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Capa da edição nº 83 do Jornal de Espiritismo

83Jornal de Espiritismo nº 83

Julho 2017 · 20 secções · ≈ 66 min de leitura

A edição 83 do Jornal de Espiritismo aborda a comunicação em diversos níveis, desde o celular ao espiritual. Apresenta uma reportagem sobre as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, com destaque para a análise estatística de reuniões mediúnicas. Inclui uma crônica sobre intuição e um conto sobre obediência e trabalho. A seção "Correio" esclarece dúvidas de leitores sobre a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), sessões espíritas e mediunidade.

Espiritismo
Jornadas Espíritas
Mediunidade
Comunicação
Moral Espírita
Dúvidas Espíritas

Capa

Página 11 min

JULHO.AGOSTO.2017 83 ANOXIV JDE JULHO . AGOSTO . 2 0 1 7 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Ao todo foram expostos sete posters nas Jornadas de Cultura Espírita do Oeste que decorreram no Centro de Congressos de Caldas da Rainha de 29 a 30 de abril. Um deles foi sobre “Reuniões mediúnicas: uma análise estatística”. Ouvimos os autores… 8 REPORTAGEM JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA DO OESTE O evento deu que falar!

foto ulisses.com.pt Reuniões mediúnicas: uma análise estatística 15 CRÓNICA INTUIÇÃO “Usa-a”: este foi o conselho recebido… 17 LITERATURA “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” “O Livro dos Espíritos” surgiu há 160 anos! 19 SUSTENTÁVEL ECOCÍDIO? Mais vale prevenir que remediar. 10 JULHO.AGOSTO.

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Editorial / Conto

Página 24 min

EDITORIAL / CONTO Informar, participar, avisar! Anda por aí o entendimento do que seja isso, comunicação. Poderá ter acontecido que já trocávamos informações antes de saber o que isso era? Decerto. Uma necessidade imperiosa paira na evolução do ser imperecível e reflete conteúdos e processos mediante o degrau evolutivo de um dado momento. A nível atómico, os eletrões volteiam em roteiro luminoso sob o chamamento irresistível das partículas de carga positiva no núcleo, os protões.

Agregadas por afinidades, há moléculas aos molhos que se encantam e caem nos braços umas das outras em atração incontornável. Na intimidade de inúmeras células, vegetais ou animais, há troca de informações vitais para a sobrevivência da máquina biológica. Progenitores em número inenarrável situados em vários nichos ecológicos na sustentação da vida em plena natureza trocam mensagens protetoras e afetivas com os juvenis.

Mais ainda quando gregários, sobretudo no caso de enxames de insetos alados, de bandos de aves, de répteis e de grupos de mamíferos, desenvolvem interações múltiplas de comunicação e entendimento enquanto catalizam a produção de uma linguagem incipiente mas eficaz. O ser humano, porém, desdobra-a noutros patamares. Animado pelo impulso devastador da territorialidade, informava- se e comunicava no vozerio guerreiro, sem contudo perder por completo a voz doce da paternidade no lar.

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Correio

Página 36 min

Faz sessões espíritas? Ricardo indaga por e-mail: «Tive oportunidade de conhecer os vossos serviços pelos meios de comunicação de televisão e fiquei curioso. O tema que se falava era sobre casas assombradas e quem estava a responder às questões, pela parte a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), era José Lucas. Estive a verificar o vosso site e reparei que também existe uma “sede”, na zona de Setúbal, que é o local mais perto da zona onde habito.

Mas a minha questão, e o que acho ser mais relevante e de certa importância para mim, é perguntar-vos se a ADEP pertence ou está ligada de alguma forma à Igreja? Eu respeito a Igreja e todos os que nela são crentes, mas não sou um integrante da mesma ou associado a crenças religiosas. Contudo, acredito no espiritismo e em todos os seus constituintes. Acredito que muitos ficam por cá, por motivos alheios, uns para amar, para apenas matar saudades e ver toda a nossa vivência e tomar conta dos membros familiares, mas também outros que estão determinados a causar o sofrimento, afastar as pessoas, fazer mal fisicamente etc.

Em resumo, acredito em temas relacionados com Espiritismo. A ADEP faz sessões espíritas, aceitando que outros membros fora da associação possam participar? Existe a possibilidade de aceitarem novos membros na ADEP? A ADEP faz a promoção de si própria em locais públicos para o povo assistir? Se sim, quando a próxima? Sem mais de momento, agradeço a vossa disponibilidade e o desempenho que têm tido. Com os meus maiores cumprimentos me despeço».

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Divaldo Franco em Portugal

Página 45 min

FEP Encontro Cultural Espírita DIVALDO FRANCO EM PORTUGAL De acordo com o «Livro dos Espíritos», no despertar de sua consciência, o indivíduo tem o prelúdio das sensações. À medida que se desenvolve moral e intelectualmente, surgem os sentimentos. Logo, com a progressão de seus campos moral e intelectual, na vivência das Leis Divinas, relaciona-se melhor com seus semelhantes, compreendendo como Deus é presente em si, confirmando que o Amor é o requinte desses sentimentos e reforça essa progressão.

Em todas essas fases, a Arte auxilia para que o ser (espírito) tenha novas percepções de sua vivência, ainda mais quando a Arte é construtiva, alimentando-o para a reflexãoeo autoconhecimento. Com o propósito de trazer mecanismos e aproA convite da Federação Espírita Portuguesa (FEP) irá estar em Portugal, o maior divulgador do Espiritismo a nível mundial, Divaldo Pereira Franco, espírita, um dos fundadores da maior obra social espírita do Brasil (Mansão do Caminho).

Médium, com mais de 200 livros ditados por dezenas de seres espirituais, conferencista mundialmente requisitado e Embaixador Mundial para a Paz, divulgando a mensagem espírita de imortalidade do Espírito, da reencarnação e da Lei de causa e efeito, Divaldo Franco é um dos maio - “Fazer o bem, fazer o belo”: em torno desta temática, lembra-nos o «Livro dos Espíritos» que, no despertar de sua consciência, o indivíduo tem o prelúdio das sensações.

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Opinião

Página 53 min

Terrorismo, Trump, ambiente, espiritismo A Terra vive em sobressalto permanente, abalada pelos vírus da guerra, da ganância, da corrupção generalizada, da falta de civismo, falta de respeito pela Natureza, entre tantas outras arbitrariedades que cometemos connosco, com o planeta e consequentemente com as outras pessoas. Aquando de um atentado terrorista, logo aparecem mil e um fazedores de opinião, nas televisões, dissecando as possíveis causas e experimentando eventuais soluções.

A causa? Os bandidos dos terroristas… Aquando da eleição do líder americano mais repudiado até hoje, e vendo as suas atitudes irresponsáveis no governo de um dos países mais militarizados do mundo, os sociólogos, politólogos e outros especialistas, esmeram-se em descortinar explicações para o aparentemente inexplicável. A causa? Os incultos dos norte-americanos… Colhendo os efeitos dos desmandos no planeta, como a poluição, as desmatações, entre tantas outras maldades cometidas contra a Mãe Natureza, logo aparecem os especialistas em ambiente, dissecando mil e um culpados, causas e possíveis soluções.

A causa? Os malandros das multinacionais… Curiosamente, nestas situações fracturantes e decisivas para o bem-estar no planeta Terra, raramente aparecem espíritas a comentar o porquê das coisas e a cogitar de possíveis soluções. Mas o que tem o Espiritismo a ver com isto? No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, publicado em França em 1864, podemos encontrar trechos do Novo Testamento explicados com uma linguagem actual, simples, esclarecedora, bem como mensagens de Espíritos que, à época, deixaram alguns comentários a esses mesmos textos de índole moral.

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Breves

Página 63 min

Pintura mediúnica na cidade do Porto O Instituto do Pensamento Crístico (IPC), associação sem fins lucrativos que fica na Rua Rodolfo Araújo, n.º 162 -1.º S/25 - 4000-414 Porto, numa quinta-feira, dia 18 de maio, às 21h00, recebeu o médium de psicopictoriografia Florêncio Anton. Com entrada livre, afluiu ali muita gente para observar o fenómeno. Correção: primeiro museu espírita Este Jornal noticiou a inauguração solene do Museu Maria Gonçalves, em Viseu, promovida em Janeiro passado pela Associação Social Cultural Espiritualista, daquela cidade.

O texto que assinei refere-o como o primeiro museu espírita do nosso País. Não é exato. Deu-mo a saber, amavelmente, a confreira Maria Manuela Vasconcelos, reconhecida estudiosa da historiografia espírita portuguesa, autora de vários livros editados sobre a matéria. Informou-me que o primeiro museu espírita em Portugal foi o da Federação Espírita Portuguesa, inaugurado em 1952 com a presença de confrades nossos de países europeus e sul-americanos, incluindo o Brasil.

Dando o seu a seu dono, aqui ficam as minhas desculpas. Rejubilamos com a feliz realização que é o museu viseense; mas vir a lume o triste “sumiço” do que fora o nosso primeiro museu, revolve dolorosa chaga dos espíritas portugueses: a democracia que somos desde 1974, e malgrado o imenso esforço judicial e administrativo da F.E.P., tão indignamente não a ressarciu até hoje pelo esbulho de avultados bens federativos, como indignamente a ditadura lhos confiscara.

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Breves (pág. 7)

Página 72 min

foto aee Alentejo, onde as planícies se perdem de vista e a força da terra marca o tempo que tanta história conta, histórias que vale a pena recordar, conhecer e sobre elas escrever novas linhas. Este Alentejo de tanto encanto é a maior região do país, maior nas suas dimensões geográficas, mas hoje, maior também na necessidade de alimento para a alma já que o trigo de que se faz o pão continua a brilhar ao sol de cada dia.

A Associação Espírita de Évora (AEE) à semelhança dos anos anteriores promoveu o Encontro Espirita no Alentejo, com o sentido de levar a Doutrina Espírita para fora das portas da Associação. No passado dia 9 de abril, a AEE organizou, com o apoio da FEP, o Encontro Espírita no Alentejo, desta vez na cidade de Beja, procurando não só difundir a Doutrina Espírita por todo o Alentejo mas também levá-la de volta à cidade de Beja, que no início do século XX era considerada o principal núcleo do Espiritismo no Alentejo.

Vale a pena recordar, ou até dar a conhecer que em Beja existia o Centro Espirita Espiritismo em Terras alentejanas “Reflexos da Verdade”, o jornal “Voz do Além” e todo o Alentejo contava com dezenas de localidades recenseadas no movimento espírita à época. O Encontro Espírita no Alentejo deste ano teve lugar no auditório do NERBE (Núcleo Empresarial da Região de Beja) e foi subordinado ao tema “A Vida Além da Morte”.

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Reportagem

Página 83 min

«Estamos interligados com tudo à nossa volta». A voz de Carlos Miguel, da cidade do Porto, ecoa no vasto auditório na tarde do primeiro dia de conferências. Aborda um tema inabitual no movimento espírita, «Terra: que futuro ecológico?», e relaciona o assunto com a paz, tema central do certame. «Aquilo que afeta a minha família e os meus amigos», continua, «afeta-me, mas aquilo que afeta o meu país, o que afeta o meu planeta também me afeta a mim», e acentua: «O problema é que achamos que somos ilhas».

Insiste: «Apontamos os outros seres vivos como natureza e afastamo- nos dela - «Que bonita é a natureza!». Nós somos natureza, fazemos parte dela». Conclui: «Continuar a achar que todas estas consequências não vão criar instabilidade social, económica, ambiental e não nos vai afetar diretamente não faz sentido». Cita o exemplo da crise na Síria, refere a génese climática do conflito, e as civilizações que Jornadas de Cultura Espírita: Fazer a paz foto josébraga ruíram pela escassez de água potável.

Sugere que é para ontem a mudança de comportamentos que degradam os ecossistemas naturais que geram boas condições de vida sustentável para o ser humano e demais seres vivos. O evento já vai solto nesta primeira tarde, mas antes, com direito na abertura a palavras de boas-vindas do presidente da Câmara Municipal da cidade, Tinta Ferreira, a exemplo do ano passado, a primeira conferência coube a Clóvis Nunes que dissertou sobre «Cultura de paz e espiritualidade».

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Reportagem (pág. 9)

Página 91 min

fotos ulisses.com.pt Momento Cultural “A minha primeira vez num centro espírita” Joana Fahrat e José Lucas “Centro (espírita) da Paz Amélia Reis “Terra: que futuro ecológico?” Carlos Miguel “A dor total” Paula Silva JULHO.AGOSTO.2017

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Centrais (pág. 11)

Página 115 min

Ao todo foram expostos sete posters nas Jornadas de Cultura Espírita do Oeste que decorreram no Centro de Congressos de Caldas da Rainha em 29 e 30 de abril. Um deles foi sobre “Reuniões mediúnicas: uma análise estatística”. Vamos ouvir os autores? As reuniões mediúnicas são habituais nas associações espíritas. Normalmente de periodicidade semanal podem ter vários ângulos de abordagem, mas regra geral pretendem auxiliar quem já partiu para o Plano Espiritual e se encontra em perturbação.

Não é decerto o que acontece com muita gente, ficar em perturbação durante anos, mas o serviço foca os que precisam de estímulo para se reerguerem para uma vida feliz. Ao longo desses minutos de esclarecimentos prestados através de médiuns psicofónicos em transe, pelos quais se manifestam essas entidades espirituais dentro de condições controladas, há inevitavelmente muitos dados que emergem. Se não forem anotados em breve esvaem-se pelas malhas da memória.

Com base neste facto, um grupo constituído por alguns dos membros de duas associações espíritas portuguesas, distanciadas entre si mais de 200 quilómetros, colaborou e teve oportunidade de iniciar o presente estudo. Este teve por objetivo «apurar os dados emergentes e configurá-los em gráficos que possam dar uma visão de conjunto sobre as informações recolhidas durante a conversa de esclarecimento», sublinham. Voltando a abril, no auditório mencionado, ouve-se a voz de uma jovem estudante de medicina, Joana, co-autora do trabalho, quando interpelada pelo moderador da mesa-redonda: «Uma das conclusões mais interessantes a que chegamos foi que, apesar de 76% dos Espíritos comunicantes acreditarem em Deus, estavam necessitados de ajuda» e, «depois, 99,55%, ou seja, 220 casos dos 221 casos que analisámos, após esclarecimento seguiram bem encaminhados na vida espiritual».

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Opinião (pág. 12)

Página 126 min

Paz: escolha ou conquista? foto ulisses.com.pt Quase parece que a paz é uma escolha quando, na verdade, é uma conquista. Conquista do próprio ser sobre si próprio, em si próprio que com o tempo, a aquisição de conhecimento e experiência vai substituindo a sua forma egoísta de ser por uma mais altruísta. Isto não se faz só porque se quer mas porque se sabe que assim é a melhor forma de ser e não apenas de estar.

Quem está em paz nem sempre é pacífico. Quem é pacífico está sempre em paz. Pela experiência adquirida no dia-a-dia, pela análise que o homem faz de si, do que sente, vai sacando conclusões que lhe permitem alcançar novos pontos de vista que o levam a procurar mudanças comportamentais que façam com que não se centre apenas sobre si próprio e mais sobre os interesses coletivos. Ser egoísta é muito duro, dá muito trabalho, é desgastante.

É viver como se todo o mundo estivesse contra si numa atitude constantemente defensiva e justificativa. Mas achar que o ser humano não é pacífico porque não quer seria achar que Deus não sabe o que faz, que, de alguma maneira, Deus fez as coisas de forma errada. É impossível fazer com que este planeta fique em paz em 10 ou 100 anos. Com os habitantes que o povoam na atualidade, só por milagre, e esses não existem. Não é tempo útil suficiente para que estes habitantes adquiram o conhecimento que leve à conquista da consciência necessária para que entenda que viver em paz consigo, depois com o próximo e a seguir com o planeta será a forma mais fácil, útil, prática, rentável e menos desgastante de viver.

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Opinião (pág. 13)

Página 135 min

Estreada a 31 de março, a popular série “13 Reasons Why”, produzida pela Netflix, não tem merecido tantas preocupações. A série aborda assuntos pertinentes e de uma gravidade que não pode ser ignorada, como o suicídio adolescente, a depressãoeo cyberbullying, no entanto, a ligeireza e brutalidade com que eles são tratados num programa de televisão que tem como alvo o público juvenil, é um mau contributo para a causa da prevenção do suicídio.

Pior do que isso, a forma como a protagonista veste uma pele vitimizada, mascara o suicídio como uma saída válida para a perturbação romantizando-o de comportamento vingativo. A ideia do suicídio como um meio para aniquilar qualquer aflição precisa de ser combatida com ferocidade. Não porque seja um pecado ou uma afronta a Deus, mas porque, para além de constituir uma questão dramática de saúde pública – ocorrem cerca de 16 milhões de suicídios por ano no mundoé um grave problema espiritual.

Existem evidências mediúnicas de espíritos suicidas que relatam a sua decepção ao perceberem que continuam a viver para além da dimensão física não conseguindo fugir A melhor escolha é viver dos sofrimentos e emoções perturbadorasA obra “Memórias de um Suicida” de Yvonne A. Pereira é um desses exemplos. Como a morte não existe, a autodestruição, ao interferir no processo natural da existência terrena, intensifica a perturbação que lateja, atormentando ainda mais o espírito na incapacidade de se libertar das emoções mais aflitivas.

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Opinião (pág. 14)

Página 142 min

O mal não existe senão muito relativamente, como expressão da linguagem humana. Da filosofia escolar, recordamos que “todo o ente é bom, todo o ente é belo”, tudo perfeitamente coordenado na ordem e equilíbrio do Universo. Para a elevada espiritualidade de Mary Baker Eddy (1821-1910), fundadora e líder da “Christian Science”, o mal, genericamente, é mera crença, uma suposição; e as numerosas curas espirituais, documentadas, que ela operou, ensinou a operar e os seus fiéis continuam nos nossos dias a operar, baseiam-se nesse mesmo princípio e na sua afirmação resolutanão apenas verbal, mas bem compreendida, “metabolizada” espiritualmente.

Podemos ainda discorrer, com Baruch Espinosa e J. Herculano Pires (confrontar «O Livro dos Espíritos», Q 615 – Nota do Tradutor) que “tudo que existe, existe em Deus, e nada pode existir nem ser concebido sem Deus”; por outras palavras, sendo Deus infinito e infinita a Sua perfeição, nada (incluindo o mal) poderia existir além dela ou fora dela, sem como e onde existir verdadeiramente. O Bom Pastor, sumo pedagogo da Humanidade, transmitiu conhecimento e informação na linguagem do seu tempo, ao nosso alcance de então.

Recordemos que o sábio Rabi de Nazaré também ensinou: “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (João 8:32). Que verdade? Que libertação? Na nossa dimensão material, a “realidade concreta” é um encadeamento de ilusões onde tudo é relativo, como cientificamente se demonstrou. A Verdade não é, pois, material, mas um aspeto imutável do Absoluto, uno, total, infinito; nela e por ela, todo o erro ou mal se desvanece, dando lugar ao bem (a cura, o benefício, uma qualquer rearmonização…), tal como a luz, surgindo, extingue a ilusão das trevas.

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Crónica

Página 153 min

Na sociedade em que vivemos são vários os obstáculos que se colocam entre nóseo nosso chamado sexto sentido: a correria do dia-a-dia, os estímulos ininterruptos e a troca constante de informação são muitas vezes um verdadeiro muro de Berlim que nos impede de o utilizar. E mesmo que cheguemos até ele, outra dúvida nos assombra: numa civilização que tende a dar primazia ao pensamento racional e lógico, como lidar com “os palpites” que nos chegam e que muitas vezes não sabemos explicar?

O que é a intuição? Será que devíamos confiar nela? Como a utilizar da melhor forma? Foram estas as perguntas que me assaltaram o pensamento às quais procurei responder. Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, intuição é: “Perceção instintiva. Conhecimento imediato. Pressentimento da verdade.” Num livro publicado em 2014, Arianna Huffington, escritora e empresária de sucesso, refere a importância que a intuição tem na sua vida e explica que vê a intuição como uma ferramenta que nos liga a nós próprios e a “ algo maior do que nós e do que as nossas vidas”.

Mas o que nos diz o espiritismo sobre o assunto? Em “O Livro dos Espíritos”, pergunta 522, podemos tentar perceber o que é esse “algo maior” referido anteriormente: “O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. Ele também está na intuição da escolha que se fez; é a voz do instinto.” Da mesma forma, Léon Denis explica que “Do mesmo modo que, girando no espaço, cada mundo se comunica, através da noite, com a grande família dos astros pelas leis do magnetismo universal, assim também a alma humana, centelha emanada do Divino Foco, se pode comunicar com a grande Alma eterna e dela receber instruções, inspirações, lampejos instantâneos.

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Opinião (pág. 16)

Página 162 min

Pois bem, isto só é novidade por estar no campo da ciência, porque pelo menos desde Jesus tal lei já está afirmadasó que não percebida no seu alcance real por situada no campo da religião e, possivelmente, de alguma doutrina filosófica. Jesus anunciou esta lei quando revolucionando o conceito e o entendimento de Deus no-lo pôs como Pai justo e bom, logo, a todos nos irmanando como filhos seus. Isto significa que entre todos – e toda a criação, diga-se – se estabelece um vínculo psíquico que, de forma mais ou menos intensa, une.

Sabendo-se hoje que, afinal, tudo o que existe outra coisa não é que energia, ainda que em frequências vibratórias diferentes, e conhecendo-se melhor o desconcertante comportamento das partículas e das ondas, facilmente se concebe o tudo e o todos ligados a tudo e a todos. Assim se percebe também Paulo de Tarso quando no Areópago diz aos atenienses: “É nele (Deus) realmente que vivemos, nos movemos e existimos.” A inferência imediata é a de que se em Deus vivemos, nos movemos e existimos, individual e colectivo, singular e plural mutuamente se reflectem.

E necessariamente interagem – para o melhor e para o pior. Agora que a Ciência nos traz verdade que liberta, começamos a perceber que o nosso grande problema no relacionamento com o Cristo planetário é ele estar muito à nossa frente no conhecimento, para que entendamos a virtude. Bom seria (será) que a Quântica, entre outras “novas” ciências, possa, pelo conhecimento, fazer ver a necessidade da virtude. Não será por casualidade que a intuição, que se manifesta espontânea na religião (e dizem que também na poesia), antecipa que Deus é amor.

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Literatura / Vídeo

Página 176 min

LITERATURA / VÍDEO O Livro dos Espíritos - 1ª edição 1857 Antes de vos deixar Todos conhecem o livro que “inaugura a nova era para a humanidade” ─ O Livro dos Espíritos. Mas, não conhecemos a sua primeira edição, que surgiu há 160 anos, bastante diferente na forma e em grande parte do próprio conteúdo. Os que amam a Doutrina Espírita têm por obrigação ler, estudar e debater esse livro na sua primeira edição que contém apenas 501 questões, das quais uma boa percentagem está desdobrada em outras, ou seja, em mais 417 sub-questões que contribuem para clarificar e aprofundar as outras.

A primeira tradução da 1ª edição, para o português, seria feita pelo Dr. Canuto Abreu e publicada em bilingue pelo próprio no dia 18 de Abril de 1957, na comemoração do seu primeiro centenário. Cinquenta anos depois, para comemorar o seu sesquicentenário (1857-2007), o ICESPInstituto de Cultura Espírita de São Paulo torna a publicar, em bilingue, com o texto original (francês) em fac-simile, evitando assim quaisquer adulterações, conscientes ou inconscientes, para o futuro.

Tal publicação só foi possível, graças à generosidade dos herdeiros do Dr. Canuto Abreu. Por fim, em Abril de 2013, a FEBFederação Espírita Brasileira publica pela primeira vez a 1ª edição de O Livro dos Espíritos (1857), em excelente tradução de Evandro Noleto Bezerra, e também o fac-simile do original de 1857 ─ “Edição Histórica Bilingue”. LiSamantha Kingston é uma adolescente. As grandes preocupações do seu dia-a-dia são os rapazes, as festas e os interesses fúteis do seu grupo de amigas, sempre mais motivadas em preservar a grande popularidade que gozam na escola do que em comportarem-se de um modo ético e altruísta.

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ulisses.com.pt Entrevista a frequentadores Joana Farhat conta 22 anos

Página 185 min

foto ulisses.com.pt Entrevista a frequentadores Joana Farhat conta 22 anos e é estudante. Vive na cidade do Porto. Como conheceu o espiritismo? Joana Farhat – Conheci-o aos três anos de idade, levada pela mão da minha mãe à casa de Jesus que, dizia eu, “não tinha sino”, o que me fazia bastante confusão na altura. Frequenta algum centro espírita? Joana FarhatSim, a Associação Cultural Espírita Fernando de Lacerda em Rio Tinto, Porto.

Sabia que? Foi a mediunidade de duas crianças, permitindo a manifestação de um Espírito em tempos assassinado na casa que agora habitavam, que abriu caminho a uma grande vaga de fenomenologia que precedeu o aparecimento do Espiritismo no Mundo? O imperador Napoleão III, cuja simpatia pelas ideias espíritas não era segredo, por várias vezes chamou Kardec, seu contemporâneo, ao palácio das Tulherias em Paris onde tinham longas conversas sobre o conteúdo de “O Livro dos Espíritos”?

Com o título “Revelação Sensacional”, publicou o “Jornal de Notícias” na manhã de 13 de maio de 1917, com base num postal dirigido à redação com data de 11 de maio, em jeito de aviso: “No dia 13 do corrente, há-de dar-se um facto a respeito da guerra que impressionará fortemente toda a gente”, sendo responsáveis por esse texto alguns grupos espíritas de Lisboa e Porto? Alguns suicidas ficam presos ao corpo de tal forma e por tanto tempo que acabam por ver e sentir os efeitos da sua própria decomposição?

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André Trigueiro já deixou outras respostas em edições anteriores

Página 193 min

Esta entrevista – feita em Lisboa, poucas horas antes da conferência que este jornalista de Além-mar deu no Congresso Espírita Mundial – datada de outubro de 2016, dá lugar agora a uma nova questão. Há mesmo um ecocídio em curso no planeta Terra ou é um exagero dizer isso? André Trigueiro – Na verdade o ecocídio está claramente configurado a partir de dados científicos.

Não filosóficos, não religiosos, mas científicos. Nos últimos 40 anos dizimámos mais de 50% dos animais selvagens do planeta. Houve cinco extinções em massa de animais no mundo, todas as cinco causadas por cataclismos da natureza. Nós somos a sexta causa de extinção em massa da biodiversidade. Por ano desaparecem do mapa 5 milhões de hectares de floresta, que é o saldo entre o que é desmatado e o que se tenta revegetar.

Por ano, temos um défice de 5 milhões Espiritismo e ecologia: ecocício? de hectares de floresta! Isso implica na destruição da biodiversidade, na escassez de água doce limpa, na desertificação do solo e na mudança do clima. Em 2016, na África do Sul, um congresso internacional de geólogos deu início a um processo de investigação, com um protocolo assente na categoria dos geólogos virem a investigar se já não seria o momento de denominarmos a nova era geológica, chamada Antropoceno.

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Última

Página 202 min

Kardec: o método em pesquisa universitária Marcelo Gulão Pimentel elaborou um interessante trabalho de investigação em que enquadra num panorama histórico o método das investigações realizadas por Allan Kardec a respeito da mediunidade e outras experiências psíquicas e espirituais, sem esquecer o impacto das ideias de Allan Kardec particularmente no Brasil. Marcelo Pimentel possui graduação em História (UERJ), pós-Graduação Lato-Sensu em História Moderna pela UFF, Mestrado em Saúde pelo NUPES- UFJF.

Tem experiência na área de História, com ênfase em História Moderna e Contemporânea, e atua principalmente nos seguintes temas: mediunidade, sonambulismo, transe, mesmerismo e Allan Kardec. Na internet encontra a tese em versão eletrónica acessível com um simples clique no computador. Para saber mais: Pimentel, Marcelo Gulão, Alberto, Klaus Chaves, & Moreira-Almeida, Alexander. (2016). As investigações dos fenómenos psíquicos/espirituais no século XIX: sonambulismo e espiritualismo, 1811-1860.

História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 23(4), 1113-1131. Conhece o novo site da ADEP? A Associação de Divulgadores de Espiritismo tem um novo site. A estrutura está mais leve, mas mantém tudo o que os seus visitantes procuram obter. As secções principais distribuem-se assim: informações sobre a ADEP, notícias, espiritismo, vídeo, jornal, livros de leitura eletrónica, listagem de associações espíritas em Portugal, curso básico de espiritismo e contactos.

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