Entrevista
Jornal de Espiritismo nº 87 · Maio 2018Página 95 min
O que são estas Jornadas de Cultura Espírita? José LucasAs Jornadas de Cultura Espírita do Oeste são sobretudo um convívio entre pessoas interessadas na temática espírita. Pretendem também ser um espaço cultural, onde as situações do quotidiano possam ser escalpelizadas à luz dos ensinamentos da doutrina dos Espíritos, compilada por Allan Kardec. De um modo geral têm um tema central, desdobrado em três painéis, com debates, cinema, teatro, música, posters temáticos, entre outras iniciativas que possam ocorrer.
Em 2018, a pedido da maioria das pessoas que vieram em 2017, iremos abordar a mediunidade, nas suas variadas facetas, que emergem no quotidiano de quem é portador desta característica, mas essencialmente são um ponto de encontro de espíritas portugueses, brasileiros e espanhóis onde se privilegia o convívio, a amizade e o bem-estar mútuo, baseado na alegria. Quando se realizam? José LucasGeralmente realizam-se na primavera, no fim de abril.
Em 2018, realizar-se-ão no fim-de-semana de 21 e 22 de abril, desde as 14h00 de Sábado até às 17h00 de Domingo. Onde vão decorrer? José LucasAs XIV Jornadas de Cultura Espírita vão ter lugar no Grande Auditório do Centro Cultural e Congressos (CCC) nas Caldas da Rainha, Portugal, considerado um dos dez melhores auditórios a nível nacional, com capacidade para 660 pessoas. Quem organiza? José LucasA organização, em termos operacionais, está a cargo do Centro de Cultura Espírita (CCE) de Caldas da Rainha e da AssoVêm aí as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste ciação de Cultura Espírita de Alcobaça (ACEA).
No entanto, em termos conceptuais, têm tido sempre o generoso contributo da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), seja como entidade, seja na pessoa de alguns dos seus membros, a título particular. A organização chegou inclusive a passar para a ADEP, mas, posteriormente, tornou-se difícil compatibilizar a rapidez de execução em termos organizativos, com a capacidade de decisão em termos temporais, tendo retornado ao modelo original.
O curioso é que todos colaboramos na organização, sem pruridos de “penachos”, com igual ânimo e dedicação, bem como forte empenho, o que é uma grande lição de companheirismo, amizade e verdadeira postura espírita, que temos recebido por parte da ADEP. O que destaca como mais atrativo no programa? José LucasSinceramente, o mais atrativo é o convívio, o conhecer novos amigos e o reencontrar amizades de longa data. Para além do são convívio, da postura alegre, desinibida, mas igualmente séria, destacaria acima de tudo a grande qualidade das conferências, de um modo geral, bem como as inovações em termos culturais, no que concerne à parte artística.
De realçar que, desde o ano passado, incrementámos o convite à apresentação de posters temáticos (prática corrente nas universidades e eventos de índole cultural e científica), que voltaremos a ter em 2018, como novas áreas de pesquisa. Paralelamente, temos também uma livraria, em quantidade e qualidade, bem como a oportunidade de autografar livros de autores portugueses presentes no evento. Que “feedback” costuma haver?
José LucasA avaliação dos participantes tem sido muito favorável, com muita participação quer nos inquéritos em papel quer via Internet. As pessoas têm sido generosas nas suas apreciações e deixam sempre, amavelmente, sugestões, críticas construtivas, que procuramos, dentro do possível, levar por diante no ano seguinte, procurando sempre um evento que seja equilibrado em todos os seus aspetos. A organização do evento quantas pessoas (voluntários) envolve?
José LucasDe um modo geral a organização deste evento engloba cerca de 30 pessoas, que são de uma generosidade e competência espantosas, sendo que nenhum de nós ganha um cêntimo, antes pelo contrário, pagamos pequenas despesas do próprio bolso. De realçar o espírito de serviçoea alegria de servir, pese embora a enorme carga de trabalho que é levar a cabo um evento desta envergadura, que já ultrapassou a fronteira de Portugal.
Ocorre várias vezes por ano? José LucasNão. As Jornadas são realizadas uma vez em cada ano, geralmente em abril ou maio, conforme a disponibilidade dos espaços físicos onde ocorrem. Quando foram as primeiras jornadas? José LucasAs I Jornadas de Cultura Espírita do Oeste tiveram lugar no ano de 2005, no Auditório Municipal “A Casa da Música”, em Óbidos, com o tema central “A vida para além da morteevidências científicas”.
É necessária inscrição para assistir? José LucasSim, quem desejar estar presente terá de se inscrever através da página do CCE (www.cceespirita.wordpress.com) ou do Facebook (www.facebook.com/jornadas.espiritas) bastando para isso aceder ao link das inscrições em http://bit.ly/2BJJ7Sh ou ainda pelo telefone 938 466 898, para quem não tenha Internet. A entrada custa 12,50 €, um preço meramente simbólico, tendo em conta a qualidade do auditório, as muitas despesas com a organização (qualquer evento deste género, custa entre 70 € a 100 €, em Portugal, e o nosso é feito por 12,50 € por pessoa).
O nosso objetivo é fazer eventos espíritas que não visam o lucro, sempre ao menor preço, para que qualquer pessoa que queira ir possa ir, mesmo que não tenha 12,50 €. Nem poderia ser de outro modo, pois um evento espírita deve ser acessível a qualquer pessoa, e não tornar-se num clube de gente endinheirada. Pensamos que agindo assim vamos de encontro à essência da Doutrina Espírita que Allan Kardec compilou em 1857. Que diria a alguém que esteja indeciso quanto a inscrever-se ou não?
José LucasA primeira coisa que diria é que não conte encontrar um evento perfeito, com formalidades, banalidades, superficialidades. Mesmo que não seja espírita, será muito bem - -vindo, não numa perspetiva proselitista, mas sim num ponto de vista humano, na partilha de conhecimentos, partilha de amizade, de alegria, na envolvência e ambiente espiritual que se gera, e que faz com que as pessoas se sintam bem. Os conhecimentos adquiridos acerca da mediunidade poderão vir a ser muito úteis quer para si, quer para outras pessoas com quem se relacione.
Afinal, o saber não ocupa lugar. Verá que vai valer a pena, pois é um evento diferente de todos os demais que ocorrem em Portugal, na área espírita. Tornaram-se um marco significativo de expressão cultural do espiritismo, quer pela forma quer pelo conteúdo. Ano a ano, num auditório de excelência, num ano em que o tema é a mediunidade, conversámos com José Lucas, representante da organização deste evento. foto ulisses.
com.pt “Em 2018, a pedido da maioria das pessoas que vieram em 2017, iremos abordar a mediunidade, nas suas variadas facetas, que emergem no quotidiano de quem é portador desta característica” MARÇO.ABRIL.
