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Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 125 min
O centro espírita é um local onde as pessoas se dirigem pelas mais diversas razões. Uns procuram ajuda na solução dos seus problemas, sejam estes de carácter material e físico ou espiritual; outros têm curiosidade e desejam saber mais acerca de si, do mundo e da vida, e procuram assim o estudo.
No livro Na Seara do Bem, podemos ler: “O Centro Espírita é sempre uma estrela que se desprendeu do infinito céu da bondade divina e incrustou-se na Terra, para clarear os caminhos dos homens...”. Assim sendo, não deverá surpreender-nos que tudo seja iluminado de belíssimas vibrações, oriundas das actividades efectuadas. “O clima de paz, as emanações saudáveis e as luzes que envolvem a casa são resultantes do trabalho edificante, das orações, do pensamento rectilíneo e da mensagem consoladora que há anos tem sido vinculada, para proveito de quantos venham a esta Casa de Jesus”.
Aqueles que já entraram num centro espírita, sabem minimamente como se processam os trabalhos num dia de reunião pública, desde a recepção das pessoas e o atendimento fraterno, até à palestra e o passe. No entanto, esses são os trabalhos da forma como nós os vemos, semana após semana.
Na verdade, como se de uma nova dimensão se tratasse, enquanto assistimos ao que decorre num dos dias públicos, muito trabalho passa despercebido aos nossos sentidos limitados. Se nos fosse possível analisar com um Raio-X o que acontece no centro espírita em termos das actividades desenvolvidas pelo mundo espiritual, ficaríamos fascinados. Uma vez mais, em Na Seara do Bem, lemos “(...) No ambiente da Casa Espírita há um outro ambiente “inexistente”.
(...) O nobre salão ampliava-se para além das paredes. (...) O núcleo de serviços estava todo envolto por um halo de luz protector.” O mundo espiritual, que se encontra em ligação directa aos trabalhos visíveis, divide-se em vários grupos, de acordo com as tarefas desempenhadas. Cada sector dispõe de técnicos da espiritualidade e diversos aparelhos de auxílio. Vejamos.
Sector de Vigilância: É grande o número de espíritos que integram este sector de trabalho. A função de vigilância é fundamental, dada a elevada quantidade de Espíritos desequilibrados ou simplesmente renitentes no mal que tentam prejudicar as actividades de apoio espiritual.
Têm à disposição toda uma série de aparelhos de defesa que, dado o seu carácter bastante materializado, conseguem formar contra os Espíritos perturbadores um sistema não violento de electrochoques ou explosões de energia condensada, dispersando-os. Assim, este sector mantém o equilíbrio e a disciplina, de modo a que tudo corra bem.
Para além da protecção, cabe também aos trabalhadores do Sector de Vigilância acompanhar ao Centro Espírita os Espíritos enfermos e que serão ajudados, inspirando-
lhes esperança e dando-lhes a educação necessária.
Sector de Enfermagem: A equipa de enfermagem inclui enfermeiros, técnicos e auxiliares. Podem ser regidos por um superior em Medicina Espiritual, a qual assume aqui contornos de carácter divino. Este sector tem a função principal de manipulação de fluidos e substâncias medicamentosas, ou até mesmo a execução de cirurgias, nos casos em que o encarnado é merecedor da bênção, sendo executada durante o sono. Essencialmente, actuam durante o trabalho de passe, auscultando os pacientes e prestando a assistência necessária a cada caso.
Essencialmente, o sector de Enfermagem manipula o Perispírito. Pelas modificações operadas no Modelo Organizador Biológico, este irá intervir no corpo físico. No entanto, utilizam também certo tipo de aparelhos de apoio, uma espécie de painéis luminescentes, como televisões, e ainda recipientes contendo substâncias vitais de origem vegetal.
Sector de Esclarecimentos: Neste sector são desenvolvidas diversas actividades, desde o auxílio pela intuição aos amigos encarnados encarregues de transmitir os conhecimentos nesse dia, pela palavra, até ao apoio ao Sector das Orientações durante o atendimento fraterno, pela intuição dada ao trabalhador de serviço.
Dão também apoio a Espíritos desencarnados em perturbação, através do diálogo e do esclarecimento. No entanto, para se prepararem, frequentam cursos e palestras, garantindo assim um trabalho seguro.
Sector de Comunicação: São inúmeros os trabalhadores em constante actividade neste sector, servindo de apoio a todos os outros sectores, pelo apoio com diversos recursos.
As palestras são das tarefas públicas habituais do centro espírita, que podem decorrer dentro ou fora da associação. Aqui, na Biblioteca Municipal de
Fornecem dados ao Sector de Vigilância, ao de Enfermagem e ao de Esclarecimentos. No entanto, são responsáveis igualmente por actividades externas, tais como visitas a familiares ligados a pessoas assistidas no Centro Espírita em causa, e incursões a regiões inferiores do plano espiritual, no intuito de intercâmbio e auxílio a Espíritos necessitados. Para uma melhor execução do seu trabalho, utilizam uma série de aparelhos, tais como telas electromagnéticas, comunicadores de longa distância, receptores e auscultadores vibracionais, entre outros.
Embora possa parecer-nos estranha, a utilização de aparelhos é fundamental. Dada a proximidade de crosta terrestre, profundamente material, existe um evidente obstáculo às actividades. Um exemplo são as vibrações mentais desequilibrantes oriundas dos encarnados e desencarnados ainda na Terra, dificultando o avançar das realizações (que sem os aparelhos se tornariam mais lentas e penosas). Para além disso, não se tratam de espíritos perfeitos, pelo que necessitam ainda de certos apoios.
A Reunião: No momento da reunião, já o mundo espiritual preparou toda a sua intervenção. Todo o espaço pertencente ao Centro Espírita se apresenta envolvido num halo luminoso, protegendo-o dos Espíritos perturbadores.
Na entrada, um aparelho faz a selecção dos que pretendem entrar no local de luz, não num sentido elitista ou discriminatório, mas porque muitos não se encontram ainda preparados para a recuperaçãoeo entendimento. Alguns exigem mesmo entrar, por serem merecedores do “céu”. Esses, fazem verdadeira confusão e alvoroço à porta, com gritos e blasfémias, envoltos em revolta e ódio, sentimentos e pensamentos que, evidentemente, iriam interferir com os trabalhos no bem se tivessem acesso ao interior do Centro Espírita.
Essencialmente, o aparelho analisa as vibrações do Espírito, medindo a sua necessidade. Aqueles que demonstram enquadrar-se nos padrões esperados, são encaminhados ao interior, onde lhes pedem o silêncio e o autoequilíbrio, e onde recebem os primeiros SOCOTTOS.
No trabalho de atendimento fraterno, são diversos os problemas expostos pelos que a ele recorrem. O mundo espiritual, ao longo da conversa entre o trabalhador encarnado e o assistido, analisa este último com grande minúcia, registando os seus problemas físicos e espirituais, e verificando quais as necessidades para a situação. Pela intuição, são transmitidas as indicações ao médium, que por sua vez as transmite ao “paciente”.
Na reunião pública, a música é um elemento fundamental para o estabelecimento do ambiente harmonioso. Com notas suaves vibradas pelos instrumentos, a assistência passa a experimentar sensações de calma, numa chuva de pétalas coloridas. “A música não é factor indispensável às realizações no Bem, mas, quando presente, pode ser considerada como elemento de auxílio na desintoxicação mental das criaturas e no equilíbrio das emoções.”
A palestra representa verdadeiro momento de sintonia entre o orador e o seu mentor pessoal. Este último, colocando-se a seu lado, auxilia na exposição clara dos conhecimentos, com o apoio à lembrança dos factos estudados pelo trabalhador. Se as suas palavras forem bem recebidas pelos ouvintes, são capazes de analisar as suas experiências pessoais numa análise sincera, sendo estas projectadas em telas mentais. Dessa forma, autoavaliam-se e autoeducam-se. Ainda no livro Na Seara do Bem, nos diz: “A mensagem esclarecedora

