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Jornal de Espiritismo nº 88 · Maio 2018Página 15 min
88 JDE MAIO . JUNHO . 2 0 1 8 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Quisemos fazer uma estimativa da quantidade de reuniões mediúnicas espíritas que existem em funcionamento semana a semana em Portugal. Por isso, embarcámos durante um mês numa missão impossível, mesmo sem querermos fazer concorrência a Hollywood: seria viável que os representantes de uma centena de associações respondessem a um pequeno questionário?
2 CONTO O FAROLEIRO DESPREVENIDO O médium e o bem comum. Artwork ulisses.com.pt Quantas reuniões mediúnicas há em Portugal? 5 CONSULTÓRIO FOBIAS “Tenho um medo excessivo de me expor…” 9 PESQUISA FACTOS HISTÓRICOS: O ESPIRITISMO NO SÉC. XIX A historiadora americana Lynn Sharp abre o livro sobre a história da reencarnação e do espiritismo no século XIX. 12 OPINIÃO CORPO ESPIRITUAL Perispírito: palavras novas evitam confusão.
10 ANOXIV MAIO.JUNHO.2018 Aprender com a mediunidade JORNAL DE ESPIRITISMO EDITORIAL / CONTO Que aprendemos com a mediunidade? A pergunta sai de chofre e preenche linha em cartaz. Pede respeito! É bom de ver que pode haver quem não saiba o que quer dizer mediunidade e, por isso, importa explicar que o termo foi criado por Allan Kardec no intuito de apontar faculdades pelas quais se consegue fazer trânsito de informação entre o Plano Espiritual e o Plano Material.
Entre faculdades mediúnicas mais conhecidas estão formas específicas de sensibilidade tais como a psicofonia, a psicografia, a vidência. A primeira proporciona uma intensa influência de natureza essencialmente telepática, acreditamos, entre um Espírito desencarnado eomédium, através da qual este verbaliza e transmite ideias, sensações, sentimentos. É possível aqui uma interação rápida e produtiva. No caso da psicografia, fala-se de escrita mediúnica, expressão talvez mais acessível a quem não está habituado à terminologia.
Na vidência, vê-se Espíritos desencarnados. A função do erro é ensinar como funciona na vida o retorno das opções que tomamos, ou seja, de aprendizagem, desde que identificado o lapso a fim de não ser repetido. Este fluxo de dados mais ou menos (in)certos permite aprendizagem variada. É dado adquirido no espiritismo que, nas comunicações mediúnicas, tanto se aprende com as experiências mal sucedidas próprias de Espíritos imperfeitos e neutros, segundo a escala espírita constante de «O Livro dos Espíritos», de Kardec, como com Espíritos amadurecidos, equilibrados, caracterizados pela bondade e por possuírem um bom leque de conhecimentos.
A função do erro é ensinar como funciona na vida o retorno das opções que tomamos, ou seja, de aprendizagem, desde que identificaO faroleiro desprevenido do o lapso a fim de não ser repetido. Com os lapsos alheios, observados além desta vida material, também se aprende. Estabelecido o processo de entreajuda, a fraternidade ergue pontes de comunicação que cintilam entre constelações face ao porvir. Porém, em poucas linhas, se tivéssemos de apontar o que mais se aprende com a mediunidade no espiritismo, creio não haver lugar a qualquer dúvida: é o amor, a capacidade de amar sem expectativa de retorno, a exemplo do que Jesus de Nazaré desdobra no evangelho: toda a lei e os profetas se resumem a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
É esta a pauta que estamos a experienciar no curso dos séculos, em qualquer das dimensões de vida em que, num dado momento evolutivo, existimos. Já viu as páginas que se seguem? Também elas foram feitas nessa acústica. Permita-nos, assim, desejar-lhe boa leitura. foto pixabay O soldado Teofrasto, homem de excelente coração, fora nomeado faroleiro por Alcebíades, na expedição da Sicília, a fim de orientar as embarcações em zona perigosa do mar.
Por ali, rochedos pontiagudos esperavam sem piedade as galeras invigilantes. Ainda mesmo fora da tempestade, quando a fúria dos deuses não soprava sibilante sobre a Terra, derribando casas e arvoredo, os pequenos e grandes barcos eram como que atraídos aos penhascos destruidores, qual ovelhas precipitadamente conduzidas ao matadouro. Quantos viajantes haviam já perdido a vida e os bens na traiçoeira passagem? Quantos pescadores incautos não mais regressaram à bênção do lar?
Ninguém sabia. Preservando, porém, a sorte de seus comandados, o grande general situou Teofrasto no farol que se erguia na costa, com foto ulisses.com.pt a missão de iluminar o caminho equóreo, dentro da noite. Para garantir-lhe o êxito, mandou-lhe emissários com vasta provisão de óleo puro. O servidor, honrado com semelhante mandato, permaneceria no ministério da luz contra as trevas, defendendo a salvação de todos os que transitassem pelas águas escuras.
A função do erro é ensinar como funciona na vida o retorno das opções que tomamos, ou seja, de aprendizagem, desde que identificado o lapso a fim de não ser repetido. De início, Teofrasto desenvolveu, sem dificuldade, a tarefa que lhe competia. Findo o crepúsculo, mantinha a luz acesa, revelando a rota libertadora. Quando os vizinhos, porém, souberam que o soldado guardava um coração terno e bondoso, passaram a visitá-lo, amiúde.
Realmente estimavam nele a cordialidade e a doçura, mas o que procuravam, no fundo, era a concessão de óleo destinado às pequenas necessidades que lhes eram próprias. O soldado, a breve tempo, era cercado de envolventes apelos. Antifon, o lavrador, veio pedir-lhe meio barril do combustível para os serões de sua fazenda. Eunice, a costureira, rogou-lhe duas ânforas cheias para terminar a confeção de algumas túnicas, além das horas do dia.
Embolo, o sapateiro, alegando que o pai agonizava, implorou-lhe a doação de alguns pratos de azeite, a fim de que o genitor não morresse às escuras. Crisóstomo, o fabricante de unguentos, reclamou cinco potes destinados à manipulação de remédios. Córico, o negociante, implorou certa cota mais elevada para sustento de algumas tochas. Todos os afeiçoados das redondezas, interessados em satisfazer as exigências domésticas, relacionaram solicitações simpáticas e comoventes.
Teofrasto, atingido na sensibilidade, distribuiu o combustível precioso pela ordem das rogativas. Não podia sofrer o quadro angustioso, afirmava. As requisições, no seu parecer, eram justas e oportunas. Assim foi que, ao término de duas semanas, se esgotou a reserva de doze meses. O funcionário não pôde comunicar-se facilmente com os postos avançados de comando e, tão logo se apagou o farol solitário, por várias noites consecutivas os penhascos espatifaram embarcações de todos os matizes.
Prestigiosos contingentes de tropas perderam a vida. Confiados pescadores jamais tornaram ao ninho familiar. Comerciantes diversos, portadores de valiosas soluções e problemas inquietantes da luta humana, desceram aflitos ao abismo do mar. Alcebíades, naturalmente indignado, exonerou o servidor do elevado encargo, recomendando lhe fosse aplicado às penas da lei. O médium cristão é sempre um faroleiro com as reservas de óleo das possibilidades divinas, a benefício de todos os que navegam a pleno oceano da experiência terrestre, indicando-lhes os rochedos das trevas e descerrando-lhes o rumo salvador: todavia, quantos deles perdem a oportunidade de serviço vitorioso pela prisão indébita nos casos particulares que procedem geralmente de bagatelas da vida?
Do livro “Contos e apólogos”, Irmão X (Espírito), psicografia do médium Francisco Cândido Xavier. ERRATA Na página 11 do «Jornal de Espiritismo» n.º 87, no artigo «Jornadas de Cultura Espírita do Oeste: quer ver alguns dados?», houve um lapso de paginação na legenda de um dos gráficos, que foi repetida face à do gráfico anterior: a legenda correta é Idades (décadas até aos 80 anos). Pelo facto pedimos desculpa aos leitores.
