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André Trigueiro já deixou outras respostas em edições anteriores

Jornal de Espiritismo nº 83 · Julho 2017Página 193 min

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Esta entrevista – feita em Lisboa, poucas horas antes da conferência que este jornalista de Além-mar deu no Congresso Espírita Mundial – datada de outubro de 2016, dá lugar agora a uma nova questão. Há mesmo um ecocídio em curso no planeta Terra ou é um exagero dizer isso? André Trigueiro – Na verdade o ecocídio está claramente configurado a partir de dados científicos.

Não filosóficos, não religiosos, mas científicos. Nos últimos 40 anos dizimámos mais de 50% dos animais selvagens do planeta. Houve cinco extinções em massa de animais no mundo, todas as cinco causadas por cataclismos da natureza. Nós somos a sexta causa de extinção em massa da biodiversidade. Por ano desaparecem do mapa 5 milhões de hectares de floresta, que é o saldo entre o que é desmatado e o que se tenta revegetar.

Por ano, temos um défice de 5 milhões Espiritismo e ecologia: ecocício? de hectares de floresta! Isso implica na destruição da biodiversidade, na escassez de água doce limpa, na desertificação do solo e na mudança do clima. Em 2016, na África do Sul, um congresso internacional de geólogos deu início a um processo de investigação, com um protocolo assente na categoria dos geólogos virem a investigar se já não seria o momento de denominarmos a nova era geológica, chamada Antropoceno.

Antropoceno significa que pela primeira vez na história do planeta uma só espécie determina também a mudança no «software» inteligente da vida. A vida já não consegue ser explicada sem nós. E isso não é um elogio… A mim parece-me que já dispomos de elementos de convicção suficientes para: 1) Reconhecer que o planeta em que vivemos está a tornar-se progressivamente hostil à nossa presença; 2) Isso acontece principalmente pelos nossos hábitos, comportamentos, estilos de vida e padrões de consumo; 3) Ou corrigimos o rumo ou pereceremos.

Porque o planeta não depende de nós. Nós dependemos do planeta. Há um livro de Jared Diamond intitulado «Colapso», como as sociedades escolhem o sucesso ou o fracasso, em que ele demonstra com muita competência a razão pela qual, segundo os antropólogos e arqueólogos, diferentes civilizações do passado em diferentes momentos da história desapareceram do mapa. Vikings, maias, o povo da Ilha de Páscoa, entre outros. Isso é ciência.

A investigação dos sítios arqueológicos e os testes de carbono identificam a idade dos vestígios e a ordem sequencial de eventos que existem hoje nesses lugares: demonstram que essas civilizações desapareceram a partir do momento em que deixaram de ser sustentáveis. Traço comum a todas elas: falta de água doce potável. E isso é algo que se repete em escala no mundo. O mundo não precisa de mais informação científica para tomar a decisão certa na direção de uma outra cultura.

Não precisamos de líderes religiosos a denunciar a necessidade da mudança, não precisamos de mensagens psicografadas a falar sobre isso: as evidências estão aí! Se ainda assim escolho seguir em contramão, e realizar movimentos contrários à resiliência do planeta, e isso acontece em escala, é ecocídio. Suicídio é o ato voluntario, ainda que sob perturbação, do auto-extermínio. Ecocídio é o ato comum a muitos de nós, cientes do risco, que pagamos para ver, pois achamos que não vai acontecer agora.

Ecocídio. Então, estamos a viver uma situação-limite. Ecologia não é uma ciência exata. Não é possível precisar por quanto tempo a Terra nos suportará. Entretanto, os sinais de falência múltipla dos ecossistemas que proporcionam à humanidade água, matéria-prima e energia é um dado real e mensurável. E a gente está, diria, a desperdiçar tempo e energia, não fazendo a mudança no tempo em que precisa de ser feita. foto locomotiv SUSTENTÁVEL Ecocídio!

É de prevenir. Tal qual ocorre com o suicídio, a pior maneira que alguém pode encontrar com vista a deixar a vida material. Antropoceno significa que pela primeira vez na história do planeta uma só espécie determina também a mudança no «software» inteligente da vida. A vida já não consegue ser explicada sem nós. E isso não é um elogio… JULHO.AGOSTO.