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Capa da edição nº 79 do Jornal de Espiritismo

79Jornal de Espiritismo nº 79

Outubro 2016 · 19 secções · ≈ 75 min de leitura

A edição 79 do Jornal de Espiritismo, de novembro/dezembro de 2016, destaca o 8º Congresso Espírita Mundial e aborda temas como a aceitação da diferença na disforia de gênero, a pedagogia espírita, a relação entre psicologia, autoconhecimento e Evangelho, e a questão do espiritismo pago. Inclui uma reflexão sobre o poder da natureza e as pequenas ações, bem como um conto sobre sabedoria e reações a ofensas, e um consultório que explica a mediunidade e os sonhos à luz do espiritismo, com foco na perda de animais de estimação.

Espiritismo
Educação espiritual
Comunicação mediúnica
Disforia de gênero
Autoconhecimento
Espíritos e animais

Capa

Página 11 min

79 ANO XIV JDE NOVEMBRO . DEZEMBRO . 2 0 1 6 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 A capital portuguesa acolheu o 8.º Congresso Espírita Mundial entre 7 e 9 de outubro de 2016 com a participação de 42 países que se fizeram presentes. Com as inscrições esgotadas desde meados de agosto, a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal acrescentou um auditório virtual e transmitiu em vídeo diretamente… 4 CONSULTÓRIO DISFORIA DE GÉNERO Gláucia Lima, psiquiatra, aborda a dificuldade de aceitação do outro na diferença.

8 ENTREVISTA DORA INCONTRI: O FOCO NA PEDAGOGIA ESPÍRITA Abraça as temáticas da educação e, por isso, Regina Figueiredo entrevistou-a... 13 OPINIÃO PSICOLOGIA, AUTOCONHECIMENTO E EVANGELHO Psicologia no sentido académico é o estudo da mente, da alma… 15 OPINIÃO ESPIRITISMO PAGO? É uma questão de bom senso, e também doutrinária.

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Editorial / Conto Novembro.dezembro.2016

Página 23 min

EDITORIAL / CONTO NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Que operário não cuida das suas ferramentas a fim de que elas funcionem bem? E andar um pouco a pé, pelo lúdico, faz bem sobretudo à mente. Imagine na evolução das espécies, há tantos milhões de anos, os diversos surtos de mobilidade, desde o tempo das esponjas do fundo marinho que sonhavam com isso! Ah! Mas antes já seres como as plantas sentiram necessidade de, fixas ao chão, enviarem pelo ar, pela água, pela terra e até pelo fogo as suas sementes.

Umas vão de paraquedas, outras viajam pela água de rios e mares, e somam-se as que viajam no pêlo de javalis, veados e lobos, quando os havia. Locomoção é outra palavra para falar disto. No ser humano não perde brilho este talento. Diz-se que grandes pensadores ao longo da história da humanidade alcançaram as suas melhores ideias numa caminhada. Bem, não estou claramente entre os tais, mas à minha maneira acabo por sentir prazer em dar uns passos, e dou-os, mesmo numa cidade que, como tantas outras, nunca se preocupou em conviver bem com suficientes recantos de natureza.

É assim porque é bom soltar os músculos das costas depois de uma corrida no teclado do computador – vem aí maior bem-estar físico e a mente até consegue fazer umas piruetas. Diz-se que grandes pensadores ao longo da história da humanidade alcançaram as suas melhores ideias numa caminhada. Olha o céu azul, a nuvem branca. Que linda é a luz do sol... Eh, pá! Ainda dizem que há inspeção aos carros que deitam muito fumo.

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Correio Novembro.dezembro.2016

Página 34 min

CORREIO NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 “Desapareceu-me um animal!” Chegam a par e passo por e-mail as interpelações. O missivista de serviço não tem mãos a medir. Resta dizer que esta é uma escolha de mensagens quase aleatória. Alguém chamado Jorge escreve assim em 29 de julho: «Há muito que acredito que a Terra é uma escola de aprendizagem e um lugar de passagem e que as pessoas (e animais) que fazem parte das nossas vidas têm um papel muito importante nesse processo.

Venho ao vosso contacto porque estou a viver um dos momentos mais angustiantes da minha vida e, depois de esgotados todos os recursos, só me resta uma possibilidade para encontrar alguma paz. A questão tem a ver com um animal. Trato os meus animais com o maior respeito, pois acredito que também eles têm sentimentos. Recentemente desapareceu-me um animal que vivia comigo há cerca de 12 anos. Procurei por toda a parte, coloquei cartazes, participei à GNR, divulguei nas redes sociais, palmilhei terrenos, contactei veterinários e nada encontrei.

Cresce em mim a angústia e desespero de que possa ter morrido em sofrimento. Aceito a morte, mas perturba-me a ideia de que o sofrimento possa existir. Tranquilizava-me a ideia de saber de que apesar de (eventualmente) morto o animal está em paz e gostaria de ter a possibilidade de lhe transmitir a ideia de que o amo muito e o deixo partir em paz. Julgo ser mais comum as pessoas quererem saber de espíritos de outras pessoas que partiram do que animais.

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Consultório

Página 46 min

Disforia de género e Espiritismo – parte I A abordagem dessa temática na família e na sociedade tem levado a problemas de “bullying” (perseguição psicológica a nível escolar), “mobbing” (perseguiçãoanível do trabalho) e tem causado elevadas taxas de risco de suicídio, principalmente numa faixa etária de jovens – adolescentes. Existem diferenças entre estas várias designações: “disforia de género”, “transexual”, “homossexual” ou “bissexual”?

O que é um transgénero? Qual deve ser a postura do espírita face a esta problemática abrangente e atual? Como podemos ajudar as pessoas que nos procuram na casa espírita com problemas identitários, tendo como princípio o amor ao próximo, como uma questão de atitude? Definindo a “disforia de género” O termo “género” surgiu para definir a identidade feminina ou masculina quando a sociedade se apercebeu que o papel atribuído socialmente nem sempre correspondia a identificação feminina ou masculina do indivíduo e nem aos seus indicadores biológicos.

Logo, género (sexo), é o papel reconhecido publicamente, que nem sempre corresponde ao género psicológico do ser. A Disforia de género é o descontentamento afetivo/cognitivo com o género atribuído. “Refere-se ao mal-estar que pode acompanhar a incongruência entre o género experimentado ou expresso eogénero atribuído ao indivíduo”. DSM 5, 2014. Transgénero – “refere-se a um largo espectro de indivíduos que transitoriamente ou persistentemente se identificam com um género diferente do seu género natal”.

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Breves

Página 53 min

História em vídeos: “Palavras de outro tempo” Chama-se “Palavras de outro tempo” e é uma espécie de canal História do movimento espírita. Esta lista agrupa no canal de Youtube da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) uma crescente quantidade de vídeos do século passado que foram gravados em fita magnética nas velhas videocassetes VHS. Para dar alguns exemplos, pode ver uma entrevista a Manuel dos Santos Rosa, nessa época presidente do Conselho Diretivo da Federação Espírita Portuguesa, na Rádio Prisma, em Rio Tinto, a 6 de abril de 1991.

Residente em Lisboa, Manuel dos Santos Rosa foi convidado a dar esta entrevista com Terroso Martins no tempo das chamadas Rádios Livres; infelizmente, o tempo e a qualidade duvidosa da fita magnética causam algum ruído de imagem, mas não no som, o que vem a justificar a urgência na conversão para formato digital desta e de outras peças para que não se perca nem som nem imagem do que se fazia nessa altura. Divaldo Franco é presença forte nestes registos!

Uma conferência no Núcleo Espírita Cristão, do Porto, datada de 28 de junho de 1989, com o primor da respetiva apresentação feita pelo saudoso Albuquerque Rocha, já desencarnado, e por João Xavier de Almeida, dirigente federativo à época. O mesmo para o registo importante, na Associação Espírita de Lisboa, com auditório cedido à FEP, na noite de 19 de abril de 1991. Neste registo, feito de perguntas e respostas, encontra no público vários companheiros já desencarnados, como José Ferreira, de Viseu, e outros que na altura eram bem mais novos… coisas do tempo!

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Breves (pág. 6)

Página 65 min

André Trigueiro: conferências em Portugal e na Suíça Na sequência da sua participação no Congresso Espírita Mundial que decorreu em Lisboa entre 7 e 9 de outubro, André Trigueiro, jornalista, escritor e professor, proferiu conferências noutras cidades portuguesas e até no estrangeiro. Dia 10 de Outubro, segunda-feira, a Associação Cultural Espírita de Santarém recebeu este palestrante às 21h00. No dia seguinte, terça-feira, às 15h00, André Trigueiro discursou na Associação Espírita de Leiria.

André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ onde leciona a disciplina “Geopolítica Ambiental”, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, autor dos livros “Mundo Sustentável 2 – Novos Rumos para um Planeta em Crise” (Ed.Globo, 2012); “Mundo SustentávelAbrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação (Ed.Globo, 2005), “Espiritismo e Ecologia” (Ed. Federação Espírita Brasileira, 2009), “Viver é a Melhor OpçãoA prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo” (Ed.

Correio Fraterno, 2015) e coordenador editorial e um dos autores do livro “Meio Ambiente no século XXI” (Ed.Sextante, 2003). André Trigueiro deu conferências na Suíça, dia 12 de Outubro, sendo uma subordinada ao tema “Os desafios do Espírita no Século XXI”. Decorreu pelas 19h00, no CEEFA – Centro de Estudos Espíritas Francisco de Assis, que fica na Rorschacherstrasse, 59 – Saint Gallen, e teve organização do CEEFA + GEECX (houve tradução para alemão).

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Breves Novembro.dezembro.2016

Página 73 min

BREVES NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Espíritas em Madrid: um novo mundo O II Congresso Espírita Internacional organizado pela AIPE (Associação Internacional para o Progresso do Espiritismo) decorreu em Madrid, Espanha, entre 16 a 18 de setembro. O tema central foi “Um novo mundo”. Com uma organização simples e eficaz a AIPE levou a cabo um congresso muito interessante, onde os mais de 60 participantes de vários países do mundo levaram a cabo um intenso programa.

Numa sala acolhedora de um hotel em Torrejón de Ardoz, nos arredores de Madrid, Rosa Diaz deu as boas-vindas a todos os presentes, onde um representante de cada país deixava a sua mensagem inicial. O painel “A sociedade do futuro” abordou a transição planetária, colaboradores de outros mundos e a nova ordem social, onde três elementos do grupo espírita de Villena, Espanha, deixaram boas análises em torno de Kardec, ecologia, a mensagem de Jesus de Nazaré, abordando a temática sempre com base na interpretação de Allan Kardec.

De seguida, Mercedes de la Torre coordenou uma mesa redonda, com um participante de cada país, cabendo a José Lucas, em nome da ADEP, falar da realidade do Espiritismo em Portugal. A temática foi “Atualidade Internacional do Movimento Espírita”. No Sábado, os trabalhos iniciaram-se com uma palestra de José Lucas, que falou sobre “Novo mundo: novas relações humanas, novas atitudes” seguida de debate. Posteriormente, Moacir Costa Lima, físico brasileiro, falou sobre “Afinal, quem somos?

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Opinião

Página 82 min

Dora Incontri: o foco na pedagogia espírita Dora, sendo jornalista, como surgiu o seu interesse pela educação, e mais concretamente pela pedagogia espírita? Dora Incontri – Ainda quando fazia a Faculdade de Jornalismo, lancei aos 21 anos o meu primeiro livrinho sobre Educação, intitulado «A Educação da Nova Era». Pequena e provocativa, essa primeira obra já anunciava praticamente todos os temas que iria desenvolver mais tarde.

Quando saí da Faculdade de Jornalismo, já não queria trabalhar como jornalista, estava mordida pelo bichinho da Educação. Nos poucos anos em que trabalhei em jornais e revistas fui sempre escrevendo sobre esse assunto. É que, na verdade, eu já estava contagiada desde cedo. A minha mãe distribuía as revistas de «Educação Espírita», de Herculano Pires, quando eu era pequena. Ela e o meu pai participavam no grupo dele. E lembro-me, até hoje, do impacto que tive quando ela leu para mim, nessa revista, um relato sobre a experiência de Ney Lobo em Curitiba, da sua Cidade Mirim, no Instituto Lins de Vasconcellos.

Ia também com a minha mãe fazer um trabalho educacional com crianças das favelas de São Paulo, e isso marcou-me demais. Na infância e na adolescência, morei alguns anos na Alemanha e lá estudei em escolas um tanto diferenciadas, que me apontaram para outras formas de Educação. Enfim, era algo que vinha da infância, mas de que tomei plena consciência quando já estava no Jornalismo. Mas foi bom eu ter cursado essa Faculdade, porque uso a escrita, a comunicação de rádio e TV de maneira clara, objetiva, para falar de Educação.

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Opinião (pág. 9)

Página 910 min

confunde muito por aí é com evangelização. A evangelização geralmente praticada nos centros espíritas, pelo menos no Brasil, tem um caráter de catequese (aliás, como o próprio nome o diz!) No conteúdo é apenas doutrinação, não faz pensar, não enfoca os aspetos filosóficos e científicos do Espiritismo. E, na forma, segue os parâmetros da educação tradicional. Não faz projetos, não promove debates, não incentiva a autonomia de pesquisa.

Por isso, temos um dado de que nos centros espíritas brasileiros, há cada vez menos jovens. Depois de terem passado por esse processo de catequese (muitas vezes desinteressante e obrigatório), eles veem-se diante do pensamento materialista difundido nas universidades e não têm instrumental para enfrentá-lo, já que foram doutrinados. Não construíram convicções, pensadas, pesquisadas, argumentadas. Assim, temos um envelhecimento da população dos centros espíritas.

O que é a pedagogia espírita? Dora Incontri – Eu costumo definir sempre a Pedagogia Espírita de duas maneiras ou por dois lados, que se complementam. Primeiro, é um entendimento pedagógico do próprio espiritismo. Entendê-lo como uma proposta educativa, acima de tudo – emancipatória, baseada na autonomia e da autoconstrução do sujeito. Uma proposta que desenvolve a razão, dispensa tutelas e promove a moralidade livre, intrínseca do ser.

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Congresso Novembro.dezembro.2016

Página 111 min

8º CONGRESSO NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Num planeta em dificuldades, nada mais oportuno do que o tema “Em defesa da Vida” Divaldo Franco Luténio Faria Raul Teixeira Ana Duarte Helena Madeira Mikhail Shumov Maurício Virgens Vítor Féria

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Opinião (pág. 12)

Página 127 min

Suicídio e emoções – que relação? foto ulisses.com.pt Resumimos, aqui, o artigo que foi elaborado, uma vez que não chegou a ser publicado o livro de actas que, normalmente, acompanha a realização de um congresso. Os resultados preliminares sugerem que, apesar da maioria dos inquiridos se dividir entre assumir-se como espírita ou católico, a partir do momento em que tomou conhecimento da doutrina espírita a sua interiorização religiosa (relação com Deus ou algo superior ao ser humano) passou a ter um maior impacto na sua vida, ajudando a lidar com as suas emoções.

Verifica-se ainda que os inquiridos que se identificaram como tendo ideação e pensamentos suicidas apresentam, diagnosticados ou não, outro tipo de distúrbios, sobretudo alimentares e depressivos. Verificou-se ainda, no que toca ao conhecimento e impacto da doutrina espírita, que mesmo quando a reencarnação é mais ou menos aceite entre os inquiridos, o mesmo não se passa com a compreensão da influência de entidades espirituais na vida de cada um.

Estes e outros dados serão úteis para melhorar o atendimento em centros espíritas. O estudo “Regulação emocional, suicídio e espiritualidade”, visa 1) aprofundar a relação entre regulação emocional e ideação ou prática do suicídio, nomeadamente avaliando o impacto de características da personalidade como a impulsividade; 2) analisar a interacção entre regulação emocional, espiritualidade e ideação ou comportamentos suicidas; 3) apresentar um quadro interdisciplinar para abordagem ao suicídio, na população adulta, que efective – com base científica – a complementariedade entre a abordagem médica, psicológica e psiquiátrica com o tratamento espiritual em casas espíritas.

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Opinião (pág. 13)

Página 135 min

foto ulisses.com.pt NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Para além da psicologia clínica enquanto ciência gostaria de referir a importância da psicologia no nosso dia a dia, ou melhor, no nosso autoconhecimento e a responsabilidade que deveríamos ter em sermos o “nosso próprio terapeuta”. Não excluo a oportunidade de acompanhamento por profissionais da área, apenas saliento a responsabilização que temos de cultivar o nosso aperfeiçoamento interior.

Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço criador da Psicologia Analítica e fonte de inspiração da Série Psicológica de Joanna de Ângelis (psicografada pelo médium brasileiro Divaldo Franco), traz para a psicologia importante contribuição com o seu modelo de “estrutura psíquica”. Em função do curto texto que escrevo, destaco apenas dois conceitos da sua teoria que acho fundamentais, a noção de “self” e “individuação”. O “self”, ou “si mesmo”, representa o centro da nossa estrutura psíquica, enquanto que o “ego” está vinculado ao centro de nossa consciência.

A nossa estrutura psíquica é maior que a consciência, ela engloba o consciente e o inconsciente. Porém o desenvolvimento do “self” não significa a dissolvição do “ego”, mas sim a sua vinculação, consequência de um longo e árduo processo de compreensão e aceitação dos nossos processos inconscientes. Para Jung, todos nós possuímos uma tendência para que a “individuação” se realize, ou seja, a possibilidade de integrarmos o nosso “self”, em direção ao autodesenvolvimento, realização da nossa totalidade mais preciosa.

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Opinião (pág. 14)

Página 144 min

Depois de uma viagem longa em condições muito precárias, os imigrantes que nos séculos XIX e XX cruzaram o Atlântico à procura do sonho Americano estremeciam ao avistar pela primeira vez a Estátua da Liberdade. Era como se estivessem às portas da terra prometida. Ouviam-se gritos de júbilo, os doentes faziam um último esforço para subir ao convés, uma multidão abraçava-se exultando a conquista de mais amplas oportunidades num novo mundo.

As lágrimas corriam em todos os rostos enquanto acenavam aquela senhora no porto de Nova York que parecia iluminar-lhes o caminho em direção a uma vida liberta de jugos e opressões. Mas será que basta hastear a bandeira da liberdade para criar pessoas livres? Numa visita aos EUA, o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, sobrevivente do holocausto nazi e defensor de que no sentido para a vida encontra-se a arma mais poderosa para vencer os mais terríveis desafios, não se coibiu de criticar a ideia mais comum de liberdade.

Afirmava ele que a liberdade era apenas parte de uma história e arriscaria degenerar se não fosse vivida através da responsabilidade. Ele recomendou aos Americanos que “À Estátua da Liberdade na Costa Leste deveria ser acrescentada a Estátua da Responsabilidade na Costa Oeste.” A ideia metafórica foi levada tãoasério que hoje existe uma Fundação para a Responsabilidade que está empenhada em angariar fundos para essa construção.

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Opinião (pág. 15)

Página 153 min

Quem é espírita sabe que as actividades espíritas de divulgação doutrinária são gratuitas, palestras, passe espírita (fluidoterapia), desobsessão, atendimento, educação espírita infantil, apoio social a carenciados, etc. Quem é espírita também sabe que os livros espíritas custam dinheiro e, portanto, têm de ser vendidos, o que é óbvio. Já não é tão óbvio o lucro que algum centro espírita possa ter na venda desses livros, se dificultar a compra dos mesmos por pessoas menos endinheiradas.

O mesmo se passa com os jornais espíritas. Uma questão mais polémica começa, por exemplo, nos congressos espíritas, cujos ingressos começam a criar uma elitização dentro do espiritismo: uns podem pagar e vão, e outros não podem pagar e não vão. Seria desejável que os eventos fossem a um preço mínimo, de modo a que todos pudessem ter acesso, cortando as despesas dos eventos ao mínimo possível, havendo sobriedade nas ofertas aos participantes, criando inclusive condições de acesso a pessoas que não possam pagar.

Há tempos, fomos convidados para, no âmbito de uma organização à qual pertencemos, efectuarmos um programa de televisão para uma conhecida televisão por internet, que vai passar a ter canais pagos. Alertámos os responsáveis pelo departamento de divulgação dessa entidade estrangeira para o facto de que o conhecimento espírita via internet não pode, moralmente falando, ser pago, pois só os endinheirados teriam acesso ao conhecimento, e os pobres não, repetindo, mais uma vez, os erros que os católicos cometeram com o cristianismo primitivo.

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Opinião (pág. 16)

Página 163 min

Na quarta proposição do Pai Nosso rogamos “o pão nosso de cada dia”. Pão simboliza as nossas necessidades materiais mas também as emocionais e espirituais. O “pão da vida” (várias vezes referido no Evangelho, por ex. em João: 6, 35), mais do que sustentar a vida biológica, atende as necessidades afetivas, espirituais, de que somos famintos por vezes sem consciência disso. O Bom Pastor, valorizou muito a ideia de agora, do presente.

Ensinou-nos a pedir para “hoje”, para cada dia. Por um lado, para termos sempre presente, em “cada dia”, a Fonte sagrada da nossa vida, Ser profundo, real, do nosso ser, e não nos distrairmos e isolarmos d’Ele; por outro, para não dissiparmos energias com preocupação pelo passado ou pelo futuro (ambos fora do alcance da nossa ação) e nos concentrarmos utilmente no presente; esse sim, ao nosso alcance. É crucial termos em cada momento “presença de espírito”, mantermos AGORA, no momento presente, bem lúcida e equilibrada a tónica da atividade mental, sem a deixarmos resvalar para o temor, ansiedade, ou qualquer género de tensão.

Felizmente constata-se uma crescente divulgação mundial dessa área de conhecimento e sua aplicação prática. Abunda no País o ensino de técnicas de meditação, atenção, relaxamento, por métodos variadíssimos: Yoga, outros saberes orientais e também ocidentais frequentemente inspirados neles, como cursos de mindfullness (entendamos presença de espírito, atenção plena) e de mental coaching (apoio, treino mental). Neles se treinam técnicas mentais para desmontar nas profundezas do subconsciente mecanismos negativos (marcas e traumas de experiências infelizes nesta existência ou em pregressas, e até da própria educação) que distorcem a nossa visão e avaliação de pessoas, factos, acontecimentos; e para “reciclar” a energia desses traumas e condicionalismos (…tudo se transforma) em mecanismos psíquicos construtivos, harmoniosos, geradores de progresso, bem-estar, êxito próprio e alheio, individual e social.

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Literatura / Vídeo

Página 107 min

17 LITERATURA / VÍDEO Registos Imortais Stanley Milgram: o psicólogo que abalou a América NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Este é o terceiro livro com origem na mediunidade psicofónica de Francisco Cândido Xavier. Tal só foi possível devido à bondade do ex-padre, Carlos Juliano Torres Pastorino (1910-1980), pois o autor de «Minutos de Sabedoria», ofereceu em 1954 ao Grupo Meimei um gravador de fita de rolo ─ equipamento muito sofisticado para a época ─, que registaria para sempre as mensagens dos Bons Espíritos recebidas no final das suas reuniões de desobsessão.

Essas mensagens, autenticas pérolas dos céus, passariam a integrar três livros: Instruções Psicofónicas (1955) e Vozes do Grande Além (1957), recebidas integralmente por Chico Xavier entre 1954 e 1956, editadas pela FEB (Federação Espírita Brasileira); e Registos Imortais (2013), editado por Vinha de Luz, com 88 mensagens recebidas entre 1956 e 1958, que, para além das mensagens recebidas por Chico Xavier, inclui outras mensagens de elevada qualidade doutrinária de outros médiuns do Grupo Meimei.

As mensagens que integram a presente obra ─ Registos Imortais ─ cronologicamente são a continuação das que foram publicadas no Vozes do Grande Além. A última mensagem publicada neste segundo livro, data de 27 de Setembro de 1956, enquanto a primeira dos Registos Imortais é de 4 de Outubro de 1956 e a sua última ─ a 88.ª ─ data de 17 de Julho de 1958. O memorialista Geraldo Leão, de Pedro Leopoldo, que guarda o célebre gravador, era também o detentor das mensagens dactilografadas dos livros publicados pela FEB, bem como das presentes, ainda inéditas.

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direitos reservados Entrevista a frequentadores João Gonçalves conta 5

Página 183 min

foto direitos reservados Entrevista a frequentadores João Gonçalves conta 54 anos e é oficial do Exército na reserva. Vive em Mafra. - Como conheceu o Espiritismo? João Gonçalves – Desde a adolescência que tinha conhecimento de fenómenos mediúnicos no seio familiar, tendo observado alguns. As explicações que me eram avançadas então, assentavam num conhecimento empírico que, embora apoiado já em algumas referências espíritas, não satisfaziam contudo, e completamente, a minha razão.

Daí a necessidade de buscar outras respostas e, nessa busca, que abrangeu outras correntes espiritualistas, ter acabado por encontrar no estudo aprofundado da doutrina espírita as respostas, lógica a coerência de que carecia. - Frequenta algum centro espírita? João Gonçalves – O Centro de Cultura Espírita e a Associação de Cultura Espírita de Alcobaça, tendo iniciado meus estudos espíritas na Fraternidade Espírita Cristã.

Sabia que? Antes de receber, pela psicografia, a obra “Paulo e Estêvão”foram projectadas ao médium Francisco Cândido Xavier, numa tela psíquica, episódios daquele romance? Pneumatografia é a escrita direta dos Espíritos sem o auxílio da mão do médium, tendo sido o barão de Guldenstubbe a torná-los conhecidos com a publicação da obra”A realidade dos Espíritos e as suas manifestações”, contendo 15 estampas e 93 fac símiles que ilustram o fenómeno?

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Dois homens doentes estavam, lado a lado, no mesmo quarto de hospital

Página 192 min

Um deles não podia levantar-se, mas o outro podia sentar-se na cama e, assim, conseguia olhar pela janela que estava ao lado da sua cama. - Para onde dá essa janela? – perguntou o homem deitado. - Dá para um grande jardim com um lago – disse o outro olhando lá para fora. Nesse lago havia patos e cisnes, e as crianças iam atirar-lhes pão enquanto outras largavam na água barquinhos de papel; e também havia jovens namorados que caminhavam de mãos dadas, em silêncio, entre as árvores e as flores, e animados jogos de bola nos relvados.

Acrescentava ainda que, lá ao fundo, por trás das árvores, via-se o contorno dos prédios da cidade. O homem deitado apreciava cada pormenor das descrições do outro. E, ao som das palavras dele, chegava a ouvir o som do vento entre as folhas, o canto dos pássaros e o riso alegre das crianças. E, de cada vez que perguntava o que estava a acontecer lá fora, o outro respondia sempre de modo diferente, porque a vida, embora se repita, cria constantemente novas histórias.

O homem deitado adormecia com aquelas imagens na cabeça e sonhava durante toda a noite com a vida. E, logo de Infância A janela por MANUELA SIMÕES manhã, tudo recomeçava. O companheiro erguia-se um pouco e descrevia tudo o que se passava lá fora, no grande e belo jardim. Uns tempos mais tarde, o companheiro melhorou bastante e saiu do hospital para aproveitar a vida que o aguardava lá fora. Prometeu ao amigo que voltaria para visitá-lo até que também ele melhorasse e pudesse ir para casa, viver a vida.

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Última Novembro.dezembro.2016

Página 203 min

ÚLTIMA NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Seminário de Medicina e Espiritualidade em Gaia O IV Seminário de Medicina e Espiritualidade, organizado pela Associação de Médicos Espíritas do Norte (AME Norte), decorre sábado, dia 19 de novembro, entre as 9h30 e as 18h00, no auditório do Parque Biológico, em Avintes. Os oradores são médicos e psicólogos. Desta vez, quem se inscrever a tempo no evento vai poder escutar ao todo sete conferências e uma mesa-redonda, com a participação de Gilson Luís Roberto, Sónia Dói, Roberto de Souza e Andresa Thomazoni, que abordarão temas como “Psiquiatria: interface entre fenómenos psicopatológicos e experiências espirituais”, “Psicologia, autoconhecimento e evangelho”, “Neuropsicologia e espiritualidade”, “Conexão entre mente e corpo físico”, “Síndromes demenciais, envelhecimento e espiritualidade”, “O poder da oraçãoeo seu mecanismo de ação”, entre outros.

Andresa Thomazoni é psicóloga, mestre em Psicologia Social e Institucional e doutora em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Brasil), sendo também membro da AME Norte. Sónia Doi é médica, reside nos EUA, sendo a atual presidente da AME-Internacional, da AME - -USA e da Sociedade Espírita Allan Kardec, de Maryland. Gilson Luís Roberto é médico homeopata e possui especialização em Psicologia Analítica Junguiana, sendo ainda vice-presidente do Hospital Espírita de Porto Alegre, presidente da AME-Brasil, coordenador e professor do Curso de Pós-Graduação em Saúde e Espiritualidade da Faculdade Monteiro Lobato em Porto Alegre - -RS, Brasil.

Roberto Lúcio V. de Souza é psiquiatra, diretor clínico do Hospital Espírita André Luiz de Belo Horizonte (MG), vice-presidente da AME-Brasil. Se visitar o site da AME Nortehttps://amenortesite.wordpress.comencontrará o programa e mais informações sobre como se pode inscrever. O contacto de correio eletrónico é estenorte.ameportugal@gmail.com Jornadas de Cultura Espírita do Oeste O Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha, informa que as XIII Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, em Portugal, subordinadas ao tema paz, terão lugar no fim-de-semana de 29 e 30 de abril de 2017, no grande auditório do Centro Cultural e Congressos (CCC) de Caldas da Rainha.

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