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Jornal de Espiritismo nº 76 · Abril 2016Página 83 min

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Eutanásia: sim ou não? A ideia será alertar para o acréscimo rele- vante que o ponto de vista da doutrina es- pírita junta às demais análises deste tema. Na síntese, pois a AME Norte remete os in- teressados para um texto mais detalhado e, por consequência, mais extenso, lê-se como transcrevemos nas linhas que se se- guem: «Estando atualmente a eutanásia a ser discutida em Portugal, a Associação Mé- dico-Espírita do Norte (AME Norte) reuniu e debateu o tema, tendo concluído que é seu dever comunicar o seu próprio ponto de vista.

Esclarecemos que a AME Norte agrega um grupo de médicos e de outros técnicos li- gados à saúde que, fora da sua atividade profissional, se interessa por espiritualida- de, considerando interessantes os dados proporcionados pela doutrina espírita. É compreensível que quem defende a eu- tanásia sob o ângulo materialista da inter- pretação da vida – tema realmente difícil, mesmo para quem é profissional de saúde – o faça à sua maneira com intenção de poupar sofrimento a alguém em situações extremas e irreversíveis.

Centrados na ideia de uma autonomia ab- soluta que a lei não contempla, acreditam que a vida do ser humano termina com a morte do corpo físico e, ao afastarem o problema da sua percepção, ele parece desaparecer. Há, contudo, uma série de evidências que apontam no sentido da vida prosseguir numa dimensão espiritual, numa linha de continuidade, com o eventu- al prolongamento de sensações por tempo indeterminado, variável caso a caso.

Assim, depois de um estudo aprofundado, entendemos que o problema não deve ser visto de um modo que se nos afigura sim- plista. À partida, na doutrina espírita há evidên- cias que sugerem o seguinte: o facto do corpo físico do ser humano desaparecer com a morte apenas simula diante dos nossos olhos o desaparecimento do ser, prosseguindo este a sua vida na dimensão espiritual. É compreensível – não somos corpos físicos que têm uma alma, somos sim almas a colher temporariamente expe- riências de vida em corpos físicos.

As reuniões mediúnicas que se realizam com vista a auxiliar quem parte desta vida e continua em dificuldade no plano espiri- tual elucidam o tema, sobretudo nos ca- sos típicos de suicídio. Nestes casos, não só quem o pratica ora fica profundamente foto ulisses.com.pt deprimido, porque continua a viver em situ- ação de elevada perturbação, ora continua a viver durante anos sem saber sequer que já partiu, até que surjam condições para ser esclarecido.

Nessa oportunidade, muitos destes casos pedem que se passe a palavra sobre estes factos, para que mais ninguém se atire a tal infortúnio. Regra geral, consumado o acto, de alguma maneira rapidamente per- cebem que deveriam ter sabido ser resi- lientes, pois a passagem na vida material configura uma “bolsa de estudo”, cheia de testes e ensinamentos, previstos já antes de nascer. Embora estes dados – que até podem ser vistos numa moldura de religiosidade natu- ral no ser humano – sejam novidade para muita gente, na verdade parecem ser leis da natureza que não fazem vénia para fun- cionar, quer se acredite nelas ou não.

Isto aplica-se quer às vidas sucessivas quer à continuidade da vida após a morte do corpo físico, articuladas com uma relação de causa e efeito que vincula a consciência de cada um face ao seu próprio passado mais ou menos remoto. Pensamos, assim, que é necessário optar por uma melhor solução, pois quer o Es- tado quer a família devem criar condições para que todos os doentes em situação terminal de dor possam ser acompanha- dos de modo eficiente numa situação de conforto e de alívio, sendo preferível optar pela ortotanásia, ou seja, pela suspensão ou abstenção de meios desproporcionados de tratamento, de molde a que os laços que prendem o Espírito ao corpo físico se soltem de modo natural.

Diversos estudos demonstram que o que custa verdadeiramente é suportar o “sofri- mento sem sentido”, independentemente de ser quantitativamente muito ou pouco. Há no nosso sitehttps://amenortesite. wordpress.comum texto mais extenso que desdobra de forma mais completa esta linha de pensamento. Entretanto, ficamos ao dispor para os es- clarecimentos que considerarem úteis, através do e-mail norte.ameportugal@ gmail.com».

Não deixe de ler no site da AME Norte o texto que resulta de um profundo estudo sobre o tema da eutanásia realizado pelos elementos da referida associação. MAIO.JUNHO.2016 Tendo como destinatários os “mass media” em geral, está em circulação uma nota de imprensa relativa à eutanásia, enviada pela Associação Médico-Espírita do Norte (AME Norte). Diversos estudos demonstram que o que custa verdadeiramente é suportar o “sofrimento sem sentido”, independentemente de ser quantitativamente muito ou pouco.