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Capa da edição nº 82 do Jornal de Espiritismo

82Jornal de Espiritismo nº 82

Maio 2017 · 20 secções · ≈ 75 min de leitura

Esta edição aborda a violência e a "régua" da APAV, a importância da paz interior e a busca por um bem-estar profundo. Debate-se o papel da mediunidade e a coerência nas expectativas sobre o contacto com desencarnados, além de celebrar os 160 anos de 'O Livro dos Espíritos'. Traz ainda uma entrevista com o psiquiatra Wander Lemos, uma nova seção sobre espiritismo e ecologia, e a coleção 'Páginas do Passado' da FEP, que resgata a história do Espiritismo em Portugal.

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ecologia

Capa

Página 11 min

MAIO.JUNHO.2017 82 JDE MAIO . JUNHO . 2 0 1 7 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Vários estudos têm subscrito o facto da violência física e psicológica se apresentar por vezes de forma sub-reptícia. Depois, até podem crescer. A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima em parceria com outras instituições gizou uma régua que está a auxiliar a missão de fazer decrescer a violência nas relações humanas.

Algo importante, sobretudo porque a vida não acaba com a morte do corpo material… 4 FEDERAÇÃO Encontro Cultural Espírita “Fazer o Bem, Fazer o Belo”, domingo, 7 de maio, entre as 9h30 e as 17h30, na FEP. foto www.ulisses.com.pt Violentómetro: a régua que quer ajudar 07 NOTÍCIA O Livro dos Espíritos tem nova versão em português Tradução em português de Portugal apresentado em Braga 160 depois do original francês. 16 ENTREVISTA Vai ver que há solução Wander Lemos, psiquiatra, passou por cá: veja as respostas… 19 SUSTENTÁVEL Espiritismo e ecologia: tema raro nas palestras Área importante: espiritismo e ambiente vai durar nesta nova secção fixa… 10 ANOXIV MAIO.

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Editorial / Conto

Página 23 min

EDITORIAL / CONTO Ao longo de um dia quantas vozes neutras pronunciamos? Somando, quantas alfinetadas escapam no desvario de uma conversa fortuita e, no melhor sentido, quantos pensamentos bons pacificam o mundo interior de cada um? A paz exterior, tão importante para a construção do bem-estar coletivo, dá-nos espaço para existir bem, mas é necessário algo mais – viver é preciso. Importa a interiorização de outro tipo de paz, aquela que não fica pela superfície do que vemos e, por vezes, é capaz de preencher de modo extraordinário a mente de cada um: a paz interior.

Não funciona com o carregar de um botão, como o aparelho lá de casa, mas vai-se fixando na medida em que a procuramos. Ir e vir, reagir e agir. No vaivém do dia a dia o que fazemos tem retorno que não pede licença para se sedimentar na consciência. Pensar bem traz paz. Esta, porém, nos dias que experienciamos, configura uma ilha paradisíaca onde gostávamos de permanecer. Vegetação luxuriante, areias limpas no fluxo de brandas ondas do mar ensolarado.

Se por ali permanecêssemos em longos períodos quantas descobertas importantes ficariam adiadas, na refrega de outras viagens, de outros horizontes. Ninguém precisa por isso de se censurar por não ter ainda interiorizado esse estado de alma em construção. O facto de o não sentir com maior frequência é um indicador inteligente do trabalho interior que é mister realizar ao longo de muito tempo. Importa a interiorização de outro tipo de paz, aquela que não fica pela superfície do que vemos Passa em boa parte pela forma como tratamos outrem, como vemos os nossos semelhantes.

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Correio

Página 33 min

Desencorajar o contacto mediúnico Um leitor que assina VS, de Estoril, envia a sua mensagem: «Ao ler o “Jornal de Espiritismo” e encontrar as respostas aos leitores que questionam o que sucedeu aos familiares que lhe eram queridos e já partiram, parece-me que há algum desencorajamento de possível contacto através de um médium. Um fecho da mediunidade ao público. Isso por um lado. Mas, por outro lado, divulgam o contacto com o público de médiuns como Chico Xavier, que psicografou muitas mensagens a pessoas na situação dos que questionam o jornal.

Se estava bem sendo Chico Xavier, não está bem sendo outro médium qualquer, porquê? (…)». É sempre bom receber alvitres que não percorrem o caminho que temos como certo, mas se o argumento não se ajusta à nossa observação nem aos conhecimentos adquiridos, temos o dever de, em consciência, manter-nos na convicção do que é claro para nós. Criar expectativas e não as satisfazer não é boa ideia. Percebe-se que a mediunidade não é propriamente um telefone a que deitamos mão e falamos com quem queremos.

Isto é claro. Quando alguém se alça à pretensão de querer falar a curto prazo com um ente querido que partiu, o mais certo é não ter o que deseja. O que é que pode explicar isso? É compreensível que nem sempre as condições necessárias para que um fenómeno mediúnico verosímil ocorra se juntam de modo a viabilizar tal ocorrência. Que condições necessárias são essas? Uma consiste em haver um médium com um perfil viável para receber, ainda que com filtragem mediúnica variável, mensagem desse suposto ente querido desencarnado.

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FEP Workshop: audiovisual espírita Domingo, 23 de abril, das 14h00 às

Página 43 min

17h00, na sede da Federação Espírita Portuguesa, na Amadora, e em ritmo de comemoração dos 160 anos de «O Livro dos Espíritos», a Feceração convida todos os simpatizantes, participantes e colaboradores do movimento espírita a participarem do Workshop de AudioVisual Espírita com os membros da Portal Reação (Brasil). O Workshop é direcionado a todos os que têm interesse em aprender a produzir vídeos, curtas-metragens, documentários e blogues, fundamentados nos princípios do Espiritismo.

Não são necessários pré-requisitos técnicos para participar. As inscrições são gratuitas e limitadas, sendo obrigatória a inscrição prévia: https://goo.gl/forms/VvjvJfNugNFPWj1r2 Páginas do passado Depois do “Movimento Espírita Portugês e Alguns Vultos”, de que já fizemos várias edições, a Federação Espírita Portuguesa acolheu, com carinho, um novo projecto de Manuela Vasconcelos resultante da grande dedicação e estudo com que sempre privilegiou os espíritas portugueses.

Ao longo de muitos anos, a Manuela juntou publicações, recortes, artigos, etc. referentes a homens e mulheres que deixaram marca no percurso histórico da Federação Espírita Portuguesa. Muitos serão os que trabalharam e contribuíram igualmente, embora de forma menos notória mas nem por isso menos importante, e a esses alargamos o nosso tributo de respeito e reconhecimento. Em 2016, com a publicação de três títulos, iniciámos a colecção “Páginas do Passado” que deixará para a Federação Espírita Portuguesa (FEP) uma colectânea de trabalhos produzidos por ou sobre vultos do Movimento Espírita Português (MEP) que se destacaram na implementação do Espiritismo e no Movimento Federativo Espírita em Portugal.

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Consultório

Página 56 min

Retorno à vida corporal Apesar de ser um axioma básico da doutrina dos espíritos, o conceito não pertence ou foi criado pela mesma. Existem doutrinas reencarnacionistas que professam a ideia de retorno ao corpo físico em outro corpo físico preexistente, não sendo necessário o renascimento. Para o Espiritismo, o retorno à vida corporal implica em voltar à carne através da fecundação e num novo corpo determinado para esta finalidade.

O Espírito poderá voltar a uma nova existência (reencarnar) com o objetivo da sua evolução. No Capítulo IV, na pergunta 166, de «O Livro dos Espíritos» , Allan Kardec pergunta: “Como a alma, que não atingiu a perfeição durante a vida corporal, pode terminar de depurar-se?” , ao que os espíritos respondem: “Experimentando a prova de uma nova existência”. Porém, o processo evolutivo do Espírito não se dá somente quando reencarnamos, dá-se também enquanto estamos no plano espiritual no período intermissivo (período que decorre entre uma encarnação e outra).

Platão, filósofo grego, já dizia: “Antes de virmos a esta vida, já tivemos outras, e no tempo intermediário que passamos no mundo dos Espíritos, adquirimos o conhecimento das grandezas a que somos destinados...”. Os Espíritos também nos dizem que é no mundo espiritual que se dá o aprendizado mais longo, representando a vivência na Terra uma ínfima parcela da experiência da consciência. É no período intervidas que trabalhamos a escolha das novas características da vida terrena preparando o laboratório da experiência humana, consoante o nosso grau de evolução e segundo as nossas necessidades evolutivas.

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Breves

Página 65 min

Juselma Coelho em Portugal Em maio passa por Portugal Juselma Coelho, para mais um périplo. Vera Saiago enviou o programa: 13.5.2017, Sábado, 16h00, Associação Espírita Luz e Amor, Rua dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, nºs. 27 e 31, SETÚBAL. 14.5.2017, Domingo, 11H00/13H00 – 15H00/17H00, Associação Eurípedes Barsanulfo, Av. 25 de Abril, nº. 56, R/C – Vila Fria, PORTO SALVO – OEIRAS. 15.5.2017, 2-feira, 20H00, Associação Fraterna Mensageiros do Bem, Rua Eurico Rodrigues de Lima, nº.

2 B, MALVEIRA. 16.5.2017, 3-feira, 20H30, Associação de Cultura Espírita Fernando de Lacerda, Rua José Alfredo Dias, Torre 3, Loja, Bairro das Sapateiras, LOURES. 2017.5.2017, 4-feira, 21H00, Associação Cultural Espírita de Santarém, Rua da Estação – Pavilhão 1, SANTARÉM. 18.5.2017, 5-feira, 21H00, Ass. Cultural Auxílio e Esclarecimento Nosso Lar, Rua Gago Coutinho, nº 30 e 32, SANTA JOANA – AVEIRO. 19.5.2017, 6-feira, 21H00, Associação Espírita de Leiria, Rua Vale das Cervas, nº 135, BAROSA – LEIRIA.

22.5.2017, 2-feira, 21H30, Centro Espírita Joana de Ângelis, Rua Padre Costa, nº. 348, 1º. -Sala 12, S. MAMEDE DE INFESTA. 23.5.2017, 3-feira, 21H30, Instituto do Pensamento Crístico, Rua Rodolfo Araújo. Nº 162 – 1º. S/25, PORTO. 24. 5.2017, 4-feira, 20H30, Associação Espírita Bezerra de Menezes, Rua do Almada, nº. 30, 2º. Frente, PORTO. 25.5.2017, 5-feira, 21H30, Centro Espírita A Casa Da Esperança, Rua Domingos Martins, Rua nº.

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Notícia

Página 75 min

O Livro dos Espíritos em português de Portugal apresentado em Braga Curiosamente, na mesma semana, foram apresentadas duas versões diferentes deste livro. Depois de em Viseu ter sido lançada uma tradução levada a cabo pela equipa da Associação Social Cultural Espiritualista, eis que em Braga é apresentada esta versão de que aqui damos notícia. A cidade de Braga foi escolhida por ter sido aí que grande parte do trabalho foi realizado, numa empreitada que já leva quase três anos.

Mas vamos por partes. A tradução é publicada pela Luz da Razão Editora em duas versões. Uma de capa mole e outra de capa dura. A versão de capa dura é uma edição limitada a 250 exemplares, numerados, e que pretende, também ser uma edição comemorativa, tanto dos 160 do lançamento original da obra como ser um livro especial que dignifique a própria tradução em si, sendo que desses 250 exemplares, 200 serão oferecidos a pessoas que estiveram envolvidas no projeto e a instituições de diversas áreas.

Apenas os outros 50 livros serão comercializados. A edição de capa mole será a versão normal do livro, que deverá chegar às assocações espíritas e, espera-se, a livrarias extra meio espírita. O evento decorreu no auditório do renovado Teatro da Escola Sá de Miranda, em Braga, uma escola que teve abertura em 1836, completamente condizente com o momento que A 18 de abril de 1857 era apresentado no Palai Royal, em Paris, por Allan Kardec, O Livro dos Espíritos.

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Notícia (pág. 8)

Página 84 min

A Associação Sociocultural Espírita de Braga celebrou 32 anos de atividade sábado em18 março. O evento iniciou às 15h00 e decorreu no auditório do Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga. Contou com intervenções de dois médicos psiquiatras: Pedro Morgado, do curso de medicina da Universidade do Minho, e Gláucia Lima, de Lisboa. O primeiro dissertou sobre aspetos da “Doação do corpo após a morte”.

Conciso, explicou que a formação de novos e bons médicos passará também por poderem utilizar para esse fim cadáveres humanos nos cursos de medicina, o que não é fácil de conseguir atualmente. Face aos padrões de cultura vigentes, que destinam à sepultura ou à cremação os corpos materiais quando estes poderiam ser uma mais-valia formativa, se nada houver escrito com valor legal a oportunidade de lhe dar mais utilidade perde-se.

Pedro Morgado, que não é espírita, sublinhe - -se, disse igualmente que no curso ensinam a distinguir entre a pessoa (viva) - o que exige tactoe o corpo físico (cadáver), sendo este apenas um objeto de estudo. Para quem estuda espiritismo o conceito é perceptível, pois depois do desligamento que fazemos pela morte corporal do corpo físico, este não passa de um objeto inanimado. Enquanto na lei vigente quem nada deixar escrito em contrário até ao seu falecimento pode ver um órgão reaproveitado a favor de algum doente, no caso da cedência de cadáver para formação nos cursos de medicina, Diga 32: ASE Braga fotos www.

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Notícia (pág. 9)

Página 92 min

No passado dia 18 de março decorreu no Museu Marítimo de Ílhavo o 8.º Encontro Nacional de Passistas “… da vontade… ao dar por amor…”, este ano organizado pelo Grupo Espírita Centelha de Luz, Associação Cultural Porto de Abrigo e Centro de Cultura Espírita Mar de Esperança, com o apoio da União Espírita da Região de Aveiro e da Federação Espírita Portuguesa. Neste dia tão especial houve tempo para se conversar sobre os temas que envolvem o passe espírita.

O dia iniciou-se às 9h00 com a receção dos participantes, seguida pela prece e vídeo de abertura. Pelas 10h00, Luís Peças e João Paulo brindaram todos os presentes com um momento musical sublime. O primeiro palestrante do dia, Carlos Miguel, do Centro Espírita Caridade por Amor, do Porto, expôs sobre o tema “Espiritismo – o grande desconhecido”, referindo que “estamos a viver abaixo das nossas possibilidaÍlhavo: encontro de passistas des” uma vez que todos temos muito mais capacidade para melhorar o nosso mundo, do que aquela que efetivamente aplicamos, promovendo, assim, uma profunda reflexão sobre a essência do Espiritismo.

“Pensar… e Amar” foi o assunto de reflexão, na voz de Leonor Leal, da Associação de Cultura Espírita de Alcobaça, onde se abordaram as qualidades, requisitos e esforços constantes de um Espírito que pretende transmitir bons fluídos. Após uma pequena pausa para café, José Lucas, do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, apresentou com clareza os estudos científicos relacionados com fluidoterapia, com o tema “Fluidoterapia – Provas Científicas”.

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Centrais

Página 102 min

Vários estudos têm subscrito o facto da violência física e psicológica se apresentar por vezes de forma sub-reptícia, ínfima. Depois, até podem crescer! A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) em parceria com outras instituições gizou uma régua que está a auxiliar a missão de fazer decrescer a violência nas relações humanas. Violentómetro: a régua que quer ajudar O Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres é celebrado a 25 de novembro.

Nessa altura, as notícias deram vasta informação sobre a matéria. Apesar do dia oficial ser só um por ano, a verdade é que se observam infelizmente comportamentos negativos diariamente. Diante deste facto, por exemplo, os estudantes do Núcleo de Psicologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro (UTAD) trataram no final do ano passado de oferecer aos colegas o chamado Violentómetro. No fundo, nada mais nada menos do que um autêntico medidor de comportamentos inspirados na agressividade, dos mais sub-reptícios aos mais ostensivos.

Esta medida promove a identificação, a prevençãoea denúncia de comportamentos violentos. Alvitres leves, levezinhos, como expressão de ciúmes e ameaças correlatas, com uso frequente do telemóvel como instrumento de pressão, ou até uma firme censura relacionada com a forma de vestir, são entendidos não poucas vezes como toleráveis, vistos até como normais e porventura percecionados como demostrações de atenção e afetividade.

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Centrais (pág. 11)

Página 115 min

gente encara como normais. Jesus de Nazaré referia «Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra» (S. Mateus, cap. V, v. 4.) e igualmente «Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus». (Id., v.9.) Na vida em grupo, enquanto a agressividade incrementa a competição, a mansuetude propicia as luzes da colaboração. Todos conhecemos pessoas mais afáveis e pacificadoras do que outras.

Isso não quer dizer que não haja momentos em que se deve manter firmeza, mas se no atual plano evolutivo estamos habituados a ver a lei da força, em sociedades mais evoluídas, decerto no futuro, ou no presente noutros planos de vida, emerge um outro vetor de relacionamento, mais espontâneo e esclarecido: a autoridade moral. Em «O Livro dos Espíritos», lê-se que «A sobreexcitação dos instintos materiais abafa, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece pouco a pouco as faculdades puramente animais» (questão 754).

Comportamento primário A violência é entendida como um comportamento primário a que por vezes, sobretudo em situações de pressão, qualquer um pode incorrer. Sejamos realistas. Contudo, no horizonte evolutivo, vislumbra-se um plenilúnio de uma beleza singular sempre que aproveitamos o tempo para povoar o nosso mundo interior com as bênçãos da afabilidade e da doçura. Um exemplo muito interessante das coordenadas a que nos reportamos emerge das atitudes próprias de quem de modo correto dialoga com os que partiram desta vida material e por um tempo ainda se encontram confusos, apegados aos maus hábitos que ainda não quiseram alterar.

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Opinião

Página 123 min

Uma cotovia chamada liberdade foto arquivo Esta emancipação da alma em relação ao corpo é que é liberdade! É claro que até esta liberdade tem os seus perigos e às vezes o corpo, que de ordinário é prisão, serve de refúgio abençoado. Mas nem por isso a liberdade perde beleza e o acordar mantém-se difícil. E por isso pessoas como eu, que amam a liberdade mas não estão ainda lá muito iluminadas, acham que o melhor canto é o dos rouxinóis, que celebram a noite.

Estive neste grupo até que numa madrugada já insone ouvi as cotovias. Ah!, as cotovias! (O “Poverello” nutria carinho especial pelas cotovias – e vá lá saber-se porquê. E eu quis saber porquê.) Pois não é a cotovia o pássaro que anuncia o dia?! Deveria, por isso, de continuar a preferir os rouxinóis, já que tanto me custa o acordar! Mas aqui o dia, e sobretudo com o “Poverello”, não se refere tanto a um facto físico, mas mais à luz que ilumina consciências.

E iluminando-se a consciência a verdade torna-se conhecida e em conhecendo a verdade seremos livres. Ah!, pois, a consciência iluminada mais o conhecimento da verdade é que emancipam realmente a alma. Oh!, vinde, cotovias, cantar a melodia da luz ao meu ouvido, para que o meu sono não seja tantas vezes ocasião de pesadelo e o acordar não me traga aquela estranheza penosa de uma entrada na prisão. Quando eu for luz só saberei amar e, logo, serei intrinsecamente livre, porque não me infelicitam mais as peias dos sentimentos vis, das emoções desarvoradas, dos pensamentos mesquinhos, da vontade ao serviço das paixões.

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Opinião (pág. 13)

Página 135 min

Mães que choram, os vossos gritos ao alto são ouvidos! Deus, que estende a palma das suas mãos a todas as aves perdidas, por vezes ao antigo ninho faz regressar o mesmo borrachito. Queridas mães, o berço fala com o túmulo, a eternidade guarda mistérios insondáveis que vamos aprendendo a decifrar através de breves sussurros, espécie de mapas para os segredos divinos. Esta mãe de que vos quero falar morava em Blois e eu conheci-a num tempo bem mais próspero do que hoje quando habitava as terras do meu pai.

Possuía todos os bens que Deus dá ou permite ter, casara-se com o homem que amava e tinha um filho bebé que lhe emprestava tal felicidade que as palavras são frouxas para descrevê-la com justeza. O menino deitava-se num berço de seda ao lado da sua cama e, antes de adormecer, ela deixava-se encantar pelo murmúrio delicioso que ele fazia, saciado pelo leite materno que o nutria. Todas as noites, aquela pobre mãe abria-se para mil quimeras sem fim e os seus olhos brilhavam na escuridão em permanente vigília.

Perseguida pelas loucas suposições que a assaltavam, com a alma muda e ainda entorpecida, inclinava-se sobre o filho para certificar-se de que apenas dormia. De manhã, ao redescobrir o sol a brilhar no seu sorriso, cantava, simples e embevecida. Recostada numa cadeira de baloiço, com o seu lenço de cambraia denunciando os seios inchados do leite, ela adorava a frágil criança, chamava-lhe anjo, tesouro, amor e outras coisas tolas.

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Crónica

Página 142 min

Um estudo revela que, de 162 países, apenas 11 não estão em guerra no mundo hoje. Não em guerra aberta declarada, mas envoltos nas guerras regionais e locais, de um modo ou de outro. Numa estatística, em Portugal (país pacífico), em 2014 foram mortas 27 mulheres, vítimas de violência doméstica. Curiosamente não se consegue encontrar um número definido de organizações que estão empenhadas na paz no Mundo. Impossível conseguir contabilizar os actos de paz levados a cabo, diariamente, no mundo inteiro.

Figuremos dois pescadores, na pesca à linha, numa praia. Um diz que o mar é perigoso pois tem peixes - -aranha, tubarões, tsunamis, as pessoas morrem afogadas, há naufrágios. O outro, refuta os argumentos, dizendo por sua vez que, o mar serve para pescar, fazer caça submarina, surf, bodyboard, andar de barco, nadar, etc. Qual dos dois tem razão, sendo o mar, neutro? Obviamente, tudo se desdobra no campo do mero ponto de vista, na maneira como analisamos as situações.

Os órgãos de comunicação social de hoje têm sede de escândalos, de “sangue” de notícias que firam a sensibilidade, pensando assim estar a prestar um bom serviço à comunidade. Esta, por sua vez, intoxica-se mentalmente com o mal alheio, como se isso alimentasse a sua sede inconsciente de sobrevivência. Jesus de Nazaré aconselhava sabiamente, “amai o próximo como a vós mesmos”, numa notável lei de sabedoria para uma convivência pacífica e evolutiva na sociedade.

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Crónica (pág. 15)

Página 153 min

Tão significativo é o perdoar, para o equilíbrio e bem-estar de pessoas e coletividades, quando praticado, ou para desestruturação e desventura delas, se omitido, que nunca é de mais debatê-lo, estudá - -lo, divulgá-lo. O nosso Bom Pastor vincou bem a suma importância do perdão. Médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde, sabedores dessa grande importância, prestam-lhe hoje em dia imensa atenção como agente terapêutico, alguns mencionando explicitamente a noção evangélica do perdão.

Mas não apenas perdão para outrem: perdão também a si mesmo. Helen Schucman e William Thetford, professores de psicologia médica mostram no livro “Um Curso em Milagres” a irracionalidade e nocividade do sentimento de culpa. Quem errou não é culpado, explanam; deve lealmente reconhecer o erro mas trabalhar o natural sentimento de culpa transmutando-o em forte sentimento de responsabilidade e vontade de reparar o mal praticado.

Tratando assim a culpa (germe confirmado de enfermidades e desequilíbrios) inicia - -se o processo de restauro da autoestima, óbvio elemento e fator de equilíbrio emocional e orgânico. Mais uma vez, aí temos em ação a “alquimia” psíquica (quântica, diria Guimarães Andrade); assim como a evidenciar-se o acerto e profundeza da pedagogia evangélica, elucidando explicitamente não querer Deus a morte do “pecador” mas sim que se converta e viva (Ezequiel 33:11, 2 Pedro 3:9).

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Entrevista

Página 166 min

Segundo a Associação Mundial de Psiquiatria, uma relação equilibrada entre um indivíduo e uma conduta espiritualizada tem implicações na prevalência, diagnóstico, tratamento e até na prevenção de doenças mentais. Tem impacto na qualidade de vida e ajuda no combate ao stress causado pelo luto, pela depressão, auxiliando igualmente na prevenção do suicídio. Wander Lemos é psiquiatra e trabalha no Hospital André Luiz, em Belo Horizonte, no Brasil.

Para além da sua atividade profissional, é um estudioso da doutrina espírita e, muito em particular, dos escritos bíblicos. Era para estar no V Seminário de Medicina e Espiritualidade subordinado ao tema “As doenças físicas e psicológicas como reflexo dos desajustes da alma”, em Vale de Cambra, em 28 de maio. Na tarde do dia 5 de maio do ano passado antecipou-se esta entrevista. Escolheu psiquiatria porquê? Wander Lemos – É uma boa pergunta.

Quando comecei o curso sempre imaginei que fosse fazer qualquer área dentro da medicina menos psiquiatria, e com o decorrer do curso acabei por ir precisamente para esse lado. Fiz alguns estudos mais profundos em outras áreas – na neurologia, na pediatria, na oftalmologia, mas a psiquiatria chamou-me muito mais a atenção por causa do sofrimento humano. Acredito que o sofrimento, no aspeto mental, apelava muito à minha atenção.

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Literatura / Vídeo

Página 177 min

LITERATURA / VÍDEO Before the Flood * Um romance pedagógico O aquecimento global do planeta Terra é uma realidade que hoje ninguém pode negar. Grande parte dos ambientalistas defende que, o que for feito a partir de hoje já não irá conseguir impedir as consequências negativas que se projetam, mas ainda é possível amenizá-las e impedir que se confirmem cenários mais negros. O rápido degelo dos pólos, a expansão da área de solo desertificado, a diminuição da biodiversidade e o aumento em quantidade e gravidade dos fenómenos extremos como secas, inundações e furacões, são factos que se apresentam como consequências interligadas deste aumento de temperatura média global e que está também relacionado com o aumento dos níveis de gazes de efeito estufa.

O aumento deste tipo de gazes na atmosfera, principalmente a presença do dióxido de carbono e do metano, não pode ser dissociado da atividade humana e da forma como temos destruído os recursos naturais. A ameaça ecológica global iminente tem as impressões digitais humanas. Este documentário não pretende constituir uma análise científica à temática do aquecimento global, mas antes mostrar uma realidade indesmentível que permita ajudar ao desenvolvimenEsta obra do pedagogo e psicólogo da educação Walter Oliveira Alves, Araras, SPBrasil, contribui para conhecermos o nascimento da pedagogia moderna e do seu grande mentor ─ Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) ─ ainda o grande desconhecido da cultura luso-brasileira.

Não podemos perder de vista que naqueles tempos difíceis, segunda metade do século XVII e durante todo o século XVIII, a miséria material e moral (guerras, doenças, fome, abandono e orfandade, analfabetismo, ignorância e superstições) eram devastadoras na Europa. Uma minoria, muito pequena ─ rei, nobreza e clero ─ com a sua autoridade e descaso, dominavam e esmagavam o povo, tornando insuportável a sua vida. Temos assim a moldura sócio-cultural-económica, onde vão surgindo [reencarnando], aqui e ali, os luminares da época que ficariam na História conhecidos por iluministas, de que Pestalozzi, discípulo de Rousseau (1712-1778) é a figura central deste livro de Walter Alves.

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direitos reservados Entrevista a frequentadores Micaela Santos tem 30

Página 184 min

foto direitos reservados Entrevista a frequentadores Micaela Santos tem 30 anos, trabalha como administrativa, sendo natural de Caldas da Rainha, Portugal. Como conheceu o espiritismo? Micaela SantosDesde muito nova que tinha a sensação de ser diferente de outras crianças e a curiosidade de querer saber mais sobre mim e sobre tudo o que nos envolve enquanto seres humanos levou-me a aprofundar todas as minhas questões, que tinham de ter uma resposta.

Sem dúvida encontrei-as na doutrina espírita e na continuação do seu estudo. Sabia que? Reticente na aceitação do Espiritismo, mas sentindo, aos poucos, a fragilidade das suas convicções, William Crookes escreveu, em carta dirigida a um amigo, a poética declaração: “Sou, com relação às teorias espíritas, como um seixo na praia; ainda a água não me cobre mas, sinto que, a cada maré, vou sendo arrastado um pouco mais para o mar.

”? Em “Nosso Lar”, colónia espiritual próxima da Terra, dada a conhecer pelo Espírito André Luiz, a Lei do Trabalho é rigorosamente cumprida, tendo todos direito ao descanso após o trabalho, à excepção do Governador que trabalha sempre? Foi em 20 de junho de 1909 (ano em que viria a desencarnar) que César Lombroso anunciou em carta ao diretor da “Revista Internacional de Espiritismo Científico”, que já se encontrava na posse de uma editora de Turim (Itália), para publicação, aquela que viria a ser a última obra do grande criminologista italiano, “Ricerche sui Fenomeni Ipinotici e spiritici” cuja versão americana saiu com o título “After the death-What?

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Área importante: espiritismo e ambiente

Página 193 min

Mas… não é assunto ausente, ou pelo menos minoritário, nas abordagens feitas nas palestras dos centros espíritas? Esta entrevista – feita em Lisboa, poucas horas antes da conferência que André Trigueiro, jornalista de Além-mar, deu no Congresso Espírita Mundial – datada de outubro de 2016, deixou a primeira pergunta na edição anterior. Vem agora a segunda… É raro ouvir falar de temas ambientais numa associação espírita: como explica isso?

André Trigueiro – A doutrina espírita, enquanto filosofia espiritualista, no Brasil está fortemente esta vinculada ao aspeto religioso, e isso não corresponderia à visão cardequeana do que seja a doutrina. Nesse sentido, estamos muito preocupados em falar da reforma íntima, da reforma moral, sem considerar que a reforma moral passa por uma relação ética com a nossa casa comum. Espiritismo e ecologia: tema raro nas palestras Eu não estou a dizer nada de novo.

O papa Francisco, o ano passado, na sua primeira encíclica «Laudato si» (Louvado seja), inspirada no «Cântico das criaturas» de Francisco de Assis, sinalizou para mais de um bilião de católicos e para o Mundo o compromisso que ele pensa que a Igreja deve ter a favor de uma nova ética que pressupõe o cuidado nosso para connosco – auto-estima –, cuidado nosso para com o próximo. Eu preciso de inserir no meu aplicativo a presença dos outros de uma maneira saudável porque, se não for assim, eu não serei feliz.

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Última Tv

Página 203 min

Nupes: já conhece? Via internet, esta televisão on-line dá voz a pesquisadores com trabalhos voltados para espiritualidade. Lançada em 10 de maio de 2014 e somando 113 vídeos disponibilizados no Youtube, a TV Nupes é sucesso em diversos cantos do mundo, além, claro, do Brasil. Estados Unidos, Portugal, Reino Unido, Canadá, Alemanha e França são os países com mais espectadores depois do Brasil. Com o desafio de criar vídeos curtos, objetivos e acessíveis, mas não superficiais, sobre espiritualidade e ciência, a TV Nupes, do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da Faculdade de Medicina da UFJF, completou dois anos de existência e alcançou há um par de meses mais de 116 mil visualizações, em mais de 150 países.

Para Alexander Moreira-Almeida, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFJF e idealizador do canal, a TV Nupes tem um grande trunfo ao “desmistificar o conceito geral da população, no qual religiosos extremos negam fatos científicos em debates com pesquisadores, que, por sua vez, rebatem com agressividade, e mostrar o que realmente acontece no mundo académico acerca do debate entre ciência e espiritualidade, fugindo dos extremos”.

Outro ponto importante levantado pelo professor é a missão do canal de “traduzir” conceitos estritamente académicos, fazendo com que o conhecimento possa ser transmitido à população de maneira mais simplificada: “Há informações, mas, com formas muito académicas, não estavam a chegar à população. Com base nisso e dentro do papel do núcleo de gerar conhecimento novo, inserção social, e de levar informações relevantes para fora dos muros da universidade sobre o que há de melhor a respeito de ciência e espiritualidade, evitando extremos, buscamos refletir o debate atual na área, justamente pela falta de acesso e carência de informações.

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