Sustentável
Jornal de Espiritismo nº 87 · Maio 2018Página 193 min
Uma nação que não evidencia ao longo de décadas zelo pela conservação dos seus recursos naturais não pede menos. Vista de modo individual, nivelada ao patamar de cada cidadão, parece deixar muito a desejar. Entendida de modo coletivo, afigura-se rala. O desprezo com que normalmente encaramos no dia a dia a conservação da natureza pode radicar na abundância dos bens e serviços que ela nos proporciona sem fins de semana, folgas ou feriados, e que consumimos como se nunca pudesse esgotar.
Queremos respirar, respiramos. Quem cogita de apurar de onde vem o ar respirável que tanto prazer dá ao livre exercício dos pulmões? Quem estuda a matéria afirma que a maior parte do oxigénio respirado incessantemente por cada pessoa vem do plâncton vegetal, praticamente microscópico, que vive nos oceanos da Terra. Outras partes vêm das florestas por efeito da fotossíntese, em cujos processos as plantas absorvem dióxido de carbono e libertam oxigénio.
Supomos que nunca vai acabar, mas durante alguns dias, no verão de 2016, na cidade do Porto recordo-me que, face a incêndios ocorridos nas redondezas, havia transeuntes com máscara respiratória de proteção e os que a não tinham sentiam um ar difícil de respirar. Em outubro de 2017 ameaçou de novo, com um incêndio no subúrbio, em Alfena. Mera relação de causa e efeito. A água pura que precisamos de beber várias vezes por dia é um bem vital sob pressão.
O solo impermeabilizado não absorve a chuva que rápida corre para o mar. Somados às alterações do clima, os bosques, esponjas naturais que purificam a água e a soltam gradativamente ao longo do ano, são destruídos por sistema. Sem água de qualidade a espécie humana será uma das primeiras a soçobrar. Purificar a água do mar para beber torna-se tão caro que só uns poucos endinheirados a podem beber regularmente durante algum tempo, porque para soInteligência ambiental: é importante?
Depois da calamidade dos incêndios reincidentes no ano passado, decerto a maioria com mão criminosa, somos tentados a pensar que a inteligência ambiental portuguesa tem andado atrofiada, pelo que tem de se mexer, e muito. foto ulisses.com.pt A água pura que precisamos de beber várias vezes por dia é um bem vital sob pressão. O solo impermeabilizado não absorve a chuva que rápida corre para o mar. breviverem também dependem de muita gente empobrecida, reza a história.
São exemplo do bem que nos faz uma natureza respeitada o ar eaágua de que dependemos todos os dias, mas há muitos outros bens que não cabe aqui descrever. Por estas e outras razões respeitáveis é justo lembrar Howard Gardner. O eminente psicólogo e investigador alargou o entendimento sobre a inteligência, sem procurar esgotar todos os tipos de inteligência numa lista taxativa, fazendo antes uma relação daquelas que entende serem, na sua visão e de acordo com as suas pesquisas, as principais para que o ser humano possa desenvolver-se de modo adequado, sem prejuízo de vir a reconhecer outras no futuro.
Ele discriminou irreversivelmente inteligências diversas como a linguística (uso das palavras), a interpessoal (perceção do outro), a intrapessoal (autoconhecimento), a lógico-matemática (uso dos números e do raciocínio lógico-formal), a musical (perceção e expressão da música), a espacial (perceção e transformação dos espaços), a corporal-cinestésica (uso do corpo). Porém, já na década de 1990, ele acrescentou a estas a Inteligência Naturalista, aquela necessária para lidar melhor com o meio ambiente, com a natureza, e concretamente com a agricultura.
Vale muito a pena pensar nisto. MARÇO.ABRIL.2018 Aldeia global Quando o filósofo canadiano Herbert Marshall Mc Luhan em 1962 falou da Terra como uma aldeia global, estaria longe de pensar na tecnologia instantânea de que qualquer cidadão dispõe hoje em dia. Nesse sentido, num dos primeiros fins-de-semana de janeiro, o telemóvel assinala com uma imagem a mensagem – «O JDE sabe tão bem ao pequeno-almoço!». A espontaneidade da iniciativa merece mais do que uma vida meramente eletrónica, não acha?
