Literatura / Vídeo
Jornal de Espiritismo nº 82 · Maio 2017Página 177 min
LITERATURA / VÍDEO Before the Flood * Um romance pedagógico O aquecimento global do planeta Terra é uma realidade que hoje ninguém pode negar. Grande parte dos ambientalistas defende que, o que for feito a partir de hoje já não irá conseguir impedir as consequências negativas que se projetam, mas ainda é possível amenizá-las e impedir que se confirmem cenários mais negros. O rápido degelo dos pólos, a expansão da área de solo desertificado, a diminuição da biodiversidade e o aumento em quantidade e gravidade dos fenómenos extremos como secas, inundações e furacões, são factos que se apresentam como consequências interligadas deste aumento de temperatura média global e que está também relacionado com o aumento dos níveis de gazes de efeito estufa.
O aumento deste tipo de gazes na atmosfera, principalmente a presença do dióxido de carbono e do metano, não pode ser dissociado da atividade humana e da forma como temos destruído os recursos naturais. A ameaça ecológica global iminente tem as impressões digitais humanas. Este documentário não pretende constituir uma análise científica à temática do aquecimento global, mas antes mostrar uma realidade indesmentível que permita ajudar ao desenvolvimenEsta obra do pedagogo e psicólogo da educação Walter Oliveira Alves, Araras, SPBrasil, contribui para conhecermos o nascimento da pedagogia moderna e do seu grande mentor ─ Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) ─ ainda o grande desconhecido da cultura luso-brasileira.
Não podemos perder de vista que naqueles tempos difíceis, segunda metade do século XVII e durante todo o século XVIII, a miséria material e moral (guerras, doenças, fome, abandono e orfandade, analfabetismo, ignorância e superstições) eram devastadoras na Europa. Uma minoria, muito pequena ─ rei, nobreza e clero ─ com a sua autoridade e descaso, dominavam e esmagavam o povo, tornando insuportável a sua vida. Temos assim a moldura sócio-cultural-económica, onde vão surgindo [reencarnando], aqui e ali, os luminares da época que ficariam na História conhecidos por iluministas, de que Pestalozzi, discípulo de Rousseau (1712-1778) é a figura central deste livro de Walter Alves.
Pestalozzi é uma personagem suíça, incontornável para compreendermos a génese da doutrina codificada por Allan Kardec (1804- 1869) ─ o Espiritismo. Pois, o menino Rivail esteve entregue aos seus cuidados, em Yverdon, durante sete anos ─ de 1815 a 1822 ─ onde consolidaria a tolerância inata, compreendendo as diferenças sociais, linguísticas e religiosas, aprimorando assim o seu carácter e, também, desenvolvendo o poder de observação, nas aulas no campo, estudando in loco os minerais, as plantas e os animais, no seu estado natural.
Essas lições seriam decisivas para a obra que o esperaria no futuro, em Paris. Infelizmente a vida e obra de Pestalozzi nunca despertaram interesse nos meios culturais portugueses e brasileiros, salvo raras excepções, não sendo por isso traduzida, o que não aconteceu com os povos germânicos, eslavos e saxónicos, em particular, que traduziram toda a sua obra e biografias, com sucessivas edições, até ao presente. O que conhecemos da sua vida deve-se aos biógrafos de Allan Kardec, como o lionês Henri Sausse (1852- 1928) que nos deixou em 1896 a primeira biografia do Codificador, que nos descreve como foi determinante o seu encontro com Pestalozzi, no célebre Instituto de Yverdon; em 1961, o seu compatriota André Moreil, publica uma segunda biografia do Codificador, onde também vinca a importância de Pestalozzi na sua vida e obra.
No início da década de 1980, para se comemorar os centenários da revista «Reformador» (1883- 1983) e da Federação Espírita Brasileira (1884- 1984), Francisco Thiesen (1927-1990) e Zêus Wantuil (1924-2011) elaboraram em conjunto uma bio-bibliografia de Allan Kardec em três volumes, cujo primeiro volume é dedicado integralmente à vida do jovem Rivail em Yverdon e ao seu mestre Pestalozzi. Registamos, também, os estudos sobre Pestalozzi da pedagoga espírita Dora Incontri, de São Paulo, Brasil.
Por fim não poderíamos deixar de registar, ainda, uma pequena biografia do filósofo português Agostinho da Silva (1906-1994), intitulada «A vida de Pestalozzi», publicada em 1938, pela “Seara Nova”. Com este romance pedagógico de Walter Oliveira Alves, ficamos a conhecer melhor a obra do célebre pedagogo suíço, essencial para podermos compreender o seu pensamento, os seus ideais: «As Horas Noturnas de um Ermitão» (1780), onde encontramos os seus pensamentos e reflexões; «Leonardo e Gertrudes», em quatro volumes, o primeiro em 1781, depois em 1783, 1785 e 1787, respectivamente; a famosa «Carta de Stans» (1800) considerada património pedagógico da Humanidade; «Como Gertrudes ensina seus filhos», a sua “obra mais preciosa”, constituída por 14 to de uma consciência mais sensível e lúcida sobre as graves ameaças que pairam sobre os recursos naturais que alimentam literalmente as nossas vidas.
Para conseguir esse objectivo, somos conduzidos como numa excursão à volta do mundo, em que um guia famoso nos vai apontando diferentes ecossistemas, mostrando a forma como eles se debatem e, como vão mudando, perante as sucessivas agressões que lhes são infligidas. Realizado por Fisher Stevens e com produção executiva de Martin Scorsese, o documentário acompanha os périplos à volta do mundo do actor Leonardo DiCaprio, nomeado para Mensageiro da Paz para as alterações climáticas pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Ao mesmo tempo em que ele nos aponta algumas evidências desta ameaça global, procura encontrar soluções que permitam enfrentar este grande desafio. Para isso, entrevista cientistas, activistas ambientais, empresários como Elon Musk, fundador da Tesla Motors, políticos como Barack Obama e John Kerry, líderes religiosos como o Papa Francisco e ainda pessoas comuns cujas vidas já são afectadas por este problema real. A mensagem mais importante é dirigida às pessoas, instigando-as para que acordem de uma vez por todas para um problema que vai afetar directamente as suas vidas, a dos seus filhos e netos.
O NYTimes publicou um estudo muito curioso em que mostrava que, apesar de grande partequase 70% dos americanospensarem que o aquecimento global iria causar grandes prejuízos aos EUA, apenas uma pequena parte acreditava que seria pessoalmente afectado. Que ninguém se engane, os danos serão globais e as consequências também. Este documentário faz bem o seu trabalho de inspirar um público vasto para a urgência de transformarmos comportamentos e hábitos, tornando mais eficiente a forma como produzimos e como consumimos para que se ajustem a um modelo de desenvolvimento sustentável, já assumido pelas Nações Unidas como algo indispensável.
Para atingirmos esse objectivo é imprescindível em primeiro lugar que cada um de nós sinta isso como uma necessidade imperiosa. Apenas através dessa sustentabilidade ecológica, social e económica será possível a construção de um mundo mais justo, solidário e ecologicamente saudável. A humanidade já possui o conhecimento, a inteligência e a tecnologia para criar essas condições de sustentabilidade e de igualdade mas falta sobretudo vontade efectiva, falta colocarmos as nossas imensas qualidades ao serviço do bem comum e não dos interesses comezinhos habituais.
Falta a indispensável coerência com as leis naturais que regem o mundo e a vida. *O título não tem tradução oficial para Português. Foi inspirado na obra do século XVI “The Garden of Earthly Delights” do pintor Holandês Hieronymous Bosch, em que a 2ª tela representa uma humanidade ocupada em alimentar os seus vícios antes de um grande dilúvio que se avizinha. Leonardo DiCaprio usa-a como uma metáfora para a situação actual do nosso planeta.
Título Original: “Before The Flood” Realizado por Fisher Stevens e Leonardo DiCaprio EUA, 2016 – 96 min. Por Carlos Miguel cartas escritas, a partir de 1801, ao seu amigo e editor Enrico Géssner, de Zurique; «O canto do cisne» (1826). Nenhuma destas obras foi traduzida para o português, bem como nenhuma das suas biografias das quais destacamos a de Heinrich Morf e a de Roger de Guimps. Lembramos que Pestalozzi foi um grande admirador e discípulo de Rousseau (1712-1778), de cujas obras Emílio e Contrato Social, ambos de 1762, foram seus livros de mesa-de-cabeceira.
Obras que deram a sua quota-parte para diluir o poder da nobreza e do clero, nesse século, que ficaria conhecido por “Século das Luzes”. Para Rousseau, como para Pestalozzi, a criança nasceu pura, ideia considerada blasfema e demoníaca para as Igrejas (católica e reformadas), que tinham como dogma o “pecado original”, por isso foram desprezados e perseguidos. Neste livro vamos encontrar referências aos grandes iluministas que prepararam o caminho para a era da liberdade e da razão.
Registamos ainda os nomes de Anna Schulthess Pestalozzi (1738-1815) abnegada esposa; Elizabeth Näf, mulher extraordinária que o serviu e à esposa como doméstica, durante 11 anos, sem nada exigir; Lavater (1741-1801), seu amigo; Alexandre Antoine Boniface (1785-1841), discípulo de Pestalozzi, autor da melhor gramática francesa da época e protector do jovem Rivail; Fröbel (1782-1852), criador dos “Jardins de Infância”, inspirados na obra de Pestalozzi com quem esteve de 1807 a 1809.
Por Carlos Alberto Ferreira MAIO.JUNHO.2017 IMPRESSÃO DIGITAL Durante o sono, nem sempre a alma se afasta do corpo físico, parecendo, algumas vezes, dormir ao lado dele?
