Crónica (pág. 13)
Jornal de Espiritismo nº 87 · Maio 2018Página 132 min
O último foi “Coco”, lançado no final de 2017: como sempre, não me desiludiu. Mas, por esta altura, o leitor está certamente a pensar porque é que achei pertinente falar deste filme no “Jornal de Espiritismo”. O trailer inicialmente divulgado deixa-nos adivinhar a temática: “Uma vez por ano, os nossos antepassados regressam ao nosso mundo para verem a família e os amigos. Mas nenhuma pessoa viva visitou o mundo deles...
até hoje.” A história tem como protagonista Miguel, um menino que sonha tornar-se músico Coco – A vida é uma festa! contra a vontade da família. Depois de uma série de aventuras e peripécias, Miguel acaba por ir parar à “Terra dos Mortos”, conhecendo assim o mundo dos espíritos. No Dia dos Mortos, festividade de extrema importância no México, os espíritos são autorizados a visitar os familiares que se lembrarem deles: é nesse dia que Miguel os conhece.
São vários os pontos da doutrina espírita abordados ao longo do filme. Desde já, a comunicação dos espíritos encarnados com os desencarnados está presente ao longo de toda a história e é vista com muita naturalidade, transmitindo às crianças uma ideia básica da maior importância: os “mortos” são como nósea comunicação entre “nós” e “eles” deve ser encarada de forma salutar. Para além disso, é-nos mostrada a “Terra dos Mortos” como uma realidade paralela, um mundo onde cada um continua o seu caminho e que em muito difere da ideia de Céu e Inferno que muitas crianças ainda são levadas a imaginar.
Nesse mundo, Miguel encontra familiares desencarnados que o ajudam e lhe dão conselhos para o resto da vida e também ele auxilia aqueles que se encontram em necessidade. Nesse mundo, Miguel encontra familiares desencarnados que o ajudam e lhe dão conselhos para o resto da vida e também ele auxilia aqueles que se encontram em necessidade. É de salientar que nesta “Terra dos Mortos” não parece existir qualquer tipo de julgamento: todos vivem em comunidade, não se podendo discernir quem fez o bem ou o mal na sua vida passada.
No entanto, todos desaparecem desse mundo quando não existe mais ninguém que o recorde. Para além destas referências à doutrina espírita, são também transmitidos valores fraternos, dando grande relevância à família e ao amor. Miguel luta pelo seu amor pela música e ao fazê-lo acaba por unir alguns membros da sua família que há muito se encontravam desavindos. São perdoados erros do passado e tudo acaba num final feliz com uma família unida e preenchida por amor.
Por último, numa época tão conturbada como a que é vivida nos Estados Unidos da América, um filme que divulgue os costumes mexicanos é extremamente oportuno para a desmistificação desta cultura. “Coco” é assim um ótimo filme para ver em família e para fazer crianças e adultos emocionarem-se e refletirem sobre o seu conteúdo. Texto: Joana Santos Tal como muitas pessoas da minha geração, a minha infância foi marcada pelo universo Disney®, e como eterna criança que sou, não há um filme que deixe por ver.
