Entrevista
Jornal de Espiritismo nº 78 · Setembro 2016Página 103 min
Edmundo Cezar brilhou no Centro de Congressos de Caldas da Rainha na passada primavera e… encantou. Atuou nas duas intervenções. As centenas de pessoas presentes nas Jornadas de Cultura Espírita, com justiça, aplaudiram de pé. Bem, vamos conhecê-lo melhor? foto arquivo Edmundo Cezar: arte e espiritismo Edmundo Cezar é natural do Rio de Janeiro, no Brasil, e nos seus tempos pós-profissionais colabora com o Centro Espírita Luz Eterna de Curitiba, no Paraná.
Ator e diretor teatral, professor de teatro pela Universidade Federal do Estado da Bahia, atualmente tem a responsabilidade da presidência da Associação Brasileira de Artistas Espíritas. Veja a mão-cheia de perguntas que lhe colocámos. Em que medida conseguiria relacionar de forma convincente Arte e Espiritismo? Edmundo CezarDiversos autores espíritas, encarnados ou não, relacionam o desenvolvimento da percepção do Belo como necessidade no processo evolutivo do Espírito.
Leon Denis, Emmanuel, André Luiz, Vianna de Carvalho, Camilo, informaram em diferentes épocas e situações as possibilidades da expressão artística no caminho de crescimento espiritual do ser. Allan Kardec, registou na “Revista Espírita” de dezembro de 1860 os seus pensamentos sobre a potencialidade que o Espiritismo oferecia à arte: “Que fontes fecundas de inspiração para a arte! Que obras-primas essas ideias novas não podem criar pela reprodução de cenas tão variadas e, ao mesmo tempo, tão suaves ou tão pungentes da vida espírita!
Sim, nós o repetimos, o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso, e ainda inexplorado, e quando o artista trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações”. O Espiritismo posto em prática, como instrumento de renovação de almas, pode oportunizar que a expressão dos sentimentos através das manifestações artísticas seja um caminho de crescimento individual e espiritual.
(1) Como se interessou pelo teatro? Edmundo CezarAos 15 anos de idade comecei a participar num grupo de teatro amador no meu bairro. Aos 16 conheci o Espiritismo, por causa de um grupo de teatro que se iniciava numa associação espírita. De lá para cá não parei, lá se vão 30 anos. Tive a oportunidade de fazer um curso universitário de artes cénicas tornando-me ator e diretor teatral reconhecido pelo órgão brasileiro do Ministério do Trabalho.
De brincadeira amadora e intempestiva o teatro (e a arte) associado ao Espiritismo tornou-se minha tarefa de reconstrução dos meus sentimentos. Hoje, como artista, dedico-me exclusivamente ao teatro espírita. O teatro e a arte em geral têm algo a ver com os grupos de jovens espíritas nas associações? Edmundo CezarNão apenas os jovens, mas também os mais miúdos podem interessar-se pelo acesso ao conteúdo doutrinário espírita em função do uso da tecnologia ou das manifestações artísticas.
A expressão dos sentimentos através da arte pode auxiliar os espíritos que passam pela fase da adolescência ou da infância, a organizarem e exporem suas emoções e pensamentos, auxiliando no equilíbrio mental do indivíduo. “O Livro dos Espíritos” indica que na infância o Espírito “é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.” (questão 383) O trabalho com a arte nas associações espíritas, especificamente com as crianças e jovens, é oportunidade única de promover não só o acesso ao conteúdo espírita como também instrumento de mobilização da alma.
Ainda assim, o teatro e a arte em geral são atividades periféricas dispensáveis numa associação espírita. Concorda? Edmundo CezarAs associações espíritas organizam-se por variados motivos de diversas formas. A prática mediúnica, o estudo doutrinário, o trabalho assistencial são alguns dos “focos” que motivam a criação de associações espíritas. No Brasil, diversas instituições já perceberam que a arte não pode ser uma atividade periférica, que necessita de espaço, apoio e motivação para a sua prática, pois ela contribui de maneira singular na formação do Homem de Bem, objetivo principal de uma associação espírita.
No nosso país, os artistas, aqueles que trabalham com a prática da arte como tarefa principal, não se distanciando do estudo doutrinário, reuniram-se há alguns anos e formaram a Associação Brasileira de Artistas Espíritas, que vem contribuindo para fortalecer a ideia da prática artística de caráter espírita, que em nosso país já completa 100 anos desde as suas primeiras atividades de arte espirita. Penso que a expressão do sentimento não pode ser dispensável numa instituição que tenha por meta o aperfeiçoamento moral e SETEMBRO.
