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Capa da edição nº 87 do Jornal de Espiritismo

87Jornal de Espiritismo nº 87

Maio 2018 · 20 secções · ≈ 69 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a natureza universal da doutrina, diferenciando-a do movimento espírita local. Destaca a importância de eventos como as Jornadas de Cultura Espírita para o progresso do saber e troca de pontos de vista, revelando dados e temas sobre o público. Inclui um conto alegórico sobre a Justiça de Cima, onde as ações terrenas são avaliadas post-mortem, e a importância da caridade e da renúncia. A secção de 'Correio' responde a questões sobre comunicação mediúnica e o 'fim dos tempos', enfatizando a educação mediúnica e o valor do presente para a evolução espiritual, pautada pelas leis de causa e efeito e do progresso.

Espiritismo
Jornadas Espíritas
Comunicação Mediúnica
Evolução Espiritual
Justiça Divina
Moral Espírita

Capa

Página 11 min

87 JDE MAR Ç O . ABRIL . 2 0 1 8 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Estas Jornadas de Cultura Espírita transformaram-se num certame anual de índole nacional. De onde são originárias a maior parte das inscrições? Que idades predominam? Como souberam deste evento as pessoas que nele se inscreveram? Estes e outros itens ficam aqui para seu conhecimento, preto no branco – está tudo nas centrais!

4 FEDERAÇÃO EDUCAR + Queremos nós que os filhos sejam felizes… foto loucomotiv Jornadas de Cultura Espírita do Oeste: vamos ver alguns dados? 5 CONSULTÓRIO CONSUMO DE DROGA Não perca a 2.ª parte do tema iniciado na edição anterior. 12 PESQUISA PARTIR E NÃO DAR POR ELA Transe mediúnico: há desproporção entre os que sabiam e os que não sabiam? 19 SUSTENTÁVEL INTELIGÊNCIA AMBIENTAL Há muitas inteligências… já conhecia esta?

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Editorial / Conto

Página 24 min

EDITORIAL / CONTO Quando alguém aborda os primeiros estudos do que é o espiritismo depressa percebe como distinguir esta doutrina do que os seus adeptos fazem supostamente inspirados por ela. É por isso que não há espiritismo português ou outro, mas apenas movimento espírita português. O espiritismo é universal, pois esta doutrina, segundo considerou Allan Kardec nos seus livros, publicados pela primeira vez em meados do século XIX, pretende distinguir e conhecer na maior profundidade possível as leis da natureza em sentido amplo, mormente as que regulam as relações entre a vida material e a vida espiritual e, é bom de ver, as que regulam a própria natureza humana.

Isso quer dizer que o espiritismo é sobretudo um campo de trabalho. E isso é um item de eleição. Por esse facto, ninguém precisa de andar de braçadeira e ser corporativista, ou formalizar representações em hierarquias que nunca existiram doutrinariamente, nem deverão existir algum dia no movimento. Nesse sentido, para que haja progresso no saber, troca de pontos de vista, diálogos esclarecedores entre ângulos de entendimento que não são bem os mesmos, torna-se útil realizar eventos, tais como jornadas, congressos e certames de vasta diversidade.

Com base em factos, tanto quanto possível, a ideia pode brilhar e abrir janelas de compreensão sobre as grandes perguntas da humanidade a que o espiritismo responde com tranquilidade e segurança: Quem somos? De onde viemos? Que fazemos aqui? Para onde vamos? No respaldo que sugere o cultivo dos melhores sentimentos possíveis, o amor que se evola da imensa jornada humana no tempo, horizonte a horizonte, continua a abrir novos passos evolutivos.

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Correio

Página 34 min

Comunicação de Espíritos Indaga Pedro: «Tenho uma questão para a qual pedia a vossa ajuda. Pode um Espírito pedir-nos para escrever para outro Espírito ler para se poderem comunicar? Porque não conseguem comunicar diretamente?». Resposta – Caro Pedro, circunscrevendo-nos ao que nos descreve sucintamente na sua mensagem, temos a dizer que poder de facto pode, mas não é habitual. Parece-nos importante deixar à sua consideração vários itens.

O primeiro é este: no Plano Espiritual o perispírito (corpo espiritual) adquire plasticamente as características compatíveis com o que pensamos e sentimos. Sentimentos densos, pesados, de tristeza e até emoções irresponsáveis, impõem ao corpo espiritual essa circunstância, e limitam as percepções em geral, nomeadamente a visão e audição. Por outro lado, sentimentos fraternos, de optimismo, de disponibilidade para ajudar outrem, refletirão no perispírito maior leveza, brilho e percepções mais amplas.

Na verdade, podemos dizer que cada um atrofia ou amplia as suas capacidades de entendimento da realidade que o rodeia segundo o uso que dá ao seu livre-arbítrio. Neste caso, pontualmente e não por hábito, pode haver uma situação muito particular em que um Espírito se dirija através de um médium a outro Espírito que o não consiga ainda ver dado o desnível vibratório entre ambos. Se isso ocorrer com frequência, somos levados a crer tratar-se de uma situação ou de mistificação ou de animismo que urge retificar, porém, seria importante ler ou ouvir as mensagens em causa para avaliar o conteúdo das mesmas e verificar se produzem algum efeito útil ou não.

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FEP foto fep Educar + Porém, para o pão do corpo fazemos tanto que qua

Página 44 min

FEP foto fep Educar + Porém, para o pão do corpo fazemos tanto que quase não sobra tempo para o pão da alma. Assim, muitas vezes, sabendo o que sabemos sobre a nossa imortalidade, reencarnação, leis divinas, com as nossas ações e atitudes, no processo educacional dos filhos, ficamos muito aquém daquilo em que acreditamos. Do acreditar ao vivenciar estão os passos que nos levam para dentro e nos obrigam a parar a corrida.

A corrida equivocada para uma felicidade que esmorece, de forma rápida, mal a atingimos. O espiritismo convida-nos ao amor. Ao autoamor para que amemos o próximo como a nós mesmos. Impulsiona-nos Queremos nós que os nossos filhos sejam felizes. Sim, é legítimo esse sentimento. Para isso queremos que cresçam bem: bom lar, boa alimentação, boa escola, boa roupa, brinquedos… o pão do corpo e da alma. para a madureza espiritual que não nos deixa ter tantas faces quanto as que queremos, para baralhar as nossas inquietudes.

Sentar, respirar, ouvir o silêncio, fazem parte de uma postura que se pretende de mudança para melhor. Se assim é, vamos continuar a estimular a busca desenfreada pela felicidade irreal? Será que conseguimos parar para sentir o momento, sem julgar ou pensar que o nosso filho é irrequieto demais, diferente dos outros… Preocupamo-nos desenfreadamente pelo êxito final do ano escolar, sem sequer perceber que para chegar a determinadas metas sacrificamos e alimentamos ilusões?

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Consultório

Página 54 min

foto pixabay Consumo de droga – 2.ª parte «Dr.ª Gláucia, tenho 22 anos e sinto-me impelido a consumir drogas recreativas. Sou de uma família espírita e já tive uma psicose, quando tinha 20 anos. Disseram - -me no centro que poderia estar obsidiado: o que devo fazer?» Gláucia Lima: «Caro leitor, podemos comparar o estado de dependência ao estado da paixão! “Tal como a paixão interrompe o fio quotidiano e lhe confere uma nova significação e uma nova hierarquia de prioridades, também os objectos motivacionais alvo das dependências conduzem a um estilo de vida marcado pela necessidade da omnipresença desse objecto”.

Felix et al., 2014. Entende-se, assim, que o objeto de interesse central da vida da pessoa passe a ser a droga, que deixa de ser usada somente com a função de recreação, mas, como uma necessidade. Neste estado, a motivação da pessoa está perturbada, porque o objeto de prazer ganha uma centralidade vital no funcionamento pessoal, que se sobrepõe a outras necessidades até então vigentes, “resultando consequências nocivas não sóanível psicológico, mas relacional, afetivo, profissional e em muitos casos físico”.

Dessa forma, o indivíduo torna-se presa muito fácil para uma influência espiritual nociva, nomeadamente obsessiva. Entretanto, sendo essa influência uma constante nas adições, pois sabemos que os desencarnados se aproveitam dos encarnados com perturbações aditivas para manterem e alimentarem o seu vício, não podemos transferir a responsabilidade para o mundo espiritual, uma vez que a sintonia é estabelecida pelo encarnado, que tem sempre o livre-arbítrio e a possibilidade de se determinar na libertação do mesmo.

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Reportagem

Página 63 min

Centro de Cultura Espírita: 15 anos Todas as sextas-feiras, o CCE leva a cabo uma conferência pública, com um tema à luz da filosofia espírita. No entanto, em Janeiro, altura em que se comemora o seu aniversário (3 de Janeiro), as conferências são efectuadas por convidados, que nos concedem a honra da sua presença. Foi assim no dia 5 de Janeiro com a conferência de Gláucia Lima (psiquiatra) que falou de um tema bem actual: “Fobias do presente e do passado”.

No dia 12 de Janeiro seguiu-se J. Gomes, que apresentou um tema com mestria, “Reuniões mediúnicas, uma análise multifacetada”, tema este que foi muito discutido com o público presente. A 19 de Janeiro, Reinaldo Barros, professor, residente em Olhão, presenteou o público com profunda palestra, acerca da “Viagem do Espírito ao longo do Tempo, tendo, este ciclo de conferências terminado dia 26 de Janeiro, com o tema “Inteligência e Evolução”, na pessoa de Francisco Curado (cientista na Universidade de Aveiro).

Assuntos muito actuais, apresentados com grande qualidade, foram uma lufada de ar fresco para quem frequenta o CCE, pois foram tratados de forma inabitual, com pessoas diferentes, trazendo mais diversidade de pontos de vistas, e mais qualidade ao debate da vida à luz do Espiritismo. O Centro de Cultura Espírita mantém-se aberto há 15 anos, com conferências semanais, atendimento ao público em privado, passe espírita (no CCE e ao domicílio), grupo de crianças, reunião de desobsessão espiritual, grupos de estudo (Estudar Kardec e Curso Básico de Espiritismo), cine-debate espírita mensalmente, distribuição de bens alimentares a famílias carenciadas, biblioteca, presença na Internet, no Facebook e no Youtube e Livraria.

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Breves

Página 74 min

Encontro Nacional de Jovens Espíritas em Coimbra O 35.º Encontro Nacional de Jovens Espíritas (ENJE) será em Coimbra nos dias 28 e 29 de abril. Numa das circulares lê-se: «Inspirados no movimento criado por Divaldo Pereira Franco em 1998 no Brasil, na cidade de Salvadore que fará 20 anos em 2018 -, é com muita alegria que anunciamos o tema do ENJE «Movimento Vocêea Paz», tendo sido anunciada a presença de Divaldo Franco.

«Convidamos todos os jovens, monitores e acompanhantes a juntarem-se a nós, fortalecendo os laços que queremos fortes e vigorosos para a paz, tão arredada do mundo chamado Terra. Para tornarmos este Encontro ainda mais especial solicitamos que todas as associações possam preparar uma apresentação alusiva ao tema: música, dança, teatro, etc. - nunca excedendo os 10/15 minutos». Contacto: www.geeak.pt. Associação Espírita de Lagos A Associação Espírita de Lagos informa que, após o ato eleitoral realizado com vista ao triénio 2018/2020, tomou posse para os Órgãos Sociais a lista composta pelos seguintes elementos: Assembleia GeralPresidente: Deolinda Santos; 1.

ª Secretária: Ana Rita Marques Nunes; 2.ª Secretária: Dina Rodrigues. DireçãoPresidente: José António Marreiros Pires; Vice-presidente: Gonçalo José Martins Duarte; Secretária: Lizete Ribeiro; Tesoureira: Maria Emília Marreiros da Encarnação; Vogal: Joana Sena. Conselho FiscalPresidente: Maria Elisabete Viegas da Silva. Secretária: Celina Marques; Relatora: Aurora Brito Teixeira. Olhão: “A Génese” No passado dia 31 de janeiro, quarta-feira, pelas 21h15, decorreu no Centro Espírita Luz Eterna, de Olhão, uma palestra espírita subordinada ao tema “A Génese – tema livre”, proferida por Duarte Palma e Renata Machado.

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Breves (pág. 8)

Página 82 min

Lisboa: 160 anos da “Revista Espírita” A Fraternidade Espírita Cristã, de Lisboa, promove um ciclo de conferências de janeiro a fins de março com vista a celebrar o 160.º aniversário da revista fundada por Allan Kardec em meados do século XIX. Nesse ciclo de conferências, a sequência foi disposta assim: 7 de janeiro, Maria Emília Barros falou sobre “Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos”; 14 de janeiroO Espiritismo entre os druidas (abril 1858) por Francisco Ribeiro; dia 21de janeiroUm Espírito nos funerais do seu corpo (dez.

1858) por Paulo Henriques; dia 28 de janeiroOs gritos da noite de S. Bartolomeu (Set. 1858)/Questões de Espiritismo legal (Out. 1858) por Cláudia Andrade/Sílvia Almeida; dia 4 de fevereiroObsidiados e subjugados (out. 1858) por Gina Ferreira; 18 de fevereiroO Orgulho, pelo Espírito S. Luís (maio 1858) por Elizabete HenriCoimbra: Saúde e luz Açores: “As virtudes e os vícios” O auditório do Conservatório de Música de Coimbra, nos próximos dias 12 e 13 de maio, recebe o 8.

º Projecto “Saúde e LuzMedicina e Espiritualidade”, que conta com vários palestrantes nacionais e estrangeiros. No site www.geeak.pt encontra mais informações. A Associação Espírita Terceirense (AET), associação sem fins lucrativos, incluiu no seu programa de palestras a apresentação do tema “As virtudes e os vícios” terça-feira, dia 30 de janeiro, às 20h00. A sede deste centro situa-se na Rua da Guarita, 186A, Angra do Heroísmo, com entrada é livre, como é hábito.

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Entrevista

Página 95 min

O que são estas Jornadas de Cultura Espírita? José LucasAs Jornadas de Cultura Espírita do Oeste são sobretudo um convívio entre pessoas interessadas na temática espírita. Pretendem também ser um espaço cultural, onde as situações do quotidiano possam ser escalpelizadas à luz dos ensinamentos da doutrina dos Espíritos, compilada por Allan Kardec. De um modo geral têm um tema central, desdobrado em três painéis, com debates, cinema, teatro, música, posters temáticos, entre outras iniciativas que possam ocorrer.

Em 2018, a pedido da maioria das pessoas que vieram em 2017, iremos abordar a mediunidade, nas suas variadas facetas, que emergem no quotidiano de quem é portador desta característica, mas essencialmente são um ponto de encontro de espíritas portugueses, brasileiros e espanhóis onde se privilegia o convívio, a amizade e o bem-estar mútuo, baseado na alegria. Quando se realizam? José LucasGeralmente realizam-se na primavera, no fim de abril.

Em 2018, realizar-se-ão no fim-de-semana de 21 e 22 de abril, desde as 14h00 de Sábado até às 17h00 de Domingo. Onde vão decorrer? José LucasAs XIV Jornadas de Cultura Espírita vão ter lugar no Grande Auditório do Centro Cultural e Congressos (CCC) nas Caldas da Rainha, Portugal, considerado um dos dez melhores auditórios a nível nacional, com capacidade para 660 pessoas. Quem organiza? José LucasA organização, em termos operacionais, está a cargo do Centro de Cultura Espírita (CCE) de Caldas da Rainha e da AssoVêm aí as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste ciação de Cultura Espírita de Alcobaça (ACEA).

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Centrais

Página 102 min

Jornadas de Cultura Espírita do Oeste: quer ver alguns dados? A palavra jornada está associada quer a trabalho quer a uma encorpada caminhada de um dia inteiro, mas também pode ser sinónimo de encontro ou congresso. Durante dois dias, normalmente ao fim de semana, já que estas pessoas trabalham nas suas profissões durante a semana, em torno de um tema central, uma dezena de conferências selecionadas misturam - -se oportunamente com mesas-redondas, música e teatro e abrem um leque de espiritismo entendido como uma filosofia de especial valor cultural.

O JDE teve acesso a opiniões dos participantes, pedidas o ano passado, que dispararam para todo o lado, no melhor sentido do termo. Afinal em meio milhar de pessoas que afluem a este evento a heterogeneidade tem um lugar de destaque. O inquérito de avaliação das jornadas do ano passado – tema “Fazer a paz”, em abril – está anónimo, mas as opiniões de cada um dos participantes sai bem clara: «Foi muito positivo. No cômputo geral pouco mais se pode exigir».

Uma senhora evidencia: «Estou satisfeita, com mais força para continuar. São as terceiras jornadas em que estive presente e a cada ano gosto mais. Obrigado». Se procurarmos reparos, num sentido construtivo, acabamos também por os encontrar: «Ter mais cuidado com o programa. Valorizar a qualidade em detrimento da quantidade. As jornadas são sempre um espaço onde se consegue conviver bastante. Este ano (2017) não foi possível» e «ter mais cuidado com os palestrantes estrangeiros, os portugueses não são totós.

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Centrais (pág. 11)

Página 112 min

dondezas. A uma hora de automóvel de Lisboa, a capital vem logo a seguir, sem que isso seja de estranhar. Inobstante, o elevado interesse deste certame traz pessoas de longe, como ocorre com os inscritos das Regiões Autónomas, assim como de Faro, no Algarve, e de Bragança, no Norte fronteiriço. Também há quem se tenha deslocado de Além-mar, Brasil, e de Espanha. Se formos a ver as ocupações das pessoas que se inscreveram, a esmagadora maioria está empregada.

Seguem-se pessoas aposentadas e uma minoria em situação de desemprego. Há ainda estudantes em acentuada minoria. No que diz respeito às idades, verifica-se que mais de metade está tomada pelos inscritos com idade nas casas dos 50 e 60 anos. Ficam 3% para a juventude até aos 19 anos de idade e 2% foram octogenários. Sobre a forma como chegou ao conhecimento dos inscritos a notícia das jornadas do ano passado, praticamente metade ouviu falar delas numa associação espírita, apesar da ampla divulgação feita via Internet.

Sobre as pessoas que afluíram às jornadas costumarem ser frequentadores de centros espíritas ou não, os resultados apontam que a minoria de 23% não põe normalmente o pé nas associações. Ao substituir o calendário, em 2018, as Jornadas de Cultura Espírita têm um programa que teve em conta as experiências anteriores, com vista a servir melhor os participantes. O tema vem de feição, “Mediunidade: do Paleolítico à Atualidade”, e engloba uma dezena de conferencistas, que estão a trabalhar a responsabilidade de abordar de forma enriquecedora e interessante os vários desdobramentos do tema principal.

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Crónica

Página 124 min

Partir desta vida sem saber Este facto ressurge invariavelmente nas anotações que costumamos fazer. Uma primeira quantificação devidamente anotada, preto no branco, revelou nos idos de 2016 que em 70 casos registados 20 dos Espíritos comunicantes necessitados de auxílio (29%) sabiam ter partido da vida material enquanto 50 (71%) ainda se julgavam nela e, mais, não foram poucos os que acharam absurdo o que lhes estava a ser dito com jeitinho, em modo de esclarecimento suavizado, para não entrarem em pânico.

Na verdade, os supostos “mortos”, quando se apercebem, podem ter tanto medo da morte como o que tinham quando da sua passagem pela vida terrena, ainda que esta já tenha ficado para trás. Importa referir que, um ano mais tarde, numa amostra de 220 casos anotados, no poster intitulado «Reuniões mediúnicas: uma análise estatística», que está disponível no site da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, face a este mesmo padrão os resultados expõem o seguinte: 152 Espíritos desencarnados necessitados de auxílio não tinham noção de que já tinham desencarnado (68,7%) e 67 (30,3%) sim.

Ambas as análises foram feitas com um somatório de médiuns psicofónicos no serviço habitual de esclarecimento semanal numa associação espírita e depois em duas associações distanciadas mais de 200 quilómetros, mas nunca contámos estes dados com especificação dos médiuns em causa. Ora, e não será esta uma boa altura para organizar os dados disponíveis neste momenNas reuniões que decorrem em regra semanalmente na maior parte das associações espíritas, na vertente do transe mediúnico, é notável a desproporção entre os Espíritos necessitados de auxílio que sabem que já partiram da vida material e os que ignoram esse facto, mergulhados intensamente nas suas impressões subjetivas.

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Crónica (pág. 13)

Página 132 min

O último foi “Coco”, lançado no final de 2017: como sempre, não me desiludiu. Mas, por esta altura, o leitor está certamente a pensar porque é que achei pertinente falar deste filme no “Jornal de Espiritismo”. O trailer inicialmente divulgado deixa-nos adivinhar a temática: “Uma vez por ano, os nossos antepassados regressam ao nosso mundo para verem a família e os amigos. Mas nenhuma pessoa viva visitou o mundo deles...

até hoje.” A história tem como protagonista Miguel, um menino que sonha tornar-se músico Coco – A vida é uma festa! contra a vontade da família. Depois de uma série de aventuras e peripécias, Miguel acaba por ir parar à “Terra dos Mortos”, conhecendo assim o mundo dos espíritos. No Dia dos Mortos, festividade de extrema importância no México, os espíritos são autorizados a visitar os familiares que se lembrarem deles: é nesse dia que Miguel os conhece.

São vários os pontos da doutrina espírita abordados ao longo do filme. Desde já, a comunicação dos espíritos encarnados com os desencarnados está presente ao longo de toda a história e é vista com muita naturalidade, transmitindo às crianças uma ideia básica da maior importância: os “mortos” são como nósea comunicação entre “nós” e “eles” deve ser encarada de forma salutar. Para além disso, é-nos mostrada a “Terra dos Mortos” como uma realidade paralela, um mundo onde cada um continua o seu caminho e que em muito difere da ideia de Céu e Inferno que muitas crianças ainda são levadas a imaginar.

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Crónica (pág. 14)

Página 143 min

Em tempo de festas, os desejos e felicitações abundam, um pouco maquinal ou rotineiramente. É normal, vivemos em sociedade, e esta tem as suas festas adequadas à cultura de cada povo. Fazem parte da tradição e como tal da vida. Nada de mal, antes pelo contrário, todo o convívio saudável é sempre bem-vindo. Em fim de ano civil, as empresas avaliam ganhos e prejuízos e, reorientam estratégias, no sentido de terem mais êxito no ano seguinte.

A lei de mercado assim o exige, numa competição feroz, quando o lema deveria ser a colaboração. Sendo nós Espíritos imortais, temporariamente em corpos de carne, com um fim previsto, é estranho que valorizemos em demasia o corpo, que vai morrer um dia, e esqueçamos o Espírito que é imortal. Parece ser um paradoxo, mas denota antes um desconhecimento da nossa filiação divina, da nossa essência espiritual. Quanto à imortalidade do Espírito, deixou de ser mera crença das religiões, para passar a ser uma realidade científica, provada por Allan Kardec, em meados do século XIX, quando compilou a Doutrina dos Espíritos (Doutrina Espírita ou Espiritismo).

Modernamente, as experiências de quase - -morte, as experiências fora do corpo, as visões no leito de morte, os casos sugestivos de reencarnaçãoea comunicação com o mundo espiritual através de médiuns humanos e meios electrónicos, comprovam as assertivas espíritas. Numa sociedade ainda essencialmente materialista, a grande maioria de nós vive como se o corpo não fosse morrer, e morre como se a vida não continuasse. Muitos de nós estamos nessa “consciência de sono”, outros estão a despertar para a espiritualidade e, outros tantos, tentam aprofundar a sua espiritualidade.

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Opinião

Página 155 min

A televisão exibia em surdina as notícias do telejornal da tarde e mostrava uma legenda garrafal: “30% das crianças de agregados familiares carenciados têm insucesso escolar.” Um dos meus parceiros de refeição fez uma careta aborrecida, afirmando que “já não tinha pachorra para este choradinho”. De seguida, discorreu sobre o que se passava na escola do seu filho, onde existiam alunos que apesar de terem várias negativas, estavam a passar de ano por diretiva do Ministério da Educação.

Segundo ele, aquela situação era “profundamente injusta para os meninos que se esforçam para tirar boas notas e vêm os outros passarem de ano sem o merecerem.” Aquele comentário incomodou-me e trocamos alguns argumentos sobre o tema. O assunto não me largou durante alguns dias e inspirou-me a esta reflexão. Num relatório recente sobre o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), a Comissão Europeia concluiu que os alunos portugueses estão a aproximar-se da média europeia, sendo cada vez maior a percentagem dos que demonstram competências de elevada complexidade.

No entanto, quase um terço dos estudantes portugueses chumbam, sendo que 52% dessas reprovações dá-se entre os estudantes da classe mais baixa. Estes números revelam que o ambiente escolar, que deveria ser um dos primeiros locais de diminuição das desigualdades e promoção da equidade, está a acentuar ainda mais as diferenças sociais. A doutrina espírita aponta rumos para a batalha de transformação do mundo. Como escreveu Herculano Pires no livro “O Espírito e o Tempo”: “O próprio Espiritismo é um gigantesco esforço de educação do mundo, para que a humanidade regenerada de amanhã possa substituir, o quanto antes, a humanidade expiatória de hoje.

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Opinião (pág. 16)

Página 164 min

Pela mesma época, o filósofo grego Anaxágoras intuía as revelações quânticas de dois milénios e meio mais tarde: “o que vemos é materialização do que não vemos; o que não vemos é, o que vemos não é”. Também antes de Cristo, o Eclesiastes ponderava como tudo é vão, fora da vida espiritual, clamando: Vanitas vanitatum! Vaidade das vaidades! E nos alvores do século XX, Albert Einstein evidenciava que no Universo material tudo é relativo.

Jesus de Nazaré, Sol benfazejo de sempre, instruía (João 6:63): “a carne para nada aproveita, o Espírito é que vivifica” (diversidade dos relativos pressupõe referencial uno, total, incriadoo Absoluto). Um psiquiatra católico descreve alguns casos dos seus ficheiros clínicos (“A Neurose Cristã”, Pierre Solignac, 1977 Europa-América). Ressalta neles a influência perniciosa duma educação dita “cristã”, pedagogia de inculpação e intimidação da qual resultaram transtornos psíquicos requerendo atuação médica.

Uma incongruência, quando Cristianismo é libertação, inspiração, superaçãoo mesmo livro ilustra-o, relatando em apêndice um notório caso verídico da época, de cura instantânea pela oração. Quanto a Espiritismo, trata-se também de Cristianismo; não porém cristianismo romanizado, de mitos, sumptuosidades, ânsia de brilho e poder mundanos. Cristianismo em espírito e verdade, o Espiritismo realiza o Consolador prometido por Jesus para restabelecer a Verdade do seu magistério, libertadora da materialidade e ostentação com queEle previadeterioraríamos a pureza da mensagem crística.

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Cinema / Literatura

Página 178 min

CINEMA / LITERATURA Uma sequela inconveniente Os cinco alicerces fundamentais do Espiritismo, Deus, a alma e sua imortalidade, a comunicalidade dos Espíritos [mediunidade], a pluralidade das existências [reencarnação] e a pluralidade dos mundos habitados, foram primeiramente aflorados por Jesus, com particular cuidado o primeiro ─ Deus ─, ao qual retira o carácter antropomórfico (Ser que discrimina, tem filhos e enteados; castiga; arrepende-se; irrita-se; manda exterminar; etc.)

e o define como Pai bom. Mas o objectivo essencial da sua missão foi trazer-nos um novo paradigma sustentado em novos conceitos, amor, humildade e perdão, desconhecidos e inconcebíveis para Moisés, mas que serão as bases das sociedades futuras. Dezoito séculos após a vinda de Jesus, chega à Terra, conforme prometera, o Consolador para desenterrar da “poeira dos séculos” as suas lições esquecidas, incompreendidas e adulteradas, pois o enraizamento do pensamento mosaico nas consciências tem ainda um grande peso na economia moral dos povos.

A nova revelação prometida seria materializada com os livros assinados por Allan Kardec, que constituiriam a Codificação Espírita. No entanto, o Codificador necessitava de fazer chegar aos vários cantos da França e do planeta a nova doutrina. Com essa finalidade, fundou primeiro a «Revista Espírita», a 1 Janeiro de 1858, que rapidamente se espalhou pelo país e chegou aos cinco continentes, tornando-se um instrumento, não só de divulgação, mas também Em 2006, o ex-vice-presidente e candidato derrotado à presidência dos EUA, Al Gore, produziu o documentário “Uma Verdade Inconveniente” com o principal objetivo de alertar para o problema das mudanças climáticas.

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direitos reservados Entrevista a frequentadores Angela Luyet é atriz e

Página 184 min

foto direitos reservados Entrevista a frequentadores Angela Luyet é atriz e professora de Teatro. Conta 44 anos e vive em Lisboa. Como conheceu o Espiritismo? Angela Luyet – Fui agraciada nesta encarnação com o facto de ter nascido num lar espírita. Desde pequenita, frequentava a evangelização e as conversas em casa e exemplos nas nossas atitudes quotidianas eram edificadas com os ensinamentos advindos do Espiritismo.

Frequenta algum centro espírita? Angela Luyet – Frequento o Centro Espírita Perdão e Caridade, em Lisboa. Sabia que? A vida social dos Espíritos desencarnados permanece, em quase dois terços, semelhante aos interesses que tinham na Terra, trabalhando com ardor não só pelo próprio adiantamento, como também no auxílio aos que ficaram? Descrevendo as suas reuniões espíritas em Lyon, França, Kardec ressalta a presença das crianças, cuja atitude respeitosa contrastava com a idade, acrescentando que pareciam tão ávidas de conhecimento quanto os pais, mantendo-se em silêncio, mesmo em reuniões longas?

A violência na Terra é fruto da imperfeição moral e dos instintos agressivos dos Espíritos que nela ainda habitam? Após a morte física de um ente querido, o que de melhor podemos fazer por ele é envolvê-lo mentalmente em luz e pedir aos bons Espíritos que o ajudem? Qual a sua opinião acerca do “Jornal Espiritismo”? Angela Luyet – O “Jornal de Espiritismo” desempenha uma função muito importante no que se refere à divulgação do Espiritismo, abrindo portas ao diálogo e reflexão sobre os temas abordados.

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Sustentável

Página 193 min

Uma nação que não evidencia ao longo de décadas zelo pela conservação dos seus recursos naturais não pede menos. Vista de modo individual, nivelada ao patamar de cada cidadão, parece deixar muito a desejar. Entendida de modo coletivo, afigura-se rala. O desprezo com que normalmente encaramos no dia a dia a conservação da natureza pode radicar na abundância dos bens e serviços que ela nos proporciona sem fins de semana, folgas ou feriados, e que consumimos como se nunca pudesse esgotar.

Queremos respirar, respiramos. Quem cogita de apurar de onde vem o ar respirável que tanto prazer dá ao livre exercício dos pulmões? Quem estuda a matéria afirma que a maior parte do oxigénio respirado incessantemente por cada pessoa vem do plâncton vegetal, praticamente microscópico, que vive nos oceanos da Terra. Outras partes vêm das florestas por efeito da fotossíntese, em cujos processos as plantas absorvem dióxido de carbono e libertam oxigénio.

Supomos que nunca vai acabar, mas durante alguns dias, no verão de 2016, na cidade do Porto recordo-me que, face a incêndios ocorridos nas redondezas, havia transeuntes com máscara respiratória de proteção e os que a não tinham sentiam um ar difícil de respirar. Em outubro de 2017 ameaçou de novo, com um incêndio no subúrbio, em Alfena. Mera relação de causa e efeito. A água pura que precisamos de beber várias vezes por dia é um bem vital sob pressão.

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Viana do Castelo: Grupo de Assistência Hospitalar Espírita O Grupo de Assistência Hospitalar Espírita, atuante no Hospital Público de Viana do Castelo, vai realizar dia 9 de junho as II Jornadas da Assistência Hospitalar Espirita, no auditório do mesmo hospital. Inicia pelas 9h00 e inclui diversos oradores, como Victor Passos, Maria Paula Silva, Inês Ruvina, Andresa Thomazoni, Margarida Velho, João Maduro e João Guia.

Encerra às 15h30, com uma mesa redonda com todos os oradores. Com entradas gratuitas, encontra mais informações junto da Associação Espírita Paz e Amor, Rua Cidade do Recife, Lote 5/6 - 4980 -379 Viana do Castelo, Portugal. Vale de Cambra: Ciência e Espiritualidade Sábado, dia 24 de março, entre as dez e as 18h00, a biblioteca municipal de Vale de Cambra acolhe uma iniciativa organizada pela Associação Cultural Espírita Mudança Interior (ACEMI) que inclui diversas conferências, o lançamento de um livro e uma exposição de pintura.

Os oradores são Gláucia Lima que fará uma apresentação sobre «Doenças mentais e evolução espiritual», Paula Costa Siva que se debruçará sobre «Investigação científica e espiritualidade», António Pinho da Silva que discursará sobre «Reencarnação, o elo perdido do cristianismo» e Arlindo Pinho que falará sobre «Relacionamento interdimensional». Para saber mais deve contactar a ACEMI, que fica na Av. Vale do Caima, 602, R/C - 3730-202 Vale de Cambra, telefone 256403021 - http://www.

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