Opinião Janeiro.fevereiro.2016 (pág. 14)
Jornal de Espiritismo nº 74 · Janeiro 2016Página 143 min
OPINIÃO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 Chico Xavier: homem-bom ou vedeta? Convencionou-se há muito tempo, em muitos espíritas, um conceito desvirtuado de “caridade”. Os bons Espíritos ensinaram-nos que “Fora da caridade não há salvação”, isto é, que somente trilhando o caminho da “caridade” para connosco e para com o próximo, nos seus múltiplos matizes, evoluiremos espiritualmente e mais depressa. A grande maioria dos espíritas reencarnados, fomos padres e freiras de outrora e, é natural que tragamos no nosso bojo psíquico, arquivos sedimentados do tempo do catolicismo, tentando, actualmente, impregnar a prática espírita com essas reminiscências.
É muito comum confundir-se no dia-a-dia, “caridade” (característica espiritual) com complacência com o erro, com a asneira, com práticas antidoutrinárias, e até algumas que colocam em causa a imagem da Doutrina dos Espíritos. Alguns dos espíritas, querendo aparentar bondade, sugerem que devemos calar perante o erro, que em nome do bom nome do Espiritismo não devemos apontar o erro, fugindo assim, quase sempre à responsabilidade de dizer “desculpe, mas não concordo, pois isso não é Espiritismo”.
Querem estar de bem com todos, com quem acerta e com quem erra, acabando muitas vezes por resvalarem na crítica, às escondidas, o que denota a tibieza espiritual e psicológica que ainda temos na Terra. O Espírito Erasto, em “O Livro dos Médiuns” aconselha que mais vale repelir 10 verdades do que aceitar uma mentira. Allan Kardec, sempre denotou uma personalidade correcta, justa e assertiva, a tal ponto que afirmou, que no dia em que a ciência dita “oficial” provasse que um único ponto do Espiritismo estivesse errado, este seria abandonado.
Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) foi a maior antena psíquica do século XX, um Espírito nobre, cuja grandiosidade certamente desconhecemos. A isto chama-se... bom senso!!! Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) foi a maior antena psíquica do século XX, um Espírito nobre, cuja grandiosidade certamente desconhecemos. Sendo a simplicidade em pessoa, deixou à Humanidade preciosa joia, a sua obra psicografada de mais de 400 livros.
Paralelamente, e quiçá tão ou mais importante como a sua obra, deixou o seu exemplo de “Homem de Bem”, conforme ensina o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, exemplo de simplicidade, de serviço ao próximo, sempre furtando-se ao destaque e sempre procurando ser o maior servidor e não ser servido. Este foi o “Homem-bom” que eu conheci, pelos livros, pelas entrevistas, pelos relatos, pelos dados históricos recentes. Como se não bastasse o pseudo-espírito do “Dr.
Inácio Ferreira” vir todas as semanas do Além actualizar um blogue, e que num processo evolutivo regressivo, está pior no Além do que quando estava na Terra, ditando livros (autênticas aberrações doutrinárias) por um médium brasileiro, anda por aí um outro Chico Xaviervedeta, criado à imagem dos seres humanos que o criaram. É o Chico Xavier dos mausoléus, é o Chico Xavier que disse coisas a pessoas durante a vida que nunca disse publicamente quando estava na Terra (muito estranho, sabendo-se da assertividade de Chico Xavier), é o Chico Xavier dos “Encontros dos amigos do Chico Xavier” (uma reedição das confrarias ou das ordens religiosas?)
, como se não houvesse um espírita lúcido que não tenha um grande preito de gratidão por esse nobre Espírito, benfeitor da Humanidade, é o Chico Xavier da “pomadinha Chico Xavier”!... Haja bom senso! A memória de Chico Xavier deve ser imortalizada, não só na sua obra literária, mas principalmente no seu exemplo de “Homem de bem”, de Espírito nobre, de missionário na Terra. A melhor maneira de imortalizar a sua memória é respeitá-la, tentando ser simples, humilde, desapegado e servidor, como ele sempre foi na Terra, e não criando-se um “santo dos espíritas” com o respectivo “merchandising” acoplado.
O Chico Xaviervedeta que por aí anda nada tem a ver com o Espiritismo. O Chico XavierHomem de bem, esse sim, foi, é e será sempre, um exemplo para todos nós. Da minha parte, vou tentar ser como ele, nem que seja... um bocadinho! Quanto ao resto, fica aquela frase: “a cada um de acordo com as suas obras”. Por José Lucas jcmlucas@gmail.com PSNão conheço pessoalmente as pessoas que inventaram o “Chico Xavier-vedeta”, nem nada me move contra elas.
Na qualidade de Espírita, livre-pensador, não questiono pessoas (seres imortais, meus irmãos em Deus) mas sim atitudes, opiniões (todas elas passageiras) que ferem, na minha óptica, a memória do médium Chico Xavier, ferem o bom senso e a credibilidade da “Doutrina dos Espíritos”. Quando optamos por opinar, concordar ou discordar, corremos o risco de sermos mal interpretados, de sermos amados ou detestados. É normal, isso faz parte da natureza do ser humano.
