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Opinião (pág. 14)

Jornal de Espiritismo nº 83 · Julho 2017Página 142 min

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O mal não existe senão muito relativamente, como expressão da linguagem humana. Da filosofia escolar, recordamos que “todo o ente é bom, todo o ente é belo”, tudo perfeitamente coordenado na ordem e equilíbrio do Universo. Para a elevada espiritualidade de Mary Baker Eddy (1821-1910), fundadora e líder da “Christian Science”, o mal, genericamente, é mera crença, uma suposição; e as numerosas curas espirituais, documentadas, que ela operou, ensinou a operar e os seus fiéis continuam nos nossos dias a operar, baseiam-se nesse mesmo princípio e na sua afirmação resolutanão apenas verbal, mas bem compreendida, “metabolizada” espiritualmente.

Podemos ainda discorrer, com Baruch Espinosa e J. Herculano Pires (confrontar «O Livro dos Espíritos», Q 615 – Nota do Tradutor) que “tudo que existe, existe em Deus, e nada pode existir nem ser concebido sem Deus”; por outras palavras, sendo Deus infinito e infinita a Sua perfeição, nada (incluindo o mal) poderia existir além dela ou fora dela, sem como e onde existir verdadeiramente. O Bom Pastor, sumo pedagogo da Humanidade, transmitiu conhecimento e informação na linguagem do seu tempo, ao nosso alcance de então.

Recordemos que o sábio Rabi de Nazaré também ensinou: “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (João 8:32). Que verdade? Que libertação? Na nossa dimensão material, a “realidade concreta” é um encadeamento de ilusões onde tudo é relativo, como cientificamente se demonstrou. A Verdade não é, pois, material, mas um aspeto imutável do Absoluto, uno, total, infinito; nela e por ela, todo o erro ou mal se desvanece, dando lugar ao bem (a cura, o benefício, uma qualquer rearmonização…), tal como a luz, surgindo, extingue a ilusão das trevas.

O Bom Pastor, sumo pedagogo da Humanidade, transmitiu conhecimento e informação na linguagem do seu tempo, ao nosso alcance de então. No caso em pauta, no sermão do monte, ensinava sobre o quê e como pedirmos ao Pai, obviamente despreocupado de, tão prematuramente, nos instruir sobre monismo, a unidade de tudoque em Baruch Espinosa (1632 - 1677) viria a ter um precursor incompreendido, grosseiramente apodado de panteísta.

Rogando ao Pai que nos livre do mal, reconhecemos o que hoje também a Ciência instituída constata e subscreve: como a Novas de alegria - 14 “perceção” nos fornece uma visão distorcida, desfocada da Verdade. Por isso pedimos ao Pai: com a luz da Verdade dissipe o “mal” sombrio dos erros e preconceitos que, ancestralmente, as vicissitudes do processo evolutivo nos acumularam no consciente e no inconsciente, individual e coletivamente.

Através do conhecimento (em vez de perceção) de nós própriosum aspeto da Verdadeadquirido por hábitos de recolhimento, meditação (não necessariamente como prática religiosa), ficamos progressivamente livres de condicionamentos irreais que nos fragilizam, limitam e enganam com tantas ilusões. Por João Xavier de Almeida foto arquivo Continuando a refletir sobre a “Oração Dominical”, sapiente e completíssima prece legada por Jesus, chegamos à petição ou proposição final da mesma: “…livrai-nos de todo o mal”.

Baruch Espinosa JULHO.AGOSTO.