editorial O sopro do tempo Mudança de calendário
Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 144 min
Para todos nós não é uma grande novidade. É apenas a passagem do tempo. E sempre que este senhor nos toca a alma, damos-lhe avaliações subjectivas: tempo bem ocupado proporciona uma rodagem rápida aos ponteiros do relógio; tempo a olhar para o tecto, e parece que um simples minuto tem o peso de uma espera de algumas horas. Mas o tempo é objectivo, até porque, ao contrário de muitos outros pormenores da vida, pode ser medido.
Encrava-se aqui uma pergunta: como se dá o espiritismo com o tempo?
Dá-se tão bem que só visto! Numa primeira fase, a pessoa em causa tem de se informar de forma competente sobre esta doutrina, caso contrário não fará ideia do que conseguirá encontrar nela. Por outras palavras, tem de estudá-la! Este é um processo contínuo, nunca acaba, nem sequer depois de largarmos este sobretudo que é o corpo físico.
Quando a pessoa já está minimamente informada, não vai precisar de quem lhe prescreva condutas, pois saberá que o tempo em si é um recurso neutro. Vale ou não vale, de acordo com a utilização que lhe seja dada! Concorda?
Assim sendo, se quem dá os primeiros passos nesta área de conhecimento ainda não sabe, vai acabar por entender quais as actividades para as quais estará mais talhado. Qual a sua vocação? Sabe a resposta? Optimo! Junte isso à lei do trabalho, e verá que servindo defendido com as luzes da fraternidade sincera, vai de feição no seu barco ajudado pelo sopro do tempo.
Preocupa-se com o primeiro emprego, se é jovem? A sua profissão não lhe enche as medidas, se vai mais adiante na viagem terrena? Receia a reforma, se a idade vai mais avançada? Com a doutrina espírita não há espaço de tempo que sustente desocupação. Se cada um fizer a sua parte, Deus fará tudo o resto.
Sugerem os que partiram deste plano que mais vale deixar cair o corpo em serviço do que no repouso improdutivo.
Não lhe dão serviço? Então crie o próprio as suas oportunidades de trabalho.
Quanto mais encontrarmos causas melhoráveis dentro de nós próprios mais fácil será deparar com os melhores efeitos no imenso mundo interior que transportamos inalienavelmente.
Também o tempo é assim! Façamo-lo correr por nossa conta (evolutiva). Este ano de 2005, com todas as tribulações e alegrias que potencialmente traga encomendadas, será uma estrada de bênçãos, sempre maiores quanto mais as compartilharmos com outrem. Bom 2005 para todos! Boa leitura para si!
Texto: Jorge Gomesjorge je&clix.pt.
Numa reunião de espíritos, pediram ao velho Simão Abileno que falasse sobre a resposta de Deus às preces que lhe são dirigidas. Então, ele, que era mestre na arte de contar histórias, repetiu uma antiga lenda, que faz parte dos contos populares de muitos países. Diz assim...
Num grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus que lhes desse destinos importantes e diferentes. A primeira queria que a sua madeira fosse empregada no trono do mais alto soberano da terra.
Depois de ouvi-la, a segunda pediu para ser usada na construção do carro que transportaria os tesouros desse poderoso rei.
E a terceira desejou ser transformada numa torre, nos domínios do mesmo rei, para mostrar o caminho do céu.
Quando terminaram de dizer as suas preces, Deus enviou à mata um mensageiro seu, para que elas soubessem que os seus pedidos seriam atendidos.
Passado muito tempo, quando elas já estavam crescidas, vieram alguns lenhadores e derrubaram as três árvores, deixando muito tristes as árvores vizinhas.
Elas foram arrastadas para fora do bosque.
Perderam os seus galhos, folhas e raízes, mas não perderam a fé nas promessas do Criador. E deixaram-se conduzir, com paciência e humildade.
Mas elas jamais podiam ter imaginado o que veio a acontecer, depois de muitas viagens! A primeira árvore caiu nas mãos de um criador de animais, que mandou transformá-la num grande cocho, para seus carneiros. A segunda foi comprada por um construtor de barcos.
A terceira foi recolhida à cela de uma prisão, para ser aproveitada futuramente. As três árvores, mesmo separadas e em grande sofrimento, continuaram a acreditar nas palavras do mensageiro celeste.
No bosque, porém, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da prece.
E ficaram surpreendidas ao saber que, muitos anos mais tarde, as três árvores foram atendidas nos seus desejos...
A primeira foi forrada com panos singelos e serviu de berço a Jesus recém-nascido. A segunda, na forma de uma barca de pescadores, foi usada por Jesus para transmitir, sobre as águas, belos ensinamentos. A terceira árvore, transformada apressadamente numa cruz, acompanhou o Mestre no Gólgota. Ali, erguida no alto do monte, ela guardou valorosamente o corpo de Jesus e recebeu o seu coração cheio de amor pela humanidade. E, assim, indicava o verdadeiro caminho do Reino de Deus. Terminada a narrativa, Simão silenciou, comovido.
E depois de uma pausa, comovido, concluiu:
- Na verdade, meus amigos, todos nós podemos dirigir a Deus as preces mais diversas. No entanto, todos precisamos saber esperar e compreender as respostas que nos dá.
Texto:http:/ /sites.mpe.com.br/users/a/ademir.costa/crian ca/criancal.htm. Foto: Ulisses Lopes
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