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Literatura / Vídeo

Jornal de Espiritismo nº 80 · Outubro 2017Página 174 min

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LITERATURA / VÍDEO O Espírito e o Tempo O Dom observadas pelo emérito Professor: «Qual o motivo, porque os seus adeptos, ainda hoje, divergem, no tocante a questões doutrinárias importantes? E qual o motivo por que os não-espíritas continuam a tratar o Espiritismo com tanta incompreensão?» Herculano Pires é taxativo na resposta aquelas questões: «O Espiritismo é ainda uma doutrina do futuro.» Ao lermos e estudarmos este trabalho ficamos a conhecer melhor o processo de evolução espiritual do homem na sua marcha incessante rumo à perfeição, etapa após etapa, desde os primórdios como Australopitecos, rumo à angelitude.

Ficamos também saber que o Espiritismo é uma Doutrina recente ─ data de 18 de Abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos ─ e que a mediunidade é um fenómeno natural, portanto, de todos os tempos, que sempre esteve, e ainda está, envolta no mistério e na superstição. O Professor introduz-nos no pensamento de Herbert Spencer (1820-1903) e do seu emérito discípulo Ernesto Bozzano (1862- 1943), para entendermos como surgiram as religiões.

Ficamos a saber que todas elas tiveram origem nos factos mediúnicos, pois os primitivos eram incapazes de elaborar concepções de abstração mental, que caracterizam o homem actual, para criarem a concepção dos espíritos e deuses. Demonstra-nos assim o distinto estudioso, que «As superstições dos selvagens, as suas práticas mágicas, não eram nem podiam ser de natureza abstrata, imaginária. Decorriam, como tudo na vida primitiva, de realidades positivas e de factos concretos [manifestações dos Espíritos], conhecidos naturalmente dos selvagens.

» Esta obra deve integrar todas as bibliotecas das instituições espíritas, ser estudada e divulgada, a fim de nos libertar definitivamente de fantasias, que agridem e desprestigiam o Espiritismo. Por Carlos Alberto Ferreira JANEIRO.FEVEREIRO.2017 Annie é uma jovem viúva que procura assegurar as condições para uma vida digna e em que nada falte aos seus três filhos numa cidade pequena e rural da América profunda. Para auxiliá-la nas economias domésticas, ela coloca a sua sensibilidade de percepção extra-sensorial ao serviço de quem o pretenda, aceitando os donativos que as pessoas estejam na disposição de oferecer.

Annie tem a capacidade de ver e sentir certos acontecimentos e fatos para além dos sentidos físicos, ajudando as pessoas a lidar com problemas pessoais e os conflitos habituais do quotidiano. Um dia, um pai surge à sua porta implorando ajuda para encontrar a filha que se encontrava desaparecida e é a partir daí que, ao indicar à polícia a localização do corpo da jovem, que ela inicia uma viagem para descobrir o assassino que vai levá-la a mergulhar num turbilhão de sensações e percepções conflituosas que a conduzirão à descoberta das faces mais negras que o ser-humano pode adquirir.

Do celebrado realizador Sam Raimi, com um elenco onde constam nomes sonantes como os de Cate Blanchett e Hilary Swank, laureadas com dois óscares da Academia cada uma, mas também de Keanu Reeves, Giovanni Ribisi e J.K. Simmons, “O Dom” é um thriller intenso e intrigante produzido na ano 2000, repleto de personagens com carisma, cheio de mistérios e véus que ocultam mais do que aquilo que destapam, guiando o espectador através de uma montanha-russa de tensões camufladas e pressentimentos por concretizar que culminam numa reviravolta coerente e credível.

Cate Blanchett (Annie) é, nesse aspecto, quem mais sustenta toda a trama, construindo uma personagem de carácter sóbrio mas de grande vulnerabilidade que une todas as restantes prestações, num trabalho artístico talvez merecedor de maior reconhecimento mediático. Um dos pontos mais singulares da história é a sensibilidade que Annie revela para perceber situações e fenómenos que se encontram para além da percepção dos sentidos habituais, colocando-o neste caso ao serviço das forças policiais para desvendar um crime.

Apesar de não serem muitas vezes admitidos oficialmente, existem inúmeros relatos de contribuições de médiuns para ajudarem na investigação de crimes. Na década de 70, no estado de Goiás, José Nunes, então um jovem de 18 anos, foi acusado de matar o seu amigo Maurício. Enquanto decorria o processo judicial, os pais de Maurício receberam uma carta psicografada pelo médium mineiro Chico Xavier ditada pelo espírito do seu filho.

Nessa carta, Maurício relatava aos pais, com detalhes muito minuciosos, o que tinha sucedido naquele dia, afirmando que ele encontrava-se a manusear a arma quando ela disparou acidentalmente. Ele mostrava-se também muito triste e revoltado com a acusação que estava a ser feita ao amigo e assumia todas as culpas do acidente. Tornando a carta ainda mais autêntica, a assinatura que surgia no final da missiva apresentava traços muito semelhantes à de Maurício.

José foi considerado inocente pelo tribunal. No início do século XX, Arthur Conan Doyle afirmou que no futuro os investigadores policiais seriam médiuns. É uma profecia arrojada e que dificilmente será concretizada sabendo que a sensibilidade mediúnica não é omnipotente nem à prova de falhas. No entanto, em determinadas situações, os sentidos psíquicos mais apurados de médiuns sérios e desinteressados podem ser um valioso contributo para ajudar a desvendar mistérios intricados que o melhor trabalho de investigação não consegue deslindar.

Título Original: “The Gift” Realizado por Sam Raimi Elenco: Cate Blanchett, Hilary Swank, Keanu Reeves, Giovanni Ribisi, Katie Holmes EUA, 2000 – 112 min. Por Carlos Miguel IMPRESSÃO DIGITAL Não existe para os espíritas obrigatoriedade de idas ao centro espírita, pois podemos sê-lo sem frequentar qualquer centro?