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Jornal de Espiritismo nº 88 · Maio 2018Página 105 min
Quantas reuniões mediúnicas há em Portugal? São 21h15 nesta terça-feira. Somos os últimos elementos a entrar na pequena sala de paredes brancas, nos arredores da cidade do Porto, em Portugal. Assim que todos estamos sentados, na verdade uma dezena de integrantes, alguém começa a ler pequenos textos de conteúdo pacificador. Como som de fundo há uma música tranquila, sugestiva de bons sentimentos. É inegável a paz que se sente no ambiente da sala, mais intensamente do que nos dias de palestra pública, decerto dada a maior heterogeneidade das mentes em atividade no local.
Hoje, a esta reunião só assiste ou participa quem teve adequada formação prévia. Quinze minutos depois, pontualmente, o coordenador do grupo pede que se faça uma prece. Soltam-se sentimentos afáveis em forma de palavras simples, e todas as mentes, encarnadas e desencarnadas, se ajustam ao ideal maior de servir ao próximo indistintamente. Virão dentro de uma hora a manifestar - -se, segundo a agenda preparada pela coordenação de Espíritos desencarnados esclarecidos em tarefa, que desconhecemos, duas pessoas já desligadas por efeito do decesso do seu corpo físico em cada médium.
Muitos Espíritos no início do transe mediúnico com que interagimos desconhecem isso, outros não, mas certo é que ainda não sabem como sair da inércia afetiva: indagam por vezes – que imortalidade é esta na qual não estou a conseguir aceder a uma vida feliz? O diálogo iluminativo, em média de 15 minutos, eleva os sentimentos, abre as percepções espirituais e o Espírito comunicante por fim consegue ver alguém da equipa espiritual, gentil, a convidar para uma conversa fraterna, mais elucidativa, em plena dimensão extrafísica.
Outras vezes é a mãe, o pai ou os avós que aparecem a surpreender o parente próximo desencarnado, emocionado, que não percebeu durante anos que era bem mais do que apenas o seu próprio corpo material. No final, tudo em paz, em mais uma atividade disciplinada em que ninguém aufere qualquer vantagem ou remuneração. Como esta, muitas outras reuniões de amparo a Espíritos desencarnados em necessidade desenrolam-se país fora no movimento espírita, semanalmente.
Quantas seriam? Quantas pessoas se envolverão neste mister? As indagações tiveram rumo: «Estamos particularmente interessados em reuniões de auxílio a entidades espirituais em necessidade, seja em trabalhos de desobsessão ou não», lia-se no preâmbulo do questionário composto por uma dezena de perguntas. Disponível entre 24 de setembro e 30 de outubro de 2017, num universo de 100 associações com correio eletrónico na listagem de moradas da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), 34 tiveram a gentileza de responder via internet durante o prazo estipulado.
Bem bom, até porque se encontram distribuídas por todo o território, estando as regiões autónomas dos Açores e da Madeira incluídas. Entretanto, depois de dia 31 de outubro, durante sensivelmente uma semana, agradeceu-se a oferta primorosa de ajuda por parte de uma colaboradora, no sentido de as associações que não responderam pela internet serem contactadas telefonicamente. Posto isso, o número de respostas obtidas, imagine, mais que duplicou, atingindo as 73!
Esta nossa amiga sublinhou a simpatia com que todas as pessoas conversaram com ela enquanto, mediante as respostas, preenchia on-line o inquérito ainda aberto. Neste pequeno grupo de perguntas percebeu-se que 63,1% das reuniões não pararam nem por motivo de férias de verão dos integrantes e que a esmagadora maioria de 92,3% das reuniões mediúnicas são privadas. Na equipa mediúnica, Quisemos fazer uma estimativa da quantidade de reuniões mediúnicas espíritas que existiriam em 2017 em funcionamento em Portugal.
Assim, embarcámos durante um mês numa missão impossível, sem querermos fazer concorrência a Hollywood: seria viável que os representantes de uma centena de associações respondessem a um pequeno questionário? 95,5% dos integrantes receberam formação para esta tarefa. Posto isso, se estimarmos que as respostas destas associações espíritas inquiridas representará, sem grande margem de erro, a realidade aproximada de todo o universo solicitado, concluímos, por exemplo, que nem todas as associações espíritas possuem reuniões mediúnicas (11%).
Este facto não surpreende, pois as reuniões deste jaez não devem ocupar zonas cinzentas, isto é, ou se fazem bem ou então mais vale não as fazer. Ainda assim, lançando mão a ferramentas válidas como o estudo bem orientado nas coordenadas da educação da mediunidade, no porvir, mais tarde ou mais cedo, virá a surgir esta outra clareira típica de serviço fraterno no calendário de atividades dos grupos vinculados à doutrina espírita.
Independentemente das associações terem respondido ou não ao questionário ou de terem e-mail disponível, publicamos aqui o gráfico que representa as associações espíritas por região. Deve, porém, especificar-se que tomámos a liberdade de delimitar as regiões da seguinte maneira: da fronteira norte até à margem norte do rio Douro – região Norte; da margem sul do rio Douro até à margem norte do rio Tejo – região Centro; da margem sul do rio Tejo até às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira – região Sul.
Quanto ao resto, os gráficos publicados nestas páginas dão uma ideia do que se terá passado a nível nacional durante 2017. Para outros anos, seria interessante fazer periodicamente, pelo menos de década em década, uma tomada de pulso ao que existe em funcionamento no movimento espírita português. Isso pode ajudar a refletir de forma sensata sobre os dados assim obtidos. Reuniões mediúnicas: tipologia Há vários espiritualismos – que não são espiritismo – capazes de incluir de determinada maneira, nas suas práticas, o transe mediúnico.
Essas reuniões não foram contempladas neste estudo. As reuniões mediúnicas realizadas no movimento espírita podem ser de teor diverso, mas ainda assim tentaremos resumi - -las aqui. Allan Kardec, em «O Livro dos Médiuns», classificou no capítulo XXIX estas reuniões na sua época em reuniões frívolas, experimentais e instrutivas, de acordo com o objetivo e o grau de consciencialização dos participantes. Enquanto as reuniões frívolas eram praticamente inúteis, as experimentais voltavam-se sobretudo para o estudo dos fenómenos de efeitos físicos.
Porém, as mais ricas de informação eram, sem dúvida, as reuniões instrutivas. Estas reuniões instrutivas foram-se ajustando a e adquiriram designações próprias. É o caso das reuniões de Educação da Mediunidade. Nestas convergem os médiuns principiantes. Em convivência com médiuns mais experientes e fornecida a devida formação num roteiro de aprendizagem, educam passo a passo as suas faculdades mediúnicas. Há aprendizado teórico e prático, pelo que se divide o tempo entre o estudo e o exercício.
Saliente-se que é consenso amadurecido dos estudiosos do espiritismo que se um médium padece de uma obsessão, não deve participar numa reunião mediúnica. Deve, sim, primeiro tratar esse problema e só depois entrará nesta formação, se for adequado. Há também as chamadas reuniões de Desobsessão, destinadas ao atendimento de casos mais expressivos de obsessão, entendendo-se por obsessão todo o tipo de influência perniciosa que um Espírito desencarnado logra adquirir sobre um encarnado.
Somente médiuns cuja sensiMAIO.JUNHO.
