Crónica (pág. 15)
Jornal de Espiritismo nº 82 · Maio 2017Página 153 min
Tão significativo é o perdoar, para o equilíbrio e bem-estar de pessoas e coletividades, quando praticado, ou para desestruturação e desventura delas, se omitido, que nunca é de mais debatê-lo, estudá - -lo, divulgá-lo. O nosso Bom Pastor vincou bem a suma importância do perdão. Médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde, sabedores dessa grande importância, prestam-lhe hoje em dia imensa atenção como agente terapêutico, alguns mencionando explicitamente a noção evangélica do perdão.
Mas não apenas perdão para outrem: perdão também a si mesmo. Helen Schucman e William Thetford, professores de psicologia médica mostram no livro “Um Curso em Milagres” a irracionalidade e nocividade do sentimento de culpa. Quem errou não é culpado, explanam; deve lealmente reconhecer o erro mas trabalhar o natural sentimento de culpa transmutando-o em forte sentimento de responsabilidade e vontade de reparar o mal praticado.
Tratando assim a culpa (germe confirmado de enfermidades e desequilíbrios) inicia - -se o processo de restauro da autoestima, óbvio elemento e fator de equilíbrio emocional e orgânico. Mais uma vez, aí temos em ação a “alquimia” psíquica (quântica, diria Guimarães Andrade); assim como a evidenciar-se o acerto e profundeza da pedagogia evangélica, elucidando explicitamente não querer Deus a morte do “pecador” mas sim que se converta e viva (Ezequiel 33:11, 2 Pedro 3:9).
Avancemos agora para a sexta petição da Oração Dominical: “não nos deixeis cair em tentação”. Os espíritos superiores classificam o mundo em que vivemos como de provas e expiação (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. 3.º). A Humanidade que o habita, para desenvolver-se e evoluir está naturalmente exposta a imensa variedade de influências materiais e psíquicas; umas benfazejas, úteis, outras maléficas e nocivas. As primeiras originam-se em pessoas de bem e/ou que nos querem bem, se sentem felizes com o nosso equilíbrio e bem-estar, assim como em espíritos familiares, benevolentes, com missão específica de proteger e inspirar os habitantes da Terra.
A influenciação perversa e nociva provém de pessoas mal-intencionadas, perturbadas, e/ou de espíritos com essas caraterísticas, como também das nossas próprias tendências más, resquício de fases anteriores, mais rudimentares, do nosso processo evolutivo. Na harmonia e perfeição essenciais do Universo, todas em última análise convergem sempre e só para o irreversível desenvolvimento evolutivo dos seres, pese embora o imediatismo de qualquer aparência em contrário.
Elucida-nos “O Livro dos Espíritos”, questão 459: “Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?” Resposta: “Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem”. Já dotados de razão e de livre arbítrio, nas diversas situações de vida terrena assiste-nos a faculdade de livremente escolhermos entre o bem e o mal; assim estabelecemos sintonias psíquicas, afinidades, com seres encarnados e desencarnados da mesma tónica mental em que vibramos.
Consoante a natureza pura e sadia ou insalubre e maldosa, dos nossos pensamentos, assim atraímos companhia espiritual salutar, benfazeja, protetora, ou o seu contrário. Podemos pois originar situações de “tentação”, mas sob nossa efetiva responsabilidade, devido às sintonias mentais que cultivamos. Ainda aí, a razão adverte-nos do perigo de errar, da necessidade de amparo e lucidez; e podemos orar para os atrair, fazendo prevalecer o bom senso de “não cairmos em tentação” e preservarmos a paz de consciência.
Podemos pois dar as tentações como úteis e necessárias ao autoconhecimento e aperfeiçoamento dos seres, assim como excelente ensejo para têmpera e educação da vontade, por cada superação conseguida rumo à plenitude. Por João Xavier de Almeida Novas de alegria – 13 foto arquivo O perdão, constante da quinta petição do Pai Nosso e das duas últimas crónicas sobre ele publicadas neste Jornal, é tema vasto e muito relevante, abordado por numerosos autores em perspetiva não apenas religiosa mas também de saúde pública e pessoal.
Já dotados de razão e de livre arbítrio, nas diversas situações de vida terrena assiste-nos a faculdade de livremente escolhermos entre o bem e o mal; assim estabelecemos sintonias psíquicas, afinidades, com seres encarnados e desencarnados da mesma tónica mental em que vibramos. MAIO.JUNHO.
