Opinião Janeiro.fevereiro.2016
Jornal de Espiritismo nº 74 · Janeiro 2016Página 123 min
OPINIÃO JANEIRO.FEVEREIRO.2016 A música que a espiritualidade canta Qual o papel da música senão vibrar positivamente em nosso espírito? O indivíduo consegue viajar por longos territórios quando se deixa levar pelos sons harmónicos de um instrumento musical que o convida ao passeio com muitas sensações. A espiritualidade também se comunica através da música. O mundo é uma caixa de musicalidade. Ouvimos vários ritmos a todo instante e formas textuais ganham corpo quando a música dobra esquinas, contorna montanhas, viaja sobre as águas, molda-se ao impulso do vento.
Salpicada de muitos sentimentos a música resulta de uma inspiração, que nem sempre se perfaz de íntima vontade na completude em exaltar o bom e o belo. O baixo padrão vibracional indica a faixa de sintonia em que permanecem os espíritos que a ele se ligam. Jáamúsica inspiradora produz sentimentos nobres, e estes por sua vez, são legados espirituais que de tempos em tempos ancoram no coração das pessoas a fim de que elas possam transformar-se, sublimando as suas ações e vibrações de pensamento – deixando a ignorância e influenciando a mudança do estado egóico para fazer nascer da humildade um novo ser espiritual.
As inspirações elevadas são logo percebidas nas músicas que cantam um mundo mais colorido e capaz de utilizar essas mesmas cores para tornar a vida mais alegre e mais feliz. Falar de paz, de respeito, de saúde, de trabalho, de amor, de família, de religião séria, de um Deus todo justiça e caridade, preenche o grande vazio que ainda permanece renitente na alma daqueles que não querem enxergar uma realidade dimensional capaz de falar aos tempos modernos de coisas ainda adormecidas na consciência geral.
Chegam as canções que não irritam a audição e tomam parte da vida coletiva – que permanece sedenta por algo novo, e brota a força imorredoura nas mentes humanas revelando-nos que há uma preocupação espiritual para que renovemos as nossas esperanças em busca das verdades impercetíveis aos sentidos humanos, quando a opção ainda é o mergulho na musicalidade ignóbil dos tempos pretéritos. A doutrina espírita compreende que a música celeste enaltece de forma integral um estágio existencial profundo e bem mais completo que o nosso campo material.
Exaltando o respeito, a compreensão, a tolerância, a É fácil convencer a alma quando a música que ecoa dentro do pensamento alcança estágios cada vez mais profundos no ser. Quem nunca se imaginou embalado pela melodia que faz sonhar, ter esperança e enxergar dias melhores? foto ulisses.com.pt As inspirações elevadas são logo percebidas nas músicas que cantam um mundo mais colorido e capaz de utilizar essas mesmas cores para tornar a vida mais alegre e mais feliz paz, o amor e a caridade, essa esfera dimensional espírita ensina através da música que é possível construir um mundo novo tendo como base todos esses princípios difundidos com muita serenidade ao longo de centenas de anos.
Cada era da humanidade recebeu as intuições que registam em forma de música os sentimentos que povoam o infinito. Intérprete e compositor alinham-se para traçar os rumos de uma viagem que teve passaporte liberado no espaço infinito, onde habitam espíritos comprometidos com a verdade e o avanço planetário que tão carinhosamente nos impulsiona. Ouvindo o mar cantaremos a beleza das águas; olhando a luz do sol falaremos do calor que aquece os nossos corações; percebendo os valores olorosos das flores de um jardim ascenderemos a alma ao estágio de puro contato com o Criador.
Eis que o poeta pode encher-se de ânimo e declamar: — Eamúsica que canta na praça, subindo ela passa por onde eu estou. Caminha faceira, menina, no canto da esquina, aonde eu vou. Segue suave seu curso perene, falando a gente que tanto escutou, espaço aberto no mundo incerto de trova e de dor. Ah! quanta distância e saudade, meu peito invade somente em pensar, das cenas e dos adeuses – intervalos cruéis acenando em chapeis noutros estágios galgar.
Volta hoje, volta serena... linda açucena a nos perfumar, com a intuição amiga dos invisíveis amigos a todos ensinar, que viajando o infinito transporta o que eu dito: o mundo de lá manda mensagens pro mundo de cá. Por Kildare de Medeiros Gomes Holandakildare.gomes@gmail.
