Opinião (pág. 13)
Jornal de Espiritismo nº 83 · Julho 2017Página 135 min
Estreada a 31 de março, a popular série “13 Reasons Why”, produzida pela Netflix, não tem merecido tantas preocupações. A série aborda assuntos pertinentes e de uma gravidade que não pode ser ignorada, como o suicídio adolescente, a depressãoeo cyberbullying, no entanto, a ligeireza e brutalidade com que eles são tratados num programa de televisão que tem como alvo o público juvenil, é um mau contributo para a causa da prevenção do suicídio.
Pior do que isso, a forma como a protagonista veste uma pele vitimizada, mascara o suicídio como uma saída válida para a perturbação romantizando-o de comportamento vingativo. A ideia do suicídio como um meio para aniquilar qualquer aflição precisa de ser combatida com ferocidade. Não porque seja um pecado ou uma afronta a Deus, mas porque, para além de constituir uma questão dramática de saúde pública – ocorrem cerca de 16 milhões de suicídios por ano no mundoé um grave problema espiritual.
Existem evidências mediúnicas de espíritos suicidas que relatam a sua decepção ao perceberem que continuam a viver para além da dimensão física não conseguindo fugir A melhor escolha é viver dos sofrimentos e emoções perturbadorasA obra “Memórias de um Suicida” de Yvonne A. Pereira é um desses exemplos. Como a morte não existe, a autodestruição, ao interferir no processo natural da existência terrena, intensifica a perturbação que lateja, atormentando ainda mais o espírito na incapacidade de se libertar das emoções mais aflitivas.
A experiência mediúnica acumulada pelo Espiritismo ao longo dos últimos 170 anos aumenta a capacidade para compreender esta problemática tão sensível mas, será que existem outros tipos de evidências que comprovem ou acrescentem dados sobre o suicídio do ponto de vista espiritual? No livro “Vida Depois da Vida”, o Dr. Raymond Moody Jr. compilou algumas experiências de quase-morte que foram resultado de tentativas de suicídio, concluindo que elas foram unanimemente caracterizadas como desagradáveis e que os tormentos íntimos que tinham levado os indivíduos à tentativa de suicídio ainda se mantinham depois da sua morte aparente, agravando-se em alguns casos.
No livro “Paranormal”, o Dr. Moody Jr. transcreve parte das declarações de um homem que tentou o suicídio após a morte da esposa: “Eu não fui para onde ela [esposa] estava. Fui para um lugar horrível, percebi imediatamente o erro que tinha cometido.” Outras pessoas afirmaram que lhes fora mostrado o local para ondem iriam caso a morte se concretizasse e algumas recordam-se de terem diálogos com seres espirituais que as informaram que a concretização do suicídio as levariam a reviver numa outra vida as mesmas problemáticas vividas nesta.
Quase todos os indivíduos que passaram por experiências de quase-morte em resultado de tentativas suicídio ficaram tão convencidos que essa escolha fora um erro que, ao serem acompanhados ao longo do tempo, constatou-se que tinham uma taxa de reincidência próxima de zero. Existem evidências palpáveis que nos mostram que a nossa vida é um reflexo de nós próprios e as provas que temos de enfrentar são aquelas que melhor servem a iluminação individual.
Também nos casos de crianças que se recordam das suas vidas passadas existem informações preciosas sobre a questão do suicídio. O professor James Matlock no livro “I Saw a Light and Came Here: Children’s Experiences of Reincarnation”, escrito em parceria com o investigador Islandês Erlendur Haraldsson, analisou casos de nove crianças que se lembram de se terem suicidado numa vida anterior (casos compilados por Ian Stevenson, Hernâni Guimarães de Andrade e Erlendur Haraldsson).
Da análise comparativa desses casos, Matlock concluiu que a idade em que as crianças começavam a falar das suas memórias, os traços comportamentais, fobias e marcas de nascença que as relacionava com a personalidade anterior e com o tipo de morte, não apresentava grandes diferenças estatísticas em relação à generalidade dos casos de crianças que se lembravam das vidas passadas. No entanto, alguns pormenores são peculiares: Em 2/3 dos casos de suicídio, a reencarnação ocorreu no seio da família nuclear ou muito próxima.
Esta situação é particularmente desconcertante já que a reencarnação na própria família acontece numa percentagem muito baixa de todos os casos estudados de crianças que se lembram de suas vidas passadas. Os dados mostram outra evidência singular: Nos casos de suicídio analisados, o tempo médio que separa a morte numa vida anterior do renascimento num outro corpo é muito baixa. A média de todos os casos estudados de crianças que se lembram de vidas passadas é de cerca de 16 meses (estudo de Jim Tucker) enquanto, nestes 9 casos, a média é de apenas 3 meses, em três dos casos é só de poucas semanas.
Não é possível tirar grandes conclusões de uma amostra tão pequena mas os dados parecem indicar uma tendência para que, em algumas situações específicas, a reencarnação pode ser “apressada” para benefício espiritual. Existem evidências palpáveis que nos mostram que a nossa vida é um reflexo de nós próprios e as provas que temos de enfrentar são aquelas que melhor servem a iluminação individual. Essas provas não poderão ser ultrapassadas pela fuga ou desistência, apenas pela superação das capacidades latentes.
Enquanto se evitar fazê-lo, será necessário recapitular sucessivamente a prova, enfrentar os mesmos desafios até que seja adquirida a aprendizagem que a mesma exige. É verdade que os caminhos desta vida ainda são tortuosos, escondem espigões aguçados difíceis de suportar mas, ao ser conquistada uma mais ampla compreensão da realidade que nos transcende, é possível vislumbrar de uma forma mais clara a preciosa a oportunidade que Deus oferece para viver, amar e aprender, sentindo a vida como um privilégio que vale a pena ser vivido por mais duras que sejam as dificuldades.
Se a aflição domina os teus dias e a ideia do suicídio te passa pela cabeça, pede ajuda. Procura um médico, fala com alguém da tua confiança, ou, se não te sentires confortável com isso, liga para a linha SOS Voz Amigahttp://www.sosvozamiga.org/ , linha verde 800202669 – ou procura um Centro Espírita (http://www.adeportugal.org/adep/index.php/centros-espiritas). Porque a melhor escolha é viver. Por Carlos Miguel Há alguns meses, o pseudojogo baleia azul despoletou um estridente alarido mediático ao instigar à execução de um conjunto de desafios perturbadores que culminariam no suicídio de quem se atrevesse a jogá-lo.
foto ulisses.com.pt JULHO.AGOSTO.
