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Correio Janeiro.fevereiro.2017

Jornal de Espiritismo nº 80 · Outubro 2017Página 35 min

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CORREIO JANEIRO.FEVEREIRO.2017 Queda de anjos e afins Os leitores enviam as suas mensagens e nenhuma fica sem resposta: escolhemos esta para reflexão sobre questões antigas que ainda não foram superadas por todos. José Paulo escreve e deixa mensagem particular na página da Associação de Divulgadores de Espiritismo no Facebook em 17 de novembro: «Boa noite, fui trabalhador num centro, saí por alguns problemas e agora voltei.

Em conversa com um irmão de doutrina este disse que agora ensinam que o demónio existe. Ou seja aquilo que está em «O Livro dos Espíritos» sobre os anjos e demónios está desatualizado. Existem de fato alguns centros espíritas ou correntes espíritas que conheçam, que ensina sobre a queda dos anjos e a ideia católica sobre os anjos e demónios? Eu pessoalmente desconheço». A resposta seguiu no dia seguinte: «Caro José Paulo, confessamos que essa informação que nos traz não é de certeza de alguém que conheça bem a doutrina espírita.

Há muita gente que aborda centros espíritas que privilegiam a mediunidade em desfavor do estudo e, como os Espíritos não são mais do que os homens desencarnados, existe uma longa gradação qualitativa que vai dos mais ignorantes aos mais sábios. Allan Kardec desdobra muito bem esse item em «O Livro dos Espíritos», na escala espírita. A palavra «daimon» é antiga, muito anterior ao surgimento do cristianismo. Antes do significado que conhecemos nos nossos dias foi normalizada para o mito do demónio pelas religiões dominantes.

Anteriormente, porém, significava apenas Espírito, tivesse ele más ou boas intenções. Sócrates, o sábio da Antiga Grécia, conversava por vezes com o seu daimon, na verdade um amigo espiritual, isto é, um Espírito desencarnado, e deixou pelas palavras do seu discípulo Platão a informação de que debatia com esse daimon questões de natureza filosófica e… nem sempre chegavam a acordo. Percebe-se com facilidade que esse daimon seria decerto o seu Espírito guia, sábio e bom quanto ele próprio.

Mais tarde, com o advento e a posterior alteração da mensagem de Jesus de Nazaré nas religiões que fomos conhecendo ao longo dos séculos na Europa, a comunicação com os Espíritos era mais uma frente em que poderia ocorrer por vezes o questionamento dos vícios religiosos, e isso não interessava para manter o poder sem transtorno. Havia também, é certo, muitos abusos e disparates, inclusive o erro da comercialização de supostas faculdades mediúnicas, logo, a mediunidade foi proibida e apontada como coisa muito má, «coisa do demónio».

Hoje percebe-se com outras luzes que a mediunidade é uma faculdade normal, como tantas outras, própria do ser humano, e pode ser estudada, educada e sublimada a favor do Eterno Bem. O demónio, como ensinam as religiões tradicionais, não existe. É evidente. Existem, sim, homens maus que quando desencarnam e o seu corpo material morre, se desligam dele e continuam por vezes por longo tempo agarrados a essa fase de ignorância que, contudo, também não vai durar para sempre.

Mais tarde ou cedo, nalguns casos no período de alguns séculos, essa fase completa-se e a crueldade satura-se e surge na alma dessas pessoas um anseio de melhorar de vida. Tudo indica que a evolução, percorrida em milénios, se processa por comparação com a vida de um inseto. Veja o exemplo da borboleta. Antes de ter asas e voar, é ovo por um tempo sob a batuta do clima. Quando completa esse desenvolvimento passa a lagarta.

Bem pode sonhar com altos voos, mas as asas não estão prontas para aparecer. Pensará até que nasceu para lentamente rastejar… um percalço: em vez de as ver crescer enquanto se alimenta de folhas de plantas específicas, terminada a fase de lagarta parece que morretransforma-se num toco que parece pau seco ou até pedra. Não terminou aí, porém. Depois de tremendas transformações escondidas da vista do observador, um dia ela vai terminar também essa fase de crisálida, romperá a “casca” e progressivamente irá esticar as asas para ensaiar o primeiro voo.

Depois disso, ser - -lhe-á fácil voar na brisa da primavera. Nós como pessoas, no plano espiritual ou no plano material, passamos por várias fases de desenvolvimento. Os mais ignorantes pouco a pouco aspirarão a ser felizes. Fala também do mito da queda dos anjos, que até nem têm asas. São Espíritos sábios e bons, que assim foram designados tradicionalmente. Não faz sentido pensar em perdas evolutivas do ser espiritual na evolução, de acordo com as conclusões que ressaltam dos estudos espíritas.

Repare: do ponto de vista espiritual, existe uma lei da natureza que se respalda em coordenadas de progresso. Aquilo que realmente alcançámos interiormente é conquista do ser. Em certas circunstâncias provacionais até pode ser toldada temporariamente, com objetivos adequados, mas não se perde, não se desgasta, pelo contrário, desenvolve-se no tempo. José, vá estudando a doutrina espírita, como nós próprios fazemos, com a melhor bibliografia, e não terá dificuldade em separar o trigo do joio.

É gratificante. Deixamo-lo com votos de muita paz. A vida do feto Mariana escreve: «Gostaria de tentar perceber a morte do feto. Perdi a minha filha com semanas de gestação, sem razão aparente. Gostava de perceber melhor as razões desta fatalidade. É uma provação para mim? Pelo que percebo o feto não tem espírito, por isso nada se cumpriu. É isso? Era muito importante para mim tentar perceber estar perda tão dolorosa.

Obrigada pela vossa atenção». Resposta: Olá, Mariana. Na visão espírita a reencarnação inicia no momento da fecundação, porém, só se completa no nascimento. Há imperfeições da matéria a considerar. Em «O Livro dos Espíritos» o tema é abordado num certo item desta maneira: «346. Que faz o Espírito, se o corpo que ele escolheu morre antes de se verificar o nascimento? - Escolhe outro. a) - Qual a utilidade dessas mortes prematuras?

- Dão-lhes causa, as mais das vezes, as imperfeições da matéria. 347. Que utilidade encontrará um Espírito na sua encarnação em um corpo que morre poucos dias depois de nascido? - O ser não tem então consciência plena da sua existência. Assim, a importância da morte é quase nenhuma. Conforme já dissemos, o que há nesses casos de morte prematura é uma prova para os pais». Toda essa vivência ergue expectativas e o que sente durante um tempo é inevitável.

Porém, é bom reagir. A vida é uma sucessão de oportunidades de aprender a ser mais feliz, que se renovam quando menos esperamos. Diziam já os antigos que é através de toda esta diversidade de experiências de vida que um dia mais tarde conseguiremos as asas da sabedoria e do amor que nos lançarão no céu luminoso do porvir. foto arquivo O ser não tem então consciência plena da sua existência. Assim, a importância da morte é quase nenhuma.