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Opinião (pág. 12)

Jornal de Espiritismo nº 78 · Setembro 2016Página 122 min

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Como é que estamos em Deus e Deus em nós? A afirmação é da astrobióloga portuguesa, Zita Martins, numa entrevista que, recentemente, me concedeu. Dentro dos parâmetros da objectividade que o exercício do jornalismo requer, tentei fazer a pergunta de várias maneiras. Porém, as respostas eram sempre peremptórias: “os factos dizem que esse princípio não existe; o resto fica no domínio da crença. Até os padres-cientistas do Vaticano não falam em Deus quando estão a apresentar as suas pesquisas”.

A tentação de criticar a resposta desta cientista pode ser grande para quem compreende essa “causa primária de todas as coisas”, mas foi uma resposta cautelosa e acertada, tendo em vista a definição de facto científico. Um facto científico, seja nas chamadas ciências naturais (química, biologia, matemática, física, etc.) seja nas ciências sociais (comunicação, sociologia, educação, etc.) é uma observação que foi repetidamente confirmada e que, por isso, é aceite como verdade.

No entanto, em Ciência, a verdade nunca é a Verdade, nunca é definitiva e, como defendeu o filósofo Karl Popper, é refutável. Neste sentido, a resposta da cientista é correcta, pois um facto, em Ciência, remete ou para uma observação ou para algum tipo de medida ou para uma explicação científica que foi testada muitas vezes sob as mesmas circunstâncias. Já uma teoria, no senso comum, é um palpite ou especulação. Para a Ciência, uma teoria é uma explicação abrangente sobre algum aspecto da natureza que é suportada por um vasto corpo de evidências.

Por exemplo, a teoria heliocêntrica que defende ser a Terra a girar à volta do Sol é uma das teorias cujas evidências em que se baseia são tão fortes e numerosas que dificilmente cairá. No entanto, vale a pena ver o que Rupert Sheldrake, biólogo e autor do livro “Biologia da crença”, diz sobre factos científicos: “Os factos da ciência são reais como são as técnicas usadas pelos cientistas; também são reais as tecnologias na base dessas foto ulisses.

com.pt SETEMBRO.OUTUBRO.2016 “Não há qualquer facto que justifique a tese de que existe uma causa primária inteligente. Cada um pode acreditar no que quiser. Mas os factos, os dados de laboratório não apontam para a existência de qualquer princípio inteligente que esteja na origem da vida na Terra”.