Editorial / Conto Novembro.dezembro.2016
Jornal de Espiritismo nº 79 · Outubro 2016Página 23 min
EDITORIAL / CONTO NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Que operário não cuida das suas ferramentas a fim de que elas funcionem bem? E andar um pouco a pé, pelo lúdico, faz bem sobretudo à mente. Imagine na evolução das espécies, há tantos milhões de anos, os diversos surtos de mobilidade, desde o tempo das esponjas do fundo marinho que sonhavam com isso! Ah! Mas antes já seres como as plantas sentiram necessidade de, fixas ao chão, enviarem pelo ar, pela água, pela terra e até pelo fogo as suas sementes.
Umas vão de paraquedas, outras viajam pela água de rios e mares, e somam-se as que viajam no pêlo de javalis, veados e lobos, quando os havia. Locomoção é outra palavra para falar disto. No ser humano não perde brilho este talento. Diz-se que grandes pensadores ao longo da história da humanidade alcançaram as suas melhores ideias numa caminhada. Bem, não estou claramente entre os tais, mas à minha maneira acabo por sentir prazer em dar uns passos, e dou-os, mesmo numa cidade que, como tantas outras, nunca se preocupou em conviver bem com suficientes recantos de natureza.
É assim porque é bom soltar os músculos das costas depois de uma corrida no teclado do computador – vem aí maior bem-estar físico e a mente até consegue fazer umas piruetas. Diz-se que grandes pensadores ao longo da história da humanidade alcançaram as suas melhores ideias numa caminhada. Olha o céu azul, a nuvem branca. Que linda é a luz do sol... Eh, pá! Ainda dizem que há inspeção aos carros que deitam muito fumo.
Que atentado, vou mudar de rua. Melhorou. Mas não resolveu. São muitos auA quem pertence o presente? tomóveis… súbito, olha, que odor agradável! Enquanto os carros passam e poluem, sim, o ar que respiramos, num pequeno jardim esganado entre cimento de casa e empedrado de rua, uma roseira espreita sobre o passeio a uma dúzia de metros e solta um aroma singelo que, mesmo assim, se sobrepõe, parece que purifica, o ar inquinado!
Sabe o que fez lembrar? O pequeno raio de luz, também ele, em plena treva ombreia altaneiro com o poderoso sol da montanha. Como podem ser assim também as pequenas ações no dia-a-dia que nos lembremos de pensar e de fazer! Não como se fôssemos beneméritos, claro, em seara alheia, mas sabendo que o que fazemos repercute primeiro sobretudo dentro de nós próprios com ecos quânticos nos universos em que nos vamos movendo.
A natureza tem uma força insuperável, sempre surpreendente. Vai aí também um cheirinho bom? Se não for, quem sabe não o consegue encontrar entra as páginas deste jornal… foto ulisses.com.pt Perto de Tóquio vivia um grande mestre samurai, já idoso, que gostava de ensinar os jovens. Corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde um guerreiro, conhecido por uma total falta de escrúpulos, apareceu.
Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que o seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para perceber os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. Se alguém chega até ti com um presente e não o aceitas, a quem pertence o presente? Esse jovem jamais perdera uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para o derrotar e aumentar a sua própria fama.
Apesar de muitos serem contra, o velho mestre aceitou o desafio e foi para a praça da cidade, onde o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras na sua direção, gritou insultos e falou inverdades, ofendendo inclusive os seus ancestrais. Durante horas, fez tudo para provocá-lo, mas o mestre permaneceu impassível. No final da tarde, já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se desapontado pelo facto de o mestre aceitar tantos insultos e provocações.
- Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou a espada?, perguntaram os discípulos. Indagou o velho samurai: - Se alguém chega até ti com um presente e não o aceitas, a quem pertence o presente? Responderam os discípulos: - A quem tentou entregá-lo! Disse o mestre: - O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não aceitamos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. Fontewww.omensageiro.
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