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Literatura / Vídeo

Jornal de Espiritismo nº 79 · Outubro 2016Página 107 min

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17 LITERATURA / VÍDEO Registos Imortais Stanley Milgram: o psicólogo que abalou a América NOVEMBRO.DEZEMBRO.2016 Este é o terceiro livro com origem na mediunidade psicofónica de Francisco Cândido Xavier. Tal só foi possível devido à bondade do ex-padre, Carlos Juliano Torres Pastorino (1910-1980), pois o autor de «Minutos de Sabedoria», ofereceu em 1954 ao Grupo Meimei um gravador de fita de rolo ─ equipamento muito sofisticado para a época ─, que registaria para sempre as mensagens dos Bons Espíritos recebidas no final das suas reuniões de desobsessão.

Essas mensagens, autenticas pérolas dos céus, passariam a integrar três livros: Instruções Psicofónicas (1955) e Vozes do Grande Além (1957), recebidas integralmente por Chico Xavier entre 1954 e 1956, editadas pela FEB (Federação Espírita Brasileira); e Registos Imortais (2013), editado por Vinha de Luz, com 88 mensagens recebidas entre 1956 e 1958, que, para além das mensagens recebidas por Chico Xavier, inclui outras mensagens de elevada qualidade doutrinária de outros médiuns do Grupo Meimei.

As mensagens que integram a presente obra ─ Registos Imortais ─ cronologicamente são a continuação das que foram publicadas no Vozes do Grande Além. A última mensagem publicada neste segundo livro, data de 27 de Setembro de 1956, enquanto a primeira dos Registos Imortais é de 4 de Outubro de 1956 e a sua última ─ a 88.ª ─ data de 17 de Julho de 1958. O memorialista Geraldo Leão, de Pedro Leopoldo, que guarda o célebre gravador, era também o detentor das mensagens dactilografadas dos livros publicados pela FEB, bem como das presentes, ainda inéditas.

Resgatadas agora, seriam publicadas só em 2013, graças ao esforço de vários companheiros de ideal, que assim contribuíram para “enriquecer a memória da trajectória de Chico Xavier” na sua terra natal. Receberam as 88 mensagens os seguintes médiuns: Francisco Cândido Xavier (20), Geraldo Benício Rocha (18), Zínia Orsine Pereira (17), Francisco Gonçalves (15), Elza Vieira (12), Gil de Lima (5) e uma não identificada. A presente obra, para além do registo integral das mensagens, regista também o nome de todos os integrantes de cada uma das 87 sessões, tendo a de 8 de Agosto de 1957, duas comunicações recebidas por Chico Xavier.

Menciona ainda os nomes das visitas gradas. Entre as visitas gradas não podemos deixar de citar: Carlos Torres Pastorino, Corina Novelino, Ismael Gomes Braga (o grande esperantista brasileiro), João Cândido Xavier (pai de Chico Xavier, presente em duas reuniões), Joaquim Alves (o saudoso Jô), Waldo Vieira e Yvonne do Amaral Pereira. Não podemos falar deste livro sem relatarmos a história do Grupo Meimei, que seria na época a segunda instituição espírita de Pedro Leopoldo.

Foi fundado no dia 31 de Julho de 1952 por Francisco Cândido Xavier e alguns amigos, entre eles Arnaldo Rocha, marido de Irma de Castro Rocha, a nossa conhecida Meimei, também Blandina, no livro Entre a Terra eoCéu, do espírito André Luiz. A história da fundação desta segunda instituição de Pedro Leopoldo tem origem na primeira, o Centro Espírita Luiz Gonzaga, fundado pelo então jovem Francisco Cândido Xavier, seu irmão José Cândido Xavier (1905-1939) e um grupo de amigos, em 21 de Junho de 1927.

Nas reuniões de desobsessão no Luiz de Gonzaga ─ Chico Xavier era o intérprete dos Espíritos e José Xavier, o dialogador ─ onde se manifestavam Espíritos muito carentes de amparo, entre eles obsessores terríveis. Com o desencarne de José Xavier em 1939 essas reuniões foram suspensas durante 13 anos, ou seja até à criação do Grupo Meimei em 31 de Julho de 1952. Este Grupo resultou do desejo dos Bons Espíritos que sempre diziam ao Chico Xavier a grande necessidade de criar um grupo de “companheiros responsáveis e conscientes para se fazer assistência especializada aos problemas difíceis”, que iam surgindo em Pedro Leopoldo.

Esse desejo dos Espíritos foi expresso reiteradas vezes, mediunicamente, ao notável médium. Então, no memorável 31 de Julho de 1952, foi realizada a primeira reunião que selou a fundação do Grupo, mas só no dia 28 de Março de 1988 é que o Grupo Espírita Meimei foi regularizado perante a lei dos homens, em Assembleia Geral convocada para o efeito, passando de Grupo a Centro Espírita Meimei. Deixamos agora três pequenos extractos de mensagens recebidas: 1º - «A nós outros, espíritas (…), cabe uma tarefa gloriosa: a tarefa de manter a pureza e a simplicidade da lição kardequiana, através da edificação da nossa própria consciência para o divino Mestre e Senhor.

» (Espírito: Barros Fournier; médium: Chico Xavier); 2º - «Imensas eram as sombras em minh’alma. A luz de vossa casa, porém, clareou-me o caminho.» (Espírito: Cândido das Neves; médium: Francisco Gonçalves) 3º - «Estou transmitindo o meu pensamento à nossa Elza com mais facilidade. É com muita alegria que digo isso, porque é preciso enriquecer nossa casa com maiores recursos de intercâmbio. [O bem em pensamentos, palavras e obras]» (Espírito: Meimei; médium: Elza Vieira) 4º - «’Não tenhamos medo do animismo ou mistificação’ (…) Basta que façamos silêncio, guardando a coragem de emudecer nosso personalismo delinquente para que o auxílio divino se estabeleça através das nossas possibilidades, na garantia da felicidade dos outros.

» (Espírito: Barros Fournier; médium: Chico Xavier). Meimei, o Espírito patrono do centro, de seu verdadeiro nome, Irma de Castro Rocha, nasceu em Mateus Leme, Minas Gerais, no dia 1 de Outubro de 1922 e desencarnou, em belo Horizonte, em 22 de Outubro de 1946. Esta obra está ainda enriquecida com dezenas de fotografias inéditas, de pessoas e documentos, da década de cinquenta do século passado. Por Carlos Alberto Ferreira No início da década de 60 do século passado, Stanley Milgram, professor de psicologia social da Universidade de Yale, iniciou uma investigação sobre o efeito da autoridade na obediência, conduzindo uma série de experiências controversas que procuravam explorar o conflito entre a obediência à autoridade e a consciência íntima.

Milgram pretendia encontrar uma explicação para os horrores vividos nos campos de concentração nazi. Julgados no pós-guerra, muitos dos militares que levaram a cabo essas atrocidades argumentavam que não poderiam ser responsabilizados pelos seus actos porque estariam apenas a cumprir ordens. Milgram queria perceber se os Alemães eram malévolos como se julgava na altura ou se, com as condições adequadas, este fenómeno poderia acontecer a muitas outras pessoas.

Aos indivíduos selecionados para a experiência era oferecida uma quantia de dinheiro pela participação e foi-lhes dito que objetivo seria investigar os efeitos da punição na capacidade de aprendizagem. Entravam dois indivíduos na sala de experiência e, embora lhes fosse dito que seria tirado à sorte quem faria o papel de aluno e de professor, o processo estava enviesado para que o professor fosse o indivíduo alvo da experiência.

O outro indivíduo era um ator que fazia sempre o papel de aluno. Colocados em salas contíguas sem contacto visual, ao professor era pedido que infligisse choques eléctricos ao aluno quando ele respondesse errado a uma pergunta. Esses choques começavam nos 15 volts e iam aumentando de intensidade gradualmente até aos 450 volts à medida que o aluno fosse acumulando respostas erradas. Era também dito ao professor que, à medida que a voltagem aumentava a amperagem diminuía, de modo que não havia problemas ao nível da condição física do aluno.

O que ele não sabia era que os choques não eram reais mas desencadeavam reacções fingidas, previamente gravadas, que iam desde os gritos de dor atéasúplicas para que se parasse a experiência. Os resultados foram dramáticos: 65% dos indivíduos chegaram ao nível máximo de volts que a experiência permitia. As suas reações variavam: Uns pareciam mais frios e insensíveis, outros enfureciam-se pelas respostas erradas, outros procuravam acalmar o aluno pedindo-lhe que se concentrasse.

Nos momentos de maior dúvida, em que se ouviam os apelos do aluno pedindo que se parasse a experiência, viravam-se para quem a orientava à espera de instruções. A resposta não variava: “A experiência exige que o senhor continue!” E a maioria continuava. Este filme de 2015 é um docudrama, um estilo de documentário que apresenta os factos de forma dramatizada, utilizando atores para o efeito. Segue o percurso de Stanley Milgram desde o início das suas experiências na Universidade de Yale até ao momento da sua morte por ataque cardíaco, procurando elucidar as suas motivações em compreender o que leva alguém a renegar ao que sabe ser correto e aos princípios em que acredita para obedecer a uma ordem.

É um filme com uma cadência de ação lenta e repetitiva mas que nos provoca do primeiro ao último minuto, levando - -nos à reflexão sobre o comportamento humano e sobre nós próprios. As experiências de Milgram exploram a relutância que as pessoas têm em confrontar quem abusa do poder. O investigador dividiu-as em três categorias: Aquelas que obedeciam mas não se responsabilizavam, reiterando que se alguma coisa acontecesse ao aluno era culpa de quem estava à frente da experiência ou então, que o aluno merecia os choques recebidos; Outros obedeciam mas culpavam-se pelo que estavam a fazer, sentindo-se mal com a sua consciência; Por último, os que se indignavam, recusando prosseguir afirmando que existia um requisito ético que se erguia acima das necessidades da experiência: proteger os direitos e a vontade do aluno.

Todos os indivíduos que participaram nesta experiência tinham liberdade. No entanto, apenas os poucos que se rebelaram mostraram que se sentiam responsáveis pela integridade física do aluno, revelaram autonomia para se libertarem das exigências autocráticas que a experiência impunha e ética para escolher pelo que era certo. Eis alguns homens livres! Título Original: “Experimenter” Realizado por Michael Almereyda Elenco: Peter Sarsgaard, Winona Ryder EUA, 2015 – 98 min.

Por Carlos Miguel IMPRESSÃO DIGITAL A Federação Espírita Portuguesa acaba de editar o livro do Engenheiro Hernâni Guimarães de Andrade “Reencarnação no Brasil”, obra-prima da ciência espírita contemporânea?