Correio
Jornal de Espiritismo nº 82 · Maio 2017Página 33 min
Desencorajar o contacto mediúnico Um leitor que assina VS, de Estoril, envia a sua mensagem: «Ao ler o “Jornal de Espiritismo” e encontrar as respostas aos leitores que questionam o que sucedeu aos familiares que lhe eram queridos e já partiram, parece-me que há algum desencorajamento de possível contacto através de um médium. Um fecho da mediunidade ao público. Isso por um lado. Mas, por outro lado, divulgam o contacto com o público de médiuns como Chico Xavier, que psicografou muitas mensagens a pessoas na situação dos que questionam o jornal.
Se estava bem sendo Chico Xavier, não está bem sendo outro médium qualquer, porquê? (…)». É sempre bom receber alvitres que não percorrem o caminho que temos como certo, mas se o argumento não se ajusta à nossa observação nem aos conhecimentos adquiridos, temos o dever de, em consciência, manter-nos na convicção do que é claro para nós. Criar expectativas e não as satisfazer não é boa ideia. Percebe-se que a mediunidade não é propriamente um telefone a que deitamos mão e falamos com quem queremos.
Isto é claro. Quando alguém se alça à pretensão de querer falar a curto prazo com um ente querido que partiu, o mais certo é não ter o que deseja. O que é que pode explicar isso? É compreensível que nem sempre as condições necessárias para que um fenómeno mediúnico verosímil ocorra se juntam de modo a viabilizar tal ocorrência. Que condições necessárias são essas? Uma consiste em haver um médium com um perfil viável para receber, ainda que com filtragem mediúnica variável, mensagem desse suposto ente querido desencarnado.
Soma-se a este item a necessidade de o ente querido desencarnado estar em condições de se manifestar, o que nem sempre acontece. Pode estar alienado mentalmente e, se não estiver, entre outras limitações, pode não ter oportunidade de se manifestar face a objetivos maiores do serviço mediúnico em causa, que se realiza normalmente com finalidades bem mais altruístas do que satisfazer a curiosidade pessoal. Uma outra condição que se agrega às anteriores é a da utilidade da comunicação: Vai mesmo ajudar?
Ou vai confundir e até perturbar? Se reparar que quem coloca essas questões normalmente não tem uma ideia clara do que seja a doutrina espírita nem tão pouco o fenómeno mediúnico a que quer aceder, eventualmente até pessoas em desequilíbrio emocional, facilmente entram nas redes de charlatães que se fazem passar por médiuns e cobram dinheiro pelo que não faz qualquer sentido cobrar. Estas ideias fazem com que seja preferível deixar o tempo passar até que, em alguma oportunidade espontânea, a mensagem venha quando menos se espera, com dados de autenticidade que o próprio saberá entender, mas não quando ele quiser, apenas quando for possível e útil isso ocorrer.
Nem mesmo quando antenas mediúnicas fora de série – como foi o caso do médium Francisco Cândido Xavier no século XX, quando centenas de mães o procuravam diariamente na expectativa de receber mensagem do filho que desencarnara – saíam de Uberaba contempladas. Apenas com uma minoria expressiva foi possível isso acontecer. Saber esperar ajuda a amadurecer ideias. É isso que propomos a outrem e aplicamos na nossa própria vida pessoal.
É uma questão de coerência e bom senso do nosso ponto de vista. foto ulisses.com.pt Uma outra condição que se agrega às anteriores é a da utilidade da comunicação: Vai mesmo ajudar? Ou vai confundir e até perturbar? MAIO.JUNHO.
