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Literatura / Vídeo

Jornal de Espiritismo nº 76 · Abril 2016Página 177 min

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LITERATURA / VÍDEO O Livro dos Médiuns O Principezinho MAIO.JUNHO.2016 Quando a França foi invadida pelos Alemães em 1940, o piloto e escritor Antoine de Saint- -Exupéry exilou-se em Nova Iorque. Enquanto recuperava dos ferimentos de guerra escreveu e ilustrou a enigmática história que apaixonou gerações em todo o mundo, tornando-se uma das obras mais admiradas de todos os tempos: O Principezinho, a história de um aviador que se despenha no deserto e encontra um jovem príncipe vindo de um minúsculo asteróide e que, após uma odisseia por vários mundos po- voados por criaturas esquisitas, ainda procura a melhor forma de lidar com a sua rosa.

O livro foi publicado nos EUA em Abril de 1943, cerca de um ano antes do avião pilotado por Saint- -Exupéry ter desaparecido sobre o Mar Medi- terrâneo durante um voo de reconhecimento. O seu corpo nunca foi recuperado e ele já não viu a publicação do livro no seu país natal. O Prin- cipezinho é o livro de língua francesa mais lido em todo mundo com mais de 200 milhões de cópias vendidas, tendo sido traduzido para 260 línguas e dialectos, incluindo Braile.

O jornal “Le Monde” colocou-o em 4º lugar na lista dos me- lhores livros do século XX, apenas ultrapassado por obras de Camus, Proust e Kafka. Apesar de ter a encantadora aparência de um ambiente mágico da literatura infantil, “O Princi- O seu berço foi a cidade de Paris e nasceu pe- las mãos do venerando Allan Kardec, sempre amparado pelo Espírito da Verdade e seus discípulos, dos quais não podemos deixar de registar dois espíritos: São Luís e Erasto.

Este livro constitui, cronologicamente, a se- gunda obra básica da Codificação Espírita; foi antecedida por uma pequena brochura intitulada «Instruções Práticas sobre as Ma- nifestações Espíritas», publicada em 1858, o ano crucial para o arranque da epopeia do grande benfeitor da Humanidade, pois, nesse ano inicia-se logo em Janeiro, a publicação do primeiro número da «Revista Espírita» — ins- trumento fundamental para Allan Kardec es- tabelecer, fundamentar e divulgar a nova dou- trina.

Depois, no primeiro dia 1 de Abril desse ano, o Codificador funda o primeiro centro es- pírita do Planeta — a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que também ficaria conhe- cida por Sociedade Espírita de Paris —, seria o núcleo central de intercâmbio com o Mundo dos Espíritos, centro de processamento de in- formações provindas da França, da Europa e do Mundo, determinantes para a elaboração de «O Livro dos Médiuns», primeiro, e depois das três obras restantes que completariam o pentateuco kardequiano: «O Evangelho se- gundo o Espiritismo» (1864), «O Céueo Infer- no» (1865) e «A Génese» (1868).

Com «O Livro dos Espíritos» chega à Terra o Es- piritismo, ou Doutrina Espírita, que não é nem mais nem menos que a sabedoria dos Espí- ritos para reorientar o pensamento humano, pezinho” é também uma história para adultos que nos fala da solidão, da perda da inocência e da nossa busca por afetos. É uma fábula sobre a importância da simplicidade e da responsabi- lidade por aquilo que cativamos. O filme do realizador Mark Osborne, que estreou em Dezembro nos ci- nemas portugueses, não é uma repetição do livro de Saint- -Exupéry apesar da história se encontrar presente ao longo do filme e ser narrada em paralelo.

No centro da história deste filme de animação está uma menina que é prepa- rada desde cedo pela mãe para se encaixar no mundo rígido dos adultos, repleto de horários e formalismos, onde tudo parece uni- formizado. Só que as coisas começam a mudar para a menina quando conhece o excêntrico vi- zinho, o aviador, um homem pouco adaptado à libertá-lo das grilhetas da matéria e contri- buir definitivamente para a verticalização do Espírito rumo ao seu destino: a perfeição, a finalidade última da nossa criação.

Mas ha- via necessidade de explicar o mecanis- mo, a lei, de que se serviram os Espíritos para trazerem esse acervo de sabedoria, à humanidade per- plexa e confundida. Essa explicação é feita por Allan Kar- dec e os seus ami- gos invisíveis com as informações que constituem «O Livro dos Médiuns». Não obstante terem decorrido mais de 150 anos, ainda existe muita igno- rância a respeito da mediunidade, ainda em muitos sectores é ro- tulada por fenómeno sobrenatural, mágico e maravilhoso.

Mas, o que mais impressiona e lamentamos, é vermos muitos espíritas des- conhecerem o conteúdo dessa obra, cuja lei- tura e estudo atento, seriam suficientes para libertarem muitas pessoas, grupos e institui- ções da terrível ignorância que no passado gerou muito sofrimento e no presente gera fantasias, desequilíbrios e obsessões, que vida moderna e que lhe dá a conhecer a mágica história do principezinho, incentivando-a à ima- ginação e criatividade.

É interessante o vincado contraste visual entre as paisagens cinzentas e uniformes do ambien- te citadino e a casa do vizinho, carregada de cor e pormenores pitorescos. Contagia- da tanto pela singu- laridade e bondade do aviador como pelo mundo mágico do principezinho, a meni- na vai redescobrindo o prazer da infância, a alegria da espontanei- dade e a importância da imaginação, com- preendendo a neces- sidade de valorizar as pequenas coisas e aprendendo que na vida não existem genéricos que possam substituir a amizade e o amor.

Habituados a desejar as grandes realizações e interiorizando que o reconhecimento e o lou- dão uma imagem deformada do Espiritismo. Allan Kardec, logo no início da Introdução é muito claro ao dizer-nos: «Diariamente a ex- periência confirma a nossa opinião de que as dificuldades e desilusões encon- tradas na prática espírita decorrem da ignorância dos prin- cípios doutrinários.» E acrescenta a res- peito das reuniões feitas sem conheci- mento: «A ignorância e a leviandade de certos médiuns» (e dirigentes) «têm cau- sado maiores prejuí- zos do que se pensa, na opinião de muita gente.

» O Codificador como emérito pedagogo, para facilitar o estu- do e a consulta, dividiu o livro em 32 capítulos que por sua vez incluem 350 artigos nume- rados. Apenas os três últimos capítulos, pelo seu conteúdo específico não é abrangido pelas divisões em artigos, ou itens, como os queiram designar. No último artigo, o n.º 350, que encerra o ca- pítulo XXIX, Reuniões e Sociedades, podemos compreender claramente qual a finalidade precípua do Espiritismo: a transformação da vor são os objetivos a alcançar, à medida que crescemos vamos perdendo o contacto com aquilo que é mais importante, com aquilo que é essencial, atropelando os dias como um com- boio atrasado e ignorando os detalhes que são a base de uma vida feliz.

Vivemos sem compre- ender o significado da vida e amamos através de um amor ainda cheio de interesses, medos, ansiedades e frustrações. Viver e amar, coisas tão simples que ainda não sabemos fazer bem, enquanto estamos demasiado preocupados em parecer sicrano ou representar o dr. fulano ou eng. beltrano. O homem moderno, tendo à sua disposição uma indústria de entretenimen- to gigantesca, é ainda um homem tão triste, pro- penso ao stress, à depressãoeàs doenças psí- quicas.

Algo está mal e o filme “O Principezinho” relembra-nos da contradição dessas pequenas coisas que julgamos insignificantes mas que são fundamentais para aprendermos a viver melhor. Porque somos responsáveis por aquilo que cativamos, só se vê bem com o coraçãoeo essencial é invisível para os olhos. Título Original: “The Little Prince” Realizado por Mark Osborne França, 2015 – 108 min. Por Carlos Miguel Humanidade. Diz-nos o seguinte: «Se o Espi- ritismo deve, como foi anunciado, realizar a transformação da humanidade, só o poderá fazê-lo pelo melhoramento das massas, o qual só se dará gradualmente, pouco a pou- co, pelo melhoramento dos indivíduos.

» Entre muitas lições que o livro encerra, gosta- ríamos de registar aquela que nos diz quais as duas grandes dificuldades da prática me- diúnica e como as ultrapassarmos. São elas a identidade dos Espíritos e a obsessão. Gostaríamos também de dizer que a tese fun- damental da obra é a existência do perispíri- to, o corpo energético dos espíritos, que está na base da mediunidade, portanto, de todo e qualquer fenómeno espírita e anímico.

É um fenómeno natural, pois que faz parte in- tegrante da Natureza, como o demonstrou à saciedade Allan Kardec. Dentre as mais diversas traduções de quali- dade existentes, sugeríamos a do professor Herculano Pires que está enriquecida com mais de duas centenas de notas explicativas e que tem um texto de apresentação que constitui uma autentica jóia doutrinária e his- tórica. Não poderíamos também deixar de registar a última tradução que conhecemos, de excelente qualidade, do confrade Evando Noleto Bezerra, estudioso profundo da obra de Allan Kardec e dirigente activo da centená- ria Federação Espírita Brasileira.