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Correio Maio.junho.2016

Jornal de Espiritismo nº 76 · Abril 2016Página 35 min

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CORREIO MAIO.JUNHO.2016 “Padeço de insónias” Achamos por bem partilhar com os leitores algumas questões que vão chegando por e-mail: quem sabe não tem uma dúvida parecida? Viver em paz Gabriela é estudante na cidade do Porto e envia-nos uma mensagem peculiar. Vêm estas palavras à luz da imprensa por- que a questão com que nos interpela é in- vulgar – o conflito israelo-palestiniano. Com frequência, os e-mails recebidos colo- cam questões pessoais centradas em pro- blemas emocionais ou supostamente de natureza mediúnica com que as pessoas se debatem.

Contra a corrente, na noite de 8 de janei- ro, Gabriela explica: «Conheçoobásico da doutrina espírita. Visitei pela primeira vez um centro espírita em 2003 (o Núcleo Es- pírita Cristão, no Porto). Costumo frequen- tar o Centro Espírita Caridade por Amor e sou voluntária no Coração da Cidade, na cidade do Porto». Continua: «Feliz por conhecer esta doutri- na, porque me ajuda a ver as dificuldades da vida de outra forma e porque me anima e me dá forças a tornar-me numa pessoa moral e eticamente melhor», «para mim, a doutrina espírita tem toda a lógica.

Mas a razão pela qual decidi enviar este e-mail é uma simples questão: Que posição tem o espiritismo sobre a questão Israelo-pales- tiniana? Se pudesse falar com um muçul- mano palestiniano e com um hebreu isra- elita, que conselhos lhes daria para que ambos conseguissem viver em paz? O motivo destas duas questões é que elas fazem parte de um trabalho académico (sobre a problemática israelo-palestinia- na) que eu estou a realizar para obter o grau de licenciatura.

Agradecia, se possível, a vossa resposta, assim como a autorização, caso seja ne- cessário, para eu a publicar no trabalho académico». Na resposta, justificámo-nos: «Olá Gabriela. Não dominamos esse assun- to, pelo que apenas poderemos responder de forma genérica. Supostamente, um dos motivos que tornam esses territórios tão desejados tem a ver com tradições histórico-religiosas. Uma coisa é certa: ninguém apagará fogo com álcool.

Nesse ponto, a maior força do mundo é a educação. Jerusalém, por exemplo, vista como cidade santa, não serve de pretexto para a guerra apenas hoje. Já as Cruzadas medievais pe- lejavam no mesmo sentido, como se o Rei- no dos Céus fosse um território e não um estado de consciência. O direito à autodeterminação dos povos é inquestionável, mas a verdade é que exclui o menosprezo e a invasão de território onde já vivem populações.

Na ótica espírita, o egoísmo é uma das gran- des chagas de que a humanidade tarda em livrar-se e será ele que está na base de todos os conflitos, qualquer que seja a sua dimensão. A coexistência pacífica é uma meta viável e se calhar é até desejada pela maioria das populações nessa região do Globo, mas há interesses que fomentam facilmente o con- flito. Os gestores do território, qualquer que seja o país, têm de prever muito bem as conse- quências do que deliberam, de modo a ate- nuar a violência.

Uma coisa é certa: ninguém apagará fogo com álcool. Nesse ponto, a maior força do mundo é a educação. Se as populações de qualquer faixa etária forem sensibilizadas no sentido da paz, procurando num relacio- namento menos a competição mas sobretu- do a colaboração, de forma continuada, isso poderá trazer resultados. Caso contrário, iremos assistir ao longo do tempo a numerosos e difíceis circuitos cár- micos entre os envolvidos, fazendo demorar o avanço evolutivo, até que se faça luz e percebam que qualquer ser humano pode deixar de progredir espiritualmente pela dor desde que opte pelo amor que, nos Atos dos Apóstolos, numa epístola de Pedro, é capaz de lavar todos os pecados».

Susana escreve por e-mail em fevereiro: «Boa tarde, sigo as vossas comunicações há já algum tempo. Gostava de saber se me poderão ajudar. Há mais de dez anos que padeço de insónias e o problema está a agravar-se de ano para ano. Já tentei de tudo e nada funciona, inclusive medicação prescrita por psiquiatra. Mas não só, já fiz reiki, regressão, psicoterapia... nada fun- ciona... De que forma a vossa associação me pode ajudar?

Tenho esperança que talvez o meu espírito acalme quando conseguir comuni- car com a minha mãe que faleceu quando eu tinha 14 anos. Tenho estado mergulha- da em grande tristeza desde então, com alturas melhores e piores mas nunca me recompus... Porquê agora? Porque fui mãe há cerca de sete meses e esta limitação de não conse- guir desligar e estar sempre alerta deixa- -me exausta e prejudica a minha tarefa de maternidade.

Se me puderem ajudar eu ficaria imensamente agradecida. Não sei se poderá ser uma solução, mas tenho de tentar! Se me pudessem dar o contacto de al- guém na zona de Lisboa que fosse idóneo e da vossa confiança, com capacidade mediúnica para me dar algumas respos- tas, agradecia muito». A resposta seguiu em dois dias: «Olá Susa- na. Compreendemos o problema que de for- ma tão aberta coloca e nos sensibiliza. De facto, dormir bem é fundamental para qualquer pessoa andar tranquila e no pleno uso das suas capacidades.

É normal as mães, desde que nasce um filho, passarem a ter algumas noites mal dormidas. Faz parte da história da humani- dade. Por outro lado, não é fácil encontrar amor maior neste ou no outro lado da vida, a vida espiritual. Pergunta: «De que forma a vossa associa- ção me pode ajudar?» Não é simples. Somos uma associação de divulgação, não estamos no ramo da saúde. Opina: «Tenho esperança que talvez o meu espírito acalme quando conseguir comuni- car com a minha mãe».

Aí, perdoe a nossa sinceridade, sabemos que uma coisa nada tem a ver com a outra. Sendo útil, e estando bem no plano espiritu- al, os nossos entes queridos interagem con- nosco com maior frequência durante alguns momentos do sono – quando nos exteriori- zamos do corpo físico, dentro do possível – do que através de médiuns. A mediunidade na prática espírita é utilizada para fins de interesse geral, não de modo particular.

Se assim não fosse, haveria lugar a inúmeras mistificações. Como não tem custos, já que as atividades espíritas são sempre gratuitas, aconselha- ríamos a que experimentasse frequentar uma associação espírita da sua região com que se afinize mais. Neste “link” encontra várias moradas na re- gião de Lisboa: http://adeportugal.org/adep/index.php/ centros-espiritas/pesquisar-distrito Se nos permite, não deverá deixar de con- tinuar a procurar ajuda médica, pois pode haver um problema de natureza orgânica que ainda não tenha sido detetado e que pode ser decisivo para voltar a ter um sono tranquilo.

No centro espírita pode receber passe mag- nético depois da palestra semanal e, com naturalidade, deixar a sua mente entrar em novas sintonias que sejam capazes de a ajudar a harmonizar mais o seu mundo interior. Aproveite o amor que tem ao seu bebé. É um recurso fantástico de paz interior. Disponha. Seguem as nossas saudações fraternas.