Reportagem
Jornal de Espiritismo nº 83 · Julho 2017Página 83 min
«Estamos interligados com tudo à nossa volta». A voz de Carlos Miguel, da cidade do Porto, ecoa no vasto auditório na tarde do primeiro dia de conferências. Aborda um tema inabitual no movimento espírita, «Terra: que futuro ecológico?», e relaciona o assunto com a paz, tema central do certame. «Aquilo que afeta a minha família e os meus amigos», continua, «afeta-me, mas aquilo que afeta o meu país, o que afeta o meu planeta também me afeta a mim», e acentua: «O problema é que achamos que somos ilhas».
Insiste: «Apontamos os outros seres vivos como natureza e afastamo- nos dela - «Que bonita é a natureza!». Nós somos natureza, fazemos parte dela». Conclui: «Continuar a achar que todas estas consequências não vão criar instabilidade social, económica, ambiental e não nos vai afetar diretamente não faz sentido». Cita o exemplo da crise na Síria, refere a génese climática do conflito, e as civilizações que Jornadas de Cultura Espírita: Fazer a paz foto josébraga ruíram pela escassez de água potável.
Sugere que é para ontem a mudança de comportamentos que degradam os ecossistemas naturais que geram boas condições de vida sustentável para o ser humano e demais seres vivos. O evento já vai solto nesta primeira tarde, mas antes, com direito na abertura a palavras de boas-vindas do presidente da Câmara Municipal da cidade, Tinta Ferreira, a exemplo do ano passado, a primeira conferência coube a Clóvis Nunes que dissertou sobre «Cultura de paz e espiritualidade».
«Guerra: fatalidade histórica?» foi tema de João Gonçalves, coronel, da região anfitriã, a que se seguiu Ana Duarte, professora, de Évora, com «Atitude: eu e os outros». Assuntos como um novo entendimento da dor e a sua função brilharam na voz de Maria Paula Silva, médica, assim como a relação entre saúde e paz, demonstrada de forma notável pela estreante Joana Farhat, ambas do Porto. O centro espírita na condição de célula de paz foi comentado por Amélia Reis, de Caldas da Rainha, enquanto por sua vez Luténio Faria, médico vindo de Águeda, elucidava sobre o enquadramento da violência doméstica na ótica espírita.
Entre outros expositores, coube a Ulisses Lopes, de Braga, refletir com os presentes sobre solidão e medo, com dicas úteis. Ao todo foram 13 conferências distribuídas em três painéis – Paz social, Paz interior e Construir a paz. As canções de índole espiritual contaram com vários intérpretes e autores, nomeadamente com Reinaldo Barros, de Olhão, Inês Guinote, de Cascais, e João Paulo Gomes, de Alcobaça. Entre estrangeiros, estiveram presentes pessoas vindas de Espanha e diversas do Brasil.
Neste derradeiro caso Moacir Lima palestrou sobre culpa e remorso e Merlânio e Raquel Maia cantaram e discursaram. No teatro Claiton Freitas atuou, assim como Renata Gastal e Ângela Layet. Uma nota especial para quem interpretou – teatro amador – a peça sobre Paraíso de Baixo. Noémia Margarido viu-se a braços com a interlocução de (José Lucas) Zé Guedelhas e (Joana Farhat) Maria D’Obsessão. Nessa mesma noite de sábado teve ainda lugar uma mesa-redonda sobre os sete posters de registo e análise de dados expostos no local.
Pode consultá-los agora na internet a partir do site da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal – http:// adep.pt/espiritismo/posters Pode também ver tudo o que se passou nas jornadas neste linkhttp://adep.pt/jornadas-2017 O Centro de Congressos de Caldas da Rainha acolheu no fim de semana de 29 e 30 de abril as XIII Jornadas de Cultura Espírita do Oeste. Seis centenas de pessoas afluíram ali ao longo de um programa que incluiu conferências, mesa-redonda, música e teatro… JULHO.
