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esclarecemos que durante sete semanas consecutivas Valeu a pena?

Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 214 min

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esclarecemos que durante sete semanas consecutivas

percorreu cerca de 1200 km, em estradas e meios de transporte, que não eram os mesmos da actualidade. As estradas eram de terra batida e o transporte era a carruagem puxada por cavalos. O custo dessas viagens correu integralmente por sua conta e não da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, de que era o presidente, como muitos julgaram. Ele amava verdadeiramente a Doutrina dos Espíritos. A respeito desta viagem Kardec diz o seguinte: «Este trabalho visa reunir as observações que fizemos sobre a situação em que se encontra a doutrina espírita e levar ao conhecimento geral as orientações que nos foi possível oferecer aos organizadores dos diferentes Centros.»

As questões inerentes ao bom funcionamento da casa espírita são analisadas de forma superior pelo Codificador ao dirigir-se aos espíritas de Lyon e Bordéus. Diz-nos como devem ser os verdadeiros dirigentes, médiuns e demais trabalhadores da Causa. A questão sempre actual da vaidade, do melindre, é bem enfatizada porque hoje, tal como naqueles tempos, do início, são assuntos fulcrais no Movimento Espírita.

Todos os que desejem aprender e consolidar conhecimentos sobre a Doutrina Espírita devem adquirir esta obra, ainda desconhecida de muitos espíritas, nomeadamente dirigentes e trabalhadores. Este livro tem a marca inconfundível do Codificador.

Texto: Carlos Alberto Ferreira (Lisboa)

Ó mar salgado, quanto do teu sal

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor,

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa in “Mar Português”

Três de Outubro de 1804 nascia em Lyon, França, Hyppolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita.

Três de Outubro de 2002, quinta-feira, 21h30, nascia na Escola de Beneficência Caridade Espírita, mais um Curso Básico de Espiritismo, feliz coincidência. Formou-se um grupo coeso, com a vontade firme no estudo, encetando a caminhada na senda do conhecimento que conduziria a verdades antes desconhecidas.

Depois das apresentações de circunstância, e de tecidas algumas considerações sobre a forma como se desenrolaria o Curso, o nosso monitor, lançou uma pergunta. Esta pergunta, só deveria ser respondida no final do curso: “Frequentar o Curso Básico de Espiritismo, valeu a pena?”.

Concluído o curso, fomos chamados a responder à questão que nos havia sido colocada.

Utilizar bonitas formas de retórica não ilustram o valor dos conhecimentos adquiridos. A resposta a esta questão está patente em cada um de nós: na forma como agora vemos a vida, na forma como nos relacionamos, na sensibilidade que desenvolvemos para os dramas e alegrias. Não é intenção do curso formar “santos” ou cegos seguidores. O curso, dando uma visão da realidade que até então desconhecíamos, alerta-nos para a necessidade de mudança, agora somos detentores de conhecimentos que mais nos responsabilizam.

Apoiando-nos na poesia de Fernando Pessoa, vamos tentar responder: “ Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”

A alma que nos norteava é grande. Não foi uma apenas, mas toda uma quantidade de almas que nos acompanhavam, nos acariciavam e nos moviam rumo ao conhecimento. Foi a nossa perseverança, a motivação do nosso monitor e o acompanhamento dos nossos amigos do plano Maior que nos encaminharam qual crianças em canteiros ajardinados. Realmente tínhamos ao nosso lado a “alma” do bem, do amor da devotação que nos conduzia....

“Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor...” Passar o Bojador era a nossa meta. O nosso Cabo Bojador, ou de Boa Esperança, era na realidade a esperança num nmelhoramento, num aprimoramento da nossa postura ante a

vida, ante os desafios com que somos brindados diariamente.

Os conhecimentos adquiridos são um suporte, sãoabússola que nos orienta no mar da vida rumo à Eternidade.

“Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.” Não que a frequência do curso tenha sido penosa, mas sempre implica algumas alterações do quotidiano, inclusive a família, terá de ser receptiva a esta nova actividade que um dos elementos possa ter.

Foi, no dizer não ao descanso, foi no dizer não ao conforto do lar e sair em noites chuvosas, que na realidade se espelhou o céu ou melhor a felicidade de ter frequentado o Curso Básico de Espiritismo. Criaram-se laços de amizade, união fraterna e acima de tudo começamos a calcorrear ainda que cambaleantes, o caminho que nos conduzirá a verdades consoladoras. O conhecimento adquirido durante curso, é um manancial para a vida.

Sem nos apercebermos, começou a operar-se em nós algumas alterações comportamentais. Começamos a aprender a escutar os outros, entender as suas dificuldades, entender a suas diferenças e nesta paisagem de sensibilidades distintas, começamos a coabitar de forma mais salutar.

Não atingimos patamares evolutivos capazes de nos rechearem da Felicidade que todos almejamos, porém, aprendemos que a Felicidade é um bem que está ao nosso alcance, aprendemos que ninguém está perdido ainda que o erro tenha sido a tónica da sua vida, é

tudo uma questão de tempo, uma questão de predisposição à mudança.

Camões escrevia: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e todo o tempo é composto de mudança...” as nossas vontades mudaram, foram redireccionadas, e realmente sentimos que o tempo vivido durante o curso foi um tempo de mudança.

Para além da mudança que possa ter sido operada em cada um de nós, fazendonos manter mais atentos, mais responsáveis ante o desenrolar das nossas vidas, tomamos conhecimento de realidades livres de dogmas, realidades que nos conduzem a uma fé racional. O Espiritismo, não impondo conhecimentos, mas através da razão, acende em cada um a cham