Na quarta proposição do Pai Nosso rogamos “o pão nosso de cada dia”. Pão simboliza as nossas necessidades materiais mas também as emocionais e espirituais. O “pão da vida” (várias vezes referido no Evangelho, por ex. em João: 6, 35), mais do que sustentar a vida biológica, atende as necessidades afetivas, espirituais, de que somos famintos por vezes sem consciência disso. O Bom Pastor, valorizou muito a ideia de agora, do presente.
Ensinou-nos a pedir para “hoje”, para cada dia. Por um lado, para termos sempre presente, em “cada dia”, a Fonte sagrada da nossa vida, Ser profundo, real, do nosso ser, e não nos distrairmos e isolarmos d’Ele; por outro, para não dissiparmos energias com preocupação pelo passado ou pelo futuro (ambos fora do alcance da nossa ação) e nos concentrarmos utilmente no presente; esse sim, ao nosso alcance. É crucial termos em cada momento “presença de espírito”, mantermos AGORA, no momento presente, bem lúcida e equilibrada a tónica da atividade mental, sem a deixarmos resvalar para o temor, ansiedade, ou qualquer género de tensão.
Felizmente constata-se uma crescente divulgação mundial dessa área de conhecimento e sua aplicação prática. Abunda no País o ensino de técnicas de meditação, atenção, relaxamento, por métodos variadíssimos: Yoga, outros saberes orientais e também ocidentais frequentemente inspirados neles, como cursos de mindfullness (entendamos presença de espírito, atenção plena) e de mental coaching (apoio, treino mental). Neles se treinam técnicas mentais para desmontar nas profundezas do subconsciente mecanismos negativos (marcas e traumas de experiências infelizes nesta existência ou em pregressas, e até da própria educação) que distorcem a nossa visão e avaliação de pessoas, factos, acontecimentos; e para “reciclar” a energia desses traumas e condicionalismos (…tudo se transforma) em mecanismos psíquicos construtivos, harmoniosos, geradores de progresso, bem-estar, êxito próprio e alheio, individual e social.