Espírito André Luiz, recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier. JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Entrevista a frequentadores Armando Almeida ganha a vida como técnico comercial. Como conheceu o Espiritismo? Armando AlmeidaEm buscas e pesquisas na Internet sobre respostas que eu não tinha ou que não me satisfaziam. Foi então que se deu esse “acaso” de descobrir vídeos e documentos “espíritas” que me chamaram a atenção.

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Era uma vez um agricultor, que tinha muitas terras junto ao mar

Página 192 min

Precisava de empregados para o ajudarem a cuidar da terra, mas tinha dificuldade em arranjar homens de trabalho por causa dos ventos fortes daquela zona. Punha anúncios, oferecia recompensas e prémios, pagava muito bem, mas nada adiantava. Todos tinham medo das tempestades e não queriam trabalhar naquela zona. Um dia, lá chegou um homenzinho, baixo e magro, que já não era novo de idade.

- O senhor é um bom lavrador? – perguntou o dono das terras. - Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram – respondeu o homem. - O que quer dizer com isso? – quis saber o patrão. - Quero dizer isso mesmo, que eu posso dormir enquanto os ventos sopram – respondeu o homem e não disse mais nada. O patrão ficou confuso, mas como não tinha 06 mais ninguém, aceitou-o como empregado e ficou de olho nele. O pequeno homem era, realmente, um bom trabalhador.

Mantinha-se ocupado de manhã à noite. O dono das terras estava muito contente com o trabalho dele e já nem se lembrava do que ele lhe tinha dito no primeiro dia, quando chegou, que podia dormir enquanto os ventos sopravam. Certa noite, lá veio o tão assustador vento, numa valente tempestade. O agricultor saltou da cama, agarrou numa lanterna, correu a acordar o pequeno homem e gritou: - Rápido, levante-se! Vem aí uma grande tempestade!

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Última Janeiro.fevereiro.2016

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ÚLTIMA JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Jornadas de Cultura Espírita do Oeste Em 23 e 24 de abril a cidade de Caldas da Rainha recebe as XII Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, com o apoio da ADEP. O Centro Cultural e Congressos em Caldas da Rainha, um dos melhores auditórios do país, será o cerne das atividades. A rapidez com que as inscrições no evento se esgotavam noutros anos, quando decorria em Óbidos levou à mudança de cidade.

Pode acompanhar as últimas novidades ou contactar os organizadores, o Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha e a Associação de Cultura Espírita de Alcobaça, visite https://www.facebook.com/ jornadas.espiritas Chegou o ano do Congresso Espírita Mundial Lisboa acolhe este ano, no MEO Arena, o próximo Congresso Espírita Mundial, entre 7 e 9 de outubro. O evento tem site. Pode acompanhá-lo em http://8cem.com. Charles Kempf, secretário-geral do Conselho Espírita Internacional (CEI), apela às pessoas interessadas de diversos países: «Aproveito a oportunidade para convidar todos a juntarem-se a nós, em Portugal, Lisboa, em 2016, entre 7 e 9 de outubro.

Façam as vossas inscrições logo que possível». Decerto irão esgotar em breve. Na mesma linha de ideias, Vítor Féria, presidente do Conselho Diretivo da Federação Espírita Portuguesa (FEP), afirma que este congresso é «um evento inesquecível, a não perder», pois é uma «oportunidade única poder participar num congresso internacional tão perto de casa». A organização está a cargo da Federação Espírita Portuguesa (FEP) que trabalha em parceria com o CEI.

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