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os títulos têm servido para sustentar o que é insustentável

Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 194 min

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No momento em que escrevemos esta crónica, lemos no jornal Público (de 1 de Agosto de 2004, domingo), o seguinte cabeçalho: “ Vaticano ataca “feminismo radical” e reitera desigualdade de géneros”. Segundo o artigo, “A Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo”, redigida pelo cardeal Joseph Ratzinger, da Congregação para a Doutrina da Fé, aprovada pelo Papa João Paulo II, “reconhece que as mulheres devem ser respeitadas e auferir de direitos iguais no emprego”, exigindo aos governos que “tratem de equilibrar as legislações dos respectivos países para que a mulher “possa cumprir a sua missão dentro da família””.

Pede ainda que se encontrem “formas de a mulher poder trabalhar com horários adequados que não a obriguem a escolher entre alternativas que podem prejudicar a sua vida familiar ou sofrer uma situação de tensão que estrague o seu equilíbrio pessoal ou a sua harmonia familiar”.

a dimensão da alma ou espírito. Partilhamos do esforço do Vaticano ao defender o valor intrínseco da família. Também não acreditamos em quaisnâuer radicalismos que conduzam a uma perniciosa rivalidade e antagonismo entre os sexos. O que não é aceitável, do nosso ponto de vista, com todo o respeito ue nos merece, é o conceito subjacente de “determinismo biológico” que acentua a importância das diferenças sexuais com destaque para a supremacia do género masculino (doutrina baseada no Génesis).

Deus não os criou homem e mulher para competirem, nem para um ser subserviente ao outro, criou-os espírítos ligados a um corpo para mutuamente se auxiliarem nas vicissitudes da vida e progredirem, porque esse é o grande objectivo. O Livro dos Espíritos, cuja primeira edição surgiu em Paris, em 18 de Abril de 1857, já era bastante mais progressivo, abrangente e esclarecedor quanto a este assunto. Aí se definem os Espíritos como sendo “os seres inteligentes da criação” que “povoam o Universo, fora do mundo material” (LE 76).

Sendo criados, por Deus, simples e ignorantes, os Espíritos (que somos todos nós) instruem-se nas lutas e tribulações da vida corporal com o objectivo de chegarem à perfeição (LE 132 - 133). Os Espíritos não têm sexo. São os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres. O que os guia na escolha, entre encarnar no corpo de um homem ou no de uma mulher, tem a ver com as provas porque hajam que passar (LE 200 - 202).

Kardec acrescenta o seguinte comentário à pergunta 202: “(...) Visto que lhes cumpre progredirem em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem exgeriêncía, Áquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.” Perante Deus, todos os homens nascem iguais e tendem ara o mesmo fim e Deus fez as suas leis iguais para todos (LE 803).

Perante Deus, o homem e a mulher são iguais e têm os mesmos direitos, pois “Deus a ambos outorgou a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredirem” (LE 817). “Donde provém a inferioridade moral da mulher em certos países? - pergunta Kardec (LE 818). A resposta é esclarecedora: “Do predomínio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem. E resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza.

Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o direito.” Pergunta 822: “Sendo iguais perante a lei de Deus, devem os homens ser iguais também perante as leis humanas?” Resposta: “O primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem.” Segue-se a pergunta 822 a): “Assim sendo, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher?

” Resposta: “Dos direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe comEete. Ocupese do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser equitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. À sua escravização marcha de par com a barbaria.

Os sexos, além disso, só existem na organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos.” Numa sociedade que advoga a necessidade de reconhecer o mérito e valorizar o esforço de promoção e de valorização do indivíduo (porque o progresso da sociedade decorre do progresso dos indivíduos), não é mais possível falar-se em sociedade por quotas sexuais.

O mérito deve ser reconhecido ao Espírito independentemente do sexo que depende da organização biológica. Por isso, todos os esforços devem ser canalizados para o desenvolvimento social, a educaçãoea justiça para que a igualdade de direitos seja um facto e o progresso se realize. E necessário mudar atavismos e preconceitos arcaicos para que outros valores humanos e espirituais, mais consentâneos com os novos tempos e a nova realidade, se instalem.

Só assim alcançaremos a plena realização dos nossos objectivos enquanto espíritos encarnados. Essa é também uma missão para o Espiritismo.

Texto: Reinaldo Barros internet

«Os órfãos»: um filme espírita

Os responsáveis por uma produção cinematográfica espírita estão à procura de quem tenha ombros para organizar a passagem desta película por Portugal, seja em salas de cinema ou apenas em associações.

Atenta, a nossa colaboradora Sílvia Antunes foi lesta: os produtores «querem trazer o filme a Portugal. Pessoalmente, acho que seria uma bela ideia, só não sei quem, do lado português, poderia arcar com essa responsabilidade. De qualqu