76 — índice de conteúdos

Opinião (pág. 16)

Jornal de Espiritismo nº 76 · Abril 2016Página 164 min

Partilhar
Idioma

Cientistas e mediunidade “As experiências espirituais são muito diver- sificadas e incluem processos cognitivos, emocionais, de percepção e de comporta- mento. Dependendo do tipo de experiência, nós vemos diferentes maneiras no modo como o cérebro responde”, explica Andrew Newberg, diretor do Centro de Medicina In- tegrativa, sediado na Universidade Thomas Jefferson, da Filadélfia, EUA. Ele tem liderado um grupo de pesquisado- res que estuda o efeito sobre o cérebro hu- mano das chamadas “questões espirituais”.

Numa das suas pesquisas, que buscava analisar o efeito da meditação e da oração no cérebro, ele injetou nos pacientes um corante radioativo inofensivo para o corpo, mas que pode ser detetado por aparelhos de tomografia. Enquanto as pessoas estão envolvidas com a oração, o corante migra para as partes do cérebro onde o fluxo san- guíneo é mais forte. Ou seja, pode ser perce- bido na parte mais ativa do cérebro. Numa parceria ainda recente com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Thomas Jefferson, decidiram investigar como ocorrem os fluxos de san- gue em diferentes regiões do cérebro duran- te os transes de médiuns no momento em que eles estariam “recebendo Espíritos”.

A diferença maior é que na oração a consci- ência não é alterada, enquanto no transe mediúnico, há inegável perda de controlo. Um artigo divulgado há alguns anos na re- vista “Public Library of Sciences” mostra como os cérebros dos médiuns brasileiros analisados mostraram transtornos de fun- cionamento enquanto escreviam mensa- gens ditadas pelos Espíritos, chamadas de psicografia. Foram investigados dez médiuns que ti- nham entre 15 e 47 anos de psicografia, realizando-a até 18 vezes por mês.

Segundo o estudo, todos gozavam de boa saúde mental, não usavam psicotrópicos e alcançavam um estado de transe durante a tarefa. Para identificar como ocorria a ação, os pesquisadores usaram tomografia com- putadorizada por emissão de fotões únicos. Os cientistas concluíram que os médiuns mais experientes demonstravam níveis mais baixos de atividade no hipocampo es- querdo, no giro temporal superior e no giro pré-central direito no lóbulo frontal, durante o transe.

Essas áreas do lóbulo frontal estão ligadas ao raciocínio, ao planeamento, à geração de linguagem, aos movimentos e à solução de problemas. Portanto, a conclusão é que durante a psicografia, de fato ocorre uma ausência de percepção de si mesmo. Ou seja, o médium perde a consciência. “O estudo sugere que áreas que normalmen- te funcionam quando estamos escrevendo ou realizando outras tarefas cognitivas, de certa forma, desligam quando a pessoa en- tra em estado de transe.

Isso é consistente com a experiência (dos médiuns) segundo a qual eles não estão no comando da prática e do que estão escrevendo. Quando a ativi- dade do lobo frontal diminui, a pessoa não sente que está realizando uma tarefa, e sim que essa tarefa está sendo feita para ela”, explica o doutor Andrew. A princípio, isso descarta a possibilidade que os médiuns em questão estivessem, de algum modo, fingindo estar fora de si e tornaria impossível ser fruto de esforço hu- mano.

Comparando este estudo com o similar, fei- to sobre os efeitos da oração, torna-se claro como esse tipo de pesquisa “contribui para o nosso entendimento da relação entre o cérebro e as experiências e práticas espiri- tuais”, afirmou o pesquisador. “Também nos leva a pensar se os médiuns de facto estão conectados a um reino es- piritual… Sabe-se que as experiências es- pirituais afetam a atividade cerebral. Mas a resposta cerebral à mediunidade recebe pouca atenção científica e, a partir de agora, devem ser feitos novos estudos”, explicou Newberg, que teve a colaboração do psicó- logo clínico Júlio Peres.

Com informações VEJA e Deseret News. (cf, http://noticias.gospelprime.com.br/pesqui- sa-mostra-a-relacao-entre-o-cerebro-e-as-ex- periencias-espirituais/ em 30 de dezembro de 2012). O Espiritismo demonstrou a imortalidade do Espírito, a reencarnaçãoea comunicabilida- de dos Espíritos. Allan Kardec, sábio francês, sempre defendeu que o espiritismo marcha ao lado da ciência oficial, mas não se detém onde esta pára, indo mais além, desvendan- do as leis que regem o intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo terreno.

Kardec defendia ainda que, no dia em qua ciência oficial demonstrasse que um único ponto do espiritismo estivesse errado, então os espíritas abandoná-lo-iam para seguir a ciência oficial. Até aos dias de hoje, a ciência oficial tem vindo, sucessivamente, a confirmar as as- sertivas espíritas. Por José Lucas A partir de 1857, Allan Kardec, em Paris, “matou a morte” ao apresentar “O Livro dos Espíritos” a 18 de abril desse ano.

Seguiram-se entre outros “O Livro dos Médiuns” onde se encontra a parte experimental do Espiritismo. Hoje, há cientistas que caminham rumo à confirmação das teses espíritas. foto ulisses.com.pt O Espiritismo demonstrou a imortalidade do Espírito, a reencarnaçãoea comunicabilidade dos Espíritos. MAIO.JUNHO.