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Editorial / Conto

Jornal de Espiritismo nº 83 · Julho 2017Página 24 min

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EDITORIAL / CONTO Informar, participar, avisar! Anda por aí o entendimento do que seja isso, comunicação. Poderá ter acontecido que já trocávamos informações antes de saber o que isso era? Decerto. Uma necessidade imperiosa paira na evolução do ser imperecível e reflete conteúdos e processos mediante o degrau evolutivo de um dado momento. A nível atómico, os eletrões volteiam em roteiro luminoso sob o chamamento irresistível das partículas de carga positiva no núcleo, os protões.

Agregadas por afinidades, há moléculas aos molhos que se encantam e caem nos braços umas das outras em atração incontornável. Na intimidade de inúmeras células, vegetais ou animais, há troca de informações vitais para a sobrevivência da máquina biológica. Progenitores em número inenarrável situados em vários nichos ecológicos na sustentação da vida em plena natureza trocam mensagens protetoras e afetivas com os juvenis.

Mais ainda quando gregários, sobretudo no caso de enxames de insetos alados, de bandos de aves, de répteis e de grupos de mamíferos, desenvolvem interações múltiplas de comunicação e entendimento enquanto catalizam a produção de uma linguagem incipiente mas eficaz. O ser humano, porém, desdobra-a noutros patamares. Animado pelo impulso devastador da territorialidade, informava- se e comunicava no vozerio guerreiro, sem contudo perder por completo a voz doce da paternidade no lar.

Animado pelo impulso devastador da territorialidade, informava-se e comunicava no vozerio guerreiro, sem contudo perder por completo a voz doce da paternidade no lar. Entre planos de vida, há mensagens mais ou menos ostensivas entre uns e outros, nas coordenadas telepáticas, segundo as afinidades que se buscam no dia a dia determinadas pelo nicho em que escolhemos repousar por instantes a mente. Comunicar é preciso. É lei e ferramenta.

Dá asas à mente, o leme que nos leva onde quisermos. Sobre um breve par de milénios, a chamada Boa Nova mantém-se apelativa com diretivas luminosas cujos primeiros passos se dão sempre muito cá por dentro do ser espiritual. O aprendiz desapontado Boa nova é boa notícia! Não são algemas nem presídio, pelo contrário, é caminho que se abre, e convida a palmilhar, é libertação… Essas lições em forma de síntese mantêm - -se um prodígio no campo da comunicação.

Como é possível resistir tantos séculos e manter a luz intrínseca sem gastar? Brilha até mais, quanto mais se consegue vislumbrá-la. É manancial a aproveitar, ainda e sempre. Teorizada quanto baste na dobagem dos séculos, ecoa autêntica na risota cristalina de um petiz, no olhar da mãe que vela o sono dos filhos, e também no abraço amigo, sincero, tanto quanto no simples pensamento bom que se tem na rua ao olhar os passos evolutivos de alguém aparentemente desconhecido.

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como si mesmo: vai aí toda a lei e os profetas como ficou descrito por Jesus de Nazaré. Comunicar é fonte. Quando o calor nos alcança o calendário, porque não há de ser a nossa comunicação mais generosa em paz e alegria? Terá sido isso que juntou todos os colaboradores deste jornal que lhe oferecem no seu melhor esforço de serviço ao próximo estas linhas. Boa leitura! foto ulisses.

com.pt Um menino que desejava ardentemente residir no Céu, numa bonita manhã, quando se encontrava no campo, em companhia de um burro, recebeu a visita de um anjo. Reconheceu, depressa, o emissário de Cima, pelo sorriso bondoso e pela veste resplandecente. Alucinado de júbilo, o rapazelho gritou: - Mensageiro de Jesus, quero o Paraíso! Que fazer para chegar até lá? O anjo respondeu com gentileza: - O primeiro caminho para o Céu é a obediência e o segundo é o trabalho.

O pequeno, que não parecia muito diligente, ficou pensativo. O enviado de Deus então disse: - Venho a este campo, a fim de auxiliar a Natureza que tanto nos dá. Fixou o olhar mais docemente na criança e rogou: - Queres ajudar-me a limpar o chão, carregando estas pedras para o fosso vizinho? O menino respondeu: - Não posso. Todavia, quando o emissário celeste se dirigiu ao burro, o animal prontificou-se a transfoto arquivo portar os calhaus, pacientemente, deixando a terra livre e agradável.

Em seguida, o anjo passou a dar ordens de serviço em voz alta, mas o menino recusava - -se a contribuir, enquanto o burro ia obedecendo. No instante de mover o arado, o rapazinho desfez-se em palavras feias, fugindo à colaboração. O muar disciplinado, contudo, ajudou, quanto pôde, em silêncio. No momento de preparar a sementeira, verificou-se o mesmo quadro: o pequeno repousava e o burro trabalhava. No momento de preparar a sementeira, verificou-se o mesmo quadro: o pequeno repousava e o burro trabalhava.

Em todas as medidas iniciais da lavoura, o pesado animal agia cuidadoso, colaborando eficientemente com o lavrador celeste; entretanto, o jovem, cheio de saúde e leveza, permaneceu amuado, a um canto, choramingando sem saber porquê e acusando não se sabe a quem. No fim do dia, o campo estava lindo. Canteiros bem desenhados surgiam ao centro, ladeados por fios de água benfeitora. As árvores, em derredor, pareciam orgulhosas em protegê-los.

O vento deslizava tão manso que mais se assemelhava a um sopro divino cantando nas campânulas do matagal. A Lua apareceu espalhando intensa claridade. O anjo abraçou o obediente animal, agradecendo-lhe a contribuição. Vendo o menino que o mensageiro se punha de volta, gritou, ansioso: - Anjo querido, quero seguir contigo, quero ir para o Céu! O Emissário divino respondeu, porém: - O Paraíso não foi feito para gente preguiçosa.

Se desejas encontrá-lo, aprende primeiramente a obedecer como o burro que soube receber a bênção da disciplina e o valor da educação. E assim esclarecendo subiu para as estrelas, deixando o rapazinho desapontado, mas disposto a mudar de vida. Do livro «Alvorada Cristã», psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Neio Lúcio. JULHO.AGOSTO.