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Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 74 min
Mais de 8600 conferências efectuadas, 52 países visitados nos cinco continentes, e mais de 1100 entrevistas de rádio e TV em mais de 450 emissoras, fazem de Divaldo Franco uma pessoa muito respeitada, mesmo pelos cépticos, que se curvam perante a cultura deste homem invulgar.
Mais de 40 anos ao serviço do próximo dedicados aos meninos-da-rua, no Brasil, Divaldo é um homem de origem humilde. Aos 20 anos fundou a Mansão do Caminho, enorme obra assistencial, na Bahia, onde já passaram cerca de 40 mil meninos-da-rua que ali encontraram a orientação para um futuro digno e orientado.
Tem mais de 184 livros psicografados (ditados pelos espíritos) cujas receitas revertem integralmente para a obra assistencial, sendo uma das fontes de receita que mantêm essa mesma obra.
Conferencista de renome mundial, é Doutor Honoris Cause pela Faculdade e Governo de Montreal e província do Quebec-Canadá, pela universidade de Viena, já palestrou por três vezes na ONU, bem como na Sorbonne, entre outros lugares de destaque.
Teve a gentileza de responder a estas perguntas.
- O sexo continua a ser um problema para a humanidade?
Divaldo Franco — Na realidade não é o sexo o grave problema que aturde expressiva massa humana, mas os vícios que predominam na estrutura da nossa sociedade, defluentes dos instintos primários, ainda não superados ou transformados em sentimentos relevantes. Em face do prazer que deriva da função sexual, os hábitos doentios impõem falsas necessidades que se transformam em martírio. Lentamente, porém, a criatura humana irá transformando os impulsos sexuais em conquistas elevadas para o exercício nobilitante da função e para a plenificação espiritual que anela.
- Como compatibilizar a liberdade sexual com a responsabilidade moral?
DF — Todo uso desordenado gera consequências lamentáveis que se impõem como necessárias à reconquista da paz. Existe uma ética de comportamento que estabelece critérios para uma existência harmónica, perfeitamente compatível com as leis da Natureza.
A promiscuidade sexual, assim como qualquer outra forma de agressão à ordem existente no Universo, são incompatíveis com os deveres morais estabelecidos pela lei de progresso. - E lícita, de acordo com os princípios espíritas, a contracepção?
DF — Sim. O indivíduo que atingiu o contemporâneo nível de cultura, de ética e de discernimento deverá ter os filhos que melhor possa educar. A contracepção é conquista lograda pela ciência, a fim de dignificar a reprodução, que passa a ser direccionada para um digno planeamento familiar.
- Que tipos de contraceptivos são compatíveis com a ética espírita?
DF — Aqueles que não interrompam a concepção em processo de desenvolvimento. - O dispositivo intra-uterino (DIU) é abortivo? Eapílula do dia seguinte?
Divaldo Pereira Franco x DF — Considero ambos abortivos, dependendo, no primeiro caso, de haver a interrupção do fenómeno biológico da concepção. Quanto à questão do DIU, anteriormente ele era abortivo, impedia que o óvulo fecundado se implantasse no colo do útero. Surgiram outros tipos mais modernos, que não são abortivos: o de cobre, que é espermicida, assim evitando que os espermatozóides penetrem no óvulo, e o hormonal, que altera a produção de óvulos, portanto, evitando a fecundação.
- Uma criança de 14 anos que teve relações sexuais. Suspeita que vai engravidar. Deve tomar a pílula do dia seguinte?
DF — Acredito que se trata de um mecanismo abortivo, portanto, de natureza criminosa. Se a adolescente se considera em condições de manter relações sexuais, tem o discernimento de imaginar-se grávida, por que não tomou providências acautelatórias antes do acto? À ignorância da responsabilidade está, portanto, descartada, e a sua atitude premeditada configura um aborto.
- A doutrina espírita aprova algum tipo de aborto?
DF — Naturalmente, no caso em que a vida da gestante se encontre em risco, é muito mais moral e legal que seja interrompida a vida em formação do que aquela que poderá dispor-se a novos cometimentos reencarnatórios. Neste caso, portanto, estamos diante de uma providência relevante, e não de um atentado, puro e simples, contra a vida em formação. - É lícito um casal que já tendo filhos, por exemplo, e não tendo condições para ter mais, faça laqueação de trompas, podendo guardar espermatozóides num banco de esperma para o caso de desejarem ter mais algum?
DF — Allan Kardec sempre se refere à questão que descreve como o valor da “intenção”.
trompas podem ser considerados éticos e legais, ainda mais havendo a providência de guardarse espermatozóides para futuras inseminações, quando as circunstâncias se tornarem favoráveis à procriação.
- No caso da laqueação existe alguma contraindicação de ordem espiritual, tipo lesão do perispírito (corpo espirítual)?
DF — Desde que a intenção é nobilitante, não ocorrem danos ao perispírito, quando são tomadas providências cirúrgicas de qualquer espécie. As lesões perispirituais nos tecidos subtis desse modelo organizador biológico decorrem da intenção infeliz, da má fé, do desejo de burlar a Lei, da contravenção moral que levam o indivíduo a tomar atitudes incompatíveis com o equilíbrio da vida. - E na vasectomia acontece o mesmo?
DF —Tratando-se de uma cirurgia para permitir a liberalidade sexual, o seu uso indiscriminado, o abuso das funções genésicas sem o risco de fecundação, é claro que a providência tem carácter escapista e não dignificante, produzindo, desse modo, danos compreensíveis, perfeitamente compatíveis com a intenção que levou o indivíduo ao acto de fuga da responsabilidade.
- No terramoto de 2003, no Irão, houve mais de 50 mil mortos. Agora aquele sismo na Tailândia. Porquê este resgate colectivo? DF — Especificamente ignoro qual a causa responsável pela tragédia que arrebatou aquelas vidas, assim como de outras tantas que vêm ocorrendo no mu
