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veiculada nas reuniões espíritas é verdadeiro processo terapêutico em

Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 136 min

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auxílio às criaturas.”. No entanto, nem todos ouvem verdadeiramente o que é transmitido, mantendo o seu pensamento em questões do quotidiano e não aproveitando as bênçãos da palavra.

Durante a reunião, o grupo de desencarnados autorizados a entrar no Centro Espírita assiste, simultaneamente à palestra, a uma projecção de imagens numa grande tela luminosa, uma tradução observável das palavras proferidas pelo orador. Assim, também eles serão capazes de autoanálise enriquecedora.

Durante a prece, verdadeira chuva de pétalas coloridas invade o espaço, pousando suavemente sobre todos os presentes e elevando os sentimentos e pensamentos daqueles que acompanham as palavras lançadas no ar.

O trabalho de passe apresenta imensa beleza invisível para nós. Enquanto os trabalhadores encarnados se colocam na sua posição, também os companheiros do Sector de Enfermagem assumem as suas tarefas. As energias irradiando das mãos dos médiuns juntam-se às dos amigos do Plano Superior, derramandose em seguida sobre os “pacientes”. Realizase assim um trabalho em conjunto, com o

Há quem seja contumaz em deixar as tarefas do dia para um dos próximos. Despreocupação de trabalho e de responsabilidades, de tarefas e de aprendizado são dominantes da história que João contou numa reunião mediúnica, faz já cinco anos.

A partir de um sofá, que para ele foi o leito de preguicite aguda que não deseja a ninguém, apela a que não se despreze o dever, já que o mesmo, quando bem cumprido, é libertador. Contou-nos João que se esticava no sofá predilecto assim que se abatia nele. Nada lhe dava tanto gozo como preguiçar naquele pouso a partir do qual rumava para a névoa da sonolência. Mesmo de olhos abertos, diante do televisor, quantas vezes olhava horas e horas para ele, e nada via. O resto do seu quotidiano era uma autêntica espera, até que de novo ali aportasse.

Numa dessas vezes, algo estranho ocorreu: de inopino, viu sentar-se no sofá diante dele uma bela senhora desconhecida, que lhe inundou a sala de luz, inebriando-lhe todos os sentidos. Diante isso, João estremeceu quando o espírito lhe falou:

- Hoje?! Hoje não! Não estou preparado. Só se for amanhã.

O espírito olhou-o e, tolerante, adiantou: - Está bem, João. Terás ainda essa oportunidade. Amanhã a esta hora virei buscarte. Faz os teus preparativos, fala com os teus familiares, fala-lhes da viagem que vais fazer, ultima as coisas que sempre adiaste e que é bom que fiquem em ordem.

O espírito nada mais lhe disse e simplesmente desapareceu. João esfregou os olhos, ajeitou-

objectivo de ajudar a todos os níveis aqueles que recebem o passe.

Um outro factor correspondente ao trabalho de passe é a magnetização da água. Esta prática tem a sua origem no tempo dos primeiros cristãos, que se reuniam nas catacumbas, e que após as lições de Jesus, abençoavam a água e a utilizavam. Sendo um excelente meio condutor de energias, a água pode ser impregnada de energias positivas e até medicamentosas. Os trabalhadores espirituais responsáveis pela função, pela prece sincera, fazem com que pétalas radiantes caiam sobre a água.

Após o encerramento dos trabalhos, e depois de já todos os encarnados terem saído do Centro Espírita, o mundo espiritual lá permanece, em profunda análise dos trabalhos da noite. Simultaneamente, os Espíritos desencarnados necessitados são encaminhados de regresso à respectiva colónia espiritual. “ A cooperação dos servidores espirituais fazse constante em todas as agremiações voltadas ao Bem e à Verdade, espíritas ou não. Igrejas, templos os mais diversos recebem do Mais Alto o auxílio em favor de quantos os busquem com a sinceridade da fé e os propósitos do bem e da renovação. (...) Com relação às instituições espíritas, (...) a actuação do mundo invisível

se no sofá e concluiu: "Adormeci! Mas que senhora tão bonita!". O recheio da conversa, porém, se naquele momento caía no esquecimento, logo a seguir despenhava-se os abismos da inconsciência, quando João já se esticava no sofá levado nas brisas do sono. Nesse período, voltou a ter conversas semelhantes com outras pessoas que o visitavam: "João, não durmas! Tens muitas coisas para ultimar...".

Acabou por despertar. Levantou-se e saiu da sala. Bebeu um copo de água para espevitar. No escritório procurou papéis que ali andavam à sua sorte, sarrabiscou, alinhavou outras tantas coisas. Na sua ideia, tivera um pesadelo, nada mais do que a consciência a apontar-lhe os seus deveres.

De manhã, João saiu do sono acordado pela mesma senhora da véspera:

- João! Vamos embora, vamos partir. O trem não espera!

Sem oportunidade para lhe perguntar qual o destino, o nosso personagem sente um adormecimento, como se se tratasse de uma anestesia suave.

Depois, João vê-se num sítio de muito trabalho. Estupefacto, pensa: "Isto é uma guerra! Estão aqui a chegar constantemente mutilados, feridos. Eu não vou dar conta disto... eu não tenho coragem, não vou conseguir fazer nada! Não, não quero ver sangue".

Alguém lhe diz: "João, já que não queres ver sangue, pega num dos lados desta maca, que eu pego no outro, e vamos trabalhar. Há um serviço que não pode ser adiado, vamos trabalhar". Só pensava na chegada da noite, para poder descansar. Mas passado tempo, naquele estado, reparava que não havia noite nenhuma ali! Era dia em permanência. João trabalhou, trabalhou muito. Pensava que não podia estar na Terra, mas em algum outro sítio, sem saber qual. Um pensamento dominava-o:

se faz a benefício de todas elas. Essa acção espiritual, no entanto, não é a mesma para todas as agremiações, obedecendo às características e aos recursos de cada uma. Também são sempre consideradas as necessidades de seus frequentadores. (...) Devemos, igualmente, considerar as necessidades e características de cada instituição, bem como a disponibilidade de servidores espirituais (...)”.

“Templo, Hospital, Escola, Oficina, Sublime Educandário das almas, o Centro Espírita é a bondade e a misericórdia de Deus materializadas na Terra em benefício das criaturas.”

Louvemos então com carinho o imenso trabalho praticado pelo mundo espiritual para nosso bem, agradecendo pelo tempo e conhecimentos despendidos, sob a promessa de procurarmos ser merecedores de sua atenção. Façamos os possíveis por nos tornarmos receptivos ao que decorre dentro do Centro Espírita, esquecendo as questões que nada importam dentro da porta, e vibrando junto com as luzes que nos envolvem no momento.

Texto: Cátia Martins (catiamartinsOg3war.org) Bibliografia: Na Seara do Bem, Luís António Ferraz, pelo espírito António Carlos Tonini, Didier

Quero descansar! Preciso de descanso... deixem-me descansar. Já não tenho mais forças...

É com esses sentimentos que chega à reunião mediúnica e os seus pensamentos tornam-se palavras audíveis no mundo material pela voz do médium psicofónico. Alguém ali ao lado, ouvidas essas palavras repetidas, inicia a conversação esclarecedora:

- Então, amigo. Chamo-me Álvaro. Como te chamas?

João apercebe-se agora de que está numa sala com meia dúzia de pessoas tranquilas, todas elas sentadas à volta de uma mesa. Mas, passados minutos, à medida que alarga o olhar, vê uma pequena multidão heterogénea a emoldurar a sala, para além das próprias paredes. Diante das palavras que Álvaro lhe dirige, sente que chegou a um porto de abrigo. Pouco a pouco João vai-se apercebendo de que já largou o corpo físico e que, com esperança, pode começar uma vida mais ampla e enriquecedora, de ordem espiritual.

À medida que o diálogo reflecte mais fraternidade entre ambos, João repara que começa a ver pessoas que não via antes, que lhe sorriem e aguardam ensejo de lhe falar. No fim do diálogo, um destes espíritos dirige-selhe com gentileza e convida-o a acompanhálo, a fim de receber mais esclarecimentos para a nova vida que o aguarda além da matéria. Aproveitar as oportunidades de aprender e de trabalhar não é um luxo nem uma opção meramente facultativa, mas é recurso valioso que importa não desperdiçar.

Caminha-se melhor e mais depressa quando há mais luz nos caminhos que trilhamos. Há tempo para dormir. E há tempo para trabalhar.

Texto: Jorge Gomesjorge.je&clix.pt

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