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Jornal de Espiritismo nº 82 · Maio 2017Página 75 min

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O Livro dos Espíritos em português de Portugal apresentado em Braga Curiosamente, na mesma semana, foram apresentadas duas versões diferentes deste livro. Depois de em Viseu ter sido lançada uma tradução levada a cabo pela equipa da Associação Social Cultural Espiritualista, eis que em Braga é apresentada esta versão de que aqui damos notícia. A cidade de Braga foi escolhida por ter sido aí que grande parte do trabalho foi realizado, numa empreitada que já leva quase três anos.

Mas vamos por partes. A tradução é publicada pela Luz da Razão Editora em duas versões. Uma de capa mole e outra de capa dura. A versão de capa dura é uma edição limitada a 250 exemplares, numerados, e que pretende, também ser uma edição comemorativa, tanto dos 160 do lançamento original da obra como ser um livro especial que dignifique a própria tradução em si, sendo que desses 250 exemplares, 200 serão oferecidos a pessoas que estiveram envolvidas no projeto e a instituições de diversas áreas.

Apenas os outros 50 livros serão comercializados. A edição de capa mole será a versão normal do livro, que deverá chegar às assocações espíritas e, espera-se, a livrarias extra meio espírita. O evento decorreu no auditório do renovado Teatro da Escola Sá de Miranda, em Braga, uma escola que teve abertura em 1836, completamente condizente com o momento que A 18 de abril de 1857 era apresentado no Palai Royal, em Paris, por Allan Kardec, O Livro dos Espíritos.

Passados 160 anos e quatro dias foi apresentada uma tradução da mesma obra no português de Portugal na Escola Secundária Sá de Miranda, em Braga, num evento em que a equipa que encetou este projeto esteve presente. ali se viveu. Aproximadamente uma centena de pessoas estiveram presentes, entre amigos, interessados e dirigentes de algumas associções espíritas da zona norte do país. A sessão ficou marcada pela participação de diversas personalidades.

Depois de Jorge Santos ter dado as boas vindas aos presentes em nome da Luz da Razão, foi a vez de João Xavier de Almeida intervir. Sendo ele o autor do prefácio à edição apresentada, aproveitou para fazer uma contextualização histórica de O Livro dos Espíritos, da importãncia desta no contexto cultural e espiritual da humanidade e da oportunidade para os portugueses e para os leitores em português de Portugal, que é o lançamento deste livro, pelo cuidado que os tradutores dedicaram ao trabalho, mantendo o rigor das ideias de Kardec numa abordagem mais simples e direta que facilitará a leitura aos leitores do nosso século.

Uma nota ainda pela gratidão manifestada por João Xavier aos tradutores brasileiros que há muito tempo realizaram, também eles, este trabalho, assumindo que os espíritas portugueses muito devem a estes tradutores e que, não fossem eles, o movimento português não seria o que é. Noémia Guerra Margarido foi outra das convidadas a falar e, com a sobriedade que lhe é reconhecida, manifestou gratidão pela oportunidade de ter participado ativamente na revisão de textos da obra tendo afirmado que colaborar nesta tradução foi, para ela, a mais prazerosa de todas as colaborações que teve na divulgação do Espiritismo em Portugal, não só pelas características de todo o trabalho em si mas, acima de tudo, pela importância e pelo siginifcado que este trabalho representa, deixando o registo que, na sua opinião, existirá um momento marcado pelo antes e depois da existência desta tradução em Portugal.

Sonia Passos, das Oficinas São José, gráfica que imprimiu os livros, veio manisfestar a sua alegria e satisfação por ter sido possível concretizar o trabalho de forma digna e eficaz, percebendo a importância que o livro em questão representa para o meio espírita português. Finalmente a vez dos tradutores. Um casal, Maria da Conceição Brites e José Sebastião da Costa Brites. Duas pessoas que ficarão, para sempre, ligados à história do Espiritismo em Portugal.

Primeiro a Sãozinha, como gosta de ser tratada pelos amigos, veio dar uma noção do trabalho realizado, dos métodos utilizados e das técnicas às quais recorreram para realizar a tradução direta da 2ª edição em francês de O Livro dos Espíritos de 1860. Vários pormenores foram abordados, desde a questão da escolha criteriosa e cuidada das palavras utilizadas na tradução, ao abandono da tradução à letra, que se pode encontrar noutras traduções em português, e ainda, numa referência que intitularam como “as palavras têm alma”, afirmou que mais do que traduzir palavras, traduziram ideias, procurando ser sempre fieis às intenções de Allan Kardec procurando manter o rigor da obra em toda extensão desta tradução.

De realçar que para fazerem esta tradução não se limitaram a seguir a obra original, tendo-se servido também das traduções dos brasileiros Guillon Ribeiro e José Herculano Pires, da tradução do inglês de Anna Blackwell, contemporânea de Kardec e da tradução em castelhano do argentino Alberto Giordano de 1970, como que mantendo um “diálogo” com estes tradutores na busca das palavras certas para a tradução das ideias dos Espíritos e de Allan Kardec em todo O Livro dos Espíritos.

José Sebastião da Costa Brites, com uma abordagem mais emotiva, manifestou a alegria de ter conseguido, finalmente, trazer este livro a público. Depois de alguns anos de trabalho, foi possível materializar aquilo que, no início, foi uma tradução para si próprio, visto ter-se habituado desde sempre, nos seus estudos espíritas, a consultar o original francês. Com o tempo percebeu que aquilo que era uma tradução familiar e pessoal poderia tornar-se em algo publicável e útil.

Sendo que o português falado e escrito no Brasil é diferente do nosso português e após tantos anos desde a publicação do orginal francês, esta seria a oportunidade de colocar a circular uma tradução portuguesa de raiz, numa liguagem mais simples e direta muito mais compreensível pelo leitor do século XXI, sendo ele espírita e, muito mais ainda, não o sendo. Entendendo que os leitores de hoje não são os leitores dos séculos XIX ou XX, que estão habitados a uma linguagem bem diferente da utilizada na época de Allan Kardec, já era tempo de existir em Portugal alguma coisa que estivesse mais condizente com as características e exigências dos dias de hoje.

José Brites anunciou ainda que todo o resumo do trabalho que realizaram está disponível na internet no link https://palavraluz.wordpress.com/ Pelo meio houve tempo ainda para a apresentação de uma reportagem em vídeo em que se relata um pouco da história do Espiritismo, do trabalho de Allan Kardec e de como surgiu O livro dos Espíritos que contou com a apresentação de entrevistas realizadas a José Lucas, Carlos Ferreira, Noémia Margarido e ao próprio José Brites, numa reportagem que ficará brevemente disponível no canal do Youtube da Luz da Razão.

No final seguiu-se a habitual sessão de autógrafos num ambiente muito descontraído e festivo. Maria da Conceição Brites faz a apresentação técnica da tradução O Livro dos Espíritos versão capa dura José Sebastião da Costa Brites MAIO.JUNHO.