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Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 84 min

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O que podemos afirmar é que aquelas vítimascomo ocorre com outrasestavam incursas nos dispositivos libertadores compatíveis com as suas necessidades evolutivas, possivelmente havendo cometido em outras existências crimes hediondos, em guerras ou calamidades diversas em conjunto, tendo retornado para a recuperação colectiva.

- Porquê tanta guerra na Terra? Quais as causas espirituais?

DF — Conforme inserto na resposta à questão 742 de O Livro dos Espíritos, existe a guerra por causa da predominância da natureza animal do homem sobre a sua natureza espiritual e o desbordar das paixões.

Vitimado pelo instinto de conservação da vida, que o torna, não poucas vezes, violento, explode sempre quando contrariado, ambicioso ou em desconserto emocional.

Em face da sua quase normal belicosidade, vive com medo, agredindo antes de ser agredido.

O egoísmo, que ainda prepondera no ser humano, responde pelas calamidades que este promove, levando-o, igualmente de roldão, até que o sofrimento lapide as anfractuosidades morais do seu carácter.

- Como debelar a guerra crescente? DF — Educando os indivíduos, desde a mais tenra idade, nos valores ético-morais, no respeito aos direitos dos outros, na autoconsciencialização da sua transitoriedade pelo mundo físico e da sua perenidade como espírito que é, enfrentando o resultado da sua conduta, de cujos efeitos ninguém consegue evadir-se.

- Uma em cada seis pessoas no mundo vive em barracas. Como alterar este estado de coisas se a tendência é, diz-se, para que este número duplique nos próximos 30 anos? DF —A proposta que o Espiritismo apresenta fundamenta-se nos ensinamentos vividos por Jesus e pelos seus primeiros discípulos: Fazer

a outrem o que deseja que este lhe faça. A Terra é um planeta em transição de mundo de provas e de expiações, para mundo de regeneração. Infelizmente, é natural que vivamos este ciclo terrível de indiferença social e de desamor. Nada obstante, momento chegará no qual haverá a renovação social prevista por Allan Kardec, quando não mais aqui reencarnarão os maus, os perversos, os geradores da miséria socioeconómica e moral. A reencarnação, portanto, se encarregará de proceder à mudança da psicosfera do planeta, ensejando a presença de espíritos nobres no corpo físico, delineando e construindo a Era nova de paz.

- Como resolver, na prática, o problema da corrupção, do compadrio, da luta pelo poder que assola tanta gente?

DF — Mediante o trabalho de renovação humana, repito, mediante a educação em novos padrões, aqueles de natureza moral, conforme ainda se refere o Codificador, na questão 685 a) de O Livro dos Espíritos.

Não existem soluções mágicas, aquelas que operam as transformações de um para outro momento. O processo de evolução é lento e penoso por causa do primarismo em que ainda se debate o ser humano na Terra.

- Qual a opinião dos espíritos acerca do SIDA, cancro, doenças degenerativas? São cármicas? DF — Indubitavelmente, são recursos de que se utilizam as Soberanas Leis, a fim de convidar o espírito à reflexão em torno da sua realidade, convocando-o ao sofrimento a que faz jus, por

«Não existem soluções mágicas, aquelas que operam as transformações de um para outro momento. O processo de evolução é lento e penoso por causa do primarismo em que ainda se debate o ser humano na Terra», afirma Divaldo Franco

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio. O turista ficou surpreendido ao ver que este morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobiliário eram uma cama, uma mesa e um banco.

- Onde estão os seus móveis? - perguntou o turista.

efeito da sua anterior conduta arbitrária e perturbadora.

Estando a lei de Deus escrita na sua consciência, quando assinalada pela hediondez e pela indiferença, ela plasma a lição insuperável da felicidade pelo processo do sofrimento. - O homem vai alimentar-se um dia à base de pílulas/comida artificial ou evoluirá para novas formas de alimentação?

DF — À medida que ocorre o processo antropossociopsicológico do ser, mais subtis se lhe tornam as necessidades, mesmo aquelas pertinentes ao aparelho digestivo. Podemos analisar a ocorrência da alimentação na Idade Média e aquela de que hoje nos utilizamos. Do estado de quase barbárie para o cozimento do repasto, a selecção pelas substâncias nutrientes, a qualidade ao invés da quantidade, mediante o conhecimento das calorias e dos recursos de manutenção do corpo, verificamos uma grande evolução.

Será difícil imaginar como serão os processos nutritivos e alimentícios do porvir, não restando, porém, dúvida, de que o ser humano deixará de ser «carnívoro», tornando-se mais compatível a sua existência com os valores espirituais que lhe nortearão a existência. - Qual a causa do terrorismo? De onde vieram os terroristas, no mundo espiriítual? DF — Vivemos a colheita infeliz da sementeira de desdita que foi procedida por algumas denominadas nações superdesenvolvidas.

Muitas cresceram sobre a miséria daquelas que foram esmagadas. As guerras de religião, aqueloutras de natureza política sórdida, o colonialismo desumano e outros factores geraram processos de revolta no ser humano, que foram transferidos de uma época recuada para a actualidade.

Por outro lado, as injustiças sociais, os ódios políticos e nacionais vêm fomentando o terrorismo perverso, que nunca terá apoio digno, asselvajando os seus executores desalmados e fanáticos.

Esta, infelizmente, ainda é uma herança das acções ignóbeis que foram praticadas no passado e prosseguem no presente. Esses espíritos permaneceram retidos em regiões de muito sofrimento e renasceram agora, a fim de terem mais hipóteses de evoluir, ao tempo em que se tornam o ilegal braço da Divindade, punindo as criaturas e convidandoas a reflexões seguras em torno da solidariedade, do amor, da compaixão, da caridade, do dever para com os pobres e