8 — índice de conteúdos

opinião A interpretação dos sonhos A partir do momento em que o ser at

Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 145 min

Partilhar
Idioma

A partir do momento em que o ser atinge o grau que lhe permite iniciar a sua caminhada evolutiva como criatura consciente, ou seja, como Espírito, apesar do estado de inércia mental em que pode cair por certos períodos de tempo, jamais fica “apagado”.

Mas, como justificar essa constante actividade, se o homem, espírito (encarnado) que é, passa diariamente algumas horas “inactivo” a dormir?

É que, quando adormecemos, os laços que nos mantêm ligados ao corpo orgânico enfraquecem e, então, parcialmente libertos do invólucro carnal, continuamos activos. Consequentemente, pelo “desprendimento” que o sono provoca, passamos (em geral) a usufruir das nossas faculdades com maior amplitude, já que, durante o estado de vigília, elas se encontram limitadas e enfraquecidas pelo invólucro mais grosseiro.

Quanto ao dito “desprendimento” do espírito, diz-nos André Luiz (Mecanismos da Mediunidade) que, “seguindo-lhe a excursão, vê-lo-emos, porém, constantemente ligado ao corpo somático por fio tenuíssimo, fio este muito superficialmente comparável, de certo

confusos daquilo que o espírito vive durante os sono. E essa nossa actividade, enquanto o corpo somático se refaz, diz quase sempre respeito ás nossas questões íntimas, sejam elas reais, fantasiosas ou até mesmo escusas. Como nos diz André Luiz, a criatura “fora do veículo somático, possui no próprio desejo o reflexo condicionado que lhe circunscreveráoâmbito da acção além da roupagem fisiológica”. Assim, o estudioso procurará aprender um pouco mais, o avarento continuará preocupado com o seu dinheiro, o viciado no sexo tentará satisfazer os seus desejos, o amigo preocupado irá oferecer o seu apoio, etc., etc.

Contudo, e ainda segundo André Luiz, a maioria das criaturas, geralmente, fica junto ao invólucro carnal a devanear nos pensamentos que cultiva e “configura na onda mental que lhe é característica as imagens com que se acalenta, sacando da memória a visualização dos próprios desejos, imitando alguém que improvisasse miragens, na antecipação de acontecimentos que aspira a concretizar”.

Podemos então perceber que ainda não sabemos aproveitar bem essas horas de maior liberdade e que, muitas vezes, as passamos em criatividade mental.

Nem sempre nos lembramos do que nos aconteceu durante o sono, isto é, nem sempre sonhamos. Por um lado, isso deve-se às necessidades ou conveniências dessas lembranças, mas tratando-se de úteis ideias ou conselhos adquiridos, decerto nos virão como inspiração no momento oportuno.

modo, à onda do radar, que pode vencer imensuráveis distâncias”. E, temos em “O Livro dos Médiuns”, que, “por meio dessa comunicação, entre o Espírito e o corpo, é que aquele recebe aviso, qualquer que seja a distância a que se ache do segundo, da necessidade que este possa experimentar da sua presença, caso em que volta ao seu invólucro com a rapidez do relâmpago”. Os sonhos, prova de referida actividade, são imagens e/ou episódios mais ou menos

Os sonhos de criação mental acontecem quando, durante o sono, visualizamos mentalmente imagens e/ou episódios daquilo que desejamos, tememos, etc. Por exemplo, se sonharmos com alguém que queremos ver, não significa que nos tenhamos encontrado com esse alguém durante o sono, pode ter sido apenas o nosso desejo a dar origem a esse quadro mental.

Allan Kardec esclarece, em “O Livro dos Médiuns”, que os sonhos podem ser:

1) “uma visão actual das coisas presentes ou ausentes” - é, por exemplo, a lembrança de um lugar que se tenha ido visitar, de uma conversa que se tenha tido, ou as anteriormente referidas criações mentais, que é o caso de uma visão actual das coisas ausentes; 2) “visão retrospectiva do passado e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro” - durante o sono, menos limitados pelo invólucro carnal, podemos lembrar-nos de coisas que nos tenham acontecido noutras encarnações ou no estado de erraticidade e, muito excepcionalmente, pressentir (e não adivinhar) algo futuro; 3) “quadros alegóricos que os espíritos nos põem sob as vistas” Espíritos mal intencionados podem aproveitarse de alguma fraqueza da nossa parte para projectar nas nossas mentes imagens que nos atormentem, induzam em erro, etc.

, benfeitores amigos, ao tentar, por exemplo, explicar-nos alguma dificuldade que teremos que passar, poderão comparar a situação a uma escadaria que temos que subir para atingir o nosso fim, e o nosso sonho, isto é a lembrança dessa conversa, poderá limitar-se a esse quadro alegórico.

São apenas alguns exemplos dos três tipos de sonhos que Allan kardec refere podermos ter, para que saibamos interpretar melhor as famosas “interpretações dos sonhos”. No entanto, nem sempre nos lembramos do que nos aconteceu durante o sono, isto é, nem sempre sonhamos. Por um lado, isso deve-se às necessidades ou conveniências dessas lembranças, mas tratando-se de úteis ideias ou conselhos adquiridos, decerto nos virão como inspiração no momento oportuno, como nos é explicado em “O Livro dos Espíritos”; por outro lado, “como é pesada e grosseira a matéria que o compõe, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegam por intermédio dos órgãos corporais” (em resposta à questão 403 - O Livro dos Espíritos).

Para terminar, um pequeno excerto do “Evangelho Segundo o Espiritismo”: “O sono foi dado ao homem para preparação das forças orgânicas e também para a das forças morais. (...) Mas, (...) acontece que nem sempre o Espírito aproveita dessa hora de liberdade para seu adiantamento. Se conserva instintos maus, em vez de procurar a companhia de Espíritos bons, busca a de seus iguais e vai visitar os lugares onde possa dar livre curso aos seus pendores.

Eleve, pois, aquele que se ache compenetrado desta verdade, o seu pensamento a Deus, quando sinta aproximarse o sono, e peça o conselho dos bons espíritos e de todos cuja memória lhe seja cara, a fim de que venham juntar-se-lhe, nos curtos instantes de liberdade que lhe são concedidos, e, ao despertar sentir-se-á mais forte contra o mal, mais corajoso na adversidade”.

«JORNAL DE ESPIRITISMO» — CAMPANHA DE ASSINANTES

Não perca tempo! Este ano dê de presente ao seu melhor amigo uma ASSINATURA anual de «Jornal de Espiritismo»! Veja o cupão, na página 3 deste jornal!

JDE

Leve o arquivo completo consigo

Receba por email o acesso para descarregar todas as edições do Jornal de Espiritismo em PDF — o arquivo completo, ano a ano.

  • Download de todos os JDE em PDF (ZIP completo)
  • Links por ano, para descarregar só o que precisa
  • Seleção quinzenal de conteúdos. Sem publicidade, cancela quando quiser.

100% gratuito — sem custos, sem registo pago.